Nossos médicos que me desculpem…

Faltam médicos no interior do país e até nos
 plantões da rede pública, nas capitais brasileiras
Yes, nós temos cubanos, portugueses e que venham muito mais. A classe médica que me desculpe, mas sou a favor do programa “Mais Médicos”, implantado pelo governo federal para suprir a demanda nos pontos mais extremos do Brasil, nos subúrbios e na rede pública, assim como a maior parte da população brasileira que conhece o drama da falta desses profissionais no interior do país e até mesmo nas capitais, onde há muitas ausências nos plantões ou mesmo “atrasos” que comprometem o atendimento daqueles que estão com algum problema de saúde.

A questão da falta de médicos no interior do país parece ser ainda mais grave. A maioria dos nossos profissionais prefere trabalhar nas capitais por conta de suas comodidades.    Cito aqui o caso da cidade de Imperatriz, que é relativamente grande, no Maranhão, onde chegou-se a oferecer um super salário de R$ 30 mil para pediatra intensivista, em todo o Brasil, e nenhum candidato do país se apresentou para a vaga.   Problema esse que se repete na maioria dos estados brasileiros, infelizmente.

No interior maranhense, assim como em todo o país, pessoas em estado extremamente grave ou somente com fraturas têm que sair de suas cidades para a capital mais próxima, porque, se há alguma estrutura para cirurgias, não há médicos especialistas e nem sem especialização para operar o paciente. E quando chega à capital mais próxima, por exemplo, aguarda mais um longo período por vagas e profissionais na rede pública e até mesmo na rede particular que também está entrando em colapso.

O X da questão – Claro que só trazer médicos do exterior não vai resolver todo o problema, porque falta também estrutura e condições de trabalho, mas trará um conforto melhor aos que da saúde pública necessitam. Os profissionais estrangeiros estão chegando aos poucos ao país; vão passar por um treinamento e começam a atuar em setembro. Não poderão trabalhar fora da rede pública e serão pagos pelos governos de seus países, conforme repasses feitos pelo Brasil.
É preciso destacar, ainda, que a distribuição regional desses profissionais no Brasil é muito heterogênea, considerando que 21 estados têm números abaixo da média nacional, ocorrendo flagrante de falta de médicos em diversas regiões do país. Essa carência é agravada principalmente nos municípios que têm baixos níveis de receita pública per capita e alta vulnerabilidade socioeconômica.

A dificuldade enfrentada para a contratação e fixação de médicos não se limita à atenção básica. O Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou no relato de gestores de hospitais a necessidade de pediatras (32,1%), anestesistas (30,5%) e psiquiatras (28,8%).

Condições de trabalho e reavaliação – A verdade é que o governo brasileiro não está errado ao trazer os médicos estrangeiros para atuar no interior do país, até porque os nossos preferem ficar nas capitais e nos centros mais avançados,  mas deve, no entanto, oferecer estrutura para esses profissionais que não poderão fazer milagres sem as mínimas condições de trabalho. 

Defendo ainda uma reavaliação para esses profissionais estrangeiros. Afinal, precisaria-se saber se estão atualizados e capacitados para exercer mesmo a medicina. Com essas ressalvas, eu sou totalmente a favor do Programa “Mais Médicos” com sinceras desculpas aos nossos médicos brasileiros.

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