Globo estaria incluída em suposta delação de Palocci, diz Record

Delação de Palocci está sendo aguardada

Reportagem da Record, veiculada na noite de domingo (16), afirma que a Rede Globo estaria incluída na suposta delação do ex-ministro Antonio Palocci, no âmbito da operação Lava Jato.

A reportagem denuncia supostas negociatas da emissora, que incluiria um esquema de evasão de divisas e sonegação de impostos durante a Copa do Mundo de 2002.

De acordo com a reportagem da Record, a Globo teria se beneficiado de um esquema de sonegação fiscal, usando empresas de fachada em paraísos fiscais. A emissora teria ainda recebido favorecimentos federais.

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Colunista de O Globo sugere que delação contra Flávio Dino foi para “acalmar” família Sarney

O colunista Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, publicou, neste fim de semana, em uma nota, informação dando conta que a Procuradoria Geral da República decidiu levar adiante a acusação do delator José Carvalho Filho contra o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), mesmo com diversas contradições na acusação, para evitar que a família Sarney alegasse ser perseguida pela operação Lava Jato.

Segundo o colunista, o vice de Rodrigo Janot, procurador-geral da República e o responsável pelas investigações, é Nicolau Dino, irmão de Flávio Dino. Embora os dois irmãos não tenham afinidade política, isso vinha sendo usado pela oligarquia para sustentar que haveria perseguição contra eles.

De acordo com o colunista, a saída, então, teria sido levar a delação adiante, mesmo com todas as inconsistências.

A nota do colunista do Globo, com título “Esperteza”, diz que “Janot deixa mesmo a Procuradoria em setembro. Sem compromisso com ninguém, quis deixar seu nome na História. Não perdoou nem o governador Flávio Dino, irmão do seu braço direito na PGR”.

“Para calar a boca dos Sarney, que se dizem perseguidos pelo procurador por conta desse parentesco”, acrescenta o colunista.

‘Execrável’ e ‘monstro moral’, diz defesa de Sarney sobre delator Sérgio Machado

UOL

Renan Calheiros e Sarney

Renan Calheiros e Sarney

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o ex-presidente José Sarney (1985/1990) afirmou que o peemedebista está disposto a processar o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que dirigiu a empresa durante 12 anos por indicação do PMDB. Sarney foi um dos políticos gravados por Sérgio Machado, que se tornou delator da Operação Lava Jato.

Machado afirmou ter repassado mais de RS 70 milhões para cardeais do PMDB. Desse montante, segundo o delator, RS 20 milhões teriam sido entregues a Sarney.

Vendo-se acuado, com medo de ser preso na Lava Jato, o ex-chefe da Transpetro, no cargo que ocupou por 12 anos, gravou secretamente conversas com quadros máximos do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do partido em exercício, Romero Jucá (PMDB-RR) – ministro por alguns dias do governo interino Michel Temer – e o próprio Sarney (PMDB-AP). Uma das conversas, Machado gravou em um hospital onde Sarney estava internado.

Em nota, o ex-presidente da República afirmou que Machado é um “monstro moral” e uma “pessoa abjeta”. “A total falta de caráter de quem, como meu amigo por mais de 20 anos, frequentando com assiduidade minha casa, almoçando e jantando comigo e visitando-me sempre, teve a vilania de gravar nossas conversas, até mesmo em hospital, revela o monstro moral que ele é”, declarou.

Na conversa registrada pelo ex-presidente da Transpetro, os dois discutem a crise política e a Operação Lava Jato que avança sobre os principais políticos brasileiros e também manifestam preocupação com a possibilidade das investigações envolvendo Machado serem enviadas para o juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba.

Segundo o criminalista, Sérgio Machado era “superpróximo” a Sarney e que a gravação da conversa é “inacreditável”. “Esse cidadão é execrável. Ele ia lá, almoçava, jantava”, afirma. “O Brasil perdeu completamente os limites da ética.”

Kakay diz que já requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso à delação de Sérgio Machado, mas que o pedido foi negado. “A operação vaza e as pessoas não têm acesso a ela. É uma piada, um mundo de faz de contas”, criticou.

Delatores de Roseana e Lobão farão acareação no MPF dia 22

Raimundo Garrone

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Após a revelação de um vídeo em que procuradores parecem desdenhar da ideia de uma acareação, o Ministério Público Federal marcou para o próximo dia 22 um interrogatório conjunto entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para esclarecer pontos divergentes nas declarações que prestaram em acordos de delação que ambos fizeram na Lava Jato.

Os pontos de discórdia entre os dois envolvem seis casos, entre os quais os do ex-ministro Antônio Palocci e do senador Edson Lobão (PMDB-MA) e recursos para campanhas de 2010 (leia quadro).

Paulo Roberto disse ter autorizado Youssef a repassar R$ 2 milhões para a campanha de 2010 de Dilma Rousseff (PT), que teriam sido pedidos por Palocci.

Youssef, por sua vez, disse que não fez essa operação nem foi procurado por Palocci. O advogado do petista, José Roberto Batochio, confirma essa versão e diz que seu cliente jamais viu o doleiro.

No caso de Lobão, Paulo Roberto afirmou que ele pediu R$ 2 milhões para a campanha de Roseana Sarney ao governo do Maranhão e que a entrega do montante foi providenciada por Youssef.

O doleiro negou ter feito a operação para Roseana e levantou a hipótese de que Paulo Roberto pode ter confundido ele com outro doleiro.

Se ficar provado que um dos dois mentiu, eles podem perder benefícios, como o direito a prisão domiciliar, mas é improvável que uma divergência pontual anule o acordo de delação inteiro.

A acareação vai ocorrer em Curitiba, onde o doleiro está preso desde 17 de março do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Lava Jato, que apura pagamento de propina em contratos da Petrobras. O inquérito sobre Lobão corre no Supremo, porque ele é senador e só pode ser investigado pela instância máxima da Justiça, enquanto a apuração sobre Palocci está em Curitiba.

O advogado de Roseana e Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, nega as acusações contra os dois e tem repetido que as delações não são confiáveis.

MEXEU, FEDEU

A acareação tornou-se uma questão polêmica depois que o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou no último dia 27 um vídeo em que o doleiro aparece falando com procuradores e um de seus advogados.

Youssef parece interessado em confrontar a sua versão com a de Paulo Roberto: “Não quer ver aquelas discrepâncias com aqueles depoimentos do Paulo Roberto?”.

Quando um procurador aborda a suposta doação pedida por Palocci, Youssef rebate: “Eu acho que o Paulo se equivocou e se os doutores acharem necessário a gente ter uma conversa juntos (…), eu estou à disposição”.

Outro procurador, cuja identidade ainda não foi descoberta, segundo a Procuradoria Geral da República, diz em seguida: “Esse é o tipo de coisa que, quanto mais mexe, pior fica”. Outra voz arremata: “É a teoria da bosta seca. Mexeu, fedeu”.

Segundo o procurador Andrey de Mendonça, que estava na sala em que o vídeo foi gravado, quem disse essa frase foi um dos advogados do doleiro, Luis Gustavo Flores. Ele não quis comentar a atribuição feita pelo procurador.

Mendonça disse na última semana que é completamente errada a impressão de que os procuradores não queiram a acareação. “Nosso objetivo é chegar à verdade”, frisou.

O advogado de Paulo Roberto, João Mestieri, diz que acareações costumam ser inócuas: “Como quase sempre acontece nesses casos, cada um sai com a sua verdade”.