Morre ex-ministro de José Sarney

Roberto Herbster Gusmão faleceu aos 96 anos, vítima de uma insuficiência respiratória

O ex-ministro da Indústria e Comércio do governo de José Sarney, Roberto Herbster Gusmão, faleceu, sábado (17), em São Paulo, aos 96 anos, vítima de uma insuficiência respiratória.

Além de integrar os quadros do governo Sarney, Gusmão foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e chefe da Casa Civil de Franco Montoro no governo de São Paulo.

Ele também foi um dos fundadores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O enterro aconteceu neste domingo, em São Paulo.

IstoÉ mostra o ostracismo político de Sarney

Hoje, aos 89 anos, o ex-presidente José Sarney vive no ostracismo e confessa: “O que me mantém vivo é escrever”.

Revista IstoÉ

Ele foi o político mais influente do Brasil nas últimas seis décadas. Já foi deputado, governador, presidente da República, senador e presidente do Senado por três vezes. Mas, nos últimos meses, a voz começou a ficar embargada, a mente já não flui como antigamente e os políticos, que faziam romaria à sua casa para aconselhamentos, desapareceram. Hoje, aos 89 anos, o ex-presidente José Sarney vive no ostracismo e confessa: “O que me mantém vivo é escrever”. O ex-presidente aproveita o tempo ocioso em sua mansão na Península dos Ministros – a área mais nobre de Brasília, onde estão instaladas embaixadas, residências de ministros, do presidente da Câmara e do Senado, entre outras – , avaliada em R$ 4 milhões, para escrever sua biografia, que já está com 800 páginas, mas que ele ainda nem sabe se vai publicar. Paralelamente, escreve textos para atualizar a segunda edição de “José Sarney, Bibliografia e Fortuna Crítica”, com 400 páginas, traduzidas para 12 idiomas. “Agora, eu só trato de livros”, diz o ex-presidente, que se orgulha também de ter lançado, em 2018, o “Galope à Beira-Mar”, no qual conta “causos” de sua infância em Pinheiro, interior do Maranhão, onde nasceu como José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.

Como só dorme em torno de quatro horas por noite, Sarney começa a dedilhar no computador por volta das 22h e depois lê até adormecer. Mais do que os cargos públicos que ocupou na mais longeva carreira política da história do País, Sarney diz se orgulhar dos livros que escreveu, como “Norte das Águas” e “Marimbondos de Fogo”, que o levaram à Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele também enaltece o “Saraminda”, que foi elogiado até por Claude Lévi-Strauss, descrevendo-o como “um belo livro” que o encantou.“Se eu tivesse de pedir a Deus, antes de nascer, se queria ser político ou escritor, sem dúvida escolheria a segunda opção. Tive mais alegria de ir para a ABL do que ocupar a presidência da República”, diz o ex-presidente.

O decano reconhece, porém, que deixou um grande legado para a política brasileira e não apenas para a literatura. Apesar de todos só lembrarem que no período em que foi presidente (1985-1990), o País viveu uma hiperinflação de 200% ao ano, foi no seu governo que consolidou-se a Constituinte. “Fiz a Constituição. Então, como é que eu sou a velha política? Repetindo o doutor Ulysses Guimarães: eu sou velho, mas não sou velhaco”, disse Sarney, que hoje vive confinado em sua casa em Brasília ou em São Luis, onde acabar de passar três meses. O antigo motorista de Sarney em Brasília, Antonio Martins, revela que o político vai para o Maranhão quando faz frio na capital federal, como aconteceu agora no inverno. “Dona Marly, sua esposa, que já está com 86 anos, não passa bem com o frio e aí eles se mudam para São Luis. Quando passa o frio aqui, eles voltam. O presidente retornou a Brasília neste sábado (9)”, explica à ISTOÉ.

Dona Marly, “mulher da vida toda”, é outra razão de viver de Sarney. Com saúde frágil, a ex-primeira-dama caiu e fraturou uma perna no ano passado. Fez uma delicada cirurgia, mas ainda tem dificuldades para andar. Assim, Sarney dedica boa parte do tempo a cuidar da esposa. Afinal, vivendo com aposentadorias de ex-presidente e ex-governador do Maranhão no valor de R$ 90 mil, Sarney é cercado por funcionários e de luxo. Até hoje alimenta o hábito de mandar comprar as frutas prediletas no Mercadão de São Paulo, que são despachadas para o Distrito Federal por meio das companhias aéreas. Apesar de manter um escritório em um dos maiores shoppings de Brasília, raramente Sarney o freqüenta. Afinal, cada vez ele se dedica menos à política e aos negócios do qual é proprietário no Maranhão, incluindo fazendas e veículos de comunicação, como jornal, rádios e emissora de televisão.

Na verdade, a velha raposa nunca quis saber do desempenho das empresas, que são administradas integralmente pelo filho Fernando Sarney e pela nora Tereza. Os outros dois filhos, Roseana e Zequinha, seguiram o pai e nunca se interessaram pela administração empresarial, preferindo seguir a carreira política. Roseana já foi governadora e senadora, mas não conseguiu novo mandato de governadora do Maranhão na eleição do ano passado, enquanto Zequinha, que foi até ministro, não se reelegeu deputado. Ambos, assim como o pai, vivem em viés de baixa na política.

O imortal

Quando lhe perguntam se sente-se velho e aposentado da política, ele responde sem pestanejar que “não”, embora não esconda que não tem mais ânimo para se dedicar ao dia a dia da vida partidária, já que ainda é o presidente de honra do MDB. Ele prefere dizer que põe em prática a receita de um dos grandes escritores que ele mais admira, Gabriel Garcia Márquez: refletir sobre o ocaso do tempo. Como bom hipocondríaco que é, contudo, Sarney se recusa a falar das dores que lhe acometem e nunca profere a palavra morte. Ele deseja cultuar a imortalidade que adquiriu com uma cadeira na ABL.

José Sarney participa de reunião do MDB de São Luís

O partido se prepara internamente para disputar as eleições da capital em 2020

O ex-presidente José Sarney participou de uma reunião do diretório municipal do MBD, em São Luís. O partido se prepara internamente para disputar as eleições da capital em 2020.

O partido pretende lançar de 30 a 40 candidatos a vereadores. O nome do ex-deputado federal, Victor Mendes, vem sendo debatido como um possível nome para a disputa pela prefeitura de São Luís.

Além da participação de José Sarney, também chamou atenção a presença do vereador de São Luís, Astro de Ogum, que busca uma legenda para disputar o cargo de prefeito ou vice-prefeito nas próximas eleições.

O presidente estadual do MDB no Maranhão, João Alberto, prometeu debater a possível candidatura de Astro pelo MDB.

Bolsonaro repete tática de Dilma e Sarney com desmatamento

Em apenas sete meses de governo, Bolsonaro já se envolveu em diversas polêmicas com ambientalistas, Ibama, ICMBio, Greenpeace e sobre agrotóxicos

O Antagonista

A briga de Jair Bolsonaro com o Inpe é mais uma tentativa de controlar os dados sobre o desmatamento no Brasil –prática antiga no governo, escreve Marcelo Leite na Folha.

Em 1988, no governo de José Sarney, houve tentativa de manipulação dos dados: números divulgados pelo então presidente omitiam 92,5 mil km² de área desmatada.

Em 2014, Dilma Rousseff obrigou que a divulgação dos dados do Deter –sistema que detecta desmatamento em tempo real– fosse adiada, para não prejudicar a sua reeleição.

Em sua coluna, Sarney comenta encontro com Flávio Dino

O encontro entre os dois políticos, adversários no Maranhão, aconteceu em Brasília

O ex-presidente José Sarney (MDB) usou sua coluna semanal no jornal O Estado, de sua propriedade, para comentar o encontro com o governador Flávio Dino (PCdoB).

“Jamais posso me desinteressar da situação nacional e maranhense. Estou escrevendo um livro sobre nossa conjuntura ‘O Brasil no seu Labirinto’. O Maranhão e seu povo estão em primeiro lugar, e é bom que tenhamos uma política respeitosa, civilizada e democrática”, escreveu.

O encontro entre os dois políticos, adversários no Maranhão, aconteceu em Brasília e serviu para comentar o contexto político nacional e sobre a democracia.

“Graças a esse meu jeito de ser, qualidades que Deus me deu, conquistei essa vida. Posso dizer, como Lincoln, que nunca cravei por meu desejo espinho algum no peito de ninguém. Napoleão dizia que ‘a política é destino, a literatura, vocação’, Dividi-me entre as duas”, concluiu o ex-presidente.

Flávio Dino nega acordo político com Sarney após encontro

Flávio Dino esteve com Sarney no dia 26 de junho, encontro que o governador apresentou uma avaliação de que a democracia brasileira corre perigo

O governador Flávio Dino (PCdoB) falou sobre a visita que fez ao ex-presidente José Sarney (MDB), em entrevista ao Jornal Pequeno. Segundo Flávio, no encontro não foi definido nada sobre acordo político em âmbito regional, muito menos sobre as eleições de 2020.

“Regionalmente, não há nenhum desdobramento. Ou seja: houve algum tipo de conversa sobre política do Maranhão? Não. Houve algum tipo de acordo sobre política do Maranhão? Não. Há algum desdobramento prático para as eleições vindouras? Também não. O intuito não é este“, disse Flávio Dino.

Flávio Dino esteve com Sarney no dia 26 de junho, encontro que o governador apresentou uma avaliação de que a democracia brasileira corre perigo.

“Sarney, seu grupo político, no plano regional, é nosso adversário. Mas nacionalmente já atuamos juntos em outros momento, como, por exemplo, no apoio ao ex-presidente Lula“, completou Flávio eu explicar o motivo de sua visita.

A entrevista de Sarney, o conceito de verdade e as mentiras que antecederam os fake news

Na entrevista ao Correio Braziliense, Sarney coloca no centro da crise o desmanche institucional dos três poderes e a ascensão deletéria do 4º poder, o Ministério Público

Foi excepcional a entrevista do ex-presidente José Sarney a Ana Dubeux e Denise Rothenburg, do Correio Brasiliense. Sarney é um dos melhores analistas dos ventos políticos, não apenas o dia-a-dia da política, mas das modificações trazidas pelas transformações sociais e tecnológicas.

Sarney tem uma capacidade de análise que, por exemplo, falta a Fernando Henrique Cardoso.  Em cada tema, sabe identificar o ponto central e ter a explicação lógica para encaixá-lo no cenário mais amplo. É até curioso esse paradoxo, do político tido como paradigma do coronel político formular a análise mais sofisticada, enquanto o “Príncipe”, representante da inteligência paulistana não consegue sair dos bordões midiáticos, nesse jogo de “in” e “out” que caracteriza a pauperização do debate político. Falar em combater a pobreza é “in”. Combater a pobreza é “out”.

Em 2009 tive uma conversa com Sarney, na qual analisou com maestria a perda de influência do político para as organizações que surgiam da sociedade e da mídia para as novas formas de comunicação. Em plena pré-campanha eleitoral de 2010, cantou o fim do PSDB, por usar como única arma o discurso do ódio. O fenômeno das redes sociais ainda não se alastrara, não havia Lava Jato nem a epidemia dos fake news, presentes na nova análise de Sarney.

Na entrevista ao Correio Braziliense, Sarney coloca no centro da crise o desmanche institucional dos três poderes e a ascensão deletéria do 4º poder, o Ministério Público, e da pós-verdade, os fake news das redes sociais, que acabaram com a “verdade”. Não aprofunda o que seria esse conceito, a “verdade” antes dos fake news. E reside nesse conceito, da transformação de dogmas em “verdades”, da incapacidade de se ter uma visão sistêmica dos problemas nacionais, a raiz dos problemas brasileiros, a enorme dificuldade de renovar conceitos, de sofisticar análises, de interpretar a realidade.

A discussão pública brasileira jamais conseguiu ir além do bordão, do alvo único. Governar é abrir estradas; ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil; se um ajuste fiscal rigoroso derruba a economia, um mais rigoroso ainda trará o desenvolvimento. As análises dos “especialistas” sempre se moldaram aos interesses imediatos dos patrocinadores, pautando todas as discussões no período. E, como sempre havia uma intenção política por trás do debate público, amoldava-se a realidade e as teorias aos interesses dos patrocinadores.

Quando o receituário de Joaquim Levy fracassou, uma loucura de impor choques tarifários, cambial, fiscal, trancamento de crédito e explosão de juros simultaneamente, a alegação dos economistas é que não havia radicalizado o suficiente. E essa “verdade” era aceita pelo sistema, sem nenhuma necessidade de impulsionamento pelas redes sociais. Derruba-se Dilma, porque bastaria sua queda para tudo ser resolvido, e impõe-se a loucura draconiana da Lei do Teto, do desmanche da legislação trabalhista, sempre com a promessa futura de entregar o crescimento.

De lá para cá, aplicou-se a fórmula mágica do ajuste fiscal pró-cíclico. A economia atravessa o mais prolongado processo de recuperação da história e insiste-se na mesma fórmula mágica. Enfim, antes que a “verdade” fosse destruída pelas “verdades” dos fake news , o país já estava exposto ao imediatismo, ao pensamento primário, a ponto da “racionalidade” do mercado apostar em um completo imbecil para dar ao Brasil o destino manifesto. (Por Luis Nassif).

Sarney diz que ‘Bolsonaro está no meio de um furacão’

José Sarney em entrevista ao jornal Correio Brasiliense

Em entrevista ao jornal “Correio Braziliense”, o ex-presidente José Sarney disse não saber qual é a nova política de Jair Bolsonaro, embora não tenha dúvidas de que o presidente aposte na “ameaça do caos”.

“Ele [Bolsonaro] está colocando todas as cartas na ameaça do caos. O presidente é quem deve se adaptar à cadeira e não a cadeira ao presidente”, disse Sarney, que recentemente completou 89 anos.

As palavras de Sarney soam como um alerta. “Bolsonaro está no meio de um furacão. Pela primeira vez, estamos num momento em que é imprevisível. Fratura no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Todas essas estruturas estão trincadas”, comentou o ex-presidente.

Sarney falou da relação de Bolsonaro com o Congresso Nacional. “A política é a arte do possível. Eu acho que tem que se lidar com realidades, e a realidade atual é que o presidente não tem maioria consolidada dentro do Congresso, nem nós temos hoje partidos, nem lideranças políticas, e vivemos uma crise muito grande.”