Petrobras pode ser privatizada em parte, diz Bolsonaro

Ao mesmo tempo, ele avaliou que a estatal é uma empresa estratégica e que deve continuar existindo. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse hoje (19), no Rio de Janeiro, que a Petrobras pode ser privatizada em parte. Ao mesmo tempo, ele avaliou que a estatal é uma empresa estratégica e que deve continuar existindo: “alguma coisa você pode privatizar. Não toda. É uma empresa estratégica.”

Segundo Bolsonaro, não há decisão tomada. “Estamos conversando. Eu não sou uma pessoa inflexível. Mas nós temos que ter muita responsabilidade para levar adiante um plano como esse.”

Pela manhã, em Brasília, o vice-presidente eleito Hamilton Mourão afirmou que o futuro governo pretende preservar o “núcleo duro” da estatal, mas a equipe estuda a possibilidade de negociar áreas como distribuição e refino.

Nomeação

Mais cedo, o economista Roberto Castello Branco foi confirmado para presidir a Petrobras. Em artigos recentes publicados na imprensa, ele defendeu a privatrização da empresa.

Indicado por Paulo Guedes, que assumirá o Ministério de Fazendo, Castello Branco aceitou o convite. Bolsonaro reiterou que Guedes tem carta branca no seu governo.

“Tudo que é envolvido com economia, ele está escalando o time. Eu só, obviamente, estou cobrando proatividade. Enxugar a máquina e fazê-la funcionar para o bem estar da população.”

O presidente eleito acrescentou ainda que quer o valor do combustível mais barato. Porém, avaliou que os preços também levam em conta decisão dos governos estaduais. “Em grande parte, depende dos governadores, que colocam o ICMS lá em cima.”

Banco do Brasil

Para o Banco do Brasil, Bolsonaro admitiu que estuda o nome de Ivan Monteiro, que atualmente está no comando da Petrobras. Segundo ele, a equipe econômica não terá direito de errar e está sendo montada com nomes que já são testados no mercado.

O presidente eleito deu as declarações na portaria do condomínio onde mora, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ele saiu em um carro escoltado pela Polícia Federal pouco antes das 15h. O comboio voltou cerca de 30 minutos depois. Ele disse ter ido ao banco. “Eu sou um ser humano. De vez em quando eu falo para darmos um passeio aí, para poder sair de casa.”

Educação

Questionado sobre o Ministério da Educação, Bolsonaro afirmou que avalia com calma os nomes. “Desde muito tempo, [o Ministério da Educação] está aparelhado. Há um marxismo lá dentro que trava o Brasil.”

Bolsonaro disse que os governos do PT dobraram os gastos em educação e mesmo assim não houve melhoras nos índices: “a molecada não sabe fazer uma regra de três simples.”

Bolsonaro descartou a possibilidade de nomear a atual presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, como ministra. “Essa não esteve à frente dessa prova do Enem? Está fora. Não tem nem cartão amarelo. É vermelho direto.”

Flávio Dino critica Bolsonaro e diz que seu governo seria a “ruptura da ordem democrática”

Flávio Dino acredita que a agenda econômica apresentada por Bolsonaro representa a “destruição de instrumentos fundamentais para o desenvolvimento brasileiro”

Ao UOL, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), voltou a criticar a possível eleição do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. Em entrevista sobre a disputa presidencial, ele acredita que a agenda econômica apresentada por Bolsonaro representa a “destruição de instrumentos fundamentais para o desenvolvimento brasileiro”.

Para Dino, a ascensão de Bolsonaro pode fazer com que os apoiadores da democracia sintam “saudade de Michel Temer”, presidente mais impopular da história e que a eleição de Bolsonaro sinaliza “com uma possível ruptura da Constituição e da ordem democrática”

“Digo isso porque a agenda econômica que ele vai implantar vai rapidamente destruir a popularidade do governo. Na medida em que a popularidade desse hipotético governo cair muito rapidamente se amplia a instabilidade. E na medida em que amplia a instabilidade com esses personagens que são inconsequentes, que não medem as palavras e as atitudes, realmente é um risco agudo”, avalia.

“Bolsonaro e Mourão comendo churrasco”

Dino rechaça a possibilidade de Bolsonaro e Mourão ‘terceirizarem’ o poder ao economista Paulo Guedes, que o próprio candidato do PSL chama de “posto Ipiranga”. “Há uma ilusão da classe dominante brasileira de que Bolsonaro e Mourão vão entregar o país a esse Paulo Guedes, que vai fazer o que quer o tempo todo e vão só ficar comendo churrasco. Isso é uma grande bobagem”, defende.

Bolsonaro diz que só quem desconhece a Constituição critica 13° salário

Ele ainda classificou a crítica ao 13º como uma “ofensa” a quem trabalha

G1

O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta quinta-feira (27) em sua página no Twitter que só critica o 13º salário quem desconhece a Constituição. Ele ainda classificou a crítica ao 13º como uma “ofensa” a quem trabalha.

Em palestra nesta quarta (26) na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), o general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, defendeu pensamento liberal na economia e discursou contra fatores que, segundo ele, encarecem a contratação de mão de obra. Nessa fala, ele chamou o 13º de “jabuticaba”. No fim da tarde, divulgou nota na qual disse que teve a declaração intepretada de forma “equivocada” e de forma “descontextualizada” (leia mais abaixo).

“Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12, como é que nós pagamos 13? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil. Então, são coisas nossas. A legislação que está aí é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”, afirmou.

Nesta quinta (27), Bolsonaro publicou no Twitter: “O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição). Criticá-lo, além de uma ofensa a quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”.

Declaração ‘descontextualizada’

No final da tarde, a assessoria de Mourão divulgou nota na qual afirma que a declaração dele sobre o 13º salário foi “descontextualizada” ou “interpretada de forma equivocada”.

“O contexto foi em torno do planejamento gerencial necessário para que o 13º salário seja pago, ou seja, governos e empresários devem reservar, ao longo do ano, recursos de modo a fazer frente à despesa. Trata-se de um custo social, que faz parte do chamado custo Brasil”, diz o general.