JORNAL NACIONAL – Novos documentos indicam pagamento de propina a Lobão

Empresário Ricardo Pessoa disse que pagou R$ 1 milhão para o ex-ministro de Minas e Energia.

Jornal Nacional

Lobão disse que só vai se pronunciar quando tiver acesso aos depoimentos

Lobão disse que só vai se pronunciar quando tiver acesso aos depoimentos

Novos documentos apresentados pelo empreiteiro Ricardo Pessoa indicam, segundo ele, o pagamento de propina ao ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Os documentos fazem parte da delação premiada do empreiteiro dono da UTC na Operação Lava Jato.

A usina nuclear de Angra 3 está prevista para começar a funcionar em 2018. O custo total da obra é de mais de R$ 15 bilhões. A UTC, empresa de Ricardo Pessoa, faz parte do consórcio responsável pela obra.

O empresário disse que procurou o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do PMDB, para que houvesse ingerência política em favor dos interesses do consórcio de Angra 3. E também para que a UTC superasse dificuldades ou, ao menos, conseguisse ter algum controle. Em troca, Ricardo Pessoa disse que pagou R$ 1 milhão para Lobão em duas ou três parcelas.

As negociações, segundo Pessoa, aconteceram em duas reuniões oficiais entre maio e julho do ano passado, quando Lobão teria indicado o nome de André Serwi para receber os pagamentos em seu nome.

Ricardo Pessoa disse para os investigadores da Lava Jato que Lobão e a família de André Serwi tinham uma relação de muita proximidade. De acordo com Pessoa, Serwi chamava Lobão de “meu tio”. O pai dele e o ex-ministro, ainda segundo Pessoa, foram sócios na década de 1970.

O Jornal Nacional foi até os endereços de André Serwi e de parentes em Brasília. Em dois locais diferentes, a informação foi de que André se mudou. O JN também tentou falar com André Serwi no telefone indicado por Pessoa, mas ninguém atendeu às ligações.
O advogado do senador Edison Lobão disse que o ex-ministro jamais autorizou qualquer pessoa a falar em nome dele. Disse ainda que Ricardo Pessoa não apresentou provas e que Lobão irá esclarecer os fatos assim que tiver acesso aos depoimentos.

STF aceita delação do dono da UTC/Constram e pode complicar vida de Roseana e Lobão

Raimundo Garrone

Roseana e Lobão: delação premiada de empreiteiro pode revelar esquema para a construção da refinaria em Bacabeira

Roseana e Lobão: delação premiada de empreiteiro pode revelar esquema para a construção da refinaria em Bacabeira

Se já estava complicado para Lobão e Roseana agora complicou muito mais com a decisão do STF em aceitar o acordo de delação premiada de Ricardo Pessoa, dono das empreiteiras UTC e Constram, preso pela Polícia Federal na operação Lava Jato.

As revelações de Pessoa podem ir além da denúncia da contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, de que a Constram teria recebido o precatório de R$ 110 milhões depois de pagar propina para ex-governadora Roseana Sarney.

O empresário é apontado como líder do cartel de empresas que atuava na Petrobras e que envolvia pagamento do faz-me-rir a políticos

Nas negociações para o acordo de delação premiada, Pessoa disse que deu R$ 1 milhão para o senador Edison Lobão (PMDB), à época em que este ocupava o Ministério de Minas e Energia, para não criar empecilhos na obra da usina nuclear de Angra 3.

A UTC conquistou um dos contratos da usina nuclear, obra estimada em R$ 2,9 bilhões, em consórcio formado com a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

Todas investigadas pela Lava Jato sob suspeita de terem pago propina para conquistar contratos da Petrobras.

Não é preciso ser um Einstein para calcular que Pessoa tem conhecimento das negociações para a contratação de empresas para fazer a terraplanagem da refinaria em Bacabeira, onde foi gasto R$ 1,5 bilhão, sem que o projeto tenha saído do papel.

O consórcio Galvão-Serveng-Fidens foi o beneficiado com a “obra”.

A Galvão Engenharia é investigada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal por suposta participação no esquema de corrupção que envolvia o superfaturamento nos contratos da Petrobras e no pagamento de propina para políticos e funcionários da petrolífera.

É aí que Ricardo Pessoa pode complicar a dupla Roseana/Lobão.

O custo previsto para a construção da refinaria em Bacabeira era de R$ 20 bilhões, dinheiro suficiente para que o Cartel não deixasse que a obra fugisse do seu controle.

Se a ex-governadora e o ex-ministro apostavam suas fichas nas contradições entre Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a doação de dinheiro sujo para a campanha de Roseana em 2010, com a delação premiada de Ricardo Pessoa, é melhor reservarem a escova de dentes para manter a higiene em uma possível temporada atrás das grades

Dono da UTC cita Roseana, Vaccari, parente de ministro do TCU e autoridade do setor elétrico

O Globo

Ex-governadora do Maranhão foi citada na delação premiada de Ricardo Pessoa

Ex-governadora do Maranhão foi citada na delação premiada de Ricardo Pessoa

A lista de pessoas citadas pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, no acordo de delação premiada inclui um parente de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), uma autoridade militar com atuação no setor elétrico, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB), segundo fontes com acesso às investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

O empresário Ricardo Pessoa assinou nesta quarta-feira o acordo de delação com a Procuradoria Geral da República (PGR) e se comprometeu a detalhar o envolvimento de suspeitos em esquemas de propina na Petrobras e em outras empresas públicas. Pelo acordo, ele devolverá R$ 55 milhões aos cofres públicos.

A PGR conduz os inquéritos da Operação Lava-Jato que apuram as denúncias contra políticos com foro privilegiado. Ao todo, 13 senadores e 22 deputados federais são investigados no STF, entre eles os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O GLOBO já revelou que Pessoa citou também o senador Edson Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, e pelo menos cinco parlamentares federais.

No caso do parente do ministro do TCU, a suspeita é de tráfico de influência por parte do dono da UTC. Todo o acordo com a PGR tramita sob sigilo e, por isso, não há informação sobre todos os detalhes citados pelo delator e sobre as circunstâncias do suposto envolvimento das pessoas mencionadas nos esquemas investigados. A partir da assinatura do acordo de delação, que precisa ser homologada pelo STF, Pessoa começa a detalhar a participação dos envolvidos citados nas conversas que antecederam a formalização do acordo.

Roseana é investigada em inquérito no STF por suspeita de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vaccari, preso em Curitiba, é alvo de investigações na primeira instância e de um inquérito no STF que apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. São os mesmos crimes apurados em inquérito aberto para investigar Lobão.

O dono da UTC, depois de ficar seis meses preso em Curitiba, está em prisão domiciliar desde 28 de abril. Acusado de chefiar o esquema de cartel que fatiou contratos da Petrobras, ele usa uma tornozeleira eletrônica e só pode deixar São Paulo com autorização judicial. A discussão sobre a delação foi feita ontem com a presença de Pessoa na sede da PGR, em Brasília, e contou com a participação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.