Carta Capital: Em um Maranhão renovado, Dino tenta confirmar fim da era Sarney

A busca de Dino pela reeleição baseia-se no fortalecimento do Estado como agente de transformação social junto da participação popular

O grupo político mais antigo em atividade no Brasil confronta-se mais uma vez com o governador Flávio Dino no Maranhão. Após o líder do PCdoB derrotar o grupo político da família Sarney nas eleições de 2014, colocando fim à supremacia de meio século,o estado que costumava ocupar as manchetes nacionais pelas crises passou a ser exemplo para o Brasil em áreas como educação, infraestrutura e na atenção a pessoas com necessidades especiais.

“Dino faz um governo atuante, aceito pela população que defende sua reeleição. Ouço das pessoas que ele está realizando a maioria das promessas. Agora mesmo nossa avenida principal está em reforma e prometeram calçar a rua onde moro até o final do ano”, conta Marilene Costa, moradora da zona rural de São Luís, a trinta minutos do centro.

A dona de casa destaca ainda a democratização do acesso à internet através do Maranet, que em sua primeira etapa acumula 800 mil acessos e planeja atingir 61 cidades, das 217 do estado.

A busca de Dino pela reeleição baseia-se no fortalecimento do Estado como agente de transformação social junto da participação popular em discussões sobre o orçamento participativo. A partir dessa visão, o gestor aliou a busca por experiências bem sucedidas junto ao fortalecimento do funcionalismo para desenvolver políticas voltadas às necessidades mais urgentes.

O investimento em pessoal fez com que o Maranhão fosse considerado o paraíso dos concursos, em comparação aos outros estados que cortavam vagas na máquina pública.

“Acabou o tempo do Maranhão ser governado por uma ou duas famílias, agora o estado é governado por todas as famílias. Eu escolhi ser político porque gosto de ver o povo mobilizado, isso me emociona. Tenho muito orgulho de ser um servidor público sério”, definiu Flávio Dino, no lançamento da campanha que reuniu dez mil pessoas, incluindo os candidatos ao senado da chapa e Weverton Rocha (PDT ) e Eliziane Gama (PPS).

A ênfase ao sistema educacional com o Escola Digna resultou na reforma de 800 unidades, qualificação a 50 mil professores e no pagamento do salário base mais alto do Brasil, R$ 5.750, além de treze mil matrículas em regime integral.

“Avançamos não somente financeiramente, mas nas condições de trabalho e no diálogo da entidade sindical com o governo, que já anunciou um novo edital para docentes. Nas gestões anteriores tudo ficava na conversa ou não éramos nem recebidos”, compara Raimundo Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma),com 33 mil sindicalizados.

No ensino superior, a Universidade Federal do Maranhão é pioneira no curso de cultura estudos africanos e afrobrasileiros, sintonizada com a formação étnica da população. A licenciatura surgiu respaldada pela lei federal sancionada pelo ex-presidente Lula que tornou obrigatória a matéria para os alunos do fundamental e médio.

“Nesses tempos sombrios de perda de direitos e diminuição de políticas afirmativas somos uma resistência. Este ano levamos uma comitiva de cem alunos para a África, algo inédito. O Maranhão é o estado com maior população negra no Brasil e aqui o extermínio da juventude negra impressiona”, informa a professora Pollyanna Muniz.

A terra que se orgulha por preservar o português mais belo do país exclui 840 mil conterrâneos da possibilidade da leitura e escrita ao manter aproximadamente 17% da população no analfabetismo . O problema crônico teve um símbolo de transformação com os vinte mil maranhenses que se somaram aos três milhões e meio de latinoamericanos contemplados pelo programa “Sim eu posso”, método cubano aplicado em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), sobretudo aos idosos, maioria dos iletrados.

No segmento da saúde, o número de hospitais pulou de dois para dez e a cooperação foi novamente um trunfo com destaque para a presença dos médicos cubanos que junto aos brasileiros reforçaram a atenção básica com pico de 700 profissionais. Outra novidade, a transformação da casa de veraneio do governador em um local de assistência a crianças com carências de neurodesenvolvimento permite o atendimento semanal de 15 famílias na Casa de Apoio Ninar. Em paralelo, o projeto Travessia levou transporte gratuito a 1.500 portadores de deficiência em mais de 35 mil viagens desde 2006, segundo dados oficiais.

A superação de barreiras chegou também aos gramados. O Maranhão conquistou A Copa Nordeste, ou Lampions League, com o título do Sampaio Correa – o triunfo inédito veio depois de o clube ser excluído do campeonato em anos anteriores, motivo da festa sem fim promovida pelos torcedores da Bolívia Querida, apelido do time em razão de seu uniforme.

Dos chineses aos americanos, aqui é Jamaica

Se no campo social a integração foi com os cubanos, no terreno energético e econômico o executivo busca parcerias com a iniciativa privada da China para retomar a obra da refinaria de Bacabeira, projetada para ser a maior da América Latina antes de ter sua construção interrompida pela Petrobras devido à troca de comando na estatal. A negociação envolve o valor de dez bilhões de dólares, mas a capacidade de processar 300 mil barris de petróleo por dia anima os investidores asiáticos a longo prazo.

A geração de energia, aliás, preocupa os consumidores cotidianamente. O preço da tarifa praticado pela Companhia Energética do Maranhão (Cemar) é o segundo mais elevado do país afetando gravemente as casas em que a renda per capita familiar é inferior ou equivalente de 597 reais, média do estado e a menor nacional.

O governo contraargumenta que essa fatia da população paga valores inferiores ao fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica e cita baixa de impostos na concessão gratuita de carteiras de motorista e nos incentivos à agricultura familiar para demonstrar a postura tributária em relação aos mais pobres.

Os recursos naturais abundantes se estendem pela região mineradora de Godofredo Viana, abundante em ouro, ao longo do pólo agrícola de Balsas e na atração de turistas aos lençóis maranhenses. As possibilidades das terras e os constantes confrontos reforçam a necessidade de ações de proteção a comunidades quilombolas e etnias indígenas.

“O Brasil desde sua colonização mantém a concentração da terra como modelo imperante em detrimento a milhões que precisam de seus territórios para garantir a sua reprodução física e cultural, em especial nós povos originários. O agronegócio avança a cada dia apoiado pelo governo. No Maranhão o processo de reforma agrária é incipiente com muitos conflitos onde povos, comunidades tradicionais e agricultores familiares sempre saem perdendo. A presença desses grupos evidencia que o modelo de desenvolvimento deve se basear nos nossos modos de vida, somos o símbolo da resistência”, assegura a maranhense Sonia Guajajara, candidata a vice-presidência pelo Psol, a primeira indígena a concorrer ao posto.

Ao passo que a questão fundiária é alvo de disputas inclusive da especulação estrangeira, a supremacia estadunidense sobre a Base de Alcântara, localizada no município de mesmo nome, reflete o descompasso entre a defesa da soberania por parte da esfera estadual e o entreguismo de Michel Temer – o acordo dos golpistas com a potência do norte restringe a atuação dos cientistas brasileiros no local. A comunicação entre os poderes também deixa a desejar no que concerne à administração da penitenciária de Pedrinhas, palco de repetidas chacinas. A omissão da União exigiu do governo a revitalização do complexo para evitar as mortes que chocaram o Brasil em anos anteriores.

Buscando ares mais relaxados, a inauguração do Museu do Reggae reforçou a relação do povo com a música trazida pelos jamaicanos. São Luis, a capital brasileira do reggae, lembra até hoje dos shows de Jimmy Cliff na ilha e das afinidades entre o espírito maranhense e caribenho.

O meio século de poder

Os abalos à família Sarney iniciado com a vitória de Dino em 2014 teve novo capítulo em 2016 quando o PCdoB atingiu o recorde de 46 prefeituras diante das 22 mantidas pelo PMDB. Acossado pelo crescimento dos adversários, o ex-presidente Sarney retornou seu domicílio eleitoral ao Maranhão, levantando suspeitas de que concorreria ao Palácio dos Leões aos 88 anos, cargo que coube a sua filha, a ex-governadora por quatro mandatos Roseana Sarney.

“Já estou bem velho, mas não velhaco. Sou o político mais antigo em atividade no Brasil, já percorri todos os caminhos da política e tenho uma tradição de luta por nosso estado. Há sessenta anos a violência dominava o Maranhão, não havia luz, água, estrada e o povo era triste. Hoje sou eu quem está triste pelo fim das festas populares, com a volta da criminalidade e da perseguição. Esse governo só olha para trás e o escolhido sou eu. Nessa idade era para eu ser respeitado, mas sou acusado depois de passar a minha vida a serviço do Maranhão. Com Roseana a tristeza vai acabar”, declarou Sarney aos gritos de eterno presidente na convenção do PMDB realizada no espaço privado Renascença.

A capital é um exemplo da perda do controle político dos emedebistas, que elegeram apenas um vereador em São Luis, gerida pelo bem avaliado prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), cujo partido integra a base do governo. Mas engana-se quem pensa que o clã perdeu instrumentos para exercer sua força, como demonstra a sentença da juíza Anelise Nogueira Reginato determinando a inelegebilidade de Dino por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2016. Sem efeito imediato por ser uma decisão de primeiro grau, o risco está na possibilidade de cassação futura do governador, relembrando os tempos que Jackson Lago (PDT) foi retirado do cargo para o qual havia sido eleito derrotando Roseana, em 2006.

Historicamente o clã Sarney e seus aliados valeram-se de estratégias eficientes que permitiram sua perpetuação. Parte dos maranhenses considera ser visto com preconceito pelo restante dos brasileiros devido a sempre serem taxados como os mais pobres e detentores dos piores índices na saúde e educação.

Somado à ideia do estigma, muitos não se incomodam em manter uma relação personalista com o Estado dependendo de favores dos caciques e elogiam o apreço do grupo pela cultural local, a cena de Roseana dançando o boi percorre todas as campanhas de que participou.

“O presidente e sua filha nos defendem lá fora, isso é muito caro para nós. Sem ele e seus parceiros não teríamos as obras que estão em cada canto do território desde os tempos em que Glauber Rocha veio filmar Maranhão 66 por aqui”, recorda Assis Miranda, de Imperatriz, a maior cidade na mão dos sarneysistas.

A construção da imagem positiva inclusive alçou Roseana, intitulada guerreira do povo, a colocar-se como pré-candidata à presidência da república em 2002 pelo PFL, hoje DEM. O movimento trazia muitas semelhanças com a transição realizada por Fernando Collor em 1989, gestores jovens, modernos, que proporcionaram desenvolvimento a suas terras pobres do Nordeste.

A apreensão de 1,3 milhões de reais na construtora Lunus, em São Luís, empresa de propriedade da então governadora e seu marido Jorge Murad, acabaram com a chance de um Sarney voltar a presidir o Brasil, mas não acabaram com o poderio interno.

“Passei os últimos quatro anos em silêncio em respeito aos que escolheram Flávio Dino, mas agora chegou a minha hora de falar. É inadmissível que mais de 300 mil cidadãos tenham retornado à pobreza e que o governo confisque bens, carros, motos em leilões que humilham a dignidade das pessoas. Não permitirei que isso continue”, afirmou Roseana durante a oficialização de sua candidatura.

A hegemonia sobre a rádio e TV Mirante, retransmissora da Globo, é mais uma arma para desgastar os comunistas. Sob esse quadro, a esquerda questiona a pesquisa Ibope em que Dino aparece com 43% contra 34% de Roseana – correm por fora o senador Roberto Rocha (PSDB) e Maura Jorge (PSL), ambos com 3%. No estado, é comum os levantamentos do instituto superestimarem a performance de candidatos do grupo de Sarney.

O levantamento aponta ainda a liderança dos conservadores para o Senado com a dianteira de Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (PMDB), que ganhou todas as eleições que participou. “Não tenho curral eleitoral, tenho a consciência política do estado”, declarou o ex-ministro de Minas e Energia, em entrevista ao Imparcial.

Apesar da distância ideológica, nem tudo é diferença entre os nomes que polarizam o cenário. Assim como os adversários faziam, Dino costurou uma grande aliança pela governabilidade, causando o fim à chamada “sarneyzação do PT”, em alusão ao tempo em que o partido estava junto do PMDB, pressionado pela conjuntura nacional. Junto aos petistas, integra a coligação o DEM e PP, siglas que apoiaram o golpe contra a presidente Dilma Roussesff.

Outro traço em comum é a defesa do ex-presidente Lula, o preferido dos maranhenses para o pleito presidencial. A manifestação de apoio ao direito de concorrer da maior liderança nacional coloca Roseana ao lado de Dino, que na condição de juiz federal critica os abusos do judiciário.

Por tudo que envolve, a campanha maranhense deve ser uma das emocionantes do Brasil pelo contraste que encarna. Se houvesse eleição pelo melhor jingle a chance seria grande para a música cantada por Alcione na campanha de Roseana, mas na ilha do amor os comunistas esperam bater o tambor do boi e os corações da gente com mais força.

Roseana Sarney passa a borracha na História e diz que “não houve oligarquia no Maranhão”

Governadora por quatro mandatos, Roseana sempre contou com a influência política do pai para se manter no poder. Foto: Paulo Soares/O Estado)

Candidata ao governo pelo PMDB, a ex-governadora Roseana Sarney disse que a oligarquia não faz parte da história do Maranhão. “As pessoas se submetem às escolhas dos eleitores”, minimizou a ex-governadora durante entrevista ao jornal O Imparcial.

Ativa na política desde 1990, Roseana era criança quando o pai, José Sarney, assumiu o governo do Maranhão em 1966. De lá pra cá, foram quase 50 anos de governos ligado ao clã maranhense. Sarney é hoje o político brasileiro mais antigo em atividade.

Com a afirmação, Roseana desconsidera estudos de vários historiadores, que apontam a ex-governadora como herdeira da oligarquia mais antiga do país.

Governadora por quatro mandatos, Roseana sempre contou com a influência política do pai para se manter no poder. À Justiça Eleitoral, ela declarou ter mais de R$ 11 milhões em bens e seu pai tem patrimônio avaliado em R$ 250 milhões.
Apesar da riqueza e de ter crescido em uma vida palaciana, Roseana afirma: “fiz o meu caminho com luta e trabalho”.

Folha: Dinastias políticas do Brasil lançam mais de 60 candidatos nas eleições

Um dos mais longevos é comandado pelo ex-presidente José Sarney (MDB), 88, hoje sem mandato, e passa por um momento delicado

Folha

Aos 88 anos e com 15 mandatos legislativos na bagagem, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) resolveu enfim deixar a Câmara. Mas não a política. Tanto é que vai tentar emplacar um filho no seu lugar, além de um outro filho e um neto na Assembleia de Minas.

A bicentenária linhagem parlamentar que se inicia com José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), conhecido como o Patriarca da Independência, produziu Andradas políticos em todas essas décadas e, a depender da família, continuará a produzir. A dinastia sediada em Barbacena (MG), um dos palcos da Inconfidência Mineira, é relevante símbolo de uma prática que apesar de toda a onda antissistema continua forte nas atuais eleições: a política em família. Ou em famílias. Sobrenomes que se espalham no país e que representam dominação e influência em regiões ou no estado todo. algumas em decadência, outras em ascensão. Umas mais poderosas, outras mais localizadas.

As principais dinastias políticas do Brasil lançaram mais de 60 candidatos nas eleições de outubro, mostra levantamento feito pela Folha nos registros da Justiça Eleitoral. Se levados em conta os núcleos familiares menores, o número aumenta expressivamente. “A campanha dos meus filhos e do meu neto quem está coordenando sou eu. Estou orientando tudo, estou fazendo tudo, participando ativamente da política”, diz Bonifácio. “Eles serão a sexta geração. Eu sou a quinta geração que ininterruptamente desde 1823 tem um deputado na Câmara dos Deputados. E eu falei com eles: tratem de segurar a bandeira. Até aqui eu segurei, agora vocês têm que levar daqui pra frente.” O neto de Bonifácio, Doorgal Andrada, já é vereador em Belo Horizonte. Tem 25 anos.
Atualmente o Brasil tem cerca de duas dezenas de grandes clãs políticos.

Um dos mais longevos é comandado pelo ex-presidente José Sarney (MDB), 88, hoje sem mandato, e passa por um momento delicado. Tenta se reerguer no seu reduto, o Maranhão, cujo comando de quatro décadas foi parar em 2014 nas mãos do oposicionista Flavio Dino (PC do B). A filha Roseana (MDB) tentará retomar o governo. Outro filho, o ex-ministro Sarney Filho (PV), é candidato ao Senado. O neto Adriano (PV) é o nome da família à reeleição para deputado estadual.

Em bem melhor situação estão os Calheiros em Alagoas, os Barbalho no Pará e os Ferreira Gomes no Ceará.  Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) disputa a reeleição ao Senado. O filho, a reeleição ao governo do Estado. Um irmão, a reeleição à Assembleia. Um sobrinho é prefeito de Murici (AL), seu reduto eleitoral.

No Pará, o clã Barbalho lançou cinco nomes: O de Jader (MDB) ao Senado (reeleição), o de seu filho Helder ao governo, além de duas ex-mulheres e de um primo à Câmara dos Deputados.

No Ceará do presidenciável Ciro Gomes (PDT), seu irmão Cid disputa o Senado. Outra irmã, a Assembleia. Outros dois irmãos estão em cargos executivos, no governo do estado e no comando da Prefeitura de Sobral, berço político da família.

Na Paraíba, os Cunha Lima têm quatro candidatos. No Rio Grande do Norte, os Alves e os Maia lançaram oito nomes ao todo. Em Pernambuco, a principal aposta do PSB para a Câmara é João Campos, 24, filho do ex-governador Eduardo Campos (morto em 2014), que era neto do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Os Coelho, outro clã do estado, lançaram três nomes.

Embora com projeção geográfica e histórica menor, núcleos políticos familiares se proliferam em todo o país. Um dos mais simbólicos são os Tatto, na Capela do Socorro, em São Paulo, local apelidado de Tattolândia. Três dos cinco irmãos petistas são candidatos em 2018, ao Senado, Câmara e Assembleia Legislativa. Dois são vereadores na capital.

No Rio, há atualmente um clã de candidatos de pais encarcerados. Filhos de Sergio Cabral (MDB), Eduardo Cunha (MDB) e Jorge Picciani (MDB) são candidatos na atual eleição. Antonhy Garotinho (PRP), que chegou a ser preso no ano passado, é candidato ao governo. Dois de seus filhos, a deputado federal.

Entre os presidenciáveis, além de Ciro há outros concorrentes com familiares na política. Como Álvaro Dias (Podemos) e Jair Bolsonaro (PSL). Três filhos do capitão reformado são parlamentares. Dois deles, candidatos em 2018.

Em estudo publicado em 2014, a Transparência Brasil mostrou que quase a metade dos integrantes da Câmara e do Senado alavancou parentes ou foi por eles promovido, com percentual mais alto entre nordestinos, mulheres e detentores de concessão de rádio e TV.  “Entra e sai governo, os oligarcas e seus filhos, netos, cônjuges, irmãos e sobrinhos seguem dando as cartas. A transferência de poder de uma geração a outra da mesma família provoca tanto a formação de uma base parlamentar avessa a mudanças significativas como a perpetuação no poder de políticos tradicionais desgastados ou até impedidos de concorrer em eleições.”

Uma chapa centenária de 207 anos

Representando a oligarquia que dominou o Maranhão por 50 anos, os candidatos do grupo Sarney têm a maior média de idade, mostrando que todos os candidatos representam a velha política

Se o mote da campanha do governador Flávio Dino (PCdoB), candidato ao Governo do Maranhão, e de Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (MDB) para o Senado Federal, é a continuidade da mudança e a renovação política. A campanha dos candidatos do grupo Sarney vai passar bem longe desses dois temas.

Representando a oligarquia que dominou o Maranhão por 50 anos, os candidatos do grupo Sarney têm a maior média de idade, mostrando que todos os candidatos representam a velha política.

A candidata ao governo, Roseana Sarney (MDB), entra na disputa no auge dos seus 65 anos, Sarney Filho (PV), candidato ao Senado Federal, a pesar de ser o caçula dos três filhos de José Sarney, tem 61 anos.

O outro candidato, o senador Edison Lobão (MDB), entra em uma nova disputa com 81 anos de idade, vale lembrar que Lobão foi eleito pela primeira ao Senado Federal em 1986. Somados, os três candidatos representam 207 anos, uma verdadeira chapa centenária.

A título de comparação, o governador Flávio Dino tem 50 anos de idade. Weverton Rocha tem 38 anos e Eliziane Gama 41 anos.

De volta ao Maranhão, Sarney quer retorno de seu clã ao poder…

O temor pela perda do poder e o enfraquecimento de um clã que construiu faz o ex-senador José Sarney retornar para a origem. 28 anos depois de ter transferido o seu domicílio eleitoral para o Amapá, o ex-presidente está de volta ao Maranhão, inclusive com o direito de votar em sua terra natal.

Ele alega motivos pessoais para o retorno, mas os aliados e amigos revelam a verdade: Sarney quer evitar o esfacelamento de seu clã e a reeleição do bem avaliado governador Flávio Dino (PCdoB), eleito em 2014 depois de 40 anos de domínio quase ininterrupto do sarneyzismo no Estado.

Entretanto, aos 88 anos o ex-presidente tem encontrado dificuldades para fortalecer as candidaturas dos seus filhos: Roseana, ao governo, e Sarney Filho, ao Senado. Líderes partidários da base de Flávio Dino já revelaram sondagens e propostas feitas para mudar de lado e enfraquecer a ampla aliança construída pelo governador.

De volta, o ‘velho e todo poderoso chefão’ reclama até do apartamento onde mora e já avisou que quer retornar a antiga casa com varandas na praia do Calhau. É que no apartamento a vida em condomínio, portarias e elevadores atrapalham os contatos políticos. Já na praia a porta está sempre aberta.

A ira de José Sarney…

Quem pensou que a transferência do domicílio eleitoral do ex-presidente José Sarney (MDB) do Amapá para o Maranhão fosse mera coincidência do destino, enganou-se. A mudança significou que o líder maior da oligarquia, que governou o Estado por 50 anos, partiria para o tudo ou nada contra o governador Flávio Dino (PCdoB), responsável por sua derrota em 2014.

Nos últimos dias, todo o aparato midiático do sistema voltou-se contra o governo do Estado. Os avanços na saúde como a construção de seis Hospitais Regionais, o Hospital de Traumatologia e Ortopedia, Hospital do Servidor e os da área de Segurança, como os três mil novos soldados, 900 viaturas, concursos da Polícia Civil e Militar, nunca ganharam um único espaço nesses espaços midiáticos, mas sua fúria contra o governo é sentida quando esses mesmos meios se unem para bater, duramente, na administração Flávio Dino.

A ira da oligarquia Sarney não leva em conta o histórico, a honra ou a patente de uma pessoa ou um servidor público. Apenas tem procurado pessoas para massacrar tentar atingir o governador Flávio Dino.

No jogo sujo da política, a oligarquia Sarney só não pode esquecer que o povo, hoje bem mais consciente, não admite o vale tudo e não mais aceita esse tipo de artimanha, afinal a verdade sempre vencerá a mentira.

Os claros sinais da desistência de Roseana Sarney na disputa pelo Governo do Estado

Sem conseguir agregar apoios, a ex-governadora só tem recebido em sua casa lideranças levadas por deputados que tentam estimulá-la, sem sucesso até o momento.

Blog do Garrone

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) tem deixado, cada vez mais claros, os sinais de desistência na disputa ao governo do Estado. Apesar da pressão de aliados e de políticos que dependem do seu lastro eleitoral, ela não parece disposta em ir ao sacrifício para beneficiar quem quer que seja, nem seu irmão Sarney Filho, que vislumbra o Senado.

Os sintomas de abdicação de uma disputa contra o governador Flávio Dino (PCdoB) estão mais nítidos a cada dia, sobretudo pelas lamúrias emitidas pelos próprios entusiastas da candidatura de Roseana. Sem conseguir agregar apoios, a ex-governadora só tem recebido em sua casa lideranças levadas por deputados que tentam estimulá-la, sem sucesso até o momento.

O sonho de Roseana, na verdade, é disputar o Senado, onde há duas vagas, mas lá está a postulação do irmão Sarney Filho, preterido por José Sarney desde a adolescência. O ministro  sabe que é sua última chance de tentar o Senado, pois as pesquisas são amplamente favoráveis a Flávio Dino, candidato popular e com destaque nacional, mesmo diante da grave conjuntura de crise.

Outro fator que pesa para a decisão de desistência de Roseana é a diminuição do seu grupo político. De quando era governadora, só sobraram os fiéis João Alberto e Edison Lobão. Todas as outras grandes lideranças e presidentes de partido não acreditam que o sarneísmo fará bem ao Maranhão.

Diante de todos os fatos, talvez a principal razão para a desistência de Roseana seja a distância do poder. A família Sarney já provou que só sabe fazer eleição com muito dinheiro, dos outros, é claro, mas ao que se vê, parece que a ajuda prometida por Michel Temer não vai acontecer.

Marco Aurélio detona críticas da oposição: “desespero”

Ele criticou o fato da oposição sarneysista querer criminalizar tudo, até mesmo coisas que são absolutamente legais

O deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB) foi direto ao ponto após críticas, completamente, absurdas da deputada Andréa Murad sobre a presença de servidores na Conferência Estadual do PCdoB, na última sexta-feira (20). “Talvez o maior desespero deles, ao ver a grandiosa conferência do PCdoB, as milhares de pessoas lá, foi ver partidos que historicamente marcharam com eles e agora já disseram ‘não’, porque agora vão com Flávio Dino para a reeleição”, destacou o parlamentar.

Em seu pronunciamento na Assembleia Legislativa rebatendo o discurso tresloucado de Andrea, Marco Aurélio citou os casos do PR e PRB, que até pouco tempo estavam no campo oligárquico e que escolheram marchar em Flávio Dino em 2018.

“Isso dá um desespero danado. Vão procurar achar algum defeito. Faça um exame de consciência, oposição. O grupo da oligarquia de fato, de direito, está perdendo. Está perdendo, primeiro, pela ineficiência, pelo que deixaram de fazer. Em segundo lugar, pela liderança do Governador Flávio Dino. Em terceiro lugar, o povo não quer mais voltar mais ao atraso. O povo quer dias melhores e, assim, terá”, enfatizou.

Marco Aurélio desmontou o discurso de Andrea Murad, que criticou o fato de na Conferência haver vários servidores públicos. “O evento não era expediente de trabalho, o evento era à noite, logo todos podiam ir: cargo comissionado ou não, efetivos ou não, ali tinham milhares, centenas de professores, por exemplo, com cargos efetivos e estavam lá por livre espontânea vontade. Quem estava lá estava por livre e espontânea vontade”, defendeu.

Ele criticou o fato da oposição sarneysista querer criminalizar tudo, até mesmo coisas que são absolutamente legais. “Eles vão porque acreditam no Governo para que eles estão trabalhando. Eles acreditam de fato. Eles não estão ali por acaso. Eles acreditam de fato que o Governador Flávio Dino está fazendo um trabalho revolucionário e que esse grupo que antes dominou e tanto massacrou o Maranhão não volta nunca mais”, explicou Marco Aurélio.

Para membros da oligarquia que detonou o estado durante 50 anos, realmente é difícil entender que as pessoas trabalhando, com amor, por um projeto que está transformando o Maranhão. É por isso que estrebucham tanto!

Três anos da derrota permanente de Sarney e de dignidade política no Maranhão…

Por JM Cunha Santos 

Há três anos, o grupo do oligarca era derrotado, no Maranhão, nas urnas

Dizia o poeta João Alexandre Júnior que, ao contrário do que se pensa, “Quem faz revolução é a classe média, porque é a única que tem costumes pobres e aspirações ricas”. E a sociedade maranhense tem imposto consecutivas derrotas aos Sarneys e seus sicários desde que Flávio Dino venceu a eleição de 2014. Derrota que, conforme a futurologia estatística, se repetirá em 2018 com o mesmo governador vencendo a pugna eleitoral ainda no 1 turno.

E não há dúvidas de que acontece aqui uma mudança nos costumes políticos a partir do ideário de um “governo de todos”, substituindo os governos de grupos e governos familiares com parentes e aderentes de Sarney ocupando todos os cargos estaduais e federais e solapando a identidade social das instituições públicas.

A classe média, orientada pelo novo engenho político que aqui se instalou a partir de 2015, despreza os projetos oligárquicos, desfaz de todas as pretensões de poder de Sarney, até como forma de revide ao pesadelo institucional que viveu durante 50 anos.

As mudanças são inconfundíveis e incontestáveis. No foro administrativo, no relacionamento do governo com toda a gente, na imprensa oficial tangida a golpes de liberdade pela Rádio Timbira, na prioridade das obras sociais e cumprimento dos compromissos de campanha. Mudança de método, mudança de olhar, como nos olhares que se voltam para a Casa Ninar, os que observam a presença do Estado no erigir de um novo Sistema Estadual de Agricultura, ou os que enxergam a mais moderna e estratégica pulsação de uma nova ordem no Sistema de Segurança Pública.

Mas a revolução mesmo se dá contra o arbítrio da mentalidade corporativa, na nova mentalidade política que irrompe em todos os quadrantes do Maranhão. Não há notícias de superfaturamento nas obras quase diárias do governo Flávio Dino, há três anos o maranhense não mais consome notícias horárias sobre licitações fraudulentas, nem sobre hóspedes suspeitos carregando propina nos hotéis. A agiotagem, a pistolagem e o crime organizado foram disparar em outra freguesia e o Maranhão que se desenha agora assemelha-se a uma jurisdição quase solitária de honestidade e transparência no trato com a coisa pública neste país.

Troca-se a vergonha pelo orgulho de ser maranhense, a dubiedade patrimonialista por certezas sociais, a corretagem das leis e o tráfico de influência por sentenças imparciais, a sordidez do abuso de poder econômico pelo valor inestimável da opinião pública e a fugacidade dos banquetes faraônicos por pão e esperança nas mesas do Maranhão.

Assim, isolam-se os barões no casulo dos intocáveis, sem espaço para mais impunidades, sem crer que só foram necessários três anos para o alvorecer de uma revolução ética no estado. Três anos para que Nelmas poderosas e Sarneys inimputáveis sucumbissem ao estado de Direito e à realidade de que o Maranhão envergonhado que governaram é hoje um exemplo de justiça social e dignidade política para todo o Brasil.