DENÚNCIA DE MAUS TRATOS CONTRA DOENTES MENTAIS: Othelino Neto cobra providências do governo Roseana


Deputado disse, na tribuna da Assembleia Legislativa, que  as autoridades do Maranhão fazem de conta que o problema não existe


Em duro pronunciamento, Othelino cobrou providências 
Da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado, o deputado Othelino Neto (PPS) cobrou, na manhã desta terça-feira (19), providências do governo do Estado e da Secretaria de Administração Penitenciária quanto à situação de maus tratos em que estão vivendo doentes mentais presos na Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís. O parlamentar lamentou que o fato tenha levado o Maranhão a aparecer, novamente, destacado em notícia negativa na imprensa nacional. 

Othelino levou para a tribuna o tema abordado pelo jornal O Globo que denunciou, no último final de semana, maus tratos contra doentes mentais nas penitenciárias do Brasil, principalmente de São Luís. “Infelizmente, as autoridades do Maranhão fazem de conta que isso não existe; fazem de conta que não têm que tomar providências para resolver este problema”, disparou.

A matéria, assinada pelo jornalista Vinícius Sassine de O Globo, expõe a situação em que vive José Antônio dos Santos, mais conhecido como “Cola na Cola”, que passa as noites em um buraco ao lado de uma criação de porcos, da tubulação de esgoto e do resto da comida servida na Casa de Detenção, onde cumpre sua pena. 

Segundo apurou O Globo, o Estado nunca diagnosticou seu transtorno mental. Nos últimos dois anos, ele não aderiu a qualquer tratamento psiquiátrico, não tomou uma única medicação, nem esteve numa consulta médica. O buraco onde mora está na entrada do presídio, na parte de dentro, onde ficam os porcos, as galinhas e o lixo.

Só propaganda

Othelino Neto disse que é inadmissível que, em pleno século XXI, no Maranhão, Estado que só faz  propaganda de que está tudo bem, um fato desta natureza ainda venha a  acontecer.  “Esta é a realidade da Penitenciária de Pedrinhas, onde existem, além de Cola na Cola, outras pessoas vivendo com doença mental, que deveriam ter um acompanhamento médico e estar em uma unidade específica, mas convivem com outros presos e em condições subumanas. Pasmem!”, exclamou o parlamentar do PPS.

O deputado lamentou ainda o fato do repórter de O Globo ter tentado ouvir o outro lado, como pede o bom jornalismo, e não conseguir encontrar ninguém da Secretaria de Administração Penitenciária para explicar o porquê desses episódios que acontecem em Pedrinhas. Ele lembrou que, nos outros estados, onde foram encontradas situações complicadas, tem-se uma opinião dos órgãos que administram as penitenciárias, o que não aconteceu com o Maranhão.

“Aqui no Maranhão, o jornalista não conseguiu sequer ouvir a opinião, a versão da Secretaria de Administração Penitenciária. Fica o registro, a cobrança e o lamento de que o Maranhão, este Estado tão belo, ainda enfrente esse tipo de problema, exclusivamente, por falta de políticas públicas”, observou Othelino. 

Entenda o caso

Segundo a reportagem de O Globo, os casos de Cola na Cola, Paulo Ricardo Machado e Francisco Carvalhal somam-se a outros presos doentes mentais que vivem à margem das estatísticas oficiais e da lei. Na teoria, a existência do transtorno mental e a consequente aplicação de uma medida de segurança, a partir da absolvição pelo juiz, impedem a permanência dessas pessoas nos presídios.

Levantamento inédito do Globo revela a extensão do universo de doentes mentais nos presídios brasileiros, um grupo cuja existência parte da sociedade brasileira prefere ignorar. Pelo menos 800 pessoas absolvidas pela Justiça em razão de transtornos mentais e em cumprimento de medida de segurança estão detidas em presídios e cadeias públicas país afora.

A medida tem um prazo mínimo de um a três anos, é determinada pelo juiz responsável pelo processo logo após a absolvição do acusado e deve ser cumprida em hospitais de custódia, clínicas ou ambulatórios. Essas pessoas são consideradas inimputáveis ou semi-imputáveis, uma vez que a manifestação dos problemas psiquiátricos impediu a compreensão dos crimes, e deveriam estar em tratamento médico. Na prática, cumprem pena no cárcere.

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