Sílvia Tereza, jornalista, comunicóloga, especialista em Marketing Político e blogueira

Iniciar a minha carreira de jornalista pelo jornal O Debate foi muito mais do que o meu primeiro emprego. Foi continuar aprendendo muitas outras coisas, foi construir minha história de vida profissional de sucesso. Quando saí da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), formada em Comunicação Social – Jornalismo – uma pergunta me consumia: “E agora? Onde eu vou trabalhar? Abracei, como gigante, a oportunidade número 01.

No Jornal O Debate, conheci um dos melhores amigos que fiz na vida: seu Jacir Moraes (in memorian). Quanta saudade! Um jornalista irreverente que marcou gerações e fez história no jornalismo maranhense. Ele me deu oportunidades de ouro que eu soube abraçar com a coragem de quem, bem jovem, não tinha medo de enfrentar desafios.

A convivência com Jacir Moraes e outras figuras importantes, como a publicitária Fátima Ribeiro, renderam-me aprendizados preciosos. Meu saudoso amigo, de tantas oportunidades que havia gerado com o periódico, chegava a classificar O Debate, com seu peculiar bom humor, de “plataforma de lançamentos”. Ele citava vários exemplos: “fulano, que está hoje em tal lugar, passou por aqui; Cicrano, que hoje está assim, foi estagiário daqui”, etc. Assim, se estivesse vivo, estaria também me destacando como profissional que deu os primeiros passos naquele jornal.

No jornal O Debate, eu passei por todos os cargos possíveis. De estagiária, tornei-me diretora de Redação. Bastou que Jacir Moraes analisasse textos, edição, perfil, capacidade de liderança, gerenciamento, planejamento, responsabilidade, empenho, etc, para que ele fosse apostando no meu potencial. Oportunidade! Essa é a palavra-chave.

Saí do jornal preparada para novos desafios que vieram, como assessorias dos governos José Reinaldo e Jackson Lago; Superintendência de Imprensa, na gestão do ex-prefeito João Castelo, assessoria de imprensa parlamentar… E hoje estou diretora adjunta de Comunicação na Assembleia Legislativa do Maranhão, na gestão do deputado estadual Othelino Neto (PCdoB).

Em seus últimos anos de vida, eu ainda consegui introduzir Jacir Moraes no mundo da blogosfera pelo qual ficou encantado. Ele chegou a fazer alguns posts exclusivos para o meu blog, em uma parceria que construímos. As publicações tiveram bastante repercussão. Veja os links abaixo:

DESABAFO – “Nove amigos, noves fora nada…”

E as “otoridades”, onde estão?

Lobão de bico e garras afiadas como um “falcão”

SEM LEITE E SEM CHUPETA: “Mamãe, eu quero mamar…”

E que venham mais 30 anos…

ONDE ESTÁ A SEGURANÇA? Bastidores de um assalto a minha residência…

E por que volto para casa?

A corrupção continua se “alimentando” com o dinheiro público

De amigo para amigo: Jacir Moraes relembra Luiz Gonzaga

Recordar é viver! Parabenizo toda a equipe de O Debate por esses 35 anos de história.

Algumas frases e tiradas do saudoso Jacir Moraes:

O jornalista Jacir Moraes, fundador do Jornal O Debate e ex-secretário de Comunicação da Assembleia Legislativa, carregava consigo uma bagagem de mais de 100 frases e tiradas irreverentes, criadas por ele próprio e que levavam a sua assinatura.

Muitas delas foram geradas, de forma espontânea, em função de determinados momentos de sua vida e revelam um tom de humor singular; outras são de domínio popular, mas adaptadas com aquela pitada de sal.

Conhecido por seu alto grau de humor (bom ou mau), mas sempre traduzido na realidade, Jacir não tinha “papas na língua” e alguns ditados chegavam a ser impublicáveis, mas dignos de muitas gargalhadas.

As tiradas e frases “jacirianas” são, comumente, lembradas por amigos, familiares, funcionários e ex-funcionários nas rodas de conversas e ganharam destaque aqui no Blog da Sílvia Tereza. Estou republicando abaixo, aqui neste post, algumas delas a pedidos.

Tiradas e frases jacirianas

1 – Onde tem gente tem sacanagem

2 – O parente é o pior inimigo do homem

3 – O sol nasceu para todos, mas a sombra para poucos

4 – A parte mais sensível do ser humano não é o coração, e sim o bolso

5 – Só o papel aceita tudo. Eu não sou papel!

6 – Abraço de tamanduá é aquele que te afaga pela frente e te fura por trás

7 – A sociedade é o lixo do ser humano

8 – Mas vale um jornalista bem informado do que apenas formado

9 – Todo dia homem come peixe e não reclama; o dia em que peixe come homem vai logo para o jornal

10 – Não existe homem e nem mulher ideal. Ideal é cuscuz e pode ser de milho ou de arroz

11 – Eu não sou testículo (culhão) para ficar de fora

12 – Quando provocado sobre uma “certa cirurgia plástica”, Jacir respondeu na ponta da língua: “sou gráfico, mas não trabalho com material reciclado”

13 – Ao ser abordado, certa vez, por um funcionário do jornal O Debate que lhe pedia “um vale de 10 “paus” (10 reais na época era um bom dinheiro)”, Jacir saiu com a seguinte tirada: “10 paus eu não posso lhe arranjar não, rapaz, porque eu só tenho um”

14 – Contando todos os meus amigos de agora, a soma não chega a dois dígitos, mas também não posso dizer que chega a nove, porque nove, noves fora nada.

15 – Nada contra as gordas, mas meu colesterol já é alto demais; E nada contra as que se acham “cu doce”, mas eu sou diabético.

16 – Toda mulher quando casa, só trata o marido de “meu bem, meu bem”. E se separa, passa a dizer somente “meus bens, meus bens”.

17 – “Meu amigo, estou aposentado da profissão, mas não das duas cabeças. As duas cabeças estão funcionando muito bem”.

18 – Certa vez, ao voltar lisinho de uma viagem de mais de seis meses, onde ele levou um bom dinheiro consigo, referente à venda de uma fazenda, alguém lhe pergunta: “Mas com que tu gastaste tudo aquilo (R$), Jacir”. A resposta dele, bem sério: “Bu… é coisa cara”.

19 – Sempre que um funcionário ameaçava sair da empresa pra ver se recebia uma contraproposta salarial ou outra coisa assim, Jacir sempre tinha uma resposta na ponta da língua: “Pode sair. O dia em que eu arrumar coisa melhor, eu também saio daqui”.

20 – Nos casos em que a pessoa dava uma desculpa esfarrapada em determinadas situações, Jacir saia com essa: “Meu amigo, isso é conselho para rola murcha”.

21 – Em uma situação em que alguém fazia uso das coisas que eram dos outros, Jacir sempre saia com essa: “Isso é que é gozar com o p…dos outros”.

22 – Quando perguntava a alguém: “E aí fulano, como vai?” E a pessoa respondia: “Eu vou levando”…Nessa hora, Jacir arrematava: “Pois não vá só levando não, vá botando também. Só levar não dá certo…”

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One thought on “Recordar é viver! O Debate, minha segunda faculdade…

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