Conheça a trajetória política de Epitácio Cafeteira…

Epitácio Cafeteira teve longa história política no Maranhão

Nascido em 27 de junho de 1924, na cidade de João Pessoa, na Paraíba, Epitácio Cafeteira veio ainda muito novo para o Maranhão. Foi funcionário do Banco do Brasil, técnico em Contabilidade e iniciou sua carreira política ao eleger-se suplente de deputado federal pelo PR em 1962.

Em 1965, foi eleito prefeito de São Luís pelo MDB, após a imposição do bipartidarismo pelos militares. Perdeu a disputa ao Senado em 1970.

Sua relação com José Sarney oscilou, ao longo dos anos, entre a situação de aliado e a de adversário, sendo que a primeira ruptura aconteceu a partir dos anos de 1970 quando Cafeteira foi eleito deputado federal pelo MDB em 1974 e 1978.

Ao longo da década seguinte, esteve intrigado com o PMDB onde foi reeleito deputado federal em 1982 e, tão logo seu então adversário José Sarney assumiu a presidência da República (1985-1990), reconciliou-se e foi eleito governador do Maranhão em 1986 com um percentual superior a 80% dos votos válidos.

Sua gestão no governo do Maranhão findou com a sua renúncia em 1990 quando já havia deixado o PMDB e se filiado ao PDC, sendo eleito senador. Nesse momento, sua posição com o clã Sarney era a de adversário e sua eleição para a Câmara Alta do país foi facilitada pela decisão de José Sarney em disputar uma vaga pelo recém-criado estado do Amapá.

Extinto o PDC em 1993, Epitácio Cafeteira ingressou no PPR e foi derrotado por Roseana Sarney na disputa pelo governo do Estado no segundo turno das eleições de 1994, sendo novamente vencido pela mesma adversária na disputa pelo Palácio dos Leões no primeiro turno das eleições de 1998 quando já estava filiado ao PPB.

Disputou a eleição para senador em 2002 pelo PDT, ficando em terceiro lugar. Abandonando sua postura de adversário da família Sarney, foi eleito senador após fazer uma aliança com a mesma, sendo filiado ao PTB em 2006 e encerrou seu mandato em 2014 quando decidiu abandonar a carreira política.

Epitácio Cafeteira morreu no fim da tarde do último domingo (13), em Brasília, aos 93 anos de idade. Ele estava internado em sua casa por causa do delicado estado de saúde.

Simplesmente Tereza…

Há 87 anos, em 1929, chegava ao mundo a pequena Tereza Pereira, filha de Raimunda e de Francisco, em um povoado de Mirinzal, na Baixada Maranhense. Filha de uma família de seis irmãos, ela nasceu em berço muito pobre, mas era muito rica em capacidade de amar. Amor que, mais tarde, marcou uma linda história de superação de uma mulher muito simples, porém guerreira.

Tereza deu à luz nove filhos, todos de parto normal, mas apenas cinco sobreviveram: José Benedito, Maria de Nazaré, Nailde, Izabel e Martinho, o caçula. Lutadora e corajosa, ela criou todos como mãe solteira, sem apoio do pai das crianças.

Seu pai faleceu muito jovem, com trinta e poucos anos. Tereza teve apenas o apoio de sua mãe, Raimunda, para criar e sustentar os cinco filhos. Mas esta também foi embora precocemente, com 62 anos, deixando a filha e os netos.

Estudo, Tereza teve muito pouco. Lavradora, trabalhava a terra, com sol forte ou chuva, plantava, colhia, consumia, vendia a produção, de onde tirava a pouca renda para o sustento de sua família. Com o suor do seu trabalho, criou os cinco filhos.

A vida, a responsabilidade e o amor aos filhos fizeram dela uma grande guerreira, capaz de vencer muitas barreiras, verdadeiros obstáculos pela sobrevivência dos seus. Nova, com trinta e poucos anos, teve Acidente Vascular Cerebral, uma sequência, que a deixou muito doente, além de outras enfermidades que tratou com poucos recursos, com remédios caseiros e muita fé. Perdeu a visão do olho esquerdo na flor da idade.

Vieram os primeiros netos, Gerson e Sílvia Tereza, filhos de Nazaré e Nailde, respectivamente, ambos sem pai, e Tereza, guerreira e forte, não se negou e ajudou a criá-los, nos anos iniciais, em Mirinzal, enquanto suas filhas trabalhavam em São Luís.

Anos depois, em condições financeiras melhores, fruto do trabalho dos filhos, Tereza guerreira veio para a capital e iniciou um novo ciclo de vida. Nasceram os netos Viviane, Marcos Adriano, Nária, Bianka e Brenda; as bisnetas Géssica, Vanessa, Andressa e Isabela Renata.

Imensa na forma de amar, a matriarca da família Pereira foi um exemplo a ser seguido por sua força, vontade de viver, garra, luta, simplicidade, superação, justiça, honestidade, amor extremo, bondade, etc.

Tereza cumpriu sua missão na terra e nos deixou em 05 de dezembro de 2016. Tristeza sim. É triste perder aqui, mas Deus ganha uma guerreira no céu. A saudade fica e permanece viva até o encontro na eternidade, na certeza de que o amor é maior.