Disparidade ou o que mesmo? Ibope é o que interessa


Por Vicente Telles*

Vicente Telles é maranhense e presidente da Abracine/ Rio
São lamentáveis as disparidades, o contrassenso e as ambições desmedidas que ameaçam a educação de uma criança, expondo-a a vários tipos de riscos, esse anseio doentio de transformar a cabeça num auditório de um ringue, numa disputa ferrenha em confrontos de  “animais” que querem, a qualquer preço, “comer” o cérebro das pessoas por um ibope que para nada serve. Emissoras de Tvs que fazem isso  não se importam com os outros, com o povo brasileiro.


Isso tem que mudar, não devemos permitir que  esse povo maravilhoso seja manipulado e escravizado por certas “atrações” que as TVs nos oferecem.Na disputa pelo ibope infernal, programas de Tvs alienam o povo. Considero os diretores destes programas uns inconsequentes e irresponsáveis, pois são delinquentes das fantasias. Esses mesmos diretores vivem trancafiados em salas e acomodados num ar-condicionado, onde a respiração se confunde com o mau gosto para pensarem o que colocar no ar, no intuito de render atenção das pessoas a qualquer preço sem, ao menos, importarem-se com a saúde mental do nosso povo.


Parto da premissa de que o que eu não quero para mim, não quero para o meu próximo, assim fico a pensar: será que esses diretores ficariam tranquilos se os seus filhos assistissem aos programas que eles produzem com cenas de violência bizarras e de sexo explícito? Lógico que não!


Mas eles sabem que seus próprios filhos e famílias têm opções alternativas, pois os filhos dos que fazem as TVS, que nós assistimos, ficam preservados desta cultura esdrúxula que seus pais produzem, pois a maioria vive em outros países, a fim de aprimorar seus estudos, para que adquiram uma cultura diferente da nossa, pois a nossa cultura é considerada por muitos deles uma cultura de subdesenvolvidos.


Não sei se a Rede Record é um canal financiado por dízimos das igrejas evangélicas, porém os asseguro que, se for através dessas igrejas, é no mínimo incongruente, pois são instituições que pregam a moralidade, a fé, o temor a Deus, o respeito ao próximo, sendo assim não deveriam permitir vandalismo, prostituição e muito menos que se deplorem as famílias que lhes deram esse voto de confiança, ao entrarem em suas casas com o objetivo de divertir, informar e entreter de forma sadia e inteligente.


Pois bem, não acho que seja justo esse tipo de imoralidade nos canais de TV, principalmente um que foi bancado pela fé e pela moral. As moedas que compraram este canal foram as da moral e da fé. Então acho que está na hora de darmos um basta nessa situação vergonhosa e que isso sirva para os outros canais também.


Vamos propagar a verdadeira e genuína cultura popular brasileira. Nossas ruas estão cheias de pessoas interessantes, pessoas que até voam com a sua arte e poderiam contribuir para um desenvolvimento mais salutar, mostrando força e entusiasmo para quem se sentir sem ânimo para a luta, pois seriam exemplos de garra e fé, divulgando assim a ARTE DA VIDA como fizeram, por exemplo, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Tom Zé, Raul Seixas, Zé Ramalho e outros tantos.



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*** Vicente Telles é maranhense de Santa Inês, cantor e compositor que hoje atual no Centro-sul do país; teve participações em programas como o Domingão do Faustão e hoje é presidente da ABRACNE – Associação Brasileira de Arte e Cultura do Nordeste – que atua no Centro de Tradição Nordestina Luiz Gonzaga, na feira de São Cristóvão/Rio de Janeiro. Colabora com o blog da Sílvia Tereza.

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