Lula, Dilma, Palocci, Mantega e Vaccari no banco dos réus pelo Quadrilhão do PT

A acusação, por organização criminosa, foi oferecida em setembro de 2017 pelo então procurador-geral da República. Foto: Gabriela Biló

Estadão

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal, em Brasília, aceitou nesta sexta-feira (23) denúncia formulada pelo Ministério Público Federal contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por formação de organização criminosa, no caso do “quadrilhão do PT”.

“Segundo a acusação, com base nas provas documentais juntadas aos autos, os réus (até o ano de 2016) integravam organização criminosa quando de suas respectivas atuações como membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e ainda por meio de condutas ligadas a exercício de mandatos como Presidentes da República, ministros de Estados e de integrante do referido Partido, tendo sido cometidos diversos crimes contra a Administração Pública (entre os quais corrupção) e lavagem de dinheiro relacionados com o Ministério de Minas e Energia, Petrobrás, Construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e UTC, e J&F/BNDES”, escreveu o juiz.

Em sua decisão, o juiz federal explicou que ficaram de fora da decisão a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, o ex-ministro das Comunicações no governo Dilma, Paulo Bernardo Silva, e o prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que seriam integrantes da mesma organização ao lado dos cinco acusados, mas cujas investigações tramitam em diferentes instâncias – Gleisi e o marido são investigados no STF; a denúncia contra Edinho foi encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

“Determino as citações para as respostas à acusação, por escrito, no prazo de 15 dias (prazo estendido pela metade por se tratar de cinco réus), oportunidade em que poderão arguir preliminares e alegar tudo o que interesse às defesas, oferecer documentos e justificações, especificar ou produzir desde logo provas, arrolando e qualificando (com os pertinentes endereços) testemunhas para serem ouvidas em audiência”, escreveu o juiz em sua decisão.

A acusação, por organização criminosa, foi oferecida em setembro de 2017 pelo então procurador-geral da República. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o esquema de corrupção instalado em diversos entes e órgãos públicos, como a Petrobrás, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e o Ministério do Planejamento, permitiu que os políticos denunciados recebessem a título de propina pelo menos R$ 1,48 bilhão.

“Pelo menos desde meados de 2002 até 12 de maio de 2016 , os denunciados, integraram e estruturaram uma organização criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma Rousseff sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a administração pública em geral”, afirmou Janot à época.

Desmembramento

Em março deste ano, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que apenas a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o ex-ministro Paulo Bernardo permanecessem com as investigações em curso no STF. A defesa de Lula entrou com recurso contra o desmembramento do caso, mas a Segunda Turma manteve no dia 13 de novembro a decisão de Fachin que mandou as investigações contra o ex-presidente para a Justiça Federal do DF.

Quando ofereceu a denúncia, Janot disse que os petistas faziam parte de uma organização criminosa única, “que congrega, pelo menos, os partidos PT, PMDB e PP, bem como núcleos diversos (econômico, administrativo e financeiro).”

A Comissão Executiva Nacional do PT emitiu uma nota:

A ação iniciada hoje (23/11), pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal, contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de ex-dirigentes do PT, não se sustenta em fatos nem provas. É o resultado de um delírio acusatório do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, sem qualquer base na lei. Esta ação, que não prosperou no STF, foi desdobrada para a primeira instância em decisão definitiva de 14 de novembro, e o juiz decidiu aceitá-la apenas pouco mais de uma semana.

Diferentemente do que afirma levianamente a acusação e do que foi aceito pelo juiz, o PT é um partido político constituído legalmente há 38 anos; o maior partido do país pela vontade dos eleitores, com uma trajetória de serviços prestados à democracia, ao Brasil e ao nosso povo. Um partido que, no governo, tirou 36 milhões de pessoas da miséria, acabou com a fome, criou 20 milhões de empregos, tornou o Brasil respeitado em todo o mundo e combateu a corrupção como nenhum outro governo.

Quem vem atuando como verdadeira organização fora da lei no país, já há alguns anos, são setores partidarizados do Ministério Público e do sistema judicial, que perseguem o PT e suas lideranças com acusações sem pé nem cabeça, com o objetivo de criminalizar o partido. Trabalham cotidianamente para excluir o PT da vida política brasileira, valendo-se de mentiras e do abuso de poder. Cometem, em conluio organizado e hierarquizado, um crime contra a democracia, contra o direito de livre organização política.

Estes setores, com a cumplicidade da Rede Globo e da grande mídia, repetem contra o PT o que a ditadura fez contra os partidos de oposição. E parecem emulados pelo resultado eleitoral, colocando em prática o ódio ao PT pregado por Jair Bolsonaro. Em apenas três semanas depois das eleições, Dilma Rousseff e nosso candidato Fernando Haddad foram tornados réus em ações esdrúxulas e sem fundamento. O nome do PT foi envolvido sem provas em duas novas operações da Lava Jato. E, além disso, as ações levianas contra Lula foram mantidas sob controle da colega substituta de Sergio Moro, numa escandalosa manobra.

Os novos ataques judiciais ao PT ocorrem ao mesmo tempo em que a Procuradoria-Geral da República propõe o arquivamento de ação contra o atual ministro Moreira Franco, um dos cabeças do golpe do impeachment; o arquivamento de ações contra membros do MDB e do PSDB que estavam no Supremo, e recusa-se a apresentar denúncia contra Michel Temer; todos esses casos fartamente documentados, ao contrário do que ocorre nas ações contra o PT.

Querem fazer na marra o que não conseguiram no voto, pois o PT saiu dessas eleições, mais uma vez, como a maior força política popular do país, apesar das mentiras e da perseguição. Não vão conseguir acabar com o PT, porque nossa força vem do povo, não de decisões judiciais nem de campanhas midiáticas. A arbitrariedade desses setores compromete a imagem do Brasil e, mais grave: solapa a democracia, o estado de direito, o princípio constitucional da presunção da inocência e as próprias bases do Judiciário, que tem a imparcialidade por princípio.

O Partido dos Trabalhadores denunciará por todos os meios mais essa violência. O PT convoca o povo e todos os democratas a resistir a mais uma agressão.

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT

São Paulo, 23 de novembro de 2018

Após críticas de Ciro, Manuela diz: ”Se a gente não se unir não vai sobrar nada”

Sem citar o nome do pedetista, Manuela criticou a postura de divisão após a derrota no segundo turno e relembrou que abriu mão da própria candidatura para, de acordo com ela, “buscar ao menos parte dessa unidade”

Estado de Minas

Depois de Ciro Gomes (PDT), derrotado no primeiro turno, ter afirmado em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que a candidatura do ex-presidente Lula foi uma “fraude”, que foi “miseravelmente traído pelo presidente Lula e seus asseclas” e que não quer mais fazer campanha para o PT, Manuela D’Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT), afirmou pelo twitter que “Se a gente não se unir não vai sobrar nada”.

Sem citar o nome do pedetista, Manuela criticou a postura de divisão após a derrota no segundo turno e relembrou que abriu mão da própria candidatura para, de acordo com ela, “buscar ao menos parte dessa unidade”.

Ciro Gomes afirmou, também, que a candidatura do PT visava um “projeto de poder miúdo e de ladroeira” e acusou a legenda adversária de eleger Jair Bolsonaro (PSL). “Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o querem fazer comigo”, declarou.

Em aparente resposta às críticas de seu adversário, a vice de Haddad disse que desde a época que lançou a candidatura, então isolada, pelo PCdoB, defendeu que a unidade no campo da esquerda era o caminho para construir “a vitória das forças políticas progressistas, populares e comprometidas com a democracia”.

Ela argumenta, também, que se construiu um programa comum, mas que não se avançou para uma candidatura única durante as negociações pré-eleitorais. Ela classifica isso como o “erro original e mais importante frente ao qual todos os outros são menores”.

“Buscar responsabilizar agora qualquer ator ou força política, isoladamente, por nossa derrota é não compreender quem são nossos adversários e os gigantescos interesses contra os quais disputamos a eleição”, argumentou.

Manuela disse que a esquerda está dolorida com a derrota, mas que o “campo progressista” encontrou, na reta final do pleito, um rumo que ela acredita ser positivo. “Deu o recado e o caminho para todos nós: unidade generosa, sem hegemonismo, sem estrelismo, todo mundo junto e igual. Porque, gente, prestem atenção: se a gente não se unir não vai sobrar nada no céu pra estrela e astro nenhuma brilhar”, defendeu.

Por fim, a comunista defendeu que as esquerdas formem uma “unidade real” com base nos valores da democracia, liberdade e justiça social. Ela afirma que esse projeto de união fez parte da campanha nas ruas nas eleições de 18 e que toda a movimentação aconteceu “longe dos gabinetes e espaços burocráticos”.

“Não foi feito apenas por um partido e também não foi contra um Partido. Então, agora não pode ser de um partido, de um líder ou contra o outro líder. Precisamos estar todos juntos, como estivemos nesses últimos dias. Juntos nas ruas, nas praças, nos bairros. Conversando, ouvindo, refletindo. Construindo nossa ação, garantindo o zelo à Constituição Cidadã de 88. Esse é nosso dever, foi para isso que saímos juntos nas ruas”, declarou.

Ela ainda criticou a postura de Ciro Gomes, mesmo sem citar nomes, ao afirmar que “dispensar a unidade” ou “fazer o jogo dos adversários” é não entender os anseios dos eleitores que não votaram em Jair Bolsonaro. “Temos diferenças, lutemos pelo direito de preservá-las. Para isso, precisamos estar juntos, lutando pela (r)existência”, concluiu.

Após crítica a Lula, Gleisi diz que Ciro está irritado com derrota na urna

UOL

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, diz lamentar as críticas feitas pelo candidato derrotado à Presidência Ciro Gomes (PDT). A parlamentar diz que o PT compreende as “dores” do pedetista.

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” , Ciro fez fortes críticas ao PT e a seu líder maior, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-candidato disse que não aceitou ser vice de Lula, como Fernando Haddad (PT), por considerar isso uma “fraude”.

“Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado”, disse. Ele também disse que os petistas são responsáveis pela eleição do novo presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

Em resposta, Gleisi usou suas redes sociais para lamentar que “Ciro Gomes esteja tão irritado com seu seu resultado eleitoral insatisfatório”. “Mas entendemos suas dores e somos solidários. O que importa é a unidade contra o fascismo e o ataque aos direitos do povo. Nisso estaremos juntos!”, escreveu.

Ciro também fez duras colocações a respeito do teólogo Leonardo Boff, ligado ao PT, e que criticou o pedetista por não ter declarado voto em Haddad. “Pega um bosta como esse Leonardo Boff. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras?”

O ex-candidato passou praticamente todo o período do segundo turno fora do país e não apresentou apoio formal ao candidato do PT no segundo turno –se limitou a dizer que não votaria em Bolsonaro. “Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT. Agora, em uma eleição que tem só dois candidatos, na noite do primeiro turno, disse à imprensa: ‘Ele não’. O que ele quer mais agora?”.

O pedetista ainda criticou as ações do PT para isolar o PSB de uma possível aliança com Ciro na disputa presidencial, colocando em xeque candidaturas aos governos de Pernambuco e Minas Gerais. “Em nome de que foi feito isso? De qual espírito público, razão nacional, interesse popular? Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira. O PT elegeu Bolsonaro.”

Gleisi defendeu sua sigla e disse que “o PT é um partido que faz articulação pública aberta e transparente, tem estratégia política e não age por mágoa ou traição”. “Temos orgulho de Lula, o maior líder político popular da história do Brasil, assim como de Leonardo Boff e Frei Beto, que emprestam suas vidas à causa do povo.”

Após aliança, PCdoB já articula formação de bloco sem o PT na Câmara

Orlando Silva negou que a iniciativa seja contra o PT, mas repetiu que um partido não pode querer se sobrepor ao outro nesse processo, porque isso seria o primeiro passo para a fragmentação da “resistência” ao governo Bolsonaro

Estadão

O plano do PT de liderar a oposição ao governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), enfrenta resistências até mesmo de tradicionais parceiros. Coligado com o partido de Fernando Haddad na eleição, o PCdoB, por exemplo, de Manuela D’Ávila, que foi candidata a vice do ex-prefeito de São Paulo, já articula um bloco parlamentar na Câmara dos Deputados com o PSB e o PDT de Ciro Gomes. O movimento tem potencial para “emparedar” os petistas.

“O presidente é fake, mas precisamos de uma oposição de verdade. Isso não se dará se a esquerda seguir a lógica do hegemonismo. Erramos ao não construir uma frente antes e erraremos se não conseguirmos nos juntar agora”, afirmou o deputado Orlando Silva(SP), líder do PCdoB na Câmara.

Silva negou que a iniciativa seja contra o PT, mas repetiu que um partido não pode querer se sobrepor ao outro nesse processo, porque isso seria o primeiro passo para a fragmentação da “resistência” ao governo Bolsonaro. “Espero que o o PT e o PSOL se somem a nós, porque daqui para a frente os dias serão muito difíceis”, previu.

O PCdoB é a sigla de Manuela D’Ávila, a vice que não teve lugar de destaque na campanha. A estratégia de marketing que escondeu Manuela para exibir Ana Estela, mulher do candidato, contrariou os comunistas, que não ultrapassaram a cláusula de barreira na eleição.

O partido agora investe em uma brecha jurídica para conseguir sobreviver sem se fundir com outra legenda para ter acesso aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na TV. “É zero a hipótese de fusão com PT, PSB ou PDT”, disse Silva, acrescentando que a agenda do novo bloco parlamentar deve incluir, no plano econômico, a revisão de renúncias fiscais e, no social, um pacto pela primeira infância.

“Não sei se essa frente será um blocão, mas, de qualquer forma, não aceitaremos a hegemonia do PT nem de quem quer que seja. É necessário muito cuidado com isso. Vamos manter a nossa cara, e não incorporar a de outro partido”, concordou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Ciro Gomes, por sua vez, já iniciou o processo de afastamento do PT. Sem conseguir passar para o segundo turno da disputa presidencial, Ciro viajou para o exterior e, ao voltar, na noite de sexta-feira, não deu nenhuma declaração de apoio explícito a Haddad. Na Câmara, o deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT e aliado de Ciro, tem participado de conversas sobre a formação do novo bloco com o PC do B e o PSB.

Para o deputado José Guimarães (CE), secretário de Assuntos Institucionais do PT, a centro-esquerda deverá formar uma “ampla frente” de oposição a Bolsonaro no Congresso e seu partido tem todas as condições de liderar esse bloco. “Protagonismo não significa hegemonismo”, argumentou ele. “Temos de adotar um programa que pacifique a esquerda como protagonista da esperança.”

Se depender de Guimarães, a nova frente pode abrigar não apenas aliados históricos do PT, mas também setores do PSDB e até mesmo do MDB do presidente Michel Temer, que assumiu o Palácio do Planalto após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. O problema é que, no atual cenário, nem mesmo os antigos parceiros do petismo veem essa ideia com bons olhos.

No diagnóstico do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, o desafio da oposição será ter um discurso que vá além do ‘Fora Bolsonaro’. “O PT vai entrar agora em uma fase de luto. Uma parte vai se renovar e outra, se agarrar ao passado”, observou Melo, que prevê uma nova configuração de forças no campo da centro-esquerda. “Eu não vejo o PT liderando a oposição, porque perdeu o pulso das ruas e da sociedade.”

Ideólogo da tese de refundação do PT, lançada após o escândalo do mensalão, o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro disse que a vitória de Bolsonaro exigirá do partido uma renovação de seu plano estratégico. “Construir um projeto neo social democrata é a tarefa do PT para o próximo período, mas, sinceramente, não sei se a atual direção está disposta a programar”, comentou Tarso, da tendência Mensagem ao Partido.

Haddad sempre foi próximo desse grupo, mas ingressou na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT, para conseguir virar candidato. Na avaliação de Tarso, a legenda precisa agora se projetar com nova fisionomia e “ousar”, apresentando uma plataforma mais arejada. “Se o partido fará ou não essa reflexão é algo incerto, mas eu e centenas de quadros faremos, com a esquerda em geral”, declarou o ex-ministro do governo Lula.

Ao que tudo indica, a turbulência petista tem todos os ingredientes para terminar em racha. “Não podemos dar nem guinada à esquerda nem à direita, como propõem alguns. Rótulos e chavões são um péssimo caminho”, insistiu Guimarães, fechando o raciocínio como quem fala do fim de um ciclo. “O importante, agora, é reconstruir tudo”, avisou o deputado.

Vitória de Haddad no Maranhão consolida liderança de Flávio Dino no Estado

Mesmo com um resultado não tão favorável para a esquerda brasileira, Flávio Dino chega ao momento de ser um dos maiores expoentes das frentes progressistas, já sendo até mesmo citado como um dos nomes para a disputa de 2022

Encerrada a votação do segundo turno das eleições de 2018 e com o candidato Jair Bolsonaro eleito presidente da República, o cenário que se observa é que o Nordeste continua sendo um forte reduto da esquerda brasileira.

A apuração de 100% das urnas mostrou que o candidato Fernando Haddad (PT) venceu em todos os estados da região, com destaque para alguns estados como o Maranhão.

Sob a liderança do governador Flávio Dino (PCdoB), eleito no primeiro turno, Haddad conquistou a segunda maior votação proporcional em relação ao concorrente, Jair Bolsonaro. No Maranhão, Haddad ficou com 73,26% da votação, contra 26,74% de Bolsonaro, ficando apenas atrás do Piauí, que deu 77,75% da votação para Haddad.

Algumas cidades no Maranhão deram mais de 90% dos votos para o candidato do PT: Belágua 93,66%; Cajapió 92,15%; Central do Maranhão 92,14%; Afonso Cunha 91,54% e Duque Bacelar 90,94%.

Reconhecidamente uma das maiores figuras da esquerda brasileira, o governador Flávio Dino tratou de articular com aliados e a militância dos partidos e dos movimentos sociais uma frente progressista no Estado. A articulação teve seu auge no último sábado 27, com o Dia Nacional de Mobilização, onde foram registrados eventos em praticamente todos os municípios maranhenses.

A liderança de Flávio Dino foi bastante reconhecida por reunir os dois senadores eleitos Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT, além do vice-governador Carlos Brandão, na campanha de Fernando Haddad no segundo turno.

Mesmo com um resultado não tão favorável para a esquerda brasileira, Flávio Dino chega ao momento de ser um dos maiores expoentes das frentes progressistas, já sendo até mesmo citado como um dos nomes para a disputa de 2022.

Ruas do João de Deus são ocupadas por milhares de pessoas em evento liderado por Flávio Dino em apoio a Fernando Haddad

No Dia Nacional de Mobilização, o governador do Flávio Dino (PCdoB) levou milhares de pessoas às ruas do bairro João de Deus, em São Luís, neste sábado (27). O evento contou também com a presença do senador eleito Weverton Rocha (PDT), do deputado federal eleito Márcio Jerry (PCdoB) e de vários deputados estaduais.

O movimento foi convocado pelos movimentos Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo e teve a participação de sindicatos, partidos e movimentos sociais. O evento foi realizado simultaneamente em pelo menos 25 estados.

Durante o evento, o governador Flávio Dino foi taxativo em defender a democracia brasileira, a garantia dos diretos e da soberania popular.

“Nossa geração política foi forjada na luta contra a ditadura e pela redemocratização do país. Somos, portanto, guardiões da democracia e da constituição. As ameaças autoritárias que tentam incutir à esquerda não se sustentam diante de um mero olhar sob a nossa história pessoal e militante e de quaisquer das nossas lideranças” informava o documento que convocou o ato.

O evento foi realizado em São Luís e de pelo menos 20 cidades do interior do Maranhão.

‘A virada já começou’, diz Fernando Haddad (PT), em ato de campanha no Recife

Haddad lembrou que na cidade de São Paulo a campanha petista está na frente do candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro. O candidato referiu-se à pesquisa Ibope que indica 51% dos votos válidos da capital paulista para ele, contra 49% para Bolsonaro

O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad , afirmou que “a virada já começou”. Em ato na capital de Pernambuco, Recife, na tarde desta quinta-feira (25). Haddad lembrou que na cidade de São Paulo a campanha petista está na frente do candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro. O candidato referiu-se à pesquisa Ibope que indica 51% dos votos válidos da capital paulista para ele, contra 49% para Bolsonaro.

Isso já é um sinal de que o Sudeste vai mudar de tendência. Somando com a maioria que a gente tem no Nordeste, pode nos possibilitar a vitória no domingo —, declarou Haddad, que destacou que os próximos três dias são fundamentais. “A população está nas ruas esclarecendo quem é o Bolsonaro, o que ele fez, o que ele fala, o que ele pensa. Ele só fala absurdos do Brasil, das mulheres, dos nordestinos, dos negros. É uma pessoa que não respeita ninguém. Espero que o povo brasileiro se faça respeitar derrotando Jair Bolsonaro”, enfatizou.

Haddad fez mais um aceno para Ciro Gomes, do PDT, que ficou em terceiro no primeiro turno as eleições presidenciais deste ano. O petista brincou e disse que até a sua esposa, Ana Estela, está com ciúme de Ciro.

“Até minha mulher está com ciúme do Ciro já, de tanto aceno que faço para ele. Quando eu chego em casa, ela fala e eu? Eu vou continuar fazendo aceno porque boto o Brasil acima de tudo. Não é com arrogância que nós vamos enfrentar o desafio que está posto. A gente tem que ter humildade diante da situação. Tem que partir de mim o exemplo. Como estou no segundo turno, tem que partir de mim esse gesto para demonstrar que nós vamos fazer um governo amplo. Ontem, liguei pro Carlos Lupi (Presidente nacional do PDT), falei longamente com ele. Falei para ele que compartilhe conosco esse momento da virada, lembrando a tradição de Brizola, que sempre esteve do lado certo. Temos três dias para virar o jogo. Com o Ciro fica mais fácil, mas vamos virar”, completou.

Para os eleitores indecisos, sobretudo os que não gostam do PT por causa das denúncias de corrupção, Haddad afirmou que “entre erros e acertos, os governos do PT mudaram as vidas de dezenas de milhões de pessoas”.

“Vamos corrigir os erros e manter os acertos. Agora transformar acerto em erro não dá. O Bolsonaro já se comprometeu com a política econômica do Temer, por exemplo. Essas pessoas acham que a política econômica do Temer está dando certo? Ele já até convidou o DEM pro governo. Isso é o caminho pro desastre”, dissse.

Sobre aumentar o salário mínimo e reduzir o preço do gás de cozinha, medidas que estariam sendo interpretadas por eleitores de Bolsonaro como populistas, Haddad afirmou que quem precisa explicar populismo é o candidato do PSL.

“Ele recomendava aos beneficiários do Bolsa Família comerem capim. Era assim que ele trata. E agora quer dar décimo terceiro pro Bolsa Família. Ele que sempre foi contra. Incoerência completa. Nós sempre achamos que o poder de compra das pessoas é que iria recuperar a economia”, afirmou.

Fernando Haddad estará em São Luís neste domingo (21)

No Maranhão, Fernando Haddad foi o mais votado no primeiro turno, 61,26% dos maranhenses votaram no petista

O candidato à Presidência da República pelo PT, o ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad, estará em São Luís neste domingo (21), para um grande ato ao lado do governador Flávio Dino (PCdoB).

O evento será no bairro do Anil e terá a participação dos senadores eleitos Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS).

O presidenciável visita o Maranhão pela segunda vez nesta campanha. Em agosto, Fernando Haddad esteve em São Luís e na cidade de Viana para declarar apoio ao governador Flávio Dino.

No Maranhão, Fernando Haddad foi o mais votado no primeiro turno, 61,26% dos maranhenses votaram no petista. A volta ao estado faz parte da estratégia da campanha em reforçar a boa votação de Haddad no segundo turno.

Diretor da Associação de gays, lésbicas e travestis diz que houve o tal Kity Gay

Jornal da Cidade

O propalado “Kit Gay” foi encomendado e financiado pelo Ministério da Educação na gestão do ex-ministro Fernando Haddad, que pode efetivamente ser considerado o “pai do Kit Gay·.

Inúmeras ONGs participaram de sua confecção. Em entrevista concedida na época, Beta de Jesus, diretor da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Transexuais e Travestis, revela que participou da produção dos vídeos e tratou do assunto pessoalmente com o atual candidato do PT à Presidência da República.

Inclusive, o projeto foi integralmente financiado com dinheiro público, através de uma emenda parlamentar no valor de R$ 3 milhões, proposta pelo PT.

Beta de Jesus afirma que na hora “H” Haddad “amarelou”.

Na realidade, o ex-ministro recuou em razão de ataques feitos na época ao malfadado “Kit”, efetuados por Jair Bolsonaro e outros parlamentares.

Atualmente, Haddad nega a paternidade do “Kit Gay”, alegando, entre outras coisas, ser “neto de um líder religioso”.

O vídeo abaixo elucida a questão: