Entenda as regras de transição previstas na reforma da Previdência

Presidente da Câmara dos Deputados, dep. Rodrigo Maia, recebe do Presidente da República, Jair Bolsonaro a proposta da Reforma da Previdência

Agência Brasil

A regra de transição para a aposentadoria proposta pelo governo prevê três opções de escolha para os trabalhadores. Em uma das opções, a soma do tempo de contribuição com a idade passa a ser a regra de acesso. O tempo de contribuição é 35 anos para homens e 30 para mulheres. Em 2019, essa soma terá que ser 96 pontos para homens e 86 anos para mulheres. A cada ano, será necessário mais um ponto nessa soma, chegando a 105 pontos para homens e 95 para mulheres, em 2028. A partir desse ano, a soma de pontos para os homens é mantida em 105. No caso das mulheres, a soma sobe um ponto até atingir o máximo, que é 100, em 2033.

Os professores terão redução de cinco pontos, com a soma do tempo de contribuição com idade em 81 pontos para as mulheres e 91 para os homens, em 2019, desde que comprovem, exclusivamente, tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e nos ensinos fundamental e médios. Os pontos sobem até atingir 95 pontos para professoras e 100 pontos para professores.

A outra opção é a aposentadoria por tempo de contribuição (35 anos para homens e 30 anos para mulheres), desde que tenham a idade mínima de 61 anos para homens e 56 anos para as mulheres, em 2019. A idade mínima vai subindo seis meses a cada ano. Assim, em 2031 a idade mínima será 65 anos para homens e 62 para mulheres. Os professores terão redução de cinco anos na idade.

Quem está a dois anos de cumprir o tempo de contribuição para a aposentadoria – 30 anos, no caso das mulheres, e 35 anos, no de homens – poderá optar pela aposentadoria sem idade mínima, aplicando o fator previdenciário, após cumprir o pedágio de 50% sobre o tempo restante. Por exemplo, uma mulher com 29 anos de contribuição poderá se aposentar pelo fator previdenciário se contribuir mais um ano e meio.

A aposentadoria por idade será 65 anos para homens e, para as mulheres, começa em 60 anos, em 2019 e vai subindo seis meses a cada ano, até chegar a 62 anos, em 2023. O tempo de contribuição mínimo será de 15 anos, em 2019, e vai subindo seis meses até chegar a 20 anos, em 2029. 2029.

Servidores públicos

No caso dos servidores, o tempo de contribuição será de 35 anos para homens e 30 para mulheres, sendo necessário ter 20 anos de tempo de serviço público e cinco anos de cargo. Pela regra de transição, a idade mínima será de 61 anos em 2019 e 62 anos, em 2022, para homens. Para as mulheres, a idade mínima será 56 anos, em 2019, e 57 anos, em 2022. A soma de idade e tempo de contribuição será 86 (mulheres) e 96 (homens), em 2019, crescendo em um ponto a cada ano até chegar a 105 pontos para os homens em 2028 e a 100, em 2033, para mulheres.

Será mantida a integralidade do salário para os servidores que ingressaram no serviço público, até 31 de dezembro de 2003, e que se aposentarem aos 65 anos de idade, no caso de homens, e aos 62, no de mulheres. Se o ingresso foi após 31 de dezembro de 2003, o trabalhador continuará recebendo 100% da média de contribuições, caso o ente público não tenha adotado a previdência complementar. No caso de servidores da União e de alguns estados que adotaram a previdência complementar, o empregado continua tendo o benefício limitado ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Bolsonaro entrega proposta de reforma da Previdência ao Congresso Nacional

A proposta da reforma da Previdência vai garantir uma economia de R$ 1,164 trilhão em dez anos nas despesas públicas, segundo o Ministério da Economia

O presidente Jair Bolsonaro entregou na manhã desta quarta-feira, 20, proposta de reforma da Previdência ao Congresso Nacional.

A proposta da reforma da Previdência vai garantir uma economia de R$ 1,164 trilhão em dez anos nas despesas públicas, segundo o Ministério da Economia. Nos quatro anos de Bolsonaro, a economia esperada será de R$ 189 bilhões.

Bolsonaro seguiu para a sala da presidência da Câmara acompanhado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também acompanhava o presidente.

Um pouco antes das 10h, o presidente da República deixou o gabinete de Maia e saiu da Câmara sem falar com a imprensa.

Cerca de dez parlamentares da oposição estavam vestidos com aventais alaranjados e trouxeram laranjas para, segundo eles, “recepcionar o presidente”.

Neste momento, o governo concede entrevista coletiva explicando os pontos da reforma. Participam da entrevista para detalhar os pontos da reforma o secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, o secretário de Previdência, Leonardo Rolim e o secretário-adjunto de Previdência, Narlon Gutierre.

Também estiveram presentes o Procurador-Geral Adjunto de Gestão da Dívida Ativa da União e do FGTS, Cristiano Neuenschwander, e o Diretor de Programa da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Felipe Portela.

“Mudança em Previdência de militar vai tramitar junto com reforma”, afirma Maia

Maia reafirmou ainda a intenção de concluir a votação da reforma até junho deste ano

Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na sexta-feira (8), na capital paulista, que as mudanças nas regras previdenciárias dos militares irão tramitar junto com a reforma do sistema previdenciário geral. “É um numa semana, outro na outra ou na mesma semana”, declarou após participar de reunião com o governador João Doria, mas sem dar detalhes sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em relação ao regime geral.

Maia reafirmou ainda a intenção de concluir a votação da reforma até junho deste ano. “Se o governo avançar com uma base sólida no Congresso, como foi no governo passado, chega em plenário na segunda semana de maio”, estimou.

O deputado disse que dará continuidade na próxima semana a agendas com governadores para dialogar sobre as mudanças na Previdência. Ele destacou que já conversou com Camilo Santana (CE) e que pretende visitar os governadores Wellington Dias (MA), Paulo Câmara (PE), Rui Costa (BA), Mauro Mendes (MT), Ronaldo Caiado (GO) e Reinaldo Azambuja (MS). “Para que a gente possa ter uma opinião de todos os campos”, disse, listando governadores do PT, PCdoB, PSDB, PSB e DEM.

O presidente da Câmara apontou que os vazamentos de partes da provável proposta a ser enviada pelo governo podem “contaminar” a discussão. “Às vezes se cria uma comunicação errada sobre temas que podem não existir e podem contaminar a votação da matéria, como aconteceu muitas vezes no processo de votação da Previdência do governo Michel Temer”, avaliou.

Maia reafirmou que o Projeto de Lei Anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, tramitará paralelamente à reforma da Previdência, mas as mudanças na aposentadoria devem ir a plenário antes. “Não tira do outro a possibilidade do debate, da tramitação, um vem por projeto e outro por emenda constitucional. Mas são projetos importantes que espero que a Câmara tenha discutido os dois e aprovado a Previdência até junho e depois a possibilidade de avançar com outro projeto no plenário, já tendo terminado com debate nas comissões temáticas”, declarou.

Governo projeta economia de R$ 1 trilhão com reforma da Previdência

A afirmação foi feita em entrevista coletiva ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Os dois se reuniram no gabinete de Guedes para tratar da tramitação da reforma

Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje (5), em Brasília, que a proposta de reforma da Previdência do governo projeta uma economia de pelo menos um R$ 1 trilhão, em um período de 10 anos. A afirmação foi feita em entrevista coletiva ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Os dois se reuniram no gabinete de Guedes para tratar da tramitação da reforma e Maia chegou a dizer que o tema poderá ser votado pelos deputados até maio.

“A ideia é que ela [a reforma] chegue pelo menos a R$ 1 trilhão [de economia de gastos]. Simulamos com 15 anos, com 20, com 10. O valor de R$ 1 trilhão é para 10 anos, mas há simulações em que é R$ 1 trilhão em 15 anos também, de valor presente. Isso é o que está sendo calibrado”, afirmou o ministro. Ele voltou a criticar o atual sistema previdenciário que, segundo ele, aprofunda desigualdades sociais e contribui para o desemprego.

“São 96 milhões de brasileiros economicamente ativos, e 46 milhões não contribuem, e vão envelhecer. Então, eles vão quebrar a Previdência. Nosso desafio é não só salvar a Previdência antiga, como impedir que ela seja um mecanismo perverso de transferência de renda, como ao mesmo tempo livrar as futuras gerações da armadilha em que essas gerações passadas, as nossas, caíram, que foi produzir um sistema que piora a desigualdade e destrói empregos em massa. São dezenas de milhões de empregos destruídos, por financiamento equivocado, uma série de defeitos que ela tem”, acrescentou.

Paulo Guedes disse que pediu ao presidente da Câmara um rito democrático para a tramitação da medida na Câmara e revelou que o governo teria até três versões alternativas da proposta, cuja palavra final será do presidente Jair Bolsonaro. “Nós já temos duas ou três versões alternativas, simuladas com os números. Ele [Bolsonaro] chegando, a gente entrega, ele bate o martelo e a coisa entra no processo”, disse.

Idade mínima

Perguntado sobre o estabelecimento de uma idade mínima única de 65 anos para homens e mulheres, conforme o trecho vazado ontem (4), do que seria uma das propostas do governo, Guedes reforçou que a decisão final é do presidente da República.

“Vocês sabem que a posição, por exemplo, do deputado Rodrigo Maia, é que fosse iguais [as idades mínimas de aposentadoria], porque as mulheres têm, inclusive, uma expectativa de vida mais longa. Só que a posição do presidente Bolsonaro sempre foi que não, que as mulheres deviam ficar com uma idade menor. E foi o que o general Mourão falou hoje, que a palavra final nisso é do presidente, porque ele que asina a PEC [proposta de emenda constitucional]. Nós vamos ser mais precisos muito brevemente”, acrescentou.

Caso a idade mínima seja 62 anos para homens e 57 para as mulheres, como chegou a mencionar o próprio presidente, no mês passado, Paulo Guedes disse que a economia seria menor do que R$ 1 trilhão. Nesse cenário, no entanto, as regras de transição poderiam ser mais rígidas para a atual geração.

“O presidente chegou a dizer 57 para mulheres e 62 para os homens. E o próprio deputado Rodrigo Maia disse, na época, que a transição teria que ser mais estreita, mais rápida. Nós simulamos isso também, fizemos com números. Favorece muito o nosso governo, mas não é generosa o suficiente para quem estava na iminência [de se aposentar]”, comentou.

Conheça a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, André Fufuca está entre os eleitos

A 4ª Secretaria, responsável pela gestão dos apartamentos funcionais da Câmara dos Deputados, ficará sob responsabilidade do deputado André Fufuca

Foram eleitos na última sexta-feira (1º) os ocupantes dos sete cargos da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados no biênio 2019-2020. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente pela terceira vez consecutiva, com 334 votos.

Para a 1ª Vice-Presidência, foi eleito o deputado Marcos Pereira (PRB-SP), com 398 votos. Ele substituirá Rodrigo Maia nos afastamentos e também poderá presidir sessões do Congresso, em que ocupará a Vice-Presidência. Marcos Pereira é advogado, ocupou a vice-presidência da Rede Record e está no seu primeiro mandato.

A 2ª Vice-Presidência foi decidida no segundo turno. Luciano Bivar (PSL-PE) foi eleito com 198 votos, derrotando Charlles Evangelista (PSL-MG), que concorreu como candidato avulso e obteve 184 votos. Além de substituir o presidente em eventuais ausências, Bivar será responsável por examinar pedidos de ressarcimento de despesa médica e fomentar a interação institucional entre a Câmara e os demais órgãos legislativos. Ele está no segundo mandato.


A deputada Soraya Santos (PR-RJ) obteve 315 votos e vai ocupar a 1ª Secretaria, que cuida da administração da Câmara dos Deputados. Ela já chefiou a Secretaria da Mulher e se elegeu com candidatura avulsa, derrotando o candidato oficial do bloco, o deputado Giacobo (PR-PR), que recebeu 183 votos.

O deputado Mário Heringer (PDT-MG) ficará à frente da 2ª Secretaria ao conseguir 408 votos. Ele vai coordenar os programas de estágio da Câmara dos Deputados, como o Estágio Visita e o Estágio Participação, além de ser o responsável pelo passaporte diplomático dos deputados.

Para a 3ª Secretaria, foi eleito o deputado Fábio Faria (PSD-RN), com 416 votos. O cargo é responsável por autorizar o reembolso com passagens aéreas, examinar os requerimentos de licença e justificativa de faltas.

A 4ª Secretaria, responsável pela gestão dos apartamentos funcionais da Câmara dos Deputados, ficará sob responsabilidade do deputado André Fufuca (PP-MA), eleito com 408 votos.

Também foram eleitos os seguintes suplentes, na ordem: Rafael Motta (PSB-RN) com 368 votos; Geovania de Sá (PSDB-SC), com 366 votos; Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), com 315 votos; e Assis Carvalho (PT-PI), com 283 votos.

Rodrigo Maia é reeleito presidente da Câmara dos Deputados

Essa é a terceira recondução de Maia, 48 anos, ao cargo. É a primeira vez na história que um parlamentar comanda a Câmara por três vezes seguidas

Com 334 votos, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados em primeiro turno. O resultado foi bastante comemorado no plenário e Maia se emocionou. Essa é a terceira recondução de Maia, 48 anos, ao cargo. É a primeira vez na história que um parlamentar comanda a Câmara por três vezes seguidas.

Ele foi reeleito presidente da Câmara no período 2017-2019 no dia 2 de fevereiro de 2017, depois de ocupar o cargo por sete meses, a partir de julho de 2016. A reeleição de Maia ao cargo foi possível pela mudança de legislatura. A Constituição e o Regimento Interno da Câmara impedem a recondução de membros da Mesa Diretora na mesma legislatura. O último deputado reeleito em legislaturas diferentes foi Michel Temer, que ocupou o cargo de presidente da Casa nos biênios de 1997-1999 e 1999 a 2001.

Ao agredecer os votos, Maia disse que irá comandar a votação de reformas no país “de forma pactuada”, com integração de governadores, parlamentares e sociedade.

Rodrigo Maia foi eleito com o apoio do maior bloco parlamentar da legislatura, composto por 301 deputados de 11 partidos. Entre eles, está a a sigla do presidente da República, Jair Bolsonaro, o PSL (52), além de PP (38), PSD (35), MDB (34), PR (33), PRB (30), DEM (29), PSDB (29), PTB (10), PSC (8) e PMN (3).

Em segundo lugar, ficou Fábio Ramalho (MDB-MG), com 66 votos. Em seguida, Marcelo Freixo (PSOL-RJ), com 50; JHC (PSB-AL), com 30; Marcel van Hattem (Novo-RS), com 23; Ricardo Barros (PP-PR), com quatro; e General Peternelli (PSL-SP), com dois. Foram registrados três votos em brancos.

Conhecido como articulador e habilidoso em negociações com partidos de divergentes correntes ideológicas, Maia conseguiu atrair além da corrente majoritária, apoio de partidos de esquerda como PCdoB e PDT. “Meu perfil é de equilíbrio, capacidade de diálogo, de conversar com todas as correntes políticas e ideológicas. Vivemos um momento de radicalização, o Parlamento vai ser a Casa que vai trazer essa radicalização a um ponto de equilíbrio”, disse Maia.

Em sua gestão como presidente da Casa, Maia conduziu a aprovação da reforma trabalhista e também da atualização da legislação eleitoral – que incluiu, entre outros pontos, a chamada “cláusula de barreira”, um mecanismo que busca impedir reduzir os partidos com pouca representação na Câmara, além de criar um fundo com recursos públicos para custear campanhas.

Flávio Dino: ‘A esquerda tem que dialogar’

Governador Flávio Dino defende apoio do PCdoB a Maia e diz que não se pode ‘sectarizar’.

Reeleito com 60% dos votos válidos, o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, pôs fim à hegemonia da família Sarney no estado e desponta como um dos líderes do campo progressista. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Dino diz que a esquerda não pode sectarizar o debate, “a gente não pode ficar só conversando com a gente mesmo”. “Estranho um certo sectarismo oportunista de ocasião, do tipo, eu aceito ser apoiado, mas não apoio ninguém”.

Para ele, o apoio do PCdoB à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) pode ser pedagógico para a esquerda mudar de atitude e ampliar o diálogo. Não se trata de “uma disputa ideológica”, afirma. Dino não tem dúvidas de que a oposição estará unida para fazer frente ao governo Bolsonaro, que na sua opinião tem agido de forma “atrapalhada”. Na contramão do governo federal, ele premia policiais que apreendem armas irregulares. “Somente fascistas acreditam na guerra e nas armas”, disse no discurso de posse. “Jesus Cristo era mais do Estatuto do Desarmamento do que do decreto do Bolsonaro”.

O senhor organizou as finanças do Maranhão, qual seu conselho para os governadores que estão com o estado quebrado?

Às vezes, eu vejo uma preocupação apenas com receitas ou apenas com despesas, discurso que se tornou lugar comum, do corte de gastos, enxugar o estado e tal. Minha sugestão é olhar as duas coisas o tempo inteiro, buscando equilíbrio. Às vezes tem que aumentar as despesas, como fizermos. Agora estamos buscando reduzir porque queremos recuperar o rating [o estado tem duas notas altas e uma baixa]. Mas o segredo é considerar que isso é uma coisa que cabe muito ao governador, é uma gestão tão importante que a minha sugestão é que o governador cuide disso pessoalmente.

Qual é sua posição sobre o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia?

Participei da decisão e concordo com ela. Uma eleição do presidente da Casa não é uma disputa ideológica ou política, não é uma disputa entre esquerda e direita ou entre situação e oposição. O que a gente busca é um presidente que respeite a minoria, garanta os espaços para que a oposição possa exercer o trabalho parlamentar. Até aqui o Rodrigo Maia tem se comportado muito bem nesse aspecto, não tem sido um presidente que atropela como o Eduardo Cunha fazia. Como ele tem sido correto na condução da Casa, achamos que ele deve continuar. Não significa que a gente concorde com a agenda dele. Por exemplo, ele defende privatizações e nós temos uma posição mais restritiva, mas não é isso que a gente está levando em conta. A oposição consegue trabalhar tendo ele como presidente ou ele atropela, desrespeita e viola as prorrogativas parlamentares? Essa é a pergunta.

Há na Câmara, parlamentares governistas que defendem mudanças no regimento interno para tolher a capacidade de obstrução da oposição. O senhor conversou com o deputado sobre isso?

Eu dialoguei com o Maia e ele sempre disso olha ‘como princípio geral na minha Presidência, a oposição é respeitada de acordo com as regras do jogo. Não tem aquele negócio de, votar várias vezes, voltar atrás…’ O histórico dele tem sido positivo, não acredito que ele vá apoiar qualquer coisa que restrinja o papel da oposição até porque seria inconstitucional. O processo legislativo é democrático e garantido pela Constituição, infelizmente já houve presidente que não observou isso. Nesse momento de muita instabilidade e incerteza, em razão do zigue-zagues do governo federal, acho que ele pode funcionar como um ponto de estabilidade e diálogo institucional mais amplo do país.

É difícil explicar essa aliança com Maia para a militância…

Temos colocado que a eleição da Câmara tem uma lógica própria, não é um comprometimento ideológico. É um comprometimento quanto as regras do jogo parlamentar, do regimento interno da Câmara. Historicamente [na Câmara] foram formadas alianças mais amplas, como, por exemplo, quando o Aldo Rebelo [ex-PCdoB] foi presidente e teve apoio do DEM; quando o PT também teve a presidência [da Câmara] também teve apoio de parte do PSDB, MDB. Sempre os presidentes eleitos foram sustentados por alianças mistas e plurais do ponto de vista político.

Mas alianças muito amplas já se mostraram controversas…

Não se pode sectarizar eternamente o debate político, tem que ter amplitude. O Brasil é um país grande e plural. Às vezes, vejo abordagem assim: ‘eu não converso com ninguém que apoiou o impeachment’. Fui contra o impeachment, mas aí você vai ficar preso eternamente naquele dia, vai congelar as relações políticas a um evento? Se [a esquerda] congela a fotografia daquele dia, sempre vamos perder, naquele dia nos perdemos fragorosamente, não conseguimos fazer um terço. Se você não quer ficar no canto do ringue, não quer ficar isolado no gueto, tem que dialogar com os diferentes e até com os contrários.

A esquerda precisa ampliar as interlocuções para sair da bolha?

Claro, senão a gente vai congelar a foto de um momento em que fomos esmagados. Não se pode ficar eternamente numa ação política puramente reativa, pode ser até “charmoso”, mas não é eficiente, não produz resultados em relação àquilo que representamos. A gente não pode ficar só conversando com a gente mesmo. Tem que ter amplitude do diálogo para quem pensa diferente, quem está mais à direita de você. Esse evento da eleição da Câmara, embora tenha uma lógica própria, ao mesmo tempo é pedagógico no sentido de definir uma atitude. Por que o Haddad cresceu na reta final do 2º turno? Porque a candidatura foi muito mais ampla, se ela tivesse expressado apenas a esquerda, teria apenas 30%, chegou a 45% porque outros setores do campo político, artistas, intelectuais votaram no Haddad e ninguém disse que estava errado. Estranho um certo sectarismo oportunista de ocasião, do tipo, eu aceito ser apoiado, mas não apoio ninguém. É descabido.

Como a oposição deve atuar no governo Bolsonaro?

Ultrapassada a questão da Mesa [da Câmara], temos o bloco PCdoB, PSB e PDT, tem o PT, que é um aliado fundamental, maior partido de esquerda e o partido do maior líder político do país, que é o Lula… Então, claro que a nossa relação preferencial é com o PT, PSOL, que também é importante. O amálgama dessa união tem que ser a proteção dos direitos dos mais pobres, das mulheres, dos índios… Faz uma agenda de direitos para cimentar essa aliança e procura ampliar as forças que defendam essa agenda. Porque se formos só nós, a gente já sabe o resultado, não precisa nem votar, a gente vai perder todas.

Então, o senhor defende um bloco mais amplo de oposição?

O bloco é um instituto jurídico regimental da Casa que atua como se fosse um partido só para fins parlamentares. Outra coisa é aliança do dia a dia, do chão do plenário, da disputa.

PCdoB, PSB e PDT não chegaram a um consenso sobre a eleição na Câmara e estudam liberar os votos…

Acho que pode ser, a [eleição] do presidente é um evento que vai acontecer e passar. Nos próximos quatro anos, é preciso debater as questões substantivas, a reforma da Previdência, direitos dos trabalhadores, terras indígena, segurança pública… isso vai unir a esquerda. Objetivamente isso vai unir, independente se um fizer careta ou cara feia, passada a eleição está todo mundo junto. Não tenho dúvida. Como o governo Bolsonaro é bem posicionado à direita e tem posições extremadas, isso naturalmente une. E inexorável!

Qual é sua opinião sobre os primeiros governo Bolsonaro?

É um governo que ainda não tem nitidez da sua agenda, de muito zigue-zague, muitas idas e vindas, muito confuso internamente e de pouco resultado. Olhando objetivamente o que acontece nesses dias do ponto de vista prático da vida da população só esse decreto das armas, que é um monumental equívoco tanto no conteúdo, quanto na forma. Só é possível prognosticar a medida que apareçam coisas mais nítidas, como, por exemplo, a proposta que eles vão apresentar da reforma da Previdência. Aí vai ficar mais claro para a sociedade qual é o caráter do governo.

O que chamou mais atenção?

É o fato de ser um governo muito desorganizado, sem gestão e núcleo de comando, um governo muito atabalhoado, muito atrapalhado. Você vê que em coisas banais eles se enrolam, anunciam uma coisa e não é aquilo, assina e não sabe o que assinou. Até aqui muito barulho, improvisação e ineficácia na apresentação da agenda deles.

Com um governo de direita e um Congresso mais conservador, a oposição vai ter que reinventar a forma de agir?

Quando Pedro na narrativa bíblica puxa a espada para enfrentar os romanos, Jesus Cristo disse para ele baixar a espada. Então, Jesus Cristo era mais do Estatuto do Desarmamento do que do decreto do Bolsonaro. Não acredito que em bloco a bancada evangélica vai votar a favor de todo mundo dando tiro no meio da rua. Na agenda de limitação ambiental, uma parte do mundo empresarial mais lúcida sabe que isso pode implicar em sanções contra o Brasil. Pode criar barreiras comerciais disfarçadas de barreiras ambientais e sanitárias. Então, uma parte do empresariado sabe que é loucura sair tratorando a Amazônia, transformar tudo quanto é terra indígena em plantação de soja. No meio desse blocão bolsonarista, há nuances, então tem como costurar posições mais moderadas.

PCdoB confirma indicação de apoio a Maia para presidência da Câmara

A indicação do PCdoB e do PDT de apoio a Maia ainda será discutida com o PSB, outro partido que pretende formar bloco de oposição ao governo.

Após reunião entre parlamentares e a Executiva Nacional do partido, o PCdoB decidiu, no início da noite de terça-feira (15), indicar apoio à candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara. Com a resolução, o partido se une ao PDT de Ciro Gomes, que também optou pelo apoio a Maia no último final de semana.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a presidenta do PCdoB, Luciana Santos, pondera que Rodrigo Maia tem cumprido acordos com o partido nos últimos anos e que “o momento é de fazer composições políticas que permitam que nosso combate, debate de ideias e resistência possam se desenvolver”, já que uma candidatura de um parlamentar de esquerda seria praticamente inviável.

A indicação do PCdoB e do PDT de apoio a Maia ainda será discutida com o PSB, outro partido que pretende formar bloco de oposição ao governo.

Os outros partidos do campo progressista, PT e PSOL, rejeitam um eventual apoio a Rodrigo Maia ou a qualquer candidato ligado ao chamado “centrão” ou ao governo. O PSOL já lançou Marcelo Freixo (RJ) como candidato à presidência da Casa. O PT, por sua vez, ainda não indicou nem candidato e nem apoio, mas garantiu que não seguirá a mesma indicação de PDT e PCdoB.

PSB decide não apoiar Rodrigo Maia

O PSB terá na próxima legislatura o deputado maranhense Bira do Pindaré, aliado de primeira hora do governador Flávio Dino (PCdoB).

Rodrigo Maia não terá o apoio do PSB entre os vários partidos que o apoiam na disputa pela presidência da Câmara. Em reunião nesta quinta-feira, 10, em Brasília, que reuniu os 22 parlamentares eleitos para a próxima legislatura, apenas um peesebista quis apoiar o democrata.

O líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar (PE), disse que a entrada do PSL no bloco que irá votar em Maia foi decisivo para tirar o PSB.

“Quando Maia não era visto como um candidato do governo, isso era um ativo dele. Mas, no momento em que o partido do presidente aderiu à chapa de Maia, sua chapa passou a ser identificada com a agenda do governo”, disse.

A sigla agora aguarda decisão do PDT e do PCdoB, que formam em conjunto um bloco de oposição, para decidir qual será o candidato do grupo ao cargo. Já Maia, mesmo sem o PSB, caminha a passos largos para permanecer como presidente da Câmara.

O PSB terá na próxima legislatura o deputado maranhense Bira do Pindaré, aliado de primeira hora do governador Flávio Dino (PCdoB).