Juiz do Maranhão absolve doleiro das acusações de lavagem de dinheiro…

Juiz Clésio Coelho

Do Radar On Line – Veja

O juiz Clésio Coelho Cunha, da 3ª Vara Criminal de São Luís, absolveu o doleiro Alberto Youssef das acusações de lavagem de dinheiro e associação criminosa pelo suposto pagamento de R$ 3 milhões de reais à empresa Constran-UTC Engenharia.

Segundo o Ministério Público do estado, o dinheiro seria usado em troca de favorecimento em contratos de R$ 134 milhões da empreiteira com o governo maranhense.

Youssef foi condenado na Lava-Jato a mais de 100 anos de prisão em vários processos. Como assinou acordo de colaboração premiada, entretanto, passou apenas três anos preso.

Clésio Coelho Cunha também inocentou o ex-secretário da Casa Civil do Maranhão, João Guilherme Abreu. Há 15 dias, ele absolveu a ex-governadora Roseana Sarney das mesmas acusações.

LAVA JATO – Procuradoria dá parecer favorável a envio de grampos à Corregedoria do Maranhão

Compartilhamento de provas que envolvem conversas do doleiro Alberto Youssef com dono e executivo da UTC, em que ele confirma liberação de valores de precatório para Constran, embasarão apuração interna do órgão estadual sobre fraudes e propina no governo Roseana Sarney.

Estadão

Ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. Foto: Márcio Fernandes/Estadão

Ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. Foto: Márcio Fernandes/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato deu parecer favorável ao compartilhamento de provas, em especial um grampo do doleiro Alberto Youssef, com a Corregedora-Geral do Estado do Maranhão para investigação interna sobre fraudes em um precatório no governo estadual durante o governo Roseana Sarney (PMDB). O esquema teria beneficiado a construtura Constran/UTC – do delator Ricardo Pessoa.

“A Corregedoria solicitou a este Juízo o compartilhamento de diálogos telefônicos mantidos por Alberto Youssef com os interlocutores Walmir Pinheiro e Ricardo Pessoa, com destaque para uma ligação telefônica realizada no dia 9 de dezembro de 2013, identificada como ‘67809200.WAV’, na qual ‘Youssef recebe a confirmação de que a primeira parcela foi disponibilizada na conta da Constran S/A”, informou o juiz federal Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, em despacho do dia 5 de abril, em que pediu parecer ao Ministério Público Federal sobre o compartilhamento.

Os investigadores da Lava Jato descobriram que Youssef, peça central do escândalo da Petrobrás, tenha pago propina no governo Roseana – filha do senador José Sarney (PMDB/AP) – para agilizar a liberação de um precatório (dívida judicial) de R$ 134 milhões. A dívida era relativa a serviços de terraplanagem e pavimentação da BR-230. Era o quinto na ordem cronológica, mas após o pagamento da propina a construtora “furou a fila” e o valor começou na ser liberado parceladamente.

Precatório é título judicial que deve ser honrado pelo Executivo, mas o credor geralmente entra numa fila sem fim. A ordem cronológica não pode ser quebrada – a sequência deve ser acatada rigorosamente pela Fazenda devedora.

Nesta segunda-feira, 25, os procuradores da Lava Jato, em parecer favorável ao compartilhamento dos grampos, destacaram que “os fatos investigados no âmbito da Operação Lava Jato repercutem não apenas na esfera penal, mas também na responsabilidade cível, tributária e administrativa”.

“No caso concreto, o compartilhamento de provas requerido pela Corregedoria do Maranhão objetiva instruir “processo administrativo de responsabilização instaurado para apurar possível responsabilidade da empresa Constran SA por prática de atos lesivos contra a Administração Pública Estadual”. A Constran pertence hoje à UTC, do delator Ricardo Pessoa.

Para os procuradores da Lava Jato, “existe interesse legítimo daquele Órgão do Maranhão em acessar os autos a fim de adotar eventuais providências pertinentes”.

 ‘Leão’. Espécie de parceiro e entregador de dinheiro de Youssef, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, afirmou à Procuradoria-Geral da República em delação premiada que o doleiro lhe mostrou no final de 2013 um rascunho indicando ‘fluxo de propina’ dividido em vários níveis, um deles identificado pela palavra ‘Leão’ – suposta referência ao Palácio dos Leões, sede do Governo do Maranhão.

O doleiro, peça central da Lava Jato, foi preso em março de 2014 no Maranhão, flagrado pagando parte da propina a funcionários de confiança da então governadora, no Hotel Luzeiro, em São Luiz. A Polícia Federal reuniu 19 imagens captadas do circuito de segurança do hotel da movimentação do doleiro.

Estadual. As investigações de propina no governo Roseana começaram na Lava Jato, em Curitiba, mas foram enviadas no ano passado para a Justiça Estadual no Maranhão. Em setembro do ano passado, João Abreu, o ex-secretário estadual da Casa Civil de Roseana, foi preso preventivamente pela polícia. Ele é suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas para garantir que o governo maranhense pagaria o precatório à Constran-UTC.

O ex-secretário responde a inquérito ao lado do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes e Adarico Negromonte Filho, suspeitos de operar os pagamentos e o corretor Marco Antonio Ziegert, o Marcão, suposto elo entre Youssef e o governo do Maranhão

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ROSEANA SARNEY

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defendeu Roseana Sarney no caso afirmou que “este assunto foi investigado, já tem denúncia recebida pela Justiça e a Roseana foi inocentada. Ela não foi incluída na denúncia. Tudo mais não nos interessa, o processo termina aí para ela.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CARLOS SEABRA DE CARVALHO COELHO, DEFENSOR DE JOÃO ABREU

“O sr. João Abreu nega veementemente ter recebido propina de qualquer valor, seja de Alberto Youssef, seja de outra pessoa, durante o exercício do cargo de Secretário ou em razão dele.”

Sindjus pede apuração para esclarecer suposto envolvimento de membros do TJ na quebra da fila de precatórios no Maranhão

Youssef e João Abreu: caso da liberação de precatórios promete aindo muitos episódios

Youssef e João Abreu: caso da liberação de precatórios promete aindo muitos episódios

O Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus) quer que seja esclarecida a eventual participação ou não de membros ou servidores do Judiciário maranhense nesse esquema ilícito e oficiou à Procuradoria Geral da República – PGR – pedindo para que esta investigue se houve envolvimento de membros do Tribunal de Justiça do Estado na suposta quebra da fila de precatórios judiciais do Estado do Maranhão, mediante pagamento de propina pelo doleiro Alberto Youssef (Operação Lava-Jato), em 2014, durante o governo Roseana Sarney (PMDB).

Delator da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef foi um dos primeiros presos da operação e está detido há quase dois anos. Agora, corre o risco de ser preso novamente. No final de setembro, a Justiça do Maranhão decidiu por sua detenção preventiva.

O novo decreto prisional integra as investigações sobre o pagamento de precatórios pelo governo do Maranhão na gestão Roseana Sarney,  que teria sido intermediada pelo ex-chefe da Casa Civil, João Abreu9. Youssef afirmou, em delação premiada, que viabilizou o pagamento de R$ 6 milhões em propina pela empreiteira Constran, da UTC, para “furar” a fila dos precatórios do Estado em 2014.

Quando foi preso, em março daquele ano, o doleiro estava em São Luís para, inclusive, fazer o pagamento de R$ 1,4 milhão a João Abreu, então secretário da Casa Civil do governo de Roseana Sarney (PMDB), segundo afirmou em delação.

O depoimento do doleiro, enviado à Justiça do Maranhão, deu início às investigações no Estado. Ainda assim, a polícia pediu a prisão preventiva de Youssef e de outros dois investigados, com o argumento de garantir a ordem pública e impedir a destruição de provas.

A defesa de Youssef contestou a decisão. Argumentou que o decreto descumpre o acordo de delação – que estabelece que o doleiro ficará na cadeia por três anos e, depois, passará ao regime aberto. Na prática, com o novo decreto, Youssef iria para uma cadeia no Maranhão após ser solto em Curitiba.

Uma das cláusulas da delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal, prevê que seus efeitos valem “em todo foro e instância”. A própria Procuradoria-Geral da República foi acionada para atestar que os fatos ocorridos no Maranhão estão abarcados no acordo.

Segundo o argumento da defesa, Youssef não teria qualquer possibilidade ou interesse em destruir provas do fato, uma vez que ele próprio o denunciou. A prisão, porém, continua valendo: em parecer recente, o Ministério Público do Maranhão pediu certidões que explicam qual é a situação prisional de Youssef, e voltou a se posicionar favoravelmente à prisão. A defesa pediu sua revogação, mas a Justiça ainda não se manifestou.

FORA DA PRISÃO – Justiça manda soltar João Abreu, mas com tornozeleira eletrônica

João Abreu  está proibido de exercer cargo público e de se comunicar com Roseana Sarney

João Abreu está proibido de exercer cargo público e de se comunicar com Roseana Sarney

Se não fosse no Maranhão era de se estranhar. Mas o desembargador  da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, José Luiz Almeida, concedeu Habeas Corpus e decidiu, nesta terça-feira (29),  soltar o empresário João Guilherme Abreu, ex-secretário da Casa Civil do governo Roseana Sarney, preso há poucos dias.

João Abreu é suspeito de participação no escândalo de corrupção e propina investigado na Operação Lava-Jato, acusado de receber suborno de R$ 3 milhões do doleiro Alberto Youssef para autorizar o pagamento de precatórios antigos à UTC/Constran.

Segundo a decisão, João Abreu terá que usar tornozeleira eletrônica, será obrigado a devolver o passaporte e não poderá conversar com qualquer dos envolvidos no escândalo da Lava Jato. Ele também não poderá exercer nenhum cargo público em todo o país.

Abaixo a decisão:

“Com essas considerações, defiro a liminar vindicada, para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares diversas, a serem impostas ao paciente João Guilherme de Abreu, brasileiro, casado, advogado, OAB nº 749/MA, CPF nº 011.971.693-34, residente e domiciliado na Av. dos Holandeses, nº 2000, Condomínio Yaguá, Ap. 502, Ponta d”Areia, São Luís, consistentes em:

I – comparecimento mensal em juízo, para informar e justificar atividades, com proibição de mudar de endereço e de se ausentar da comarca sem prévia autorização judicial;

II – proibição de manter contato com os demais investigados, indiciados e réus na operação “Lava-jato”, por qualquer meio;

III – proibição de deixar o país, devendo entregar seu passaporte em juízo, em até 48 (quarenta e oito) horas;

IV – proibição de ocupar cargo público em todo o território nacional, na estrutura dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em âmbito Federal, Estadual e municipal; e

V – monitoração por meio da utilização de tornozeleira eletrônica, para viabilizar a fiscalização do cumprimento das medidas ora impostas, de forma mais fidedigna.

Advirta-se que a implementação dessas medidas far-se-á sem prejuízo de outras que venham a se tornar necessárias no curso da persecução criminal, e seu eventual descumprimento injustificado ensejará o restabelecimento da ordem de prisão (art. 282, § 4°, do Código de Processo Penal).

Para efetivo cumprimento, a presente decisão tem força de alvará judicial, devendo o paciente ser posto in continenti em liberdade, se por outro motivo não deva permanecer preso, e tomará compromisso por termo nos autos, perante o juízo de primeira instância.

Reitere-se o pedido de informações, e após sua juntada, encaminhem-se os autos à Procuradoria Geral de Justiça para emissão de parecer, no prazo legal.

Intimem-se”.

Depoimentos revelam que emissários de Youssef entregavam propina no Palácio a João Abreu

 

O Imparcial

Youssef e João Abreu

Youssef e João Abreu

O ex-secretário chefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney recebeu, no Palácio dos Leões, três parcelas que totalizam R$ 3 milhões por emissários do doleiro Alberto Youssef. Este é o fato que confirmam os depoimentos prestados à Polícia Federal e à Polícia Civil pelos principais emissários do homem que virou o pivô da operação Lava Jato. João Abreu se entregou à Polícia na tarde desta sexta (25), no aeroporto de São Luís.

Em depoimento obtido com exclusividade pela reportagem de O Imparcial, Rafael Ângulo diz que fez várias viagens com destino a São Luís, a mando de Youssef, transportando dinheiro colado ao próprio corpo com meias de pressão. Ângulo conta que esteve em São Luís por duas vezes para “fazer a entrega, ao secretário João Abreu, de dinheiro enviado por Youssef, carregado no próprio corpo. Informou que o fez no Palácio dos Leões, diretamente ao secretário, na sala dele, por determinação e sob as instruções de Youssef.”

Os depoimentos dos principais envolvidos no esquema de corrupção que foi desvendado em abril de 2014, quando Roseana Sarney ainda era governadora do Maranhão, mostram que, para efetivar um acordo entre o Governo do Estado e a empresa Constran para o pagamento de uma dívida de precatório referente aos anos de 1980, o ex-secretário João Abreu teria recebido R$ 3 milhões como propina paga pelo doleiro. Os pagamentos foram efetuados nas viagens feitas por Rafael Ângulo.

Braço direito de Youssef, Ângulo conta em seu depoimento detalhes sobre o Palácio dos Leões e a sala em que entregava o dinheiro a João Abreu. Às polícias Federal e Civil, ele revelou “detalhes do interior do prédio (Palácio dos Leões), que é de acesso restrito, e do caminho até a sala do Secretário” o que, segundo os delegados responsáveis pela condução do processo, “confere grande verossimilhança às suas declarações”.

Junto a ele atuava Adarico Negromonte, ambos responsáveis pelas viagens de “negócios” do doleiro para efetuar as entregas que eram combinadas em reuniões capitaneadas por Youssef. Os depoimentos confirmam que “ambos levaram, em cada uma dessas ocasiões, R$ 800 mil acondicionados em seus próprios corpos. As viagens e esses pagamentos, realizados diretamente a João Abreu, foram revelados pelos próprios Youssef (à Polícia Federal e à Polícia Civil), Rafael Ângulo e Adarico”.

Em seus depoimentos, os delatores contam que levavam o dinheiro do hotel para a Casa Civil em malas. A versão foi confirmada pelo doleiro, ao informar que na noite anterior à sua prisão, deixou uma mala contendo R$ 1,4 milhão referente à última parcela do “acordo” feito com ex-secretário de Roseana Sarney para que esta fosse entregue por “Marcão” a João Abreu na manhã seguinte. João Abreu, em seu depoimento, confirma que Marco Antonio esteve no Palácio dos Leões para reunir-se na Casa Civil e que ambos aguardavam Youssef.

E foi nessa viagem, nesse dia, que ocorreu a prisão de Alberto Youssef, num hotel de luxo da capital maranhense, situação em que estava acompanhado por Marco Antonio Zieghest. Conhecido por “Marcão”, ele foi o elo entre Youssef e João Abreu para o início das tratativas para o pagamento do precatório – que somava R$ 113 milhões. O acordo para pagamento da dívida que já corria há 20 anos aconteceu em tempo recorde, três meses, a partir de negociação entre Youssef, o chefe da Casa Civil e a Procuradoria-Geral do Estado.

A investigação iniciada pela Polícia Federal do Paraná e que culminou na prisão do doleiro Alberto Youssef em São Luís, teve esta semana mais uma etapa concluída com a decretação da prisão de João Abreu, Alberto Youssef, Marco Antonio Zieghest e Rafael Ângulo, por meio de decisão proferida pela 1ª Vara do Tribunal do Juri. A decisão foi de autoria do juiz Osmar Gomes. Até o momento, apenas o ex-secretário João Abreu foi preso ao se entregar à Polícia Civil do Maranhão. Youssef está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Quem é quem

Rafael Ângulo – responsável por transportar quantias elevadas de dinheiro em vôos pagos por Yousseff, com notas de dinheiro acondicionadas no próprio corpo

Meire Poza – contadora doleiro e responsável pelos investimentos feitos pelas empresas de fachada

Marcos Zieghest – elo entre João Abreu e Alberto Youssef

João Abreu – ex-secretário chefe da Casa Civil, no governo Roseana Sarney. Homem de confiança da então governadora. Em depoimento à Polícia, disse que informava Roseana de tudo o que fazia

Roseana Sarney – autorizou e assinou os acordos entre a empresa Constran e o Governo do Estado que resultou no pagamento das propinas.

Entenda o caso

Youssef foi preso em São Luís em março de 2014, quando teria um encontro no Palácio dos Leões com João Abreu para entregar a última parcela da propina no valor de R$ 1.400.000,00.

João Abreu foi responsável pela intermediação entre a empresa Constran e o Governo do Maranhão, durante o governo Roseana Sarney, para pagamento de dívida da década de 1980 que somava R$ 113 milhões.

Para facilitar as negociações, Youssef teria pago a João Abreu R$ 3 milhões em propina. O doleiro representava a empresa Constran para tratar da dívida no Maranhão.

Rafael Ângulo, braço direito de Youssef, esteve em São Luís por duas vezes para entregar na sala de João Abreu parcelas da quantia combinada.

Inquérito, instaurado pela Polícia Federal no ano passado pelo juiz Sérgio Moro, tramita no Maranhão por determinação do Superior Tribunal de Justiça.

João Abreu confirma que tinha encontro com Youssef no dia da prisão do doleiro

Marrapá

João Abreu no momento da prisão, na tarde de sexta-feira: Ex-secretário de Roseana afirma que receberia Alberto Youssef em seu gabinete no Palácio dos Leões

João Abreu no momento da prisão, na tarde de sexta-feira: Ex-secretário de Roseana afirma que receberia Alberto Youssef em seu gabinete no Palácio dos Leões

O empresário João Guilherme Abreu informou que teria um encontro com Alberto Youssef nas dependências do Palácio dos Leões, no dia 17 de março de 2014, data em que o doleiro foi preso pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Lava Jato, no Hotel Luzeiros, em São Luís.

A informação foi confirmada em depoimento à Polícia Civil do Maranhão, que investiga, a pedido do Supremo Tribunal Federal, o suposto repasse de propina ao governo Roseana Sarney para adiantar o pagamento de um precatório de R$ 113 milhões à Constran.

Em um trecho do depoimento obtido pelo blog, João Abreu relata o ocorrido na manhã da prisão de Youssef. Por volta das 11 da manhã, o ex-auxiliar de Roseana narra que encontrou o corretor Marco Antônio Ziegert em seu gabinete da Casa Civil. Ao recebê-lo, ele questionou imediatamente a ausência do doleiro, pois o mesmo também participaria da reunião.

“Quando Marco entrou na sua sala, o interrogado (João Abreu) questionou por Alberto (Youssef) e outro, que quando Marco (Ziegert) responde que não sabe, achando que Alberto poderia ter tido problemas de saúde, Marco diz que vai aguardar mais um pouco e continua insistindo nas ligações para Alberto, que até então estava com o celular fora de área”, descreve no depoimento.

Depois de aguardar um pouco, Abreu garante que foi até o gabinete de Roseana Sarney para despachar sobre “outros assuntos”. “Quando retornou, passou por Marco e o mesmo lhe mostrou uma reportagem do site UOL que narra a prisão de Alberto Youssef”.

Nesse instante, o ex-secretário parece ficar atordoado e argumenta que não teria mais condições de levar a reunião adiante. “Então Marco abriu uma pequena mochila com roda, onde havia vários documentos, muitos deles fornecidos por Alberto (…) Marco deixa a mala na Casa Civil e diz que irá procurar Alberto Youssef e retornará, mas não voltou”, relatou Abreu aos investigadores.

A mochila em questão seria a mesma despachada por Youssef minutos antes de sua prisão. Dentro dela, segundo depoimento do próprio doleiro à Polícia Federal, havia uma remessa de R$ 1,4 milhão em propina para ser entregue por Marco Ziegert a João Guilherme Abreu.

João Abreu é preso ao desembarcar em aeroporto de São Luís

Ex-secretário se entregou à Polícia nesta sexta-feira

Ex-secretário se entregou à Polícia nesta sexta-feira

O ex-secretário da Casa Civil do governo Roseana Sarney, João Abreu, foi preso, no início da tarde desta sexta-feira (25), quando estava desembarcando no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado, em São Luís, retornando de São Paulo. A prisão havia sido decretada desde quinta-feira (24) pela Justiça.

João Abreu foi abordado pela Polícia Civil e, em seguida, encaminhado para a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC). As informações são do delegado-geral da Polícia Civil no Maranhão, Augusto Barros.

O ex-dirigente é acusado de receber R$ 3 milhões em propina do doleiro Alberto Yousseff para intermediar o pagamento de um precatório à construtora Constran.

Os agentes policiais descobriram que o João Abreu estava vindo num voo da TAM, fizeram campana e deram voz de prisão tão logo ele desceu no avião, ainda na pista.

O acordo que teria sido fechado com pagamento de propina pelo governo do Maranhão com a construtora resultou no acerto de pagamento de R$ 114 milhões à empreiteira envolvida na operação Lava Jato. Segundo as investigações, Abreu cobrou e recebeu do doleiro R$ 3 milhões para agilizar o acordo.

Relação com Youssef

O doleiro Alberto Youssef foi preso em um hotel de luxo na capital maranhense no dia 17 de março de 2014. Ele estaria na cidade para pagar propina a João Abreu. A prisão desencadeou a Lava Jato.

Segundo informou o delegado Augusto Barros, Abreu será ouvido e posteriormente encaminhado a uma unidade prisional. “Temos um Polícia Civil Republicana. Não há qualquer verdade na informação de que a Polícia esteja se não usada para perseguir alguém. Nossa obrigação é investigar fatos criminosos, independente de quem quer seja”, observou o delegado.

Corte de precatório da Constran corresponde a 80% do aumento para servidores

DO JP

Doleiro Alberto Youssef confirmou que pagou propina a João Abreu

Doleiro Alberto Youssef confirmou que pagou propina a João Abreu

Ainda muito recentemente, o Maranhão acompanhou atônito a revelação de que seus ex-gestores estariam envolvidos em uma trama de propina, benefício a empresas e utilização do cargo público para enriquecimento ilícito. Nesse enredo, o doleiro Alberto Yousseff foi preso em um hotel de São Luís, há cerca de um ano.

A transação operacionalizada pelo doleiro que tem revelado os maiores esquemas de corrupção do país era um montante de R$ 123 milhões pagos em parcelas à empresa Constran, fruto de um precatório que se pode chamar, no mínimo, de duvidoso. Após as denúncias de irregularidades envolvendo Yousseff, a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-chefe da Casa Civil, João Abreu, e os valores que estavam sendo pagos à empreiteira pelos cofres públicos, o governador Flávio Dino decidiu suspender os repasses logo no primeiro dia de governo.

Já em fevereiro, o Governo do Estado sob o comando de Flávio Dino consegue implantar uma extensa pauta de valorização dos servidores. Mesmo recebendo dívida bilionária, que chega a quase R$ 2 bilhões deixados por pagar pelo governo Roseana Sarney, o governo do ex-juiz federal vem apresentando fortes investimentos em áreas importantes para o funcionamento da máquina pública.

O exemplo do aumento para servidores públicos de carreira é muito emblemático. Só com os funcionários ativos, no ano de 2013 serão incrementados mais R$ 153 milhões pelo Tesouro do Estado. Isto quer dizer não apenas aumento de salário aos funcionários, mas também injetar mais dinheiro na economia do Estado – fazendo com que os sistemas de serviços, geração de emprego e renda sejam reativados.

O valor do incremento diz muito, se comparado com os episódios recentes. Foram R$ 153 milhões de benefícios aos servidores concedidos enquanto R$ 123 milhões de repasses a empreiteira foram cancelados. Para ambos, a fonte é o Tesouro Estadual.

O rompimento com a lógica anterior, que beneficiava grandes empresas em detrimento do cidadão comum, está sendo o ponto chave da nova política implementada por Flávio Dino. O corte no repasse à empresa que estaria negociando precatórios em troca de propina ao alto escalão do antigo Governo foi fundamental para que mais de 80% do aumento aos servidores públicos fosse garantido.

Assim, o ex-juiz federal vai mostrando que romper a lógica da corrupção é realmente a chave-mestra para fazer um bom governo.

Oposição diz que discute greve em São Luís, mas não aceita desviar foco do caso Constran

Deputados querem apuração rigorosa sobre denúncia de suposto esquema de suborno contra o governo Roseana

Deputados querem apuração rigorosa sobre denúncia de suposto esquema de suborno contra o governo Roseana

Em resposta a provocações do governista Roberto Costa (PMDB), os deputados estaduais Othelino Neto (PCdoB) e Rubens Júnior (PCdoB) disseram, na sessão desta terça-feira (19), que a Oposição quer discutir, sim, a questão da greve dos professores de São Luís, no entanto não aceita desviar o foco das investigações sobre a denúncia de suposto suborno e propinagem contra o governo do Maranhão, que envolve a empresa Constran. Segundo os parlamentares, a negociação com a categoria do magistério da capital está em andamento e o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr, está empenhado em resolver a situação.

Segundo Othelino Neto, a greve dos professores é um assunto da maior importância é e a questão tem que ser resolvida o quanto antes. Ele disse que a negociação não parou e que o prefeito é um homem de postura, um político aberto, reconhecido pela sua capacidade de dialogar. “A determinação dele é para que se avance na negociação. E o secretário de Educação, Geraldo Castro, tem se esforçado para isso. Tenho conversado com ele. O impasse ainda permanece, mas eu tenho certeza que será solucionado”, enfatizou.

Othelino disse que a Assembleia pode discutir o assunto da greve  à exaustão, muito embora a Câmara Municipal de São Luís, que deve ser intermediária no processo de negociação, seja o ambiente onde a questão deve ser discutida, mas não pode deixar de lado o caso Constran, que evidenciou um suposto esquema de suborno contra o governo, envolvendo, inclusive, a governadora Roseana Sarney. “A Polícia Federal investiga altos membros da cúpula do governo do Maranhão por envolvimento com o recebimento de propina. Então, nós não podemos tapar o sol com a peneira”, comentou.

Othelino lembrou que a Oposição tem um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito, para a qual coleta assinaturas, e reiterou que a bancada não tem medo de discutir nada. “A governadora foi pega na mentira. Ela disse que pagou o precatório da Constran por ordem judicial e o Tribunal de Justiça disse que não determinou nada. Eu quero que vocês aprovem, bancada governista, o requerimento de convocação dos secretários para possibilitar que eles se expliquem aqui nesta Casa e vamos assinar a CPI”, assinalou.

Negociações

Respondendo a Roberto Costa, Rubens Jr disse que o secretário Geraldo Castro, que já foi elogiado inclusive em outros momentos na Assembleia, vem fazendo o que é possível para negociar o fim da greve dos professores de São Luís. “A mesa de diálogos está posta. Eu não vou criminalizar o movimento sindical. Pelo contrário, é legítimo que se exerça o direito de greve. Mesmo o Tribunal de Justiça, o Supremo Tribunal Federal, tendo reconhecido a ilegalidade, eu entendo que o prefeito e o secretário têm que sentar e juntos encontrar uma forma de solucionar esse impasse”, ressaltou.

Rubens Jr lembrou que, no ano passado, foi concedido reajuste de 9%, as escolas passaram por reforma, além de outros avanços, mas muito ainda há por fazer. “Então, tenho convicção de que com o diálogo, nós conseguiremos resolver esse problema”, frisou.

Na mesma linha de pensamento de Othelino, Rubens Jr defendeu que a questão da greve deve ser tratada na Assembleia, sem que se fuja de investigar o escândalo do caso Constran, que revelou um esquema de suborno e propinagem no governo do Maranhão, a clínica fantasma, entre outras denúncias contra o Estado que devem ser esclarecidas.