Nordeste recebeu apenas 2,2% de crédito da Caixa

Foram R$ 4 bilhões em novas operações autorizadas pelo banco, apenas R$ 89 milhões foram para o Nordeste

A Caixa segurou empréstimos para prefeituras e governos dos Estados do Nordeste nos sete primeiros meses do ano. Levantamento feito pelo Estadão nos números do banco e do Tesouro Nacional mostram que a região recebeu apenas 2,2% do volume de crédito liberado pelo governo Jair Bolsonaro.

Foram R$ 4 bilhões em novas operações autorizadas pelo banco público federal com prefeituras e governos nesta gestão, dos quais apenas R$ 89 milhões foram para a região.

Em julho, Bolsonaro disse a Onyx Lorenzoni num café da manhã com jornalistas estrangeiros que dos governadores “de paraíba” o pior era o do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), e que não era para “ter nada com esse cara”, numa insinuação de que o adversário deveria ser preterido na concessão de recursos e no atendimento por meio de políticas públicas.

Funcionários da Caixa disseram ao Estadão que o presidente do banco, Pedro Guimarães, deu uma orientação expressa de não conceder empréstimos aos governos e prefeituras do Nordeste.

Bolsonaro quer que PSL ‘arrume a casa’

O presidente deixou claro que o partido precisa demonstrar “unidade”

Como condição para sua permanência no partido, inclusive para uma eventual candidatura à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro cobrou a cúpula de seu partido, o PSL, para que “arrume a casa” e afine o discurso com o governo. Na quinta-feira, 1, uma reunião a portas fechadas no gabinete presidencial reuniu o presidente da legenda, Luciano Bivar (PSL-PE), o vice-presidente Antônio Rueda e a advogada Karina Kufa.

O presidente deixou claro que o partido precisa demonstrar “unidade”. Bolsonaro teria dito aos dirigentes partidários que não dá para a sigla manter essa relação de “merda” com o governo. Ele reclamou do clima de desarmonia da legenda e de deputados que o atacam frequentemente. Na visão do presidente, Bivar precisa “enquadrar” os deputados, convidá-los a afinar o discurso e também evitar novas dissidências nas votações no Congresso.

No primeiro semestre, parlamentares da bancada do PSL chegaram a votar contra algumas pautas do governo. Houve uma ocasião em que o próprio Bivar votou pela aprovação da urgência do projeto que derruba o decreto de alteração da Lei de Acesso à Informação, na contramão da orientação do governo.