Haddad diz que faltou controle interno nas estatais nos governos do PT

Fernando Haddad admitiu erros de governos do PT no combate à corrupção

G1

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, admitiu neste sábado (13) que nos governos do PT faltou controle interno nas estatais e que diretores ficaram soltos para promover corrupção.

No fim da manhã, Haddad foi até o extremo oeste de São Paulo, na divisa com o município de Osacos. Ele participou de um encontro com jovens de movimentos culturais da periferia, que trabalham com hip hop, literatura e folclores.

O bairro surgiu há 28 anos, a partir da construção de um conjunto habitacional. Ainda hoje tem moradias precárias e é carente de espaços culturais. Os moradores pediram a Fernando Haddad mais investimento em edução, cultura e moradia.

O candidato prometeu destinar recursos para os artistas da periferia e acelerar a construção de casas populares.

“O programa Minha Casa, Minha Vida está parado , tem 40 mil casas para serem concluídas, paradas. A primeira providência nossa é fixar meta de 500 mil unidades por ano, no mínimo. Ao fim de quatro anos, queremos entregar 2 milhoes de casas novas para a população. Com uma diferença: vamos pegar todas as terras públicas das grandes cidades e vamos doar pro Minha Casa, Minha Vida. Aí o beneficiário vai poder morar mais perto do trabalho”, disse Haddad.

Na sequência, Haddad também admitiu erros de governos do PT no combate à corrupção.

“Faltou controle interno nas estatais. Isso é claro. Diretores ficaram soltos para promover corrupção e enriquecer pessoalmente”, disse.

Questionado sobre a possível participação de dirigentes do partido nos crimes, respondeu: “Aí é pior. Se algum dirigente cometeu erros. garantido amplo direito de defesa, mas se concluir que alguem enriqueceu, tem que ir pra cadeia, com provas”.

Bolsonaro

O candidato do PT convocou mais uma vez o adversário Jair Bolsonaro (PSL) a debater. O candidato do PSL tem adiado a participação em debates devido a recomendações médicas, após ter sido alvo de um ataque com faca em 6 de setembro.

“Quem não tem proposta, não tem o que debater. Lamento, porque alguém que queira presidir o país, tem de ter projeto para o país. Não pode passar incólume. Tem que passar pelo crivo do debate, do contraditório, inclusive para esclarecer o que ele vem dizendo, para pleitear a Presidência da República. Acho que não tem paralelo na história do Brasil alguém que chegou à Presidência sem participar de um debate”, afirmou.

Haddad recebe ato de apoio e defende reformas bancária e tributária

Para Haddad, a reforma tributária deve prever aumento de impostos a grandes fortunas e zerar os impostos para quem ganha até cinco mínimos

Em entrevista para âncoras de 90 rádios nordestinas, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, defendeu as reformas nos sistema tributário e bancário brasileiro. Segundo ele, é necessário taxar os bancos, que cobram juros altos, regulamentando e reformulando o sistema. “Sem reforma bancária e sem reforma tributária, a economia não vai reagir”, disse ele em Brasília.

Para Haddad, a reforma tributária deve prever aumento de impostos a grandes fortunas e zerar os impostos para quem ganha até cinco mínimos. “Com isso o poder de compra vai aumentar, isso vai aquecer a economia que é o caminho para arrecadar mais”. Segundo ele, os “milionários” é que devem pagar mais tributos.

Ao deixar o local da entrevista, na região central de Brasília, o candidato foi cercado por algumas dezenas de simpatizantes e apoiadores. Ele recebeu abraços e tapas nas costas, ouviu palavras com desejos de sorte e estímulo para a campanha neste segundo turno. O ato de apoio incluiu cânticos e referências ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Corrupção

Na entrevista, Haddad disse que, uma vez eleito, vai apoiar o Judiciário, a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal no combate à corrupção. De acordo com ele, serão investidos mais recursos em um sistema associado ao aperfeiçoamento de gestão e tecnologia de ponta: “Temos que fazer uma gestão muito mais integrada com estados e municípios do que agora”

Programas sociais

Em um futuro governo, Haddad afirmou que construirá mais 2 milhões de unidades do programa Minha casa, Minha vida. Ele pretende, no entanto, construir as casas mais próximas dos centros urbanos: “Nós vamos construir casas mais próximas da cidade, para isso nós vamos usar os terrenos da união em todas as capitais brasileiras.”

Haddad disse que, uma vez eleito, vai utilizar 10% das reservas cambiais em projetos de energia solar e eólica no Nordeste. Segundo ele, o governo Lula acumulou cerca de US$ 400 bilhões em reservas cambiais.

“Nós vamos usar 10% para energia eólica e solar no Nordeste para gerar energia a custo baixo. Vai ser o maior programa de geração eólica e solar da história do país”, afirmou o candidato, reiternado que até o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o “Nordeste era uma área esquecida”. “O Nordeste continua colhendo os frutos da política que nós adotamos”, disse.

Flávio Dino defende frente ampla contra Bolsonaro

Flávio Dino reforçou o compromisso de Haddad com à democracia, na esteira dos demais governos progressistas desde a redemocratização

Em entrevista à Rádio CBN nesta quarta-feira (10), o governador reeleito no Maranhão, Flávio Dino, defendeu o apoio de partidos e candidatos de esquerda em torno de Fernando Haddad para enfrentar Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições à presidência.

“Movimentos de aliança em torno do Haddad ajudam a demonstrar de que se trata de uma frente ampla contra uma posição extremista de direita, ditatorial, que ataca pessoas no meio da rua”, frisou Flávio Dino.

Para ele, a candidatura do PT não é mais exclusiva do partido, pois expressa anseios de vários setores sociais. Flávio Dino aponta o PDT de Ciro Gomes se juntou nessa aliança, assim como o PSB, em apoio declarado à Haddad nesta terça-feira (9).

Dino se referiu à trajetória comum entre o brizolismo, o trabalhismo e as correntes populares nacionais democráticas, para justicar o apoio do PDT,. a exemplo do que fez o PSB.

Segundo Flávio, os desafios da frente ampla estão em desconstruir a falsa polarização entre as duas candidaturas, e defender uma agenda positiva, de propostas e soluções para a vida prática da população, onde o candidato do PT obteria vantagens.

“Nós temos que fugir do lugar comum que Haddad e Bolsonaro são dois extremos. Não são”, enfatiza. “A candidatura extremista, sem dúvida alguma, é demostrada pelo uso da violência, por ataques à liberdade de imprensa, por ideias esdrúxulas”, completou, se referindo à campanha de Bolsonaro.

Dino reforçou, ainda, o compromisso de Haddad com à democracia, na esteira dos demais governos progressistas desde a redemocratização. “Todas as vezes que a esquerda chegou ao governo foi por intermédio do voto popular e nunca houve uma virada de mesa”.

O mesmo, reitera, não pode se dizer em relação a Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão, “que tem demonstrado, por intermédio de declarações, que é contra a Constituição de 88”, que deve ser preservada, por se tratar de “um pacto civilizatório fundamental”.

Agenda positiva

Dino enfatizou a importância de promover uma agenda próxima do cidadão atualmente preocupado com questões práticas fundamentais, como emprego e segurança pública. Essa agenda real da campanha tem sido desviada pelas fake news, na opinião do governador.

“Nós temos que trazer o debate para esses pontos concretos, porque aí se evidencia que o Haddad tem propostas, claras e muito melhores, do que aquelas que o candidato Bolsonaro pode apresentar”, afirmou.

Em relação à segurança, Flávio Dino sugere a criação de uma força nacional permanente para auxiliar as polícias estaduais, como contraproposta ao armamentismo defendido pela chapa adversária.

“Segurança pública precisa de armas, a questão é nas mãos de quem. Existem profissionais treinados para manusear armas. Qualquer sociedade que optou por outro caminho aumentou a violência”, finalizou o governador do Maranhão.

Eleitor recusou parte da elite da política tradicional, diz cientista

Eleitores na fila. Foto: Marcelo Camargo

Agência Brasil 

O eleitor deu um “basta em parte da elite da política tradicional” no primeiro turno da eleição de 2018, na análise do cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jairo Nicolau. Nicolau e outros cientistas políticos participaram, hoje (8), do Debate dos Resultados das Eleições 2018, organizado pela Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro.

De acordo com o cientista político, uma série de fatos que ocorreram desde o início da Operação Lava Jato, como a prisão de parlamentares e a difusão de aspectos negativos sobre a política em redes sociais levaram, a este sentimento do eleitor. “Isso tudo foi dando ao eleitor brasileiro uma sensação de enfado e de rejeição à política tradicional que apareceu com uma força incrível”, disse.

Segundo Nicolau, embora não se possa generalizar, o eleitor preferiu votar em figuras novas, rejeitando a política tradicional e os partidos mais conhecidos. “Políticos tradicionais tiveram muita dificuldade. Em alguns estados isso teve casado, como no Rio de Janeiro para o Senado e nas assembleias, e, em São Paulo, para o Senado. Há claramente uma rejeição à política tradicional, aos partidos mais importantes, que comandaram a política aqui [no Rio] durante tanto tempo”, disse.

Bolsonaro

Outro fator destacado pelo professor no cenário da eleição de 2018 foi o crescimento do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, que favoreceu o fortalecimento da bancada do seu partido na Câmara, no Senado e nas assembleias estaduais.

Para o professor, diante do desempenho do PSL na eleição para deputados federais e senadores, a tendência é que haja uma migração de parlamentares no futuro para a legenda, especialmente, de integrantes de partidos que tiveram poucos eleitos em 2018.

“Os holofotes estão sobre o PSL. Os deputados cujos partidos não alcançaram a cláusula de 1,5% [de votos para ter acesso a recursos como fundo eleitoral e partidário e tempo de propaganda] têm a proteção legal para migrarem ano que vem quando abrir a janela de troca em 2020, aí todo mundo pode trocar”, disse.

PT

Na visão do cientista político da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV Ebape), Octavio Amorim Neto, o PT errou ao fundir a campanha eleitoral de Fernando Haddad à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril em Curitiba.

“Havia várias questões no processo [do ex-presidente Lula] que poderiam ser eventualmente usadas na campanha, mas tinha que haver uma separação organizacional, política, tática e doutrinaria entre a campanha presidencial do candidato do PT, muito provavelmente o Haddad, e a defesa do ex-presidente Lula. O que houve foi a fusão radical desses dois movimentos, o que fortaleceu o antipetismo, o que na minha opinião, tornou-se a maior força política no país hoje em dia. E quem encarnou o antipetismo foi o Bolsonaro e não o PSDB”, disse.

Choque inédito

Segundo o cientista político do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Gwetulio Vargas (FGV CPDOC), Sérgio Praça, o sistema eleitoral brasileiro nunca sofreu uma mudança semelhante à que ocorreu no primeiro turno da eleição de 2018. Como exemplo, ele citou a redução de 31 parlamentares do MDB na Câmara Federal e a derrota de figurões do Senado, entre eles, Romero Jucá (MDB-RR), e políticos envolvidos com a Lava Jato, que não foram eleitos. “É realmente uma coisa simbólica muito marcante”.

Outra questão que vai pautar o presidente eleito, será o combate à corrupção. De acordo com o professor, vai ser algo delicado e qualquer dos dois que assuma, vai ter que saber lidar com isso. Ele destacou, no entanto, que caso o eleito seja Bolsonaro, ele precisará negociar com os parlamentares que integram partidos do chamado Centrão, que são resistentes à Operação Lava Jato e a medidas contra a corrupção.

“O centrão e os partidos mais implicados com os escândalos vão ter também que aceitar que o eleitor puniu muito na eleição e entender que vão ter que mudar se quiserem eleição daqui a quatro anos”, concluiu.

Líderes, PT e PSDB perdem mais de 30% dos votos para senador; PSL dispara e fica em 3º lugar

Já o PSL desbancou o MDB e passou a ocupar o 3º lugar, com uma alta de mais de 4.200% no número de votos

O PT e o PSDB seguem como campeões de votos para senador em todo o país, mas os dois partidos tiveram quedas de mais de 30% neste ano em comparação com 2010, quando 54 vagas também foram disputadas para o Senado, apontam dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Já o PSL desbancou o MDB e passou a ocupar o 3º lugar, com uma alta de mais de 4.200% no número de votos.

O PT de Fernando Haddad (no 2º turno da disputa presidencial) elegeu quatro senadores neste ano e teve uma queda de 37,1% no número de votos. Há oito anos, a sigla recebeu 39,4 milhões de votos nos candidatos a senador; já em 2018, foram 24,8 milhões. Mesmo assim, o PT se mantém como o partido que mais recebeu votos na disputa.

O PSDB, que ocupava a segunda posição em 2010 e continua a ocupar em 2018, também teve uma queda grande no número de votos: 34,3%. O partido também elegeu quatro senadores neste ano.

Já o PSL, do presidenciável Jair Bolsonaro, seguiu a tendência de maior participação partidária nestas eleições e teve uma alta de 4.247% no número de votos recebidos para senador. Em 2010, a sigla recebeu apenas 446,5 mil votos; já em 2018, foram 19,4 milhões. O partido elegeu quatro senadores.

O MDB, que em 2010 foi o terceiro partido a receber mais votos, teve uma queda de 46,7% e foi ultrapassado pelo PSL. Foram quase 24 milhões em 2010 contra 12,8 milhões em 2018.

Apesar de ter recebido bem menos votos que o PT, o PSDB e o PSL, porém, o MDB conseguiu eleger mais senadores que estes partidos: foram sete no total. Isso quer dizer que os votos dos outros partidos foram mais pulverizados entre seus candidatos que os do MDB, que teve uma maior concentração de votos em menos candidatos.

Bolsonaro cita o Maranhão e diz que, caso eleito, vai tratar estados sem diferença política

Nem Bolsonaro acredita mais em Maura Jorge

O candidato à Presidência da República, deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), concedeu entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, nesta sexta-feira (5). Ele dirigiu seu discurso especialmente ao povo nordestino. Em uma pergunta do apresentador, o presidenciável citou o Maranhão – que tem tudo para confirmar a reeleição do governador do PCdoB, Flávio Dino, segundo pesquisas – e garantiu que, caso seja eleito, todos os estados serão tratados de forma igualitária, independente do partido de seus eleitos ou reeleitos.

Na entrevista, apesar de ter candidata de seu partido ao governo, no caso a ex-prefeita Maura Jorge, Jair Bolsonaro se referiu ao PCdoB como partido que, possivelmente, deve reeleger o seu candidato, no caso o governador Flávio Dino.

Ou seja, nem Bolsonaro acredita mais em Maura Jorge.

Ao ser questionado sobre como sua gestão trataria os futuros governadores do Nordeste, que devem ser na maioria petistas e do PCdoB, Bolsonaro afirmou que não se pode prejudicar a população em função de coloração partidária. “Isso seria desumano, desleal e antidemocrático”, disse o presidenciável.

O candidato frisou que o povo brasileiro é um só e afirmou que prega a união de todos há muito tempo.

Bolsonaro falou que no seu governo aplicará o lema “menos Brasília e mais Brasil”, onde estará mais presente nos estados e destinará mais recursos para os governos estaduais, para as prefeituras, onde de fato é a ponta da problemática e onde tem mais contato com a população, tudo isso, independente do partido político.

Nordestinos e Bolsa Família

Bolsonaro falou que muitas pessoas inventam que ele seria contra os nordestinos, o que seria uma inverdade. Do mesmo jeito que circula por muitos meios de comunicação que ele seria contra o Bolsa Família, o que o candidato também tratou de negar.

O candidato encerrou afirmando que a grande surpresa positiva virá do Nordeste e que está muito confiante com a votação em todos os estados nordestinos.

Sob pressão, PT busca evitar ‘onda Bolsonaro’ com contra-ataque via WhatsApp

Haddad em entrevista coletiva nesta quarta em São Paulo: “É grave o que está acontecendo no WhatsApp”. N. Almeida

El País

O crescimento de Jair Bolsonaro (PSL), de 28% para 32%, e a estagnação de Fernando Haddad (PT)em 21% nas intenções de voto apontados pelo Datafolha desta terça-feira, reforçaram o que o Ibope já havia mostrado um dia antes, mas foram recebidos com surpresa pelo Partido dos Trabalhadores. Até mesmo no Nordeste, onde o PT tem tradicionalmente um eleitorado fiel, e é única região onde Haddad lidera, o capitão reformado cresceu quatro pontos (20%), chegando mais perto dos 36% do ex-prefeito paulistano. No núcleo duro do PT, ninguém esperava por esses números, que interromperam um sentimento de otimismo dentro do partido e fizeram a direção da campanha mudar de rumo a poucos dias do primeiro turno.

Segundo um aliado próximo a Haddad, até os resultados dos levantamentos feitos pelo Ibope e pelo Datafolha serem conhecidos, havia a expectativa de que o presidenciável do PT poderia chegar no segundo turno tecnicamente empatado com Bolsonaro. Nesta semana, essa perspectiva foi abandonada e hoje é dado como certo que o petista avançará em segundo colocado. Dentro do partido, a expectativa é que teto de votos de Haddad na primeira rodada seja de cerca de 25% do eleitorado.

Para tentar estancar o crescimento de Bolsonaro e impulsionar Haddad, o tom propositivo e conciliador que o PT vinha adotando até o momento serão deixados em segundo plano e substituídos por um tom mais agressivo. Até agora, a estratégia petista era em torno de colar a imagem de Haddad, desconhecido para grande parte do eleitorado, à do ex-presidente Lula, preso desde abril acusado de corrupção. Com a mudança de estratégia, o PT passa a usar todo seu arsenal de ataques, até então guardado para o segundo turno. Nesta quarta-feira, o presidenciável passou o dia em São Paulo gravando uma nova leva de programas com o foco na desconstrução de seu principal rival.

Os novos programas vão centrar fogo em Bolsonaro a partir de três eixos. O primeiro, será apresentar Haddad como o candidato que defende os direitos humanos, contra um adversário que faz apologia à tortura e a torturadores. A estratégia também focará em dizer que Bolsonaro ameaça os direitos sociais dos trabalhadores, tanto pelo seu apoio à reforma trabalhista quanto pelas declarações de seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão, que criticou o 13° salário.

Há um debate ainda dentro da campanha do PT sobre deixar de lado alguns assuntos que são tidos como prejudiciaispara a candidatura de Haddad. Um deles, é a defesa da convocação de uma Constituinte, algo que tem sido utilizado por adversários para colar no petista a etiqueta de radical de esquerda –a proposta faz parte do programa de Governo. Ele também deve evitar ao máximo o espinhoso tema de um possível indulto ao ex-presidente Lula.

Sem nenhum tempo a perder, parte dessa nova estratégia já foi colocada em prática. Nesta quarta-feira, ao menos três vídeos do PT começaram a ser compartilhados nas redes sociais atacando seu rival. Um deles, diz para o eleitor não votar “em quem sempre votou contra você”, mencionando o Fundo de Combate à Pobreza, votação na qual o deputado Bolsonaro foi o único contra, e a reforma trabalhista, na qual ele votou a favor. Em outro, usa depoimentos de Amélia Teles, ex-presa política, que narra com detalhes as torturas vividas na prisão, comandadas pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, durante a ditadura. Ustra, morto em 2015, foi homenageado por Bolsonaro no dia em que o deputado proferiu seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. E é, até hoje, idolatrado pela campanha do presidenciável do PSL. “Torturador não pode ser herói”, diz a campanha do PT.

Zap do Lula

Além do ataque, a tática eleitoral do PT investe na defesa. Na avaliação do comitê de Haddad, parte do crescimento de Bolsonaro pode ser explicado pela intensa campanha que aliados do candidato do PSL vem promovendo via WhatsApp, principalmente com posts de cunho conservador nos costumes. Isso pode ter servido, dizem, como uma espécie de reação às manifestações do #EleNão no sábado, a partir de mensagens que associam Haddad ao movimento feminista e LGBT e têm forte ressonância negativa no eleitorado mais pobre e conservador.

Para Paulo Calmon, cientista político da Universidade de Brasília (UNB), o movimento do fim de semana pode ter ajudado o eleitor de Bolsonaro a “assumir” seu voto. “Vários eleitores estavam se guardando para se manifestar no segundo turno”, diz. “Mas, assustados com os movimentos de rua, apoiaram publicamente Bolsonaro. Além disso, tem uma forcinha das igrejas evangélicas que explicam o crescimento dele no Nordeste e nas áreas mais pobres”, diz. No sábado, véspera do debate entre presidenciáveis na Record, o bispo Edir Macedo publicou um post em seu Facebook em apoio a Bolsonaro.

Na tentativa de uma contraofensiva, o PT criou um canal de WhatsApp para receber denúncias de notícias falsas que circulam pelo aplicativo, relacionadas à sua campanha. Segundo o partido, em 12 horas, o Zap do Lula recebeu 5.000 denúncias de fake news, boatos e calúnias. Dentre os exemplos anunciados pelo PT, estão as notícias falsas de que Haddad teria dito que crianças com mais de cinco anos seriam propriedade do Estado, e que o ex-ministro decidiria compulsoriamente sobre seu gênero.

Com essa estratégia, o PT entra tarde em um campo praticamente dominado por seu rival. Na semana passada, reportagem do EL PAÍS mostrou que o WhatsApp é a principal plataforma para a campanha de Bolsonaro para manter a base mobilizada. Acompanhamento de três destes grupos mostrou que neles se difundem mentiras camufladas como notícias, tentativas de contrapor publicações negativas da imprensa e até falsos apoios de celebridades à candidatura do PSL. O universo do aplicativo é amplamente explorado pelos eleitores do capitão reformado. Segundo o Datafolha, 61% eleitores de Bolsonaro se informam pelo WhatsApp. Entre os eleitores de Haddad, esse percentual ficou em 38%. Ainda de acordo com o instituto, 40% dos eleitores de Bolsonaro se dizem dispostos a distribuir material de campanha via WhatsApp, contra 22% dos eleitores do pestista.

“Houve um aumento grande de grupos relacionados a Bolsonaro nas últimas semanas”, diz Fabrício Benevenuto, professor do departamento de Ciência da Computação da UFMG e criador do projeto Eleições sem Fake, que monitora o uso desse aplicativo. “Antes, era mais distribuído entre outros candidatos, mas agora é muito mais pró-Bolsonaro”. Seis em cada dez brasileiros admitem que já acreditaram em boatos, o maior índice nos 27 países incluídos em uma pesquisa da Ipsos feita entre 22 de junho e 6 de julho.

Primeiro turno

O grande temor do PT, de que a eleição se resolva já no primeiro turno, tem chances pequenas, porém factíveis de ocorrer. Segundo o Datafolha desta terça-feira, Bolsonaro precisaria de mais 12 pontos percentuais de votos para vencer sem uma nova disputa no dia 28 de outubro. O mesmo levantamento mostra que 13% dos eleitores votam em branco, nulo ou estão indecisos.

O que preocupa a campanha petista é que não somente Haddad estagnou, como também sua rejeição saltou, de 32% para 41%, ficando próxima a de Bolsonaro, com 45%. Por outro lado, o pico de rejeição que Haddad experimentou foi justificado em parte pelo desgaste do PT e também pelos ataques promovidos por Geraldo Alckmin (PSDB). Por isso, entre os coordenadores da campanha do PT, uma eventual vitória de Bolsonaro no primeiro turno é considerada como “extremamente difícil” de acontecer, mas já não é tida como hipótese descartada.

Para Paulo Calmon, a possibilidade de que essa eleição se resolva já no primeiro turno é improvável. “É uma disputa muito eletrizante, muito polarizada. E historicamente, em eleições polarizadas, as pessoas sentem que seu voto faz diferença”, diz. “A tendência então é que os eleitores compareçam, fazendo com que a quantidade de votos em branco ou nulo não seja tão grande”.

Delação de Palocci vira arma contra Haddad

O ex-ministro Antonio Palocci (PT) foi preso no dia 26 de setembro de 2016, durante a 35ª fase da Operação Lava Jato, batizada de ‘Omertà’ Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Às vésperas do primeiro turno das eleições 2018, o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci à Polícia Federal, relatando o elo dos governos Lula e Dilma com corrupção na Petrobrás, virou arma de adversários do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

O tucano Geraldo Alckmin afirmou que a delação terá impacto sobre o pleito. “Vamos aguardar a Justiça. O que o brasileiro quer é uma Justiça e uma polícia independentes”, disse ele.

O ex-ministro Antonio Palocci (PT) foi preso no dia 26 de setembro de 2016, durante a 35ª fase da Operação Lava Jato, batizada de ‘Omertà’ Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O programa de TV de Alckmin destacou nesta terça-feira, 2, logo na abertura, trechos da delação de Palocci, na tentativa de atrair o eleitor antipetista e também os indecisos, nessa reta final.

Depoimentos do ex-ministro de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso da Lava Jato, foram divulgados depois que o juiz Sérgio Moro levantou parte do sigilo do processo.

A propaganda do candidato do PSDB mostrou reportagens, enquanto um locutor dizia: “Escândalo. Comprovado o que o Brasil tinha certeza. Lula sabia de tudo sobre a corrupção na Petrobrás. Se o PT voltar, a corrupção vai continuar”.

O comercial também atacou Jair Bolsonaro(PSL), líder das pesquisas de intenção de voto, e o comparou ao candidato do PT, sob o argumento de que ambos querem criar uma nova Constituição. De acordo com o Ibope, Alckmin permanece em quarto lugar na disputa, com 8%, atrás de Bolsonaro – que cresceu quatro pontos e chegou a 31% –, de Haddad, com 21%, e de Ciro Gomes(PDT), que passou de 12% para 11%.

Questionado se considera que a delação de Palocci pode ajudá-lo a chegar ao segundo turno, Ciro disse não conseguir ficar “alegre” com isso. “Vamos passar os últimos cinco dias de eleição de novo na mesma lenga-lenga, no mesmo escândalo, na mesma nojeira, que é o que tem marcado a vida brasileira desde a crise de 2014”, afirmou.

Vice na chapa de Alckmin, a senadora Ana Amélia (PP) acusou o PT de não respeitar a Lava Jato, em debate promovido ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, UOL e SBT. A estocada ocorreu após Manuela d’Ávila (PCdoB), que faz dobradinha com Haddad, criticar o fato de Moro levantar o sigilo da delação de Palocci a poucos dias da eleição.

Vantagem de Bolsonaro racha campanha de Haddad, e PT rejeita se descolar de cartilha de Lula

Haddad durante campanha em Manaus na última semana — Foto: Adneison Severiano

G1

A vantagem do candidato Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas de intenção de voto para presidente abriu uma crise no comando da campanha de Fernando Haddad (PT), que não se entende sobre a melhor estratégia a ser adotada a poucos dias da eleição para reagir ao adversário.

Nesta terça-feira (2), em São Paulo, o comitê nacional de campanha de Haddad – com a presença de todos os cardeais petistas e de partidos aliados – expôs o racha na campanha. Uma ala reagiu veementemente à proposta de que o candidato deveria colocar mais a sua própria personalidade e ser, nas palavras de um aliado, “menos advogado de Lula e mais Fernando”.

O temor desta ala do PT que rechaça mudanças: que Haddad faça acenos ao mercado financeiro, ou promova alianças com candidatos do centro antes do segundo turno, o que poderia afastar eleitor de esquerda.

Problema é exatamente chegar ao segundo turno. Quem defende o contrário no PT diz que Haddad “precisa romper este casulo se quiser se assegurar no segundo turno e ter alguma chance”.

Ocorre que o comando do PT, como ficou claro na reunião de terça, rejeita qualquer possibilidade de descolamento da cartilha original. Mesmo diante da análise de que a transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu o teto e de que o candidato precisa ampliar os apoios.

Uma das propostas discutidas, segundo relato de um integrante da campanha ao blog, era a de pregar que, se eleito, Jair Bolsonaro faria “com uma ditadura” o que Temer “não conseguiu com a democracia”: as chamadas reformas estruturais. Mas, o PT se recusou, porque quer manter a narrativa de que já vivem um “golpe” após a prisão de Lula – condenado em segunda instância por corrupção.

Entre os petistas que têm participado das discussões sobre os novos rumos da campanha de Haddad, estão Gleisi Hoffmann, Paulo Okamotto, lideranças do PCdoB, Sérgio Gabrielli, entre outros.

Por ora, consenso no comando do PT existe apenas para apontar os responsáveis pela estagnação de Haddad e rejeição do partido nas pesquisas: os outros, os adversários. Sem autocrítica.