Catadores de lixo sobrevivem até com R$ 38 mensais em São Luís



No mês mais positivo, o lucro é R$70,00 por pessoa; e no pior período, catadores chegam a receber R$38,00

Catadores de lixo de São Luís
A catadora Célia Regina Neves acorda todos os dias às 6:00. Quando tem, come pão com café. Na falta de alimento, toma água e sai do Coroadinho para o trabalho, na rua São Pantaleão, Madre Deus, a pé,chegando às 8:00, às vezes, 9:00, ao destino. No galpão, inicia-se a triagem do material reciclável, junto com os colegas que vivem a mesma realidade dela. Papelões são amarrados, plásticos, ensacados e, por último, tudo é vendido ao atravessador, para, então, ser repassado à indústria.
Outra parte do grupo da Ascamar (Associação de Catadores do Maranhão) vai para a rua Grande, às 16h, e recolhe materiais recicláveis das lojas, como Plástico PVC, papelão, plástico filme (sacola), latinha de alumínio e papel. Em seguida, o material é colocado em um caminhão e encaminhado para a associação.
Essa é a rotina da Ascamar fundada há três anos, no Anel Viário. Dos 42 integrantes, restaram apenas nove. “Muitos desistiram porque a renda é pouca, principalmente, os que são pais de família”, explica a catadora Cátia Régia Pinheiro.
No mês mais lucrativo, o lucro é R$70,00 por pessoa, e no pior período, chegam a receber R$38,00. “A gente chega cedo e não sai enquanto tiver trabalho”, revela Cátia. Os valores cobrados pelo dedicado serviço são: 1kg de papelão é vendido por R$0,12; de pet, a R$0,30; de papel, por R$0,05. A renda obtida poderia ser maior, se a Ascamar possuísse a máquina para prensar a arrecadação, que custa cerca de R$20 mil, e vendesse diretamente para as indústrias.
A associação recebe doações de algumas instituições, como supermercados, hotéis, pizzarias, condomínios, hospitais e centros comerciais, mas é insuficiente. “Gostaria que as pessoas se sensibilizassem com nosso trabalho, para ajudarem a preservar a natureza e a aumentar nossa renda para a gente sobreviver”, desabafa Célia.
A Ascamar está em condições críticas e nem pode investir em melhorias. Não usam o banheiro, porque o local precisa de uma reforma completa.
Sem bebeouro, o jeito que dão é pedir água para os vizinhos. “Aqui também não tem escritório, quando o pessoal chega ficamos sem onde acomodar as visitas”, conta Cátia.
Os interessados em fazer qualquer tipo de doação, podem ligar para o telefone 3214-9900 e falar com a assistente social, Andréa. Será estabelecido o dia, local e hora para que um transporte faça o recolhimento. Para mais informações sobre a Ascamar, ligar 3214-5100.

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