Partidos correm para filiar dissidentes do PSL

Patriota, PL e Republicanos buscam filiar seguidores de Bolsonaro que pretendem abandonar o PSL

Com a avaliação de que o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores enfrentam dificuldades para viabilizar, a tempo das eleições de 2020, o Aliança pelo Brasil, dirigentes partidários se movimentam para abrigar pré-candidatos alinhados ao governo e, assim, absorver o capital político bolsonarista. Ao vislumbrar um cenário em que não existirá um partido bolsonarista nas urnas, Patriota, PL e Republicanos buscam filiar seguidores de Bolsonaro que pretendem abandonar o PSL.

A coordenação do Aliança já indicou que, caso não consiga obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até março, deve liberar seus pré-candidatos para entrarem nos partidos que quiserem. Segundo um dirigente envolvido na criação do partido, não é do interesse dos bolsonaristas negociar um acordo com uma única sigla. A intenção é evitar um “novo PSL”, que resulte em brigas internas e dissidências. Reportagem do Estado publicada no domingo (2), mostrou que a busca pelas 491,9 mil assinaturas para formalizar a legenda tem enfrentado ritmo lento.

“A gente tem vários pré-candidatos em várias cidades e alguns partidos têm se mobilizado para tentar atrair esses pré-candidatos caso a Aliança não saia a tempo. Um deles é o Patriotas, o outro é o PRB (hoje Republicanos) e o PRTB também. Esses são os três que mais têm chamado as pessoas que eu conheço”, diz a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), seguidora da família Bolsonaro.

No Patriota, uma ala da direção defende fazer movimento semelhante. Integrantes da Executiva nacional consideram absorver tanto os insatisfeitos do PSL que já detém mandato, quanto pré-candidatos hoje em tratativas com o Aliança. Com cinco cadeiras na Câmara dos Deputados, a intenção do partido é viabilizar um grande crescimento neste ano.

Internamente, no entanto, o abrigo aos bolsonaristas do Aliança é motivo de cautela. A principal preocupação é garantir que, caso alguns dos candidatos sejam eleitos e o Aliança seja efetivamente criado, o Patriota não sofra uma debandada.

TSE aprova incorporação do PRP ao Patriota


A partir de agora, as legendas serão identificadas como Patriota

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade na manhã desta quinta-feira (28/3) a incorporação do Partido Republicano Progressista (PRP) e o Patriota (Patri). A partir de agora, as legendas serão identificadas como Patriota.

O PRP não alcançou a cláusula de barreira nas últimas eleições, e por isso, estava ameaçado. Na sessão, os ministros entenderam que o cumprimento ou não da cláusula será verificado na ocasião do repasse das verbas do Fundo Partidário.

O TSE também acrescentou que, com a fusão, o Patriota também passará a assumir as dívidas do PRP. O partido teve a prestação de contas referentes a 2012 e 2013 aprovadas com ressalvas, e terá que devolver R$ 200 mil aos cofres públicos com recursos próprios.

A possibilidade de incorporação está descrita no artigo 2º da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995), segundo o qual “é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos cujos programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”.

Patriota anuncia fusão com o PRP

Juntos, os partidos ultrapassam a cláusula de barreira com mais de 2,3 milhões de votos para deputados federais

O Patriota e o Partido Republicano Progressista (PRP) anunciaram a fusão das duas legendas. Em nota, o presidente nacional do Patriota, Adilson Barroso Oliveira, diz que a incorporação já foi averbada junto ao registro civil de ambos os partidos e encontra-se em fase final de homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral. O motivo é que juntos eles podem cumprir a cláusula de barreira e, desta forma, ter acesso ao fundo partidário.

O Patriota lançou neste ano o deputado Cabo Daciolo como candidato à Presidência da República. Ele foi derrotado no primeiro turno. O partido elegeu cinco deputados. Já o PRP emplacou um senador, Jorge Kajuro, de Goiás, e quatro deputados, entre eles a advogada Bia Kicis, que deve migrar para o PSL, de Jair Bolsonaro.

Com a fusão, o Patriota absorve o PRP e, desta forma, prevalecerá o nome e o número (51) da primeira legenda. Oliveira continua sendo o presidente nacional, enquanto Ovasco Resende, ex-presidente nacional do PRP, assume a 1ª vice-presidência.

Juntos, os partidos ultrapassam a cláusula de barreira com mais de 2,3 milhões de votos para deputados federais.