Bill Clinton pede a brasileiros que não votem orientados pela raiva e o ódio

Ainda segundo o ex-presidente, as mudanças devem estar sempre acompanhadas de valores comuns

A quinze dias das eleições, a polarização política e o excesso de brigas entre os eleitores foram os assuntos mais tratados pelo ex-presidente americano Bill Clinton em conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os dois líderes participaram do evento ExpertXP, na noite desta sexta-feira, em São Paulo.

Aos eleitores, ofereceram conselhos como “respeitem as diferenças” e “tentem se unir”. “Não se pode tomar uma decisão com raiva e ressentimento. Olha o que deus deu a vocês. Esse é um conselho que minha mãe daria, e que eu aconselho que vocês sigam também, como eu segui”, afirmou o ex-presidente Bill Clinton. O encontro ocorreu no centro de um auditório para mais de 7.000 pessoas. Sem contar as outras centenas que esperavam do lado de fora.

Sobre as eleições, os dois ex-presidentes não criticaram diretamente nenhum candidato. Eles preferiram, no entanto, mostrar que o acirramento dos eleitores pode prejudicar mais as eleições do que os próprios candidatos em si. A diversidade, segundo Clinton, só é boa para quem tem conhecimento suficiente para respeitar. “Há quem diga que vivemos, atualmente, tribalismos radicais. Mas a verdade é que sempre vivemos em tribos, grupos restritos”, afirmou.

Para FHC, há uma necessidade de se discutir os problemas em conjunto, sem priorizar o individualismo. “As pessoas estão preocupadas com seus empregos, com suas crises financeiras. Enquanto não houver um pensamento coletivo, não poderemos realizar soluções para o país”, afirmou.

Ainda segundo o ex-presidente, as mudanças devem estar sempre acompanhadas de valores comuns. “O Brasil precisa voltar a crer nele próprio. Começou com o futebol, e na política tem que ser assim também. Acreditar na superação, aceitar o outro”. “O que mais me preocupa é a irracionalidade e o ódio, que não aceita a opinião do outro. Não é o que nós queremos”, afirmou.

O caminho da mudança

Para Clinton, que presidiu os Estados Unidos entre 1993 e 2001, as soluções estão na divisão das responsabilidades dos papeis de uma sociedade. “A democracia reúne maiorias, e ao mesmo tempo indivíduos. Por isso é importante dizer que a mudança é algo que faremos juntos, porque parece ser a melhor opção”. Embora os dois presidentes tenham sido eleitos sob regimes democráticos, foi unânime a opinião de que a crise da democracia é uma realidade. Para FHC, que governou o país entre 1995 e 2002, o atual momento brasileiro é mais um exemplo da crise de um regime político, que precisa passar por adaptações.

Lava Jato – Delações da Odebrecht envolvem todos os ex-presidentes vivos…

Todos os ex-presidentes foram delatados por executivos da Odebrecht

Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma foram citados ou são alvo de inquérito com base em depoimentos de executivos da empreiteira. Acusações envolvem propina, caixa 2, lobby e mesadas para parentes.O fim do sigilo sobre as delações da Odebrecht e da lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin  revelou citações ou pedidos de inquéritos envolvendo todos os cinco ex-presidente brasileiros ainda vivos.

Apenas no caso de Fernando Collor já existe a abertura de um novo inquérito. No caso de Luiz Inácio Lula da Silva, foram feitos seis pedidos. No de José Sarney, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, existem citações em delações que foram enviadas para diferentes tribunais. Veja o que disseram executivos e ex-executivos da Odebrecht contra cada um dos ex-presidentes:
José Sarney (1985-1990)

O ex-presidente e ex-senador é citado numa delação da Odebrecht que envolve propinas na construção da ferrovia Norte-Sul, cuja obra foi iniciada no governo Sarney. De acordo com as delações dos executivos Pedro Augusto Carneiro Leão Neto e João Antônio Pacífico Ferreira, figuras do círculo político do ex-presidente receberam entre 2008 e 2009 cerca de 1% sobre o contrato da obra.

As acusações constam no pedido de abertura de inquérito contra o deputado federal Milton Conti (PR-SP). As informações sobre Sarney, passadas pelos delatores da Odebrecht, foram encaminhadas à Justiça de Goiás.

Sarney já é alvo de um inquérito no Supremo por suspeita de obstrução da Justiça no âmbito da Lava Jato, junto com os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL). O caso se refere à conversa grampeada que o ex-presidente teve com o ex-diretor da Petrobras Sérgio Machado.

Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Renan e Sarney prometeram a Machado que iriam acionar o advogado Eduardo Ferrão e o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha para influenciar uma decisão do STF sobre um possível desmembramento do inquérito que envolvia o ex-diretor. Sarney não comentou o caso.

Fernando Collor de Mello (1990-1992)

Único ex-presidente com foro privilegiado, já que ainda mantém uma cadeira no Senado, Collor é o único da relação que já é alvo de um inquérito aberto com base nas delações da Odebrecht. O seu caso não foi encaminhando para outros tribunais, permanecendo no Supremo. O relator da Lava Jato, Edson Fachin, já determinou a abertura do inquérito.

Collor é suspeito de ter recebido 800 mil reais de propina e caixa 2 para a sua campanha ao Senado em 2010. Segundo os delatores da Odebrecht, o valor foi pago pelo grupo em espécie. Em troca do dinheiro, Collor teria se comprometido a atuar a favor do grupo no Legislativo. Na planilha de políticos beneficiados por propinas pagas pela empresa, Collor era tratado com o apelido de “Roxinho”.

Antes da decisão de Fachin, o ex-presidente já era alvo de cinco inquéritos no Supremo por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Em um deles, o senador já foi denunciado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, sob a acusação de receber 29 milhões de reais em propina em troca de influenciar contratos da BR Distribuidora. A aceitação da denúncia ainda não foi avaliada pelo Supremo.

Investigadores da Lava Jato apontaram que Collor comprou veículos de luxo para lavar o dinheiro. Entre os veículos, um Lamborghini avaliado em 3,2 milhões de reais e uma Ferrari de 1,45 milhão.

Collor não comentou a abertura do inquérito.

Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)

Em sua delação, Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração da Organização Odebrecht, disse ter pago “vantagens indevidas não contabilizadas” para as campanhas de Fernando Henrique à Presidência da República em 1994 e 1998.

“Ajuda de campanha eu sempre dei a todos eles. E a ele [FHC] eu também dei. E com certeza teve ajuda de caixa oficial e não oficial. Se ele soube ou não, eu não sei”, disse Emílio.

Em resposta, FHC disse que desconhece eventuais gastos de campanha citados por Emílio Odebrecht. “Não tenho nada a esconder, nada a temer e vou ver com calma do que se trata. Por enquanto, não há nada especifico, é tudo muito vago”, disse, em um vídeo.

A delação envolvendo FHC foi enviada para a Justiça Federal em São Paulo.

Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010)

O ex-presidente se tornou alvo de seis pedidos de inquéritos baseados nas delações da Odebrecht. Todos eles foram enviados para a Justiça Federal do Paraná, onde o petista já é réu em duas ações penais. Lula também é réu em três outros casos no Distrito Federal.

Os novos pedidos envolvem tanto a suspeita de lobby promovido pelo ex-presidente em favor da Odebrecht quanto ao pagamento de mesadas para seus parentes.

Agora cabe ao juiz Sérgio Moro decidir pela abertura de novos inquéritos ou se eles vão ser incorporados aos já existentes que tramitam contra o ex-presidente no Paraná.

A defesa do petista disse que as acusações são “frívolas” e que não há provas contra o ex-presidente.

A ex-presidente foi citada. Em uma das delações, Emílio Odebrecht disse que Dilma foi “responsável pelo favorecimento” da empresa Tractebel-Suez na licitação para construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. À época da licitação, Dilma era chefe da Casa Civil do governo Lula.

Segundo o depoimento, executivos da Odebrecht dizem ter pedido ajuda de Lula para reverter a vitória da empresa na concorrência, mas Lula teria preferido “não contrariar a então presidente Dilma Rousseff, vista como responsável pelo favorecimento da Tractebel”.

Em outro depoimento, o ex-executivo Alexandrino Alencar citou pagamentos ilegais para a campanha de Dilma em 2014. Segundo Alencar, o dinheiro foi pago por intermédio do assessor Manoel Sobrinho, a pedido de Edinho Silva, que foi o tesoureiro da petista.

Não são citados valores, mas em seu depoimento, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, disse que pagou 150 milhões de reais à campanha da petista, parte dele em caixa 2. Uma parte desse valor foi repassada como pagamento da edição de medidas provisórias que beneficiaram a Odebrecht ainda no governo Lula.

Dilma Roussef

Outro pacote de delações foi arrolado com o nome de Dilma. Elas narraram que o governo Lula agiu em diversos momentos nos anos 2000 para beneficiar a expansão da Braskem, o braço petroquímico da Odebrecht. Em troca, milhões de reais teriam sido repassados para campanhas eleitorais do PT. Os depoimentos não citam quais teriam sido as irregularidades cometidas por Dilma.

Parte das delações que envolvem Dilma serão encaminhadas para o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, porque estão atrelados a Edinho Silva, que hoje é prefeito de Araraquara (SP). O restante foi encaminhado para a Justiça Federal do Paraná.

A presidente já é alvo de um inquérito no Distrito Federal por suspeita de obstrução de Justiça O caso envolve o episódio da nomeação de Lula como ministro em 2016.

Quando o sigilo sobre todas as delações foi extinto, Dilma divulgou nota afirmando que “vem sendo vítima de vazamentos seletivos e direcionados há meses”. Ela não comentou o conteúdo das delações.

É necessário respeitar a dor da família e despolitizar a perda de dona Marisa…

O momento não é de acentuar diferenças políticas e sim de respeitar a dor da perda. O gesto de FHC a Lula é uma das imagens que mais repercutem nas redes sociais

Em relação à morte de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama do Brasil, entendo que o momento é de respeitar a dor do ex-predidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), dos seus familiares, filhos, amigos, etc. É importante respeitar o momento sem ódios, independente de lados políticos. É preciso despolitizar o fato.

Uma das cenas que mais marcaram o dia de ontem, data dá morte cerebral de Marisa, foi o abraço entre Lula e o ex-predidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), uma retribuição deste último ao primeiro que também teve o mesmo gesto quando dona Ruth Cardoso faleceu. Isso é deixar querelas e diferenças de lado para demonstrar humanidade, sentimento à dor do outro em uma situação que só quem já passou por isso, sabe o que significa.

Quem fica tem o coração partido e um sentimento enorme de impotência, isolamento, abandono, solidão. Eu já passei, recentemente, por isso. Sei o que é perder uma pessoa amada. A dor alheia também tem que ser respeitada.

Horríveis e nojentas as manifestações de desrespeito a dona Marisa e à dor de Lula com palavras violentas e desumanas nas redes sociais. Abomináveis. Também, nesse sentido, não concordo com aquela recepção ao presidente Michel Temer (PMDB) quando foi taxado de “assassino”. Vi aquelas cenas como excesso.

Acho que o momento é de sentir a dor e a perda de uma grande mulher, líder, lutadora, revolucionária que foi, em vida, o maior equilíbrio de Lula. Não por ter falecido, mas porque há de se reconhecer a história de vida e de luta de dona Marisa, por sinal, muito bonita. A ocasião não é para ódios. O momento é de despolitizar.

O Brasil não precisa de ódios. Dona Marisa precisa de paz e que descanse em paz, na certeza de que sua passagem está sendo muito sentida e a pessoa que foi, respeitada.

Temer, Sarney e FHC na raiz da decisão do STF? Papo furado!

Renaldo Azevedo

FHC e Sarney

Ontem e hoje, alimentou-se uma forte e farta boataria de que o presidente Michel Temer e os ex-presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso teriam sido mobilizados para que ministros do Supremo, enfim, dessem um jeitinho de votar pela permanência de Renan Calheiros na Presidência do Senado.

Pois é…

Quero começar por FHC. Qual é a suposição? Hoje, o único ministro indicado por ele no tribunal é Gilmar Mendes, que estava ausente e nem votou ontem.

Alguém realmente acha que o magistrado que chegou a falar no impeachment de Marco Aurélio, em razão do seu destrambelhamento, precisa de uma forcinha de FHC? Tenham paciência!

Vamos ver os outros cinco? Celso de Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luiz Fux. O primeiro foi indicado por Sarney; o último, por Dilma, e os outros dois, por LuLa.

Será que ministros que não devem nem mesmo sua indicação a Temer, Sarney ou FHC seriam sensíveis a seus apelos? Não que eu coloque os doutores como subordinados de quem os indicou. Só estou evidenciando o absurdo da tese.

A propósito, o pau que dá em Chico bate em Francisco. Deve-se atribuir o voto de Marco Aurélio a quem? A Fenando Collor? Não me parece que o senador fizesse tal escolha. Estariam Rosa Weber e Edson Fachin atendendo aos apelos de Dilma?

Não é assim que a música toca, é evidente. Todos conhecem o apoio de associações de juízes e da OAB, para ficar em dois grupos, ao afastamento de Renan. E igualmente é público que Lewandowski e Fux costumam ser bastante sensíveis aos pelos da “catchiguria”.

É que algumas coisas já nascem sem solução. E a liminar concedida por Marco Aurélio é uma delas, ora essa! Era tão escancaradamente despropositada que Lewandowski, que votou contra a decisão de Marco Aurélio, se viu na obrigação de tentar demonstrar que, embora o amigo tenha seguido a lei (não seguiu!), ele teria de divergir.

E que se note: a maioria do tribunal votou contra a liminar mesmo com a Mesa do Senado tendo decidido resistir abertamente a ela, o que gerou aquela enxurrada de críticas.

Mas de críticas apenas. Houvesse alguma ilegalidade na postura da Mesa, é claro que alguém se lembraria de falar de sanção. Mas qual seria?

A verdade é que não foi necessário operar ajuda externa nenhuma. Os senhores ministros sabiam muito bem o que estava em curso e a insegurança jurídica em que Marco Aurélio resolveu jogar o país.

Para encerrar, observo que o mais interessante é que nem Marco Aurélio nem os dois que o seguiram (Edson Fachin e Rosa Weber) conseguiram explicar a natureza da liminar.

Será que é preciso que ex-presidentes entrem em campo para que nossa corte suprema escolha a legalidade?

Acho que não.

Ex-deputado cita Sarney e reeleição de FHC em termos de delação premiada

Informoney

Em matéria do último final de semana, a Folha de S. Paulo informou que Corrêa disse ter informações que podem comprometer cerca de cem políticos

Em matéria do último final de semana, a Folha de S. Paulo informou que Corrêa disse ter informações que podem comprometer cerca de cem políticos

Os termos da delação premiada do ex-deputado Pedro Corrêa no âmbito da Lava Jato já estão prontos. E, segundo aponta o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o ex-parlamentar pernambuco diz ter contado “tudo de podre que sabe desde que foi eleito deputado pela primeira vez, em 1978, pela Arena”.

Segundo o colunista, as histórias passam pela distribuição de rádios na época de José Sarney (PMDB-AP) – presidente entre 1985 e 1990 – e pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi presidente entre 1995 e 2002.

Em matéria do último final de semana, a Folha de S. Paulo informou que Corrêa disse ter informações que podem comprometer cerca de cem políticos. Dentre eles, dois ministros do governo da presidente Dilma Rousseff: o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e o titular da Defesa, Aldo Rebelo, além do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Ontem, foi noticiado que o ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, delatou uma propina ao Governo FHC de US$ 100 milhões através da operação de compra envolvendo a empresa petrolífera Pérez Companc. Pelo Facebook, FHC rebateu: “afirmações vagas como essa, que se referem genericamente a um período no qual eu era presidente e a um ex-presidente da Petrobras já falecido (Francisco Gros), sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”.

Flávio Dino sugere pacto nacional entre Lula e FHC para combater crise no Brasil

Maranhão 247

Governador do Maranhão propôs pacto nacional

Governador do Maranhão propôs pacto nacional

Governador do Maranhão pelo PCdoB, Flávio Dino defende um pacto nacional entre PT e PSDB como saída para a crise. “Não cabe na minha cabeça que duas lideranças da envergadura e da importância histórica como Fernando Henrique Cardoso e Lula não consigam sentar à mesa e fazer um acordo nacional”, disse.

Para ele, é a partir de Dilma e do Governo “que se pode construir um novo pacto nacional”. “Mas para isso é preciso que o conjunto de forças do Congresso mude sua atitude, que hoje é de sabotagem. Governo e oposição são essenciais para a democracia”, ressalta.

Sem este acordo, Dino faz um alerta: “O que levamos três décadas conquistando, como estabilidade econômica e diminuição das desigualdades, pode se perder em poucos meses”. Tanto Lula quanto FHC já rechaçaram meses atrás a possibilidade de uma conversa

“Defendo muito claramente a continuidade do mandato, primeiro por razão técnica, porque constitucionalmente não há nenhuma base para que a presidenta da República eleita seja afastada. Em segundo lugar, há a razão política. É a partir dela [Dilma] e do Governo que se pode construir um novo pacto nacional. Mas para isso é preciso que o conjunto de forças do Congresso mude sua atitude, que hoje é de sabotagem. Governo e oposição são essenciais para a democracia”, afirma ele em entrevista ao El País Brasil (aqui).

Ele pondera que “não se trata de anular a existência da oposição, mas colocá-la em termos que se considera que você não pode ter uma relação de destruição, de aniquilamento”. “Imagino que o grande desafio de todos aqueles que desejam que o Brasil não sofra tanto é construir algum tipo de entendimento que permita essa retomada do crescimento e a preservação de conquistas que não têm coloração partidária”, diz.

Sobre um acordo PT-PSDB, o governador diz que “esse é o único caminho possível”.

“Só vejo uma saída e a tenho sustentado desde o final do ano passado, quando fui eleito. A sociedade escolheu dois partidos para serem os principais polos da política brasileira. O PT esteve presente no primeiro ou no segundo turno, com protagonismo, nas sete eleições presidenciais que houve após a democratização. O PSDB foi protagonista em seis, com uma única exceção, em 1989. Esses são os dois principais partidos brasileiros”, argumenta.

Por isso, ele defende um entendimento entre Lula e FHC.

“Não cabe na minha cabeça que duas lideranças da envergadura e da importância histórica como Fernando Henrique Cardoso e Lula não consigam sentar à mesa e fazer um acordo nacional. Esse é o único caminho possível e não cabe na minha racionalidade ingênua ou pretensiosa que não aconteça uma união nacional que acontece em outros países do mundo. Estamos vendo isso agora na França. Já houve nos Estados Unidos, na Espanha, em Portugal. Lutamos tanto para chegar até aqui, muita gente sofreu, tivemos ditadura sangrenta, que torturou e matou, depois uma hiperinflação. O que levamos três décadas conquistando, como estabilidade econômica e diminuição das desigualdades, pode se perder em poucos meses. No Maranhão, a gente governa com PT e PSDB, e todos estão felizes. Sem isso, é muito difícil imaginar uma saída”, diz.

Qual vai ser o final da Dilma: FHC, Sarney ou Collor?

Por Alexandre Caverni

dilma e lula

R7 – A intensidade da turbulência político-econômica combinada com a aguda perda de popularidade da presidente Dilma Rousseff e seu governo tornam qualquer prognóstico bastante arriscado, mas cada vez mais parece que a petista está perdendo as condições de governar plenamente.

Alguns episódios recentes mostram isso claramente, como o anúncio em primeira mão da saída de Cid Gomes do Ministério da Educação pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que o ministro não se retratou por críticas a parlamentares. Quem tinha dúvidas sobre a força de Cunha no atual cenário deixou de ter.

Num outro episódio, a presidente fez questão de colocar panos quentes sobre uma declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, interpretada como uma crítica a ela. Para quem tem pavio curto, como dizem, não deve ter sido fácil relevar uma afirmação que sugeria que ela às vezes não é eficaz.

Levy é hoje o grande fiador do governo junto ao empresariado e, não menos importante, ao mercado financeiro. Mas não é só isso.

Responsável por implementar um ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas, o ministro está se transformando também num importante articulador político, fazendo inúmeras reuniões com lideranças parlamentares para garantir a aprovação de medidas pelo Congresso.

Teoricamente, a presidente teria maioria parlamentar folgada, mas sua reeleição por um placar muito apertado combinado a um antigo descontentamento dos aliados no Congresso pelo modo como eram tratados fez a base governista se rebelar de forma nunca vista nos mais de 12 anos de governos petistas.

Houve derrotas do governo aqui e ali no passado e nem sempre foi fácil para o Executivo conseguir a aprovação de seus projetos, mas o quadro atual é uma novidade ruim para a presidente.

Junto a isso, ao contrário do que houve nas três eleições presidenciais anteriores, a oposição não tirou seu time de campo e muitos dos seus eleitores também não.

Protestos contra o governo começaram antes mesmo de Dilma tomar posse pela segunda vez, até desembocarem no mês passado nas maiores manifestações populares desde a campanha pela volta das eleições diretas no país.

E o descontentamento passou a se generalizar, como mostram as recentes pesquisas de opinião pública, impulsionado também pela forte piora no quadro econômico e por medidas impopulares.

Há ainda o maior escândalo de corrupção da história do país, envolvendo a maior empresa brasileira, a estatal Petrobras, que alimenta ainda mais a impopularidade de Dilma e do governo.

Em momentos assim, é sempre tentador fazer comparações históricas. É possível ver um paralelo com o governo José Sarney e a adoção do Plano Cruzado 2.

Se o Plano Cruzado original teve enorme apoio popular com o congelamento de preços, levando a uma esmagadora vitória eleitoral das forças governistas em 1986, as medidas adotadas logo depois, incluindo aumentos de preços e impostos, causaram revoltas e aguda perda de popularidade, tirando muito da capacidade de Sarney governar.

Para os mais pessimistas (ou otimistas, dependendo do ponto de vista), a comparação é com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que tentou salvar seu governo, em meio a pesadas denúncias de corrupção, com um ministério de notáveis, que incluiu o respeitado Marcílio Marques Moreira no comando da Fazenda. Não foi suficiente para impedir o impeachment.

Já para os mais otimistas (ou pessimistas), o melhor é ver o que aconteceu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no seu segundo mandato.

Depois de segurar o câmbio durante seu primeiro governo e, especialmente, durante a campanha eleitoral, apesar de isso se mostrar cada vez mais insustentável, Fernando Henrique se viu obrigado a liberar o câmbio e com a turbulência econômica teve grande perda de popularidade.

Mas como tinha uma base aliada parlamentar mais programática, ainda que não tenha recuperado plenamente sua popularidade nem feito seu sucessor, Fernando Henrique nunca perdeu as condições de governar e conseguiu implementar importantes medidas que ajudaram a solidificar o Plano Real e a estabilizar a economia.

Será preciso um pouco mais de tempo para ver qual das três comparações vai prevalecer. Ou para surgirem novas comparações.

* Esta coluna foi publicada inicialmente no terminal financeiro Eikon, da Thomson Reuters.

Crise se deve a Dilma ter perdido popularidade e credibilidade, diz FHC

Estadão

Fernando Henrique Cardoso analisou cenário político, após queda da popularidade de Dilma nesses primeiros meses do ano

Fernando Henrique Cardoso analisou cenário político, após queda da popularidade de Dilma nesses primeiros meses do ano

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) avaliou que o momento pelo qual passa o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) é especialmente delicado por ela sofrer um processo não apenas de perda de popularidade, mas de perda de credibilidade. Em entrevista na noite desta quinta-feira, 19, a Mario Sergio Conti, na Globo News, FHC foi questionado sobre o início do seu segundo mandato, em 1999, quando perdeu popularidade em meio à crise cambial. “Foi diferente. No meu governo, eu perdi popularidade mas não credibilidade, continuei com apoio do Congresso, de setores econômicos”, afirmou.

O tucano argumentou que o governo federal enfrenta diversas crises simultaneamente e que isso é que é preocupante. “Essa de hoje é um conglomerado de crises”. disse. A mais “saliente”, segundo o ex-presidente, é a crise econômica, advinda de uma condução errada da matriz estabelecida no seu governo pelo governo Lula.

Fernando Henrique afirmou que nos anos iniciais da crise internacional – 2008 e 2009 – o governo Lula soube aplicar medidas anticíclicas, com maior oferta de crédito e estímulo ao consumo, de forma adequada, mas que isso avançou para uma dosagem errada no governo Dilma. “Quando houve essa sensação de que, com crédito, faço o que eu quiser, começou a haver frouxidão nas contas públicas. O BNDES também, usado como alavanca do crescimento, além do limite, começou a dar confusão.”

Quando ficou mais claro que a matriz que sustentou a estabilidade econômica do País estava se desfazendo, isso gerou uma “certa desilusão dos setores empresariais e das classes médias que tinham um fascínio com aquela condição econômica”, afirmou o ex-presidente.

À crise econômica, somou-se a crise política, instalada pela evolução que FHC entende como passagem do presidencialismo de coalizão para o presidencialismo de cooptação – evidenciada pelos 39 ministérios e quase 30 partidos no Congresso -, e a crise moral, que chega ao auge com as denúncias de corrupção na Petrobras.

Apesar de avaliar o momento de forma negativa, Fernando Henrique disse ter sempre uma perspectiva positiva de “crença no Brasil”. Ele avaliou que o grande problema para o País foi não saber se adaptar ao processo da globalização desde os anos 1970. CONTINUE LENDO AQUI.