Os tentáculos de Sarney não esmorecem

Sarney não só continua dando cartas no Amapá, como pretende fortalecer seus tentáculos

Veja

José Sarney deixou a vida pública, o poder, jamais.

Para tentar eleger sua filha, Roseana, ao governo do Maranhão, o ex-presidente se distanciou do Amapá e mudou seu domicílio eleitoral de volta para São Luís.

O afastamento, no entanto, vai até a página 3. Sarney não só continua dando cartas no Amapá, como pretende fortalecer seus tentáculos.

Basta dizer que há três candidatos ao Senado pelo estado que têm ligações com o ex-presidente: Lucas Barreto, do PTB, e os emedebistas Gilvam Borges e Fátima Pelaes.

“O Velho de Novo”: Editorial da Folha de S.Paulo cita Sarney

As eleições estaduais e legislativas fornecem demonstrações ainda mais eloquentes, quase caricaturais, da resistência dos nichos tradicionais de poder

Se a espiral de desastres econômicos e escândalos de corrupção dos últimos anos prenunciava uma intensa demanda por renovação na política, o cenário eleitoral deste 2018 dá seguidos exemplos de que a inércia ainda rege a oferta de opções competitivas nas disputas.

O processo mais visível de decantação se deu na corrida presidencial, com a desistência precoce de candidatos a mudar o rol tradicional de favoritos —casos de Luciano Huck, apresentador de TV, e Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

Fora a relativa novidade representada por Jair Bolsonaro (PSL), um deputado no sétimo mandato consecutivo, restaram no páreo postulantes experimentados. Além de PT e PSDB, que encabeçaram os últimos seis pleitos, os concorrentes mais bem posicionados são os veteranos Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT).

As eleições estaduais e legislativas fornecem demonstrações ainda mais eloquentes, quase caricaturais, da resistência dos nichos tradicionais de poder.

Como noticiou esta Folha, os principais clãs políticos do país lançaram mais de 60 candidaturas neste ano. Entre os sobrenomes mais conhecidos estão os de dois ex-presidentes, José Sarney (MDB), cuja filha Roseana tenta voltar ao governo do Maranhão, e Fernando Collor (PTC), ele próprio em busca de retomar Alagoas.

As chances de sucesso das oligarquias podem ser avaliadas conforme o tamanho de suas coligações. O governador alagoano, Renan Filho (MDB), concorre a um segundo mandato com o apoio de 19 siglas; no Pará, o também emedebista Helder Barbalho reúne 17.

O descompasso entre a expectativa de renovação e a permanência de velhos nomes e práticas se dá, em boa medida, porque os partidos e seus caciques controlam o acesso à política —e os mais estabelecidos dispõem de mais verbas e tempo de propaganda na TV.

Dado o nível precário de informação do eleitorado, as apostas tendem a se concentrar em figuras conhecidas. Por ora, o potencial das redes sociais na construção de lideranças é hipótese a ser testada.

Esse estado de coisas não será alterado, de todo modo, simplesmente porque parcelas mais atuantes da sociedade expressam insatisfação com seus representantes.

Tal sentimento precisa se materializar em reformas graduais, algumas delas, diga-se, já em modesto andamento. Neste ano, uma cláusula de desempenho ainda branda deve contribuir para a redução do número de partidos; a partir de 2020, acabam as coligações proporcionais nos pleitos legislativos.

Nada disso garante um sistema imune a vícios, como aliás não se encontra no mundo. Certo é que a mera rejeição à política se mostra, na melhor hipótese, estéril.

Ex-ministro de Michel Temer é o candidato do grupo Sarney à Presidência

O ex-presidente participou da convenção e sentou-se ao lado do presidente Michel Temer e do presidente nacional da legenda, o senador Romero Jucá

O MDB aprovou, nesta quinta-feira (2), a candidatura de Henrique Meirelles à Presidência da República. O partido confirmou o nome do ex-ministro da Fazenda na corrida ao Palácio do Planalto durante convenção nacional, em Brasília, com a presença do presidente Michel Temer e do ex-senador José Sarney, lado a lado.

O ex-presidente participou da convenção e sentou-se ao lado do presidente Michel Temer e do presidente nacional da legenda, o senador Romero Jucá.

Representando o governo mais rejeitado da história brasileira, responsável pela Reforma Trabalhista, pelo aumento dos impostos e pelo congelamento dos investimentos na saúde e na educação, Henrique Meirelles, Michel Temer e José Sarney caminharão juntos para garantir que o MDB continue no poder e consiga aprovar outras medidas impopulares como a Reforma da Previdência.

O MDB confirmou Meirelles sem definir o nome do vice na chapa. Segundo Romero Jucá, a escolha será feita até segunda-feira (6) por uma comissão da sigla. Ele é um dos integrantes do grupo. Os convencionais também autorizaram a Comissão Executiva Nacional do MDB a definir coligações com outros partidos.

Meirelles admitiu que seu vice poderá ser do próprio MDB, mas afirmou que não estava discutindo nomes ao ser questionado sobre a senadora Marta Suplicy (MDB-SP).

A candidatura de Meirelles é a primeira do MDB desde 1994, quando o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia disputou sem sucesso a corrida presidencial.

Sarney vive síndrome de abstinência de privilégios, diz governador do Maranhão

“A vitimização talvez seja um linha que eles [os Sarney] venham a adotar na sua retórica do desespero”, disse Flávio Dino

Folha de São Paulo

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), rebateu a acusação do ex-presidente José Sarney (MDB), que se disse perseguido pelo adversário político.

“Sarney está no poder há 50 anos, de Juscelino Kubitschek a Michel Temer. Imagina euzinho perseguir alguém? Não tem aderência, é meio jocoso ele dizer isso. Ninguém aqui leva a sério”, afirmou à Folha por telefone nesta terça-feira (31).

“A vitimização talvez seja um linha que eles [os Sarney] venham a adotar na sua retórica do desespero”, disse.

No domingo (29), ao lançar a candidatura da filha, Roseana Sarney (MDB), ao governo do Maranhão, o ex-presidente criticou o adversário.

“O governo atual, a minha impressão é que tem os olhos no retrovisor, só olha para trás e o escolhido é o Zé Sarney. Coitado de mim! Nesta idade, era para ser respeitado. Entretanto, só é acusado. Acusado de ter passado a minha vida a serviço do Maranhão”, disse Sarney no palanque, em São Luís.

O ex-senador acaba de transferir seu domicílio eleitoral de volta ao estado natal, depois de 30 anos se elegendo pelo Amapá. Flávio Dino afirmou que a acusação, que ele considerou grave, é desprovida de fundamentos. “A fundação dele está aqui, a emissora dele [Mirante, afilhada da Globo] está aqui e anunciamos nela —teve de dividir com outros veículos, mas recebeu”, disse.

Para o comunista, a tentativa de retomar o poder do clã tem razões também financeiras. “É síndrome de abstinência de dinheiro público, de privilégios. Eles sempre tiveram acesso amplo aos cofres públicos para seus negócios privados e para manter seus luxos”, atacou.

Mas o governador afirmou que a população entende que “a volta dos Sarney seria um retrocesso ao Maranhão da concentração de poder e de riqueza e uma brutal ineficiência”.

“Eles se acham donos do estado.”

A eleição no Maranhão está judicializada. Dino apelou às cortes para dar uma entrevista à rede de rádios da Mirante depois de Roseana ter tido quase meia hora ao microfone. Aliados da emedebista, por sua vez, foram à Justiça para obrigar Dino a tirar publicidade institucional do governo de suas redes sociais.

Grupo Sarney trabalha para esvaziar pré-candidatura de Maura Jorge

A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge

O grupo político liderado pelo ex-presidente José Sarney (MDB) parece estar determinado em esvaziar, o máximo possível, a pré-candidatura de Maura Jorge (PSL).

Com o apoio declarado do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o grupo Sarney estaria temendo que Maura cresça nas pesquisas de intenção de votos, devido à popularidade nas redes sociais de Bolsonaro, ameaçando a pré-candidatura de Roseana.

O temor é que Maura Jorge ganhe a parcela de votos das pessoas que não votam no atual governo e nem em representantes de governos passados, como Roseana.

Leia mais: O PT maranhense e sua eterna indecisão…

A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge, como é o desejo da maioria dos pré-candidatos a deputados.

Por último e bem mais complicado, o grupo Sarney estaria articulando para que o Podemos, partido com maior tempo de TV no arco de possíveis alianças de Maura Jorge, não apoie a pré-candidata e declare voto a Roseana. Para isso, o grupo Sarney argumenta para Aluísio Mendes, presidente do Podemos, que sua eleição de deputado federal em 2014, só foi possível, graças ao apoio de Roseana Sarney.

Esbanjando confiança no seu evento ao lado de Jair Bolsonaro, em São Luís, Maura Jorge pode chegar à convenção com apenas o seu partido e olhar seu sonho de ganhar o Governo do Estado, bem mais longe.

“Minha intenção é continuar com Flávio Dino”, diz Josimar de Maranhãozinho, presidente do PR

Se for somente pela vontade do presidente estadual do partido, o PR continuará ao lado de Flávio Dino

O deputado estadual Josimar de Maranhãozinho concedeu ao programa Ponto e Virgula, da Rádio Difusora FM, entrevista comentando os rumos que o Partido da República (PR) irá tomar no Maranhão. Presidente estadual da legenda, ele garantiu que sua intenção é caminhar ao lado do governador Flávio Dino nas eleições de outubro.

Apesar da vontade do presidente estadual, o partido vem sendo alvo do assédio do oligarca José Sarney, que tenta, de todas as formas, enfraquecer o amplo arco de alianças de Flávio Dino. No mês passado, o chefe do clã maranhense se reuniu com o presidente nacional do PR, Valdemar da Costa Neto, para tratar de uma possível aliança com o seu grupo no Maranhão.

Durante a conversa, Sarney chegou a oferecer a vaga de vice-governador na chapa de Roseana.

Diante desse impasse, Josimar de Maranhãozinho deve ir a Brasília, até o final desta semana, para definir os rumos do partido. Apesar do assédio de Sarney, o parlamentar já refutou apoio à ex-governadora Roseana.

“É um momento que eu não esperava, está me tirando a atenção e estou cuidando de uma turbulência que eu não estava preparado e pensei que não ia tratar disso agora”, disse Josimar.

Se for somente pela vontade do presidente estadual do partido, o PR continuará ao lado de Flávio Dino.

Roseana se distancia de Lobão e João Alberto

A manobra dos dois filhos de José Sarney evidencia a guerra silenciosa entre Sarney Filho e Edison Lobão

Causou estranheza a ausência dos senadores Edison Lobão e João Alberto, ambos do MDB, na caravana de Roseana Sarney realizada nas cidades de Mirinzal, Central do Maranhão e Pinheiro, na Baixada Maranhense.

Roseana foi acompanhada de seu irmão, o deputado federal Sarney Filho (PV). Ele tenta viabilizar sua pré-candidatura ao Senado Federal e cola em sua irmã para conquistar novas bases políticas.

A manobra dos dois filhos de José Sarney evidencia a guerra silenciosa entre Sarney Filho e Edison Lobão. Ambos os pré-candidatos ao Senado pelo grupo sabem que quem melhor estiver articulado com suas bases pode levar a disputa.

Outra figura do MDB maranhense rifado por Roseana e Sarney Filho foi o senador João Alberto. Para garantir Sarney Filho na disputa, ele foi convencido de desistir de sua reeleição. O senador também sofre resistência da própria ex-governadora em ser aceito como candidato a vice-governador.

Tais movimentações mostram como o grupo Sarney chega fragilizado às eleições de 2018.

As mesmas práticas de outrora…

José Sarney já é conhecido pelas indicações de diretores de órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia, como a Eletrobras

O ex-presidente José Sarney (MDB) virou notícia na coluna Radar da Revista Veja.

De acordo com a coluna, mesmo longe da máquina pública desde 2015, José Sarney mantém as mesmas práticas da ativa.

“O ex-presidente não tem a menor cerimônia em pedir cargos no governo para abrigar os apadrinhados”, escreveu o jornalista Maurício Lima.

José Sarney já é conhecido pelas indicações de diretores de órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia, como a Eletrobras. Após a derrota de seu grupo político no Maranhão, Sarney foi o responsável pela indicação de vários aliados para ministérios do governo Michel Temer.

Roseana não inicia segunda etapa de caravanas e demonstra fragilidade…

A segunda etapa da ‘Caravana da Guerreira’, prometida para iniciar dia 04 de junho e com o objetivo de percorrer 50 cidades, não aconteceu, pelo menos, até agora

Passados 21 dias do lançamento oficial da pré-candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ao Governo do Maranhão, a ex-governadora sumiu novamente deixando seu grupo político ainda mais aflito.

A segunda etapa da ‘Caravana da Guerreira’, prometida para iniciar dia 04 de junho e com o objetivo de percorrer 50 cidades, não aconteceu, pelo menos, até agora. A primeira etapa foi considerada um fiasco para muitos analistas políticos. Roseana reuniu poucas pessoas em varandas de residências, mostrando fragilidade política com poucos apoios.

Segunda colocada nas pesquisas eleitorais e com 30 pontos percentuais a menos que o governador Flávio Dino (PCdoB), Roseana perdeu o apoio de vários partidos políticos, o que reflete na desmotivação da ex-governadora.

Há quem acredite que a pré-candidatura de Roseana é uma imposição do seu pai, o ex-presidente José Sarney (MDB). Alguns familiares mais próximos, como seu esposo Jorge Murad, não querem que Roseana dispute, pela quinta vez, o governo do estado pelo desgaste gerado.