Segundo inquérito da PF, não há crime de obstrução de Renan, Jucá e Sarney

Nesta sexta-feira (21), a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal o relatório conclusivo da investigação sobre a suposta tentativa de obstrução da Operação Lava Jato pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e pelo ex-senador e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), na Operação Lava Jato.

No relatório, a Polícia Federal conclui que não houve crime de obstrução e que a simples intenção não pode ser considerada crime. O inquérito foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, com base na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Renan Calheiros e Sarney.

“Não compreendemos existir elementos indiciários de materialidade do crime (…) haja vista que no espectro cognitivo próprio desta sede indiciaria, o conteúdo dos diálogos gravados e a atividade parlamentar dos envolvidos ou no período em comento não nos pareceu configurar as condutas típicas de impedir ou embaraçar as investigações decorrentes da Lava Jato”, diz o texto do relatório.

Novo relator da Lava Jato autoriza investigação contra Sarney, Renan e Jucá

Sarney será investigado em inquérito

Folha – O ministro Edson Fachin, novo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, determinou abertura de inquérito para investigar os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP).

Na segunda-feira (6), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido a abertura de inquérito ao ministro do STF.

Os investigadores apuram se os políticos cometeram crime de embaraço às investigações da Operação Lava Jato.

Machado gravou conversas particulares com os peemedebistas e entregou o material à PGR (Procuradoria-Geral da República), que considera o material comprometedor.

“Mais de uma vez nas conversas gravadas o senador Romero Jucá evidencia que o timing para a implementação do grande acordo de estancamento da Operação Lava Jato ficaria especialmente favorecido com o início do governo de Michel Temer”, escreveu Janot no pedido de abertura de inquérito.

No pedido, Janot chama os peemedebistas de “integrantes da quadrilha”.

“Os áudios demonstram de forma inconteste que está em curso um plano de embaraço da investigação por parte de integrantes da quadrilha e seus associados. Como sói acontecer em organizações criminosas bem estruturadas, o tráfico de influência é apenas uma das vertentes utilizadas por esses grupos. Aliado a isso, são utilizados outros instrumentos com a finalidade de impedir e embaraçar as investigações contra essa parcela da criminalidade. Uma das formas de atuação é a manipulação do próprio aparelho estatal para atuar em favor da organização criminosa”, diz o texto.

“Não bastasse a trama para mudar a legislação, os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney ainda revelam o plano de incluir o Supremo Tribunal Federal, reserva necessária de sobriedade institucional, na costura politica de um grande acordo espúrio para evitar o avanço do complexo investigatório”, escreve Janot.

Este é o primeiro inquérito da Lava Jato ao qual Sarney vai responder; é o segundo e Sérgio Machado, o terceiro de Jucá e o nono de Renan.

Sérgio Machado disse em depoimento que durante sua gestão na Transpetro repassou ao PMDB pouco mais de R$ 100 milhões cuja origem eram propinas pagas por empresas contratadas pela estatal.

Segundo a PGR, Sergio Machado “foi muito claro, em seus depoimentos, sobre a obtenção desses subornos, pormenorizando anos e valores respectivos tanto na forma de doações oficiais quanto em dinheiro em espécie. Segundo Sérgio Machado, foram repassados ilicitamente, a partir de contratos da Transpetro, por exemplo, para Renan Calheiros, R$ 32,2 milhões; para Romero Jucá, R$ 21 milhões; e para o ex-presidente José Sarney, R$ 18,5 milhões”.

Janot também compara a relação dos políticos na Lava Jato com a relação dos políticos com a operação mãos Limpas, que combateu a corrupção na Itália na década de 90: “O Poder Judiciário tem a oportunidade em face da prova e a responsabilidade diante dos fatos de afastar o Brasil do sombrio paradigma havido na Itália, em que a classe politica reagiu à Operação Mãos Limpas sem o menor viés de promover avanços institucionais: a legislação italiana, ao invés de ser aperfeiçoada, retrocedeu, contra a vontade muitas vezes manifestada da população daquele país, como resultado de acordos espúrios como o ora revelado.”

“O objetivo do impeachment era barrar a Lava Jato”, diz Zé Inácio

O deputado também destacou o trabalho feito por políticos envolvidos para driblar as investigações contra a corrupção

O deputado também destacou o trabalho feito por políticos envolvidos para driblar as investigações contra a corrupção

O deputado  estadual Zé Inácio Rodrigues (PT) usou a tribuna, nesta terça-feira (25),  para comentar as sucessivas notícias negativas do governo interino de Michel Temer (PMDB). “Nesta última semana, o governo se envolveu em mais uma gigantesca crise que demonstra os riscos do presidente não resistir no cargo durante muito tempo, já que a situação dele, cada vez mais, complica-se”, disse.
Para Zé Inácio, o diálogo publicado pela Folha de São Paulo na segunda-feira (23) entre o então ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o empresário Sérgio Machado mostra os verdadeiros objetivos do impeachment. “Está claro o que todos nós falávamos: o impeachment é um golpe. Primeiro, porque não existiu e não existe crime de responsabilidade; segundo, porque o objetivo do impeachment era barrar a operação Lava Jato”, afirmou.
O deputado também destacou o trabalho feito por políticos envolvidos para driblar as investigações contra a corrupção. “Aquele pacto, aquele governo de salvação nacional que foi anunciado para o país era para salvar os políticos corruptos do PSDB e do PMDB, que estão respondendo a inquéritos. O caso do Romero Jucá, por exemplo, é esclarecedor, já que ele responde a dois inquéritos na Lava Jato, e mesmo com a quebra sigilo bancário realizado na última semana, foi nomeado por Michel Temer”, enfatizou.

A notícia divulgada pela Folha também cita que Jucá afirma que Cunha era peça estratégica, sendo importante para o impeachment se consolidar.  “O Romero Jucá afirma que trabalho de Cunha e de Renan Calheiros é importante para os políticos PSDB e do PMDB, ficando evidente que este pacto nacional divulgado por todo o país nada mais era do que uma estratégia para afastar as investigações da Lava-Jato”, contou.
Zé Inácio finalizou falando sobre as manifestações  populares que vêm percebendo as tentativas corruptas  e que têm lutado por um governo legítimo, por meio de movimentos que são realizadas por todo o país. “As pessoas estão percebendo os objetivos de Temer e de sua bancada. Até mesmo senadores que votaram a favor do impeachment já deram declarações de que voltarão atrás em suas decisões”, concluiu.

Em meio à divulgação de gravações, Sarney se refugia no Maranhão

Época

Ex-presidente, que, segundo jornal, também teve conversa registrada por Sérgio Machado, viajou para evento familiar

Sarney ressurge no cenário político, após vazamento de gravações

Sarney ressurge no cenário político, após vazamento de gravações

Em meio à divulgação de gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente da República José Sarney (PMDB), permanecerá nos próximos dias em seu Estado natal, o Maranhão.

Ao lado de Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Sarney também teve, segundo notícias veiculadas nos últimos dias, conversa registrada por Machado. Ao contrário dos correligionários, no entanto, o conteúdo da gravação envolvendo o ex-presidente ainda não foi tornado público.

Sarney deve ficar longe de Brasília até, pelo menos, o dia 1º de junho, quando sua filha, Roseana, ex-governadora do Maranhão, faz aniversário.

A publicação, pelo jornal Folha de S.Paulo, de trechos da conversa de Jucá com Machado custou ao senador por Roraima seu cargo de ministro do Planejamento de Michel Temer.

Deputado critica “pacto” para tentar barrar a operação Lava Jato

 

 Deputado Othelino Neto

Deputado Othelino Neto

O deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) disse, na sessão desta terça-feira (24), que o suposto “pacto” para tentar barrar a Operação Lava Jato, envolvendo o agora ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, foi mais uma surpresa negativa para a política brasileira. “É um governo que o ministro de manhã diz uma coisa; à noite diz outra, no outro dia um ministro diz uma coisa e depois o presidente desmente o ministro”, disse o parlamentar em relação ao governo Michel Temer.

Segundo Othelino Neto, Michel Temer é um presidente, absolutamente, refém dos acordos, dos conluios que fez para conseguir afastar a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e assumir, interinamente, a Presidência. “Ele é refém daquilo que há de pior na política nacional, um movimento que se organizou um verdadeiro consórcio envolvendo a grande imprensa, aqueles partidos de centro que gravitam no Congresso Nacional, siglas de oposição e parte do Judiciário”, afirmou.

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou, na segunda-feira (23), afastamento do ministério. Ele disse que enviará um pedido de manifestação ao Ministério Público Federal, a fim de que o órgão avalie se cometeu algum tipo de crime em relação às conversas gravadas entre ele e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Na tribuna, Othelino Neto afirmou que o governador Flávio Dino alertou há um mês de que quem fosse a favor da operação Lava Jato não deveria ser a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, porque este movimento para afastá-la estava justamente implícito nele e era parte principal acabar, dar fim à operação Lava Jato. “Eis que rapidamente, talvez passassem anos, décadas para que nós descobríssemos nos detalhes desnudar esta trama. Cai agora por terra rápido como seria, como era o modus operandi para cassar a presidente”, analisou.

Para Othelino, o governo Temer começou muito mal, conspirando contra a democracia e agora é uma gestão que vive de conluio e que, a cada dia, vai gerar uma crise nova. “Infelizmente, quem vai sofrer as consequências é a população do Brasil, é a imagem do Brasil já abalada”, frisou.

Aliado de Sarney, Romero Jucá deixa cargo de ministro, após mais um escândalo na Lava Jato

G1

Romero Jucá inicia a primeira crise do governo Temer

Romero Jucá inicia a primeira crise do governo Temer

Aliado do ex-senador José Sarney (PMDB), o ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou, nesta segunda-feira (23), que vai se licenciar do ministério a partir desta terça-feira (24). Embora tenha anunciado “licença”, ele afirmou que “tecnicamente” vai pedir exoneração porque voltará a exercer o mandato de senador pelo PMDB-RR.
Jucá disse que enviará um pedido de manifestação ao Ministério Público Federal, a fim de que o órgão avalie se cometeu algum tipo de crime em relação às conversas gravadas entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.
O jornal “Folha de S.Paulo” informou, nesta segunda-feira (23), que, em diálogo com Sérgio Machado, Jucá sugere um “pacto” para tentar barrar a Operação Lava Jato. Mais cedo, em entrevista coletiva, Jucá havia dito que não tinha nada a temer não pretendia deixar o comando do ministério.

Ligação com Sarney

O pernambucano Romero Jucá (PMDB), de 61 anos, passou os últimos 35 anos de sua vida mantendo ótimas relações com os principais nomes do poder em Brasília. Desde 1985, quando José Sarney (PMDB) assumiu a Presidência da República, com a morte de Tancredo Neves, o político passou pelos partidos PSDB, PDS, PFL, PPR e PMDB, e sempre manteve relação próximas com os chefes do Executivo. Assumiu cargos comissionados nos governos Sarney e Fernando Collor, foi líder de governo nas gestões dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em 1986, filiado ao PSDB, ele foi nomeado pelo então presidente José Sarney (PMDB) presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Dois anos depois, aos 34 anos, Sarney o indicou para governador do recém-criado estado de Roraima. Em 1990, tentou manter a vaga por meio do voto popular, mas perdeu a eleição. Jucá jamais voltaria a assumir os principais cargos do Poder Executivo e ganhou espaço no Poder Legislativo e se tornou um forte articulador no Congresso.

Jucá se envolveu em polêmicas logo nos primeiros anos em que ocupou cargos importantes na capital federal. Em dezembro de 1989, pouco depois de deixar a presidência da Funai, ele manifestou-se contra o plano de retirada de cerca de 40 mil garimpeiros que haviam invadido terras indígenas ianomâmis. Meses antes da eleição para governador de Roraima, em que o peemedebista tentava permanecer na cadeira, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jucá sob acusação de que, quando era presidente da Funai, ele realizou venda ilegal, mediante suborno, de madeiras de lei ad reserva indígena Uru-eu-au-wau.