De amigo para amigo: Jacir Moraes relembra Luiz Gonzaga

Jacir ainda conserva LPs de Luiz Gonzaga, em sua discoteca
Pouca gente sabe, mas o jornalista maranhense Jacir Moraes, fundador do Jornal O Debate de São Luís, cultivava uma valiosa relação de amizade com o rei do baião Luiz Gonzaga, que chegaria aos 100 anos no último dia 13 de dezembro. Ele relembra, com exclusividade para este blog, fatos curiosos de momentos que dividiu com o ilustre pernambucano de Exu, sertão nordestino, cuja história foi retratada no filme “Gonzaga – de pai pra filho”.


Jacir com Gonzagão, na década de 70, selecionando LPs

Recuperando-se ainda de problemas de saúde relacionados à diabetes e à hipertensão, Jacir Moraes, 67 anos, nascido em Carutapera, no Maranhão, abriu as portas de sua casa para esta editora e relembrou um pouco do que viveu com Luiz Gonzaga. Contou que conheceu pessoalmente o rei do baião na década de 60, em Bacabal, durante um show patrocinado pela Vigorelli, concorrente da Singer.


Naquela época, esses eventos aconteciam, constantemente, em praças públicas e  essas  grandes marcas bancavam tudo. O primeiro contato foi rápido, coisa de fã mesmo, mas estava construída ali a ponte para uma grande amizade.


O reencontro – Dez anos depois, já na década de 70, os dois se reencontraram na rádio Timbira de São Luís, onde Jacir trabalhava como repórter. Em mais uma de suas turnês pelo Maranhão, Gonzaga foi convidado para uma entrevista naquela emissora. Na oportunidade, o jornalista voltou a se declarar fã, relembrou  o show de Bacabal e foi convidado pelo rei do baião a divulgar o trabalho musical (antigo LP) em outros veículos da cidade. O convite se estendeu até o antigo restaurante “Base do Germano”, no Centro. Nascia aí uma valiosa amizade.


A partir daí então, Jacir passou a frequentar a casa de Gonzagão no Exu (Pernambuco) e na Ilha do Governador (Rio de Janeiro); e o rei do baião, a residência do jornalista, quando em turnê pelo Maranhão ou estados vizinhos.


Entre outras qualidades, relembra Jacir, Luiz Gonzaga era “casamenteiro”. O jornalista conta que foi o rei do baião quem organizou sua festa de casamento surpresa com a publicitária Fátima Ribeiro, na década de 80, realizada em Exu.


Beatles e Asa Branca – Entre os assuntos frequentemente relembrados pelos dois, está o efeito marketing dos anos 60 que alavancou a carreira de Luíz Gonzaga, naquela época em baixa. Em meados da década, o apresentador Carlos Imperial plantou um boato, em seu programa Os Brotos no 13, da TV Rio, dando conta que Os Beatles haviam gravado “Asa Branca”. A falsa notícia resultou numa corrida enlouquecida de fãs em busca dos discos de Gonzaga, recolocando-o no mercado musical.


“O Gonzaga era uma pessoa, extremamente, determinada e de personalidade muito forte. Sabe aquelas pessoas que nunca desistem de um objetivo e que lutam até o final por ele? Ele era assim. Não foi à toa que ele se tornou o rei do baião”, resumiu Jacir Moraes. 

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