Bolsonaro admite rever indicação de Eduardo para embaixada dos EUA

Eduardo já recebeu o aval do governo norte-americano, mas a indicação ainda não foi encaminhada ao Senado devido a resistências ao nome do deputado federal

BR Político

Na “saidinha do Alvorada” desta terca-feira (20) – o já tradicional pit-stop do presidente na porta da residência oficial, a caminho do Planalto, para falar com a imprensa  e lançar balões de ensaio para testar sua acolhida ao longo do dia ou da semana–, Jair Bolsonaro levantou a possibilidade de desistir da indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil em Washington.

“Tudo é possível. Eu não quero submeter o meu filho a um fracasso. Acho que ele tem competência”, afirmou Bolsonaro.

Eduardo já recebeu o aval do governo norte-americano, mas a indicação ainda não foi encaminhada ao Senado devido a resistências ao nome do deputado federal. Eduardo tem feito corpo a corpo junto aos senadores.

Bolsonaro só parece esquecer que a possibilidade de submeter o 03 a um fracasso foi inteiramente provocada por ele, ao contrariar princípios como o da impessoalidade e indicar o próprio filho ao principal posto da diplomacia brasileira no exterior, sem um currículo que o credencie à função.

Partido Cidadania de Eliziane tenta impedir nomeação de Eduardo Bolsonaro

O partido, por meio do deputado Marcelo Calero (RJ), entrou com um mandado de segurança coletivo no Supremo Tribunal Federal

O Cidadania (antigo PPS) está tentando impedir por via judicial a nomeação de Eduardo Bolsonaro ao cargo de embaixador brasileiro nos Estados Unidos. O partido, por meio do deputado Marcelo Calero (RJ), entrou com um mandado de segurança coletivo no Supremo Tribunal Federal alegando que “a indicação para assunção da função de Chefe de Missão Diplomática nos Estados Unidos trataria de evidente nepotismo”.

A senadora Eliziane Gama também já manifestou-se contra a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada de Washington por meio de suas redes sociais.

“Estarrecedora a declaração de Bolsonaro de colocar o filho como Embaixador nos EUA para viabilizar a exploração mineral em terras indígenas. A saída para crise não é dizimar os índios e entregar nossas jazidas aos americanos. O Brasil não pode voltar a ser colônia de exploração”, escreveu Eliziane.

Bolsonaro convida filho para assumir embaixada nos EUA; Eduardo diz que ‘aceita’ missão

O cargo de embaixador em Washington está vago desde abril, quando o diplomata Sérgio Amaral deixou o posto

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que convidou um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para assumir a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. A decisão, segundo o presidente, depende apenas do “sim” de Eduardo, que estuda a possibilidade de ter que renunciar ao mandato parlamentar para assumir a função de embaixador. A missão, contudo, já foi analisada por Eduardo, que afirmou à reportagem que “aceita” o posto dada pelo pai.

“Imagina o filho do Macri (Maurício Macri, presidente da Argentina) aqui (no Brasil) como embaixador da Argentina. Teria tratamento diferenciado. Está no meu radar, sim, e, no meu entender, poderia ser uma pessoa adequada e daria conta em Washington”, declarou Bolsonaro aos jornalistas em uma entrevista coletiva concedida ao final da solenidade de posse do novo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

Segundo Bolsonaro, “não é fácil a decisão para Eduardo eventualmente ter que deixar o mandato para assumir a Embaixada dos EUA”. O presidente afirmou que ainda não está claro se ele realmente seria obrigado a deixar a função que ocupa no Congresso, mas disse que, se confirmado, isso seria um “complicador”. Ele disse, ainda, que não pode influenciar a escolha do filho e que Eduardo terá que fazer a escolha sozinho.

Eduardo afirmou que aceitaria o cargo de embaixador em Washington caso seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, o escolhesse. “Eu aceitaria qualquer missão que o presidente Bolsonaro me der e tentarei desempenhar da melhor maneira possível”, afirmou.

O cargo de embaixador em Washington está vago desde abril, quando o diplomata Sérgio Amaral deixou o posto. Desde que seu pai foi eleito, Eduardo tem atuado como uma espécie de embaixador informal do governo. Acompanhou o pai nas viagens e chegou a substituir o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em reunião com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.