Dois anos sem Jackson Lago…

Jackson  Lago foi um dos ícones da política maranhense
Há dois anos, exatamente no dia 04 de abril de 2011, falecia o ex-governador do Maranhão, dr. Jackson Lago, um dos ícones da política maranhense, que foi, absurdamente, sacado do governo, por meio de manobra do grupo Sarney, em 2009. 

Jackson Lago teve grande importância para os movimentos de oposição e é considerado uma grande figura para o processo de libertação do Estado, que ainda hoje é massacrado pela oligarquia.

O ex-governador nasceu em Pedreiras, no dia primeiro de novembro de 1934. Era um médico e político brasileiro, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Foi governador do Maranhão de 2007 a 2009, quando teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de investidas capitaneadas pelo grupo Sarney. Antes disso, havia sido prefeito de São Luís por três ocasiões: de 1989 a 1992, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2002 (este último interrompido por ocasião de sua renúncia para candidatar-se ao governo do Estado do Maranhão). 

Morreu, no dia 04 de abril de 2011, às 17h50 no Hospital do Coração, em São Paulo (SP), por causa de problemas respiratórios, complicações decorrentes de um longo tratamento contra um câncer de próstata e de um processo de depressão, causado, sobretudo, pelo desgaste que sofreu com a cassação.

Jackson foi, absurdamente, cassado em 2009
A cassação de um líder – Após sua eleição colocar um fim aos 40 anos de domínio da dinastia Sarney no Estado, Lago foi acusado pela campanha da candidata adversária, já no final de 2007, de cometer irregularidades eleitorais como abuso de poder e compra de votos.

Em dois de março de 2009, o TSE julgou ação movida pela coligação da candidata derrotada Roseana Sarney e decidiu, em votação apertada, anular os votos de Lago e de seu vice, Luiz Carlos Porto, do Partido Popular Socialista (PPS). Em razão disso, Roseana Sarney passou a ter mais da metade dos votos válidos, fazendo com que o TSE então a declarasse eleita e determinasse que ela tomasse posse. Jackson e Porto continuaram em seus cargos até o fim do julgamento de recursos.

Em 16 de abril de 2009, o TSE confirmou a cassação do mandato de Lago e Porto e ordenou a diplomação da segunda colocada no pleito. Entretanto, Lago se recusou a abandonar o Palácio dos Leões, sede do governo. O movimento de resistência ao novo governo recebeu o nome de “balaiada” (em alusão à revolta que ocorreu no estado entre 1838 e 1841) e teve o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Via Campesina, do deputado federal Domingos Dutra (PT) e do deputado estadual Valdinar Barros. 

Após a saída do Palácio dos Leões, Jackson prometeu continuar sua vida política em discurso no diretório estadual do PDT.

A cassação de Jackson Lago rendeu um artigo do músico Zeca Baleiro à revista Istoé com duras críticas à família Sarney.  Para o músico, nascido em São Luís no mesmo ano em que José Sarney tomou posse como governador, a medida foi tomada “por meio de manobras politicamente engenhosas e juridicamente questionáveis”.  Por outro lado, a cantora Alcione apoiou publicamente a volta de Roseana Sarney ao governo do estado.

Em 2010, Lago se candidatou novamente ao cargo de governador do Maranhão e perdeu, o que aumentou o já iniciado processo de depressão. Houve dúvidas em relação à sua candidatura, uma vez que a recém-promulgada Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de políticos condenados em tribunal colegiado, mas o TRE-MA deferiu por unanimidade a candidatura do pedetista. Estava aí encerrada a trajetória política de Jackson, que faleceu meses depois em São Paulo.

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