Bolsonaro diz que sofreu “atentado político” e deve deixar campanha na rua

Jair Bolsonaro dá entrevista à Rádio Jovem Pan

UOL

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (24), em entrevista à rádio Jovem Pan, que o ataque que sofreu no último dia 6 foi de natureza política. O deputado federal afirmou que não terá mais condições de fazer campanha nas ruas e que fará transmissões ao vivo pelas redes sociais durante o horário político. Essa foi a segunda entrevista concedida pelo candidato do hospital Albert Einstein, onde está internado desde o último dia 7.

Na avaliação do presidenciável, a ação executada por Adélio Bispo, preso minutos depois, foi algo planejado e por motivação política. “Foi um atentado político. Esse é um atentado político porque me tira de combate”, afirmou o deputado federal.

Ao mesmo tempo, ele explicou que não deve mais para o corpo a corpo com eleitores até o término das eleições. “Eu tô em alta até dia 31 [de setembro]. E a recomendação [médica] é de que eu não posso sair de casa. Se eu levar um esbarrão na rua com a situação que eu estou aqui, posso botar tudo a perder. Então não posso ir para rua, realmente”, disse. Bolsonaro afirmou que pretende, a partir de 1° de setembro, fazer lives (transmissões ao vivo pelas redes sociais) durante a transmissão do horário eleitoral gratuito.

O candidato também explicou que não acreditava ter sido alvo de uma facada. “Quando eu levei a pancada [facada], eu pensei que um cara tinha dado um soco ou uma pedrada. Eu vi um vulto e não teria condições de dizer [como era] a cara dele”, afirmou

Bolsonaro acredita que Adélio Bispo planejou o ataque. “Ele deu a facada e rodou, para me matar mesmo. O cara sabia o que estava fazendo”, disse durante entrevista no programa “Pingos nos Is”. A entrevista foi gravada nesta segunda-feira, no hospital, ao lado de um de seus filhos, o deputado estadual e candidato ao Senado pelo Rio Flávio Bolsonaro (PSL).

“[O caso foi de] tentativa de homicídio. Tem que ser o que está na lei. Eu costumo dizer muitas vezes. Ou seja, eu estou vivo por milagre… Porque a pena dele tem que ser abaixo de um homicídio?”, questionou.

Jornalista da Jovem Pan que criticou Dino mostra despreparo em debate com cantor pernambucano

O jornalista Augusto Nunes, da Jovem Pan, que desferiu uma série de insultos de baixo nível contra Flávio Dino após entrevista do governador ao jornal Folha de São Paulo demonstrou, nesta sexta-feira, 28, em seu programa, os motivos que o levaram a fugir de um debate de ideias e partir para a agressão verbal contra Dino: o despreparo.

Em visita ao programa Morning Show, o cantor pernambucano Otto falou sobre seu novo álbum, mas também defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment em 2016, o que provocou reações adversas de Augusto Nunes.

Assumidamente de esquerda, o cantor disse que o país está passando por uma tortura política, econômica e social e que Dilma sempre foi uma pessoa honesta rodeada de lobos no congresso. “Dilma não foi vítima. Ela é uma mulher forte. Quem deveria estar preso está solto. A democracia foi quem perdeu. É um buraco tão grande que se criou nesse país que estamos pagando agora. Bala que dispara contra o tempo, sempre volta”, comentou Otto, bastante irritado.

Questionando a visão do cantor sobre a ex-presidente, o jornalista Augusto Nunes apontou pontos sobre o governo da petista, que perdeu seu mandato sob a acusação de pedalada fiscal e foi citada nas delações da Odebrecht.

Mesmo assim, Otto garantiu que não é militante do PT e que apenas defende sua posição política. Para ele, a única salvação do país são as eleições de 2018, quando os brasileiros terão a chance de limpar todos os corruptos da vida política.

“Eu não tenho partido, tenho posições minhas. A única coisa que vai ajudar é uma eleição direta”, afirmou. “Eu sou de esquerda. Meu partido é a esquerda e o seu? É a direita”, disse a Augusto Nunes. “O sistema desse país deve desculpas, não apenas a presidente, mas para todos. Todo mundo sabe que ela estava no meio de macacos. Dilma era uma pessoa honesta, não precisava sair daquele jeito”, concluiu.

A postura de Augusto Nunes diante das opiniões do cantor Otto explicam os ataques desferidos pelo jornalista ao governador Flávio Dino nos últimos dias. Ele representa a verbalização do ódio da direita ante os integrantes da esquerda brasileira. Sem condições de debater ideias, ele parte para a agressão pessoal. Coisas de quem não tem argumentos plausíveis para defender sua visão política.