Polícia Civil volta a agir contra a agiotagem no Maranhão e prende de novo ex-prefeito de Bacabal e cia…

Presos teriam desviado R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e meio de reais) dos cofres públicos, segundo a Polícia

Foto Jornal Pequeno: Raimundo Lisboa já havia sido preso na primeira etapa da operação. Volta à prisão preventiva

Foto Jornal Pequeno: Raimundo Lisboa já havia sido preso na primeira etapa da operação. Volta à prisão preventiva

A Polícia Civil do Maranhão voltou a agir contra a agiotagem no Estado e, na manhã desta quarta-feira (18), deflagrou a operação  “El Berite II”, onde prendeu, preventivamente, o ex-prefeito de Bacabal, Raimundo Lisboa; o agiota Josival Cavalcanti, conhecido por Pacovan, e sua esposa Edna Pereira;  Eduardo José Barros Costa, conhecido por Eduardo DP, mas que se intitula Eduardo Imperador; além de Aldo Araújo de Brito, ex-secretário municipal de Bacabal, e Gilberto Ferreira, ex-tesoureiro.
Segundo a Polícia Civil, os presos são responsáveis por desvios de aproximadamente RS 4.500.000,00 (quatro milhões e meio de reais) dos cofres públicos. Eles já haviam sido presos em uma outra etapa do combate à agiotagem este ano.

Em maio deste ano, o ex-prefeito de Bacabal, Raimundo Lisboa, já havia sido preso temporariamente na primeira fase da operação ‘El Berite’, como desdobramento da ‘Operação Detonando’, realizada em 2012 após o assassinato do jornalista Décio Sá. Raimundo Lisboa foi prefeito do município entre 2004 e 2012 e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Agora, a prisão do ex-prefeito é preventiva (sem prazo para terminar).

O agiota Gláucio Alencar Pontes Carvalho, preso desde 23 de abril de 2012 – acusado de ser um dos mandantes do assassinato do jornalista Décio Sá, em abril de 2012, e por encabeçar uma quadrilha que praticava agiotagem em prefeituras no Maranhão –, também teve a prisão decretada pela Justiça.

Aldo Araújo também já havia sido preso na El Berite 1, em maio, que investigou especificamente desvios de recursos públicos na construção da chamada Estrada do Leite, em Bacabal, pela empresa El Berite Construções, Incorporações e Empreendimentos Ltda.

Agiotagem em Arari

No início deste mês de novembro, a Polícia Civil deteve também o ex-prefeito de Arari, José Antônio Nunes Aguiar, conhecido pelo apelido de ​Mindubim, foi detido,  em operação da Superintendência de Combate à Corrupção (Seccor) , após o cumprimento de três mandados de busca e apreensão, dois executados em Vitória do Mearim e um na capital São Luís.

A ação é desdobramento das investigações relacionadas às centenas de cheques administrativos de prefeituras, assinados por prefeitos e ex-prefeitos, encontrados com o agiota Gláucio Alencar, preso como mandante do assassinato do jornalista Décio Sá, cujo blog denunciava a rede de corrupção que desviou milhões de reais dos cofres de diversos municípios maranhenses.

Segundo o superintendente da Seccor, delegado Lawrence Melo Pereira, entre os cheques apreendidos havia vários de emissão da Prefeitura de Arari de 2005 e 2006, quando Nunes Aguiar comandou a administração municipal, com valores que variam de R$ 12 mil a R$ 102 mil, além de cheques em branco.

Dono da UTC confirma participação de Roseana e Lobão em esquema

O empresário fez referência aos políticos em acordo de delação premiada

O empresário fez referência aos políticos em acordo de delação premiada

O Globo – A delação premiada do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, tratou de um suposto esquema de pagamento de propina em contratos de obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, segundo fontes com acesso às investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Pessoa, apontado como chefe do chamado “clube do cartel”, teria detalhado pagamentos envolvendo parlamentares do PMDB e gestores da Eletrobras Eletronuclear, órgão responsável pelas obras da usina. A delação é conduzida sob sigilo pela Procuradoria Geral da República.

O depoimento de Pessoa reforça o teor da delação do ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini. Ele também decidiu colaborar com a Justiça em troca de um alívio nas penas. Segundo Avancini, coube à UTC, com participação de Pessoa, convocar uma reunião para acertar propina ao PMDB e a dirigentes da Eletronuclear, entre eles o presidente da estatal, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva.

O executivo relatou uma organização em cartel das empreiteiras para fatiar contratos, como ocorreu na Petrobras. As revelações sobre o depoimento de Avancini foram feitas pelo “Jornal Nacional” em 25 de abril. O presidente da Eletronuclear se licenciou do cargo quatro dias depois.

INTEGRANTES DE CARTEL

A UTC e a Camargo Corrêa são acusadas de integrar o cartel que negociou contratos na Petrobras. Pessoa e Avancini ficaram presos em Curitiba devido ao suposto envolvimento no esquema. O dono da UTC aderiu à delação premiada após ser transferido para prisão domiciliar. O acordo é com a procuradoria, no âmbito das investigações em curso no STF, por conta das citações a autoridades com foro privilegiado.

O ex-presidente da Camargo Corrêa decidiu fazer a delação quando estava num presídio. Ele deixou o cárcere por conta da colaboração. Os depoimentos foram para a equipe de procuradores da força-tarefa em Curitiba.

A delação de Pessoa ainda está em curso e depende de homologação do STF. Já se sabe que ele citou como beneficiário do esquema o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB). Os dois já são investigados em inquéritos no STF. Uma autoridade militar com atuação no setor elétrico também foi citada por Pessoa. O GLOBO não confirmou se a referência foi a Othon Luiz, da Eletronuclear. A Eletrobras afirmou que nenhuma irregularidade foi identificada até agora em Angra 3.