Bloco formado por PDT, PSB e PCdoB quer assumir protagonismo na esquerda

Os partidos apostam no progressivo enfraquecimento político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrada a eleição

O Globo

A tentativa de PDT ,PSB e PCdoB de se descolar do PT e ganhar o protagonismo da centro-esquerda passa por uma aposta: o progressivo enfraquecimento político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrada a eleição.

Líderes desses partidos admitem que o ex-presidente mostrou força política na disputa pela Presidência da República. Atribuem a ele o mérito pela chegada de Fernando Haddad (PT) ao segundo turno. Preveem, no entanto, que Lula, preso em Curitiba, irá perder cada vez mais musculatura.

Integrante da ala do PSB crítica ao PT, um deputado diz que, nos últimos anos, Lula foi o principal responsável por conseguir barrar tentativas do partido de “bater asas”. Avalia que, graças à articulação do ex-presidente, o PSB não apoiou Ciro Gomes (PDT) este ano.

Enquanto parte do PSB pressionava a direção partidária a apoiar Ciro, o PT garantiu a “independência” do antigo aliado na corrida presidencial ao apoiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB) em Pernambuco.

Embora ainda dividido, o partido caminha agora para ter maioria contrária à união com o PT. Esse parlamentar diz que Lula estar “fora de circulação” ajudou na aproximação com PDT, PCdoB e outros partidos.

“Oposição construtiva”

Sob a liderança dos irmãos Ciro e Cid Gomes, líderes dessas legendas têm se reunido semanalmente para fechar blocos na Câmara e no Senado. Dizem que vão fazer uma “oposição construtiva”, diferente da que o PT comanda contra Michel Temer (MDB).

Presidentes das siglas dizem, porém, que é prematuro dizer que o ex-presidente está fora do jogo político.

“Ele mostrou força eleitoral. Lula colocou no segundo turno um poste sem luz, que era Haddad. Mas com o tempo, na situação que ele está, a tendência é se enfraquecer”, diz o presidente do PDT, Carlos Lupi.

No comando do PSB, Carlos Siqueira diz que “é preciso esperar para ver se o tempo confirmará a redução (do poder político de Lula)”. Mas pondera que “as lideranças não são eternas” e o ex-presidente já está com a atuação política “limitada”.

“Há uma limitação. É uma pessoa que sequer pode conversar com os líderes de muitas agremiações porque está preso. No mínimo, está com ação limitada porque não tem como se comunicar”, comenta.

Embora admitam reservadamente insegurança sobre o futuro do “lulismo”, petistas negam o enfraquecimento do ex-presidente no próprio partido. Dizem que vão manter a bandeira “Lula livre”. Atribuem a ele o “reerguimento” da legenda pós-2016.

Naquele ano, o PT enfrentou uma série de derrotas. Entre elas, o impeachment da então presidente Dilma Rousseff; a condução coercitiva de Lula, considerada o início do caminho que o levou à prisão; e o encolhimento nas eleições municipais, com perda de várias prefeituras importantes , como São Paulo.

Para dirigentes petistas, foi a “inteligência política” do ex-presidente que reergueu o partido. Enquanto as denúncias contra ele e o PT avançavam, Lula intensificava o discurso de que se tratava de uma estratégia para impedi-lo de voltar ao comando do país.

Por não ter nenhuma liderança com o mesmo peso para substituí-lo, diz um antigo companheiro do ex-presidente, o PT continuará se fiando em Lula, enquanto tenta traçar o caminho da renovação de quadros.

Moro explica decisão e aborda assuntos polêmicos em entrevista coletiva

Ele destacou que sua decisão de fazer a coletiva, que durou quase duas horas, foi uma “homenagem ao trabalho que a imprensa realizou em toda a Operação Lava Jato” e descartou concorrer a cargos eletivos

Exame

Na primeira entrevista coletiva após aceitar assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro (PSL), o juiz Sérgio Moro disse nesta terça-feira (6) que buscará um meio-termo com o presidente eleito em relação a propostas onde há divergências.

Ele evitou discordâncias frontais em temas como redução da maioridade penal, ditadura militar e armamentos, enfatizando, por exemplo, que o confronto policial deve ser um último recurso no combate ao crime. O futuro ministro não chegou a pronunciar o nome de Bolsonaro em nenhum momento, se referindo a ele com termos como “presidente eleito”.

Moro também negou que esteja colocada qualquer possibilidade de medidas discriminatórias contra minorias ou de ameaças à democracia e à liberdade de expressão. Segundo Moro, a pauta de atuação no ministério ainda está em processo de elaboração e será apresentada em breve.

Moro antecipou que elas incluem as chamadas 10 medidas contra corrupção, propostas de forma conjunta pela Transparência Internacional e a Fundação Getúlio Vargas (Direito Rio e Direito São Paulo).

O futuro ministro também citou uma série de medidas como a alteração nas regras de prescrição de alguns crimes, uma definição clara da execução da pena em segunda instância, a proibição de progressão de pena quando houver prova de ligação com organizações criminosas, a proteção de denunciantes anônimos, a regulação mais clara de operações com policiais disfarçados e o controle das comunicações de presos em penitenciárias de segurança máxima.

Ele destacou que sua decisão de fazer a coletiva, que durou quase duas horas, foi uma “homenagem ao trabalho que a imprensa realizou em toda a Operação Lava Jato” e descartou concorrer a cargos eletivos.

Veja todos os principais pontos tratados na coletiva:

Equipe no Ministério

Questionado sobre sua equipe, Moro disse que ainda não divulgará nomes mas que a lista pode incluir integrantes da Operação Lava Jato.

“Alguns nomes estão em mente e serão sondados, mas ainda não sei se divulgaremos de uma vez ou paulatinamente”, afirmou.

Lula

O futuro ministro negou que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha tido relação com a corrida eleitoral. Segundo ele, a ideia de que Lula é um preso político é um “álibi falso”

“O ex-presidente foi condenado e preso porque cometeu um crime e não por conta das eleições”, disse Moro.

Ele citou já em sua fala inicial que foram presos políticos de vários partidos e posições no espectro político e ao longo de vários anos. Segundo Moro, sua decisão “não é um projeto de poder, é de fazer a coisa certa” para “afastar a sombra de retrocessos” no combate à corrupção.

Questionado sobre duas decisões recentes tomadas já em meio a campanha eleitoral, a quebra do sigilo da delação de Antonio Palocci e o adiamento do depoimento de Lula, o juiz afirmou que elas seguem o “histórico da Operação no sentido de que nós sempre demos os fatos e as provas a máxima publicidade”.

Aceite para ser ministro

Moro disse que seu primeiro encontro com Bolsonaro foi na sexta-feira passada (01) no Rio de Janeiro, quando ele aceitou o convite para ser ministro. No entanto, ele afirmou que foi procurado já no dia 23 de outubro por Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia.

“Na semana antecedente ao segundo turno, fui procurado por Guedes para uma sondagem. No dia, eu adiantei qual era meu entendimento sobre o Ministério e disse que só poderia tratar disso depois das eleições”, afirmou.

Moro também disse que a interpretação de sua ida para um cargo do governo Bolsonaro como uma espécie de recompensa é “totalmente equivocada”. Segundo, Moro sua atuação será “eminentemente técnica” e não há “nenhuma pretensão” de concorrer a cargo eleitoral.

Ele disse que entre os motivos para aceitar o cargo estavam uma “dúvida perturbadora” se a Lava Jato seria exceção na história do país ou uma mudança de patamar no tratamento da impunidade.

Desarmamento

Bolsonaro tem como uma de suas marcas registradas o gesto da arma com as mãos e uma das suas principais promessas de campanha foi a flexibilização do Estatuto do Desarmamento. O futuro ministro da Justiça disse que essa pauta foi discutida com o presidente eleito e destacou que há uma diferença entre posse e porte.

“Existe uma plataforma na qual ele se elegeu que prega a flexibilização da posse. Dentro dessa plataforma, seria inconsistente agir de maneira contrária, mas externei ao presidente que liberação excessiva pode ser utilizada como fonte de armamento para organizações criminosas”, reforçou.

Relação com Bolsonaro

Em relação a possíveis conflitos entre o presidente eleito e o futuro ministro, Moro disse que Bolsonaro “pareceu um homem bastante sensato, ponderado” e completou que tem ciência de sua “posição subordinada”. Além disso, garantiu que não vê nenhum risco à democracia ou ao estado de direito nas falas do presidente: “Ele moderou o discurso”.

Vaga no STF

Uma das especulações do aceite de Moro para o Ministério da Justiça é a de que ele mira uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em 2020, para assumir a cadeira de Celso de Mello que irá se aposentar. Moro elogiou a atuação de Celso e disse que por causa disso não se sente “confortável” em discutir o assunto.

Atuação das polícias

O juiz também foi questionado da ideia de Bolsonaro de criar um “excludente de ilicitude” para que policiais não sejam responsabilizados por mortes em confrontos. Moro disse que a situação já está contemplado na atual legislação nas categorias de “legítima defesa” e “estrito cumprimento da obrigação legal”, mas que “terá que ser avaliado se é necessária uma regulação melhor”.

Lula está ‘indignado’ com Moro em ministério, diz Gleisi

Segundo Gleisi, Lula está “bem, mas indignado com a nomeação do seu algoz como ministro da Justiça”

Terra

Após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, em Curitiba, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o petista ficou “indignado” com a escolha do juiz Sérgio Moro – que o condenou no processo do tríplex do Guarujá – para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo Gleisi, Lula está “bem, mas indignado com a nomeação do seu algoz como ministro da Justiça”. “Ao invés de apresentar prova contra mim, aceita ser ministro”, teria dito Lula, nas palavras da dirigente petista.

“Nós precisamos saber desde quando está feito este acerto entre Moro e Bolsonaro”, questionou. “Nos reiteramos que o CNJ paute a denúncia que fizemos como bancada, do vazamento do grampo com a presidenta Dilma, que impediu Lula de ser ministro”. Gleisi afirma que desde aquela situação esta articulação está sendo feita.

A presidente do PT disse que os advogados do partido e do ex-presidente avaliam medidas jurídicas após a escolha de Moro. Uma das decisões, afirmou, é acrescentar as informações sobre a indicação na representação protocolada contra o juiz no Conselho Nacional da Justiça (CNJ).

Objetivo era interditar Lula politicamente, diz nota da defesa

A defesa do ex-presidente emitiu nota condenando a decisão de Moro de aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para chefiar o futuro Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“A decisão de Moro prova ‘definitivamente o que sempre afirmamos: Lula foi processado, condenado e encarcerado sem que tenha cometido crime, com o claro objetivo de interditá-lo politicamente'”, diz o texto, citando ainda uma reportagem da Folha de S.Paulo em que o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, declarou que o convite a Moro foi feito ainda durante a campanha eleitoral.

O advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que a defesa “tomará as medidas cabíveis no plano nacional e internacional para reforçar o direito de Lula a um julgamento justo, imparcial e independente”.

Fomos miseravelmente traídos por Lula, não farei mais campanha para o PT, diz Ciro

Estadão

Terceiro colocado na eleição presidencial, Ciro Gomes (PDT) afirmou, em entrevista à Folha, que foi “miseravelmente traído” pelo ex-presidente Lula e seus “asseclas”.

Em seu apartamento, onde concedeu nesta terça-feira (30) sua primeira entrevista desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), Ciro nega ter lavado as mãos ao ter viajado para a Europa depois do primeiro turno. “A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto”.

“Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”, disse.

O pedetista critica a atuação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura e diz que considerou um insulto convite de Lula para assumir o papel de seu vice no lugar Fernando Haddad (PT).

No primeiro turno, o senhor afirmou que choraria e deixaria a política se Bolsonaro ganhasse. Deixará a vida pública? Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão.

E não tomou uma decisão se será candidato em 2022? Não. Quem conhece o Brasil sabe que você afirmar uma candidatura a 2022 é um mero exercício de especulação, porque a adrenalina não pacificou. Só essa cúpula exacerbada do PT é que já começou a campanha de agressão. Eu não. Tenho sobriedade e modéstia. Acho que o país precisa se renovar.

O senhor disse que deixaria a vida pública porque a razão de estar na política é confiar no povo brasileiro. Deixou de confiar? Não, procurei entender o que aconteceu. Esse distanciamento me permitiu isso. O que aconteceu foi uma reação impensada, espécie de histeria coletiva a um conjunto muito grave de fatores que dão razão a uma fração importante dessa maioria que votou no Bolsonaro. O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor que criou uma força antagônica que é a maior força política no Brasil hoje. E o Bolsonaro estava no lugar certo, na hora certa. Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.

Naquele momento do país, uma viagem à Europa não passou uma impressão de descaso? [Ciro viajou para Portugal, Itália e França após o 1º turno] Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando.

Com a sua postura de neutralidade, não lavou as mãos em um momento importante para o país? Não foi neutralidade. Quem declara o que eu declarei não está neutro. Agora, o que estava dizendo, por uma razão prática, não iria com eles se fossem vitoriosos, já estaria na oposição. Mas estava flagrante que já estava perdida a eleição.

Por não ter declarado voto, não teme ser visto como um traidor pelos eleitores de esquerda? A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto. Quem tiver prestado a atenção no que falei, está muito clara a minha posição de que com o PT eu não iria.

Não se aliará mais ao PT? Não, se eu puder, não quero mais fazer campanha para o PT. Evidente, você acha que eu votei em quem?

No Haddad? Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências.

Quem são os bajuladores? É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?

Por que o senhor não aceitou ser candidato a vice-presidente de Lula? Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado.

Por que não declarou voto em Haddad? Aquilo era trivial. O meu irmão foi a um ato de apoio a Haddad, depois de tudo o que viu acontecendo de mesquinho, pusilânime e inescrupuloso. É muito engraçado o petismo ululante. É igual o bolsominion, rigorosamente a mesma coisa. O Cid está lá tentando elaborar uma fórmula de subverter o quadro e é vaiado. Estou devendo o que ao PT?

Não declarou voto no Haddad por causa do Lula? Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT. Agora, em uma eleição que tem só dois candidatos, na noite do primeiro turno, disse à imprensa: “Ele não”. O que ele quer mais agora?

Cid Gomes cobrou uma autocrítica dos petistas. E quais foram os erros cometidos pelos pedetistas? Devemos ter cometido algum erro e merecemos a crítica. Mas, nesse contexto, simplesmente multiplicamos por um milhão as energias que nos restaram para trabalhar. Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana.

Isso por Lula? Pelo ex-presidente Lula e seus asseclas. Você imagina conseguir do PSB neutralidade trocando o governo de Pernambuco e de Minas? Em nome de que foi feito isso? De qual espírito público, razão nacional, interesse popular? Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira. O PT elegeu Bolsonaro.

Todas as pesquisas, não sou eu quem estou dizendo, dizem isso. O Haddad é uma boa pessoa, mas ele, jamais, se fosse uma pessoa que tivesse mais fibra, deveria ter aceito esse papelão. Toda segunda ir lá [visitar Lula], rapaz. Quem acha que o povo vai eleger pessoa assim? Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o querem fazer comigo.

A postura do senhor não inviabiliza uma reaglutinação das siglas de esquerda? Não quero participar dessa aglutinação de esquerda. Isso sempre foi sinônimo oportunista de hegemonia petista. Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo. Isso não é esquerda. É o velho caudilhismo populista sul-americano.

A liberdade de imprensa está ameaçada? É muito epidérmica a nossa sensibilidade. Não acho que tem havido nenhuma ameaça à liberdade de imprensa até aqui. Por isso que digo que uma das centralidades do mundo político brasileiro deveria ser um entendimento amplo o suficiente para cumprir a guarda da institucionalidade democrática. E um dos elementos centrais disso é a liberdade de imprensa. A imprensa brasileira nepotista e plutocrata como é parte responsável também por essa tragédia.

A imprensa ajudou a eleger Bolsonaro? A arrogância do [William] Bonner achando que podia tutelar a nação brasileira, falar pela nação brasileira. A Folha que repercute uma calúnia contra uma cidade inteira que é reconhecida mundialmente como um elemento de referência de educação para me alcançar [Ele se refere a reportagem sobre relatos de estudantes de fraudes em avaliações nas escolas de Sobral, no Ceará].

E os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça? Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros.

Em carta, Lula pede “todo o apoio possível” dos maranhenses para reeleger Flávio Dino

Lula pediu que os eleitores ajudem Flávio a continuar “governando o Maranhão e ajudando o nosso país a ser mais justo”

O ex-presidente Lula enviou uma carta ao governador Flávio Dino e aos maranhenses falando sobre a disputa eleitoral no Estado. Ele pediu que os eleitores ajudem Flávio a continuar “governando o Maranhão e ajudando o nosso país a ser mais justo”.

Na carta, Lula lembra que esteve no ano passado com Flávio em um ato na Praça Dom Pedro II, em São Luís. “Confirmo o que disse a vocês: Flávio Dino faz um governo sério, com trabalho firme em favor dos mais pobres e das causas sociais”, afirma o petista.

Lula diz que o governador sempre lutou contra a prisão dele. “Flávio Dino também tem demonstrado muita coragem para defender a democracia, lutando contra a violência de que eu tenho sido vítima.”

“Por isso, me dirijo carinhosamente a vocês pedindo todo o apoio possível para que o companheiro Flávio Dino continue governando o Maranhão e ajudando o nosso país a ser mais justo”, acrescenta Lula.

Veja a íntegra da carta de Lula:

Amigos e amigas do Maranhão,

Estive recentemente aí, quando finalizei a nossa Caravana pelo Nordeste com um belo Ato Político na Praça Pedro II. Confirmo o que disse a vocês: Flávio Dino faz um governo sério, com trabalho firme em favor dos mais pobres e das causas sociais.

Mas não é só isso: Flávio Dino também tem demonstrado muita coragem para defender a democracia, lutando contra a violência de que eu tenho sido vítima.

Por isso, me dirijo carinhosamente a vocês pedindo todo o apoio possível para que o companheiro Flávio Dino continue governando o Maranhão e ajudando o nosso país a ser mais justo.

Abraço do Lula

Segundo Ibope, Haddad lidera no Maranhão; Bolsonaro é o segundo

O movimento observado nos números da nova pesquisa Ibope, mostra o força política de transferência de votos do ex-presidente Lula

Após ser oficialmente apresentado e ter seu nome registrado pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, teve um crescimento considerável no Maranhão. É o que aponta a nova pesquisa Ibope, divulgada nesta quarta-feira (19).

Fernando Haddad saiu da quinta colocação com 4% dos votos, para 36% na nova pesquisa, um crescimento de 32 pontos percentuais, que já o deixa como líder na disputa aqui no Maranhão.

Jair Bolsonaro (PSL) aparece em segundo lugar com 18%; Ciro Gomes (PDT), com 13%; Marina Silva (Rede), com 6% e Geraldo Alckmin (PSDB), com 5%.

O movimento observado nos números da nova pesquisa Ibope, mostra o força política de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Maranhão. Assim como em todo o Nordeste, Lula tem forte influência política num parcela do eleitorado que foi beneficiada com suas políticas sociais, o que reflete nos números das pesquisas eleitorais.

Vamos crescer ainda mais e vencer a eleição, diz Haddad após Datafolha

O petista comemorou o desempenho que teve na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira

Em cima da carroceria de uma uma camionete, Fernando Haddad (PT) segura as mãos do governador da Bahia Rui Costa e candidato à reeleição (PT) e arrisca uns passos do jingle de campanha em ritmo de pagode.

Em sua primeira agenda eleitoral como candidato à Presidência da República no Nordeste, foi recebido por uma multidão estimada nas ruas de Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia.

O petista comemorou o desempenho que teve na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (14) na qual ele aparece em segundo lugar, numericamente empatado com Ciro Gomes (PDT), com 13% das intenções de voto.

“Vamos crescer ainda mais, agora que estamos oficialmente na campanha, e vencer essa eleição”, afirmou Haddad em rápida entrevista concedida à imprensa.

Para o petista, a definição de seu nome como candidato à Presidência em substituição ao ex-presidente Lula, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, fez com que a campanha ganhasse corpo nas ruas e com que o eleitor assimilasse seu nome como candidato.

“O certo é que estaremos todos juntos, lutando pela libertação de Lula e contra as injustiças desse país” disse Haddad, que estava acompanhado de sua candidata a vice-presidente Manuela D’Ávila (PC do B).

Ainda desconhecido de grande parcela do eleitorado, Haddad escorou-se na popularidade do governador Rui Costa, que lidera a corrida pelo governo da Bahia com 50% das intenções de voto, segundo o Ibope.

Mesmo assim, teve o seu nome confundido por eleitores que o chamaram de “Andrade” na cidade baiana, que é considerada um dos maiores redutos do PT no Brasil —foram 20 anos de gestões petistas em Vitória da Conquista entre 1997 e 2016.

“Andrade’ é o candidato de Lula, tamo junto com ele”, gritava Firmino de Sousa Oliveira, 45, pouco antes de o candidato petista chegar ao ato de campanha.

Ao ser informado sobre o nome correto do ex-prefeito de São Paulo, Oliveira deu de ombros: “Não importa se é Andrade ou Haddad, o importante é que vamos votar nele porque ele representa Lula e o povo do Nordeste”.

O mesmo pensa a estudante do ensino médio Silvia Cássia de Lima, 19, moradora de Poções, cidade vizinha a Vitória da Conquista, que disse estar ainda se acostumando à ideia de Fernando Haddad como candidato —mas garantiu que votará no petista.

Lobão mostra elogio de Lula no programa eleitoral

Com a imagem de Lula em sua campanha, Lobão, certamente, mantém seu favoritismo na corrida ao Senado Federal

O senador Edison Lobão (MDB) mostrou, em sua propaganda eleitoral desta sexta-feira (14), uma fala do ex-presidente Lula (PT), que reconhece o trabalho que ele desenvolveu no Ministério das Minas e Energias, quando foi responsável por levar energia a milhões de maranhenses e brasileiros que viviam no escuro.

Edison Lobão foi homem forte de Lula e responsável pela reestruturação do setor energético, após longos anos de instabilidade e constantes apagões que amedrontaram o povo brasileiro.

“Eu quero dizer de público, Lobão, que foi um orgulho para mim, ter você, como ministro de Minas e Energias”, declarou o ex-presidente Lula.

Com a imagem de Lula em sua campanha, Lobão, certamente, mantém seu favoritismo na corrida ao Senado Federal.

Roseana tenta colocar Lula no programa do MDB de Temer

Roseana Sarney foi a coordenadora do impeachment de Dilma Rousseff

Para a ex-governadora Roseana Sarney, pouco importa se a prisão do ex-presidente Lula tem relação com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, golpe político que elevou o MDB de Michel Temer ao Planalto. A peemedebista quer mesmo é tirar uma casquinha da popularidade do petista para se eleger no dia 7 de outubro.

Candidata ao governo pelo partido de Temer, Roseana briga na Justiça para usar a imagem do petista em sua propaganda eleitoral.

O problema é que Roseana esconde, nessas eleições, sua participação na manobra. Em 2016, ela rodou por Brasília em busca de votos para derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela foi vista na festa de comemoração do impeachment onde teria dito que “apostou no cavalo certo” e que foi “coordenadora do impeachment”.

A estratégia é cooptar os votos que Lula tem no Maranhão. Roseana até conseguiu um despacho para manter a imagem do petista em seus programas enquanto o caso não é julgado, mas ela segue com um entrave: nem com Lula, Roseana cresce nas intenções de votos.