Eleições 2018: DEM se divide entre apoiar Alckmin ou Ciro Gomes

A corrente pró-Ciro tem hoje o favoritismo na disputa. O prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM, tem sinalizado internamente que prefere apoiar o pedetista

A disputa dos presidenciáveis por apoio eleitoral deixou o DEM dividido entre um bloco que defende o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e outro que prega uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). De um lado está a bancada de 43 deputados, que é majoritariamente pró-Alckmin, e do outro, a executiva do DEM e lideranças regionais do Nordeste, que apoiam Ciro.

Enquanto a bancada tem um perfil mais ideológico, conservador e abriga parlamentares ligados a igrejas evangélicas, agronegócio e segurança pública, os caciques nordestinos fazem um cálculo pragmático sobre a dificuldade de Alckmin conseguir votos na região.

A corrente pró-Ciro tem hoje o favoritismo na disputa. O prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM, tem sinalizado internamente que prefere apoiar o pedetista. Ele desembarcou nesta terça-feira, 3, em Brasília para buscar consenso entre as duas correntes.

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O impasse do DEM contaminou os demais partidos do bloco liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que reúne Solidariedade, PP e PRB – apesar, de, em público, Maia se dizer pré-candidato, essa hipótese não tem sido mais considerada. O grupo, que já esteve com Ciro Gomes, se reúne nesta quarta-feira, 4, à noite com Alckmin em um jantar na residência do presidente do PRB, Marcos Pereira (SP).

Dois dirigentes partidários relataram um mal-estar gerado em recente conversa entre os presidentes dos partidos, em Brasília. Após jantarem com Ciro Gomes, os dois nomes mais influentes no DEM, ACM Neto e Rodrigo Maia, debateram abertamente se conseguiriam aprovar no voto uma aliança com o pedetista em diretórios como Bahia e Rio de Janeiro e falaram sobre resistências pontuais.

Dirigentes dos demais partidos, entre eles Paulinho da Força (SD), falaram até sobre o nome do empresário Josué Alencar (PR) para vice. O rumo da conversa irritou o ex-ministro Marcos Pereira, que indicou que abandonaria o grupo se a discussão se precipitasse. Do bloco, o PRB de Pereira é o partido que mais resiste a apoiar a candidatura de Ciro Gomes. Ciro teria hoje preferência no Solidariedade de Paulinho e no PP do senador Ciro Nogueira (PI), presente à discussão.

Para tentar reverter esse quadro, Alckmin lançou uma ofensiva junto ao Centrão. Em uma reunião com investidores na segunda-feira, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), coordenador político da pré-campanha de Alckmin, apresentou três nomes como potenciais candidatos a vice: Flávio Rocha, do PRB, Aldo Rebelo, do SD, e Mendonça Filho, do DEM.

Já Ciro tem modulado o discurso para atrair o DEM. Na semana passada ofereceu pedidos de desculpas a integrantes do partido que se sentiram ofendidos por declarações suas. Conselheiro do pedetista, o ex-ministro Mangabeira Unger declarou que não vê DEM como ‘um partido de direita’.

 

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Eleito presidente do DEM, ACM Neto poderá atrapalhar planos de Zé Reinaldo

Juscelino Filho e ACM Neto.

Partido de expressão nacional e com considerável tempo no rádio e na TV, o DEM virou alvo de disputa no Maranhão pelos deputados Juscelino Filho e José Reinaldo.

Presidente da sigla no Maranhão, Juscelino Filho segue firme no propósito de ver o DEM na base de apoio à reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB). Já o deputado federal José Reinaldo, pré-candidato ao Senado, vem marcando o passo para se filiar no partido, mas tem interesse em colocá-lo nas oposições ao governador.

Nesta quinta-feira (8), José Reinaldo Tavares deu sinais de que sua intenção não anda nada fácil. Sabendo das dificuldades, emitiu nota oficial na qual afirma que adiou sua filiação marcada para o próximo sábado (10).

Para piorar a situação do pré-candidato ao Senado e suas intenções para o DEM, o deputado federal Juscelino Filho obteve mais um intento positivo em sua luta pró-coligação com o governador: o prefeito de Salvador, ACM Neto, foi eleito por aclamação o novo presidente nacional do partido com o parlamentar maranhense compondo a chapa.

ACM Neto é uma das melhores promessas políticas do Democratas no Brasil. Com avaliações estratosféricas de aprovação do seu mandato na capital baiana, o neto do finado senador Antônio Carlos Magalhães faz parte da nova geração do partido. Ele e Juscelino Filho são amigos muito próximos, o que deixa o DEM mais longe de José Reinaldo e das oposições.

A única possibilidade da oposição, mesmo que a missão seja das mais difíceis,  é José Sarney. Com olho grande na importância que tem o DEM com seu generoso tempo gratuito no rádio e televisão, o mais antigo oligarca da política maranhense estaria ensaiando movimentações nos bastidores para levar o DEM para as oposições a Flávio Dino.

Éaguardar para ver no que darão as supostas investidas do decano da política brasileira.

Saída de Gastão Viera do FNDE foi precedida de “queda de braço” entre ACM Neto e o clã Sarney

No cargo, Gastão Vieira era ligado ao grupo Sarney

O  prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e a bancada baiana do DEM na Câmara dos Deputados venceu uma longa e árdua batalha com o clã do ex-senador José Sarney (MA) e conseguiram exonerar o ex-deputado federal Gastão Vieira (PMDB) da pasta. O ex-secretário municipal de Urbanismo e ex-coordenador de campanha do “alcaide” foi emplacado na presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Em seu perfil do Facebook, Gastão Vieira, despediu-se da presidência do FNDE e disse que enfrentou uma guerra política para se manter no cargo, mas que o DEM pediu o cargo para o governo Temer. Segundo ele, “o jogo político é duro”.

“O jogo político é duro, meus amigos. E, muitas vezes, o que se leva em consideração não é exatamente aquilo que importa. Enfrentei muitas guerras à frente desta autarquia e, infelizmente, alguns daqueles que deveriam apoiar minha permanência por aqui, para que nosso estado do Maranhão tivesse maior representatividade em Brasília, foram os primeiros a tentar me apear do cargo. Contra esses, resisti. A duras penas resisti e sobrevivi os últimos meses”, disse em sua página no Facebook.

No cargo, Gastão Vieira era ligado ao grupo Sarney. O novo presidente do FNDE, provavelmente, terá boas relações com o governo Flávio Dino (PCdoB), haja vista a proximidade do comunista  com o prefeito baiano ACM Neto, via deputado federal Juscelino Filho (DEM).

Então, analistas políticos arriscam o palpite de que a mudança no FNDE foi também uma vitória do grupo ligado ao governador Flávio Dino. A unanimidade acredita que a exoneração de Gastão Vieira foi uma grande derrota para o grupo Sarney que “arrotava”  muita força no governo Temer.

Desabafo de Gastão Vieira no Facebook: