Dólar vai a R$ 3,68 e bolsa bate novo recorde com otimismo internacional

A indicação da equipe econômica de que a reforma da Previdência pode ser mais dura que a enviada pelo ex-presidente Michel Temer é um sinal positivo

VEJA

O mercado está otimista com a possibilidade de acordo comercial entre Estados Unidos e China. O dólar rompeu a casa dos 3,70 reais e era vendido a 3,6856 reais por volta das 12h17, uma queda de 0,80%. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, avança 1,26%, a 93.187 pontos, um novo recorde.

Segundo analistas de mercado, há uma euforia generalizada com a possibilidade de entendimento entre os dois países. “O primeiro encontro entre as autoridades americanas e chinesas após o anúncio de uma trégua tarifária de 90 dias no G20 chega ao fim. Essa nova rodada – que tinha como principal objetivo andar na direção de um acordo definitivo e pôr um fim à guerra comercial – parece ter sido concluída em tom positivo”, afirma relatório da Guide Investimentos.

Segundo a Necton Corretora, a possibilidade de acordo entre EUA China fez com que bolsas asiáticas encerrassem o dia em alta. “E as europeias operam no positivo em meio ao otimismo instalado nos mercados acionários com sinais de que a guerra comercial entre as duas maiores economias pode ser evitada.”

No campo doméstico, a indicação da equipe econômica de que a reforma da Previdência pode ser mais dura que a enviada pelo ex-presidente Michel Temer é um sinal positivo. Os analistas alertam, entretanto, que é preciso reformar logo a Previdência, preferencialmente sem excluir nenhuma categoria das mudanças, como os militares. “O otimismo e voto de confiança por parte do capital financeiro com a agenda do novo governo associada a um setor externo positivo favorece o mercado interno”, afirma a Necton.

Ibovespa atinge pico histórico com o anúncio de Sérgio Moro para Ministério da Justiça

destaque do dia foi a nomeação do juiz federal Sérgio Moro para o futuro superministério da Justiça

O bom humor no mercado internacional e as perspectivas otimistas em relação ao governo eleito do Brasil levaram o Índice Bovespa nesta quinta-feira, 1, à sua terceira alta consecutiva, com a qual atingiu novo recorde histórico. O índice fechou com ganho de 1,14%, aos 88.419,05 pontos, superando o recorde anterior, de 87.652,65 pontos, registrado em 26 de fevereiro. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 3,15%.

As bolsas de Nova York exerceram influência sobre o mercado brasileiro durante praticamente todo o pregão, inclusive nos momentos de fraqueza, pela manhã, quando o Ibovespa chegou a cair 0,38%. O impulso mais forte veio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontando para uma possível aproximação da China. Pelo Twitter, Trump disse que teve uma conversa “muito boa” com o presidente chinês, Xi Jinping.

Internamente, o destaque do dia foi a nomeação do juiz federal Sérgio Moro para o futuro superministério da Justiça. Inicialmente, a notícia teve impacto neutro sobre os negócios, com avaliações positivas e negativas sobre o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro. À tarde, ganhou força a avaliação mais otimista, que levou em conta a possibilidade do nome de Moro elevar a popularidade do novo governo, o que poderia favorecer o avanço da reforma da Previdência no Congresso.

“O cenário internacional ajudou bastante, embora as ações da Petrobras tenham sofrido forte desvalorização”, disse Pedro Guilherme Lima, analista da Ativa Investimentos. “No cenário político, a notícia sobre Sérgio Moro foi bem recebida, embora não tenha impacto algum na economia. O mercado possivelmente veja na nomeação dele um indicativo de maior popularidade do novo governo, o que elevaria as chances de aprovação da reforma da Previdência”, disse.

Para o analista, a alta não foi maior devido à proximidade do feriado de Finados, que manterá a bolsa brasileira fechada nesta sexta-feira (2), enquanto os mercados americanos operam normalmente. Além de operações pontuais de realização de lucros, a alta acabou por ser limitada pelas perdas das ações da Petrobras (-1,81% na ON e -1,09% na PN), influenciadas pelas fortes perdas dos preços do petróleo.

Entre os bancos, o dia foi de ganhos expressivos, com alguns papéis repercutindo seus resultados trimestrais. Bradesco ON e PN subiram 5,26% e 5,71%. Já as units do Santander caíram 0,95%.

Ações brasileiras sobem 8% no exterior com aposta em Bolsonaro

O mercado avalia como grandes as chances de vitória do candidato pró-reformas, Jair Bolsonaro, do PSL, no segundo turno, já que ele teve 46,03% dos votos válidos

Revista Exame

As ações brasileiras estão em alta no exterior, repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial brasileira e a renovação do Congresso. O fundo com cotas negociadas em bolsa (Exchance Traded Fund, ou ETF) EWZ, que reproduz o índice MSCI Brasil, sobe 8% hoje de manhã, indicando uma forte alta do mercado de ações brasileiro, que abre às 10 horas. O dólar comercial abriu em baixa de 3%, vendido a R$ 3,74. Na pré-abertura em Nova York, o recibo de ações (ADR) da Petrobras está em alta de 15%. Apesar do feriado do Dia do Descobrimento da América, homenagem a Cristóvão Colombo, a Bolsa de Nova York funciona hoje.

O mercado avalia como grandes as chances de vitória do candidato pró-reformas, Jair Bolsonaro, do PSL, no segundo turno, já que ele teve 46,03% dos votos válidos. Fernando Haddad, do PT, que tem se oposto às reformas e ao ajuste fiscal, teve 29,28% dos votos válidos.

Bolsonaro é favorito na disputa de segundo turno, porque lhe bastam apenas 4 pontos para chegar à maioria absoluta dos votos – e é bom destacar que a soma dos votos de Amoedo (2,5%), Meirelles (1,2%) e Álvaro Dias (0,8%), candidatos de centro e portanto mais propensos a apoiar o capitão reformado, seria suficiente para isso, avalia a LCA Consultores. E há ainda os 4,76% do PSDB de Geraldo Alckmin, eterno opositor do PT.

A LCA lembra que Bolsonaro ganhou em todas as regiões, exceto o Nordeste. Ele também venceu nos três maiores colégios eleitorais, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com mais de 50% dos votos válidos nos dois primeiros. Ademais, a maioria dos candidatos a governador que restaram no segundo turno, em especial Romeu Zema, do Novo, em Minas Gerais, e Wilson Witzel, serão aliados importantes para Bolsonaro na fase final da eleição. Em São Paulo, João Doria, do PSDB, também declarou apoio ao capitão.

Renovação do Congresso também ajuda

Os investidores estão animados também com a renovação do Senado e da Câmara, afirma Pablo Stipanicic Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. A expectativa é que essa renovação garanta maior apoio ao futuro presidente no Congresso e facilite a aprovação da reforma da Previdência e a continuidade do ajuste fiscal e das privatizações. “A renovação, independentemente da sigla partidária, dá esperança ao povo”, afirma Spyer.

XP vê a bolsa como mais beneficiada pelo cenário Bolsonaro

Também a XP Investimentos destaca que seu time político avalia que o desempenho de Bolsonaro no primeiro turno o mantém como favorito na disputa, seja pela votação recebida – muito próxima dos 50% – seja pelo quadro das disputas nos Estados ou ainda pela equiparação de armas na campanha de segundo turno. A corretora também destaca destaca a surpresa na distribuição das cadeiras da Câmara, na qual a centro-direita chegou em perto de 380 (50 do PSL de Bolsonaro) e a esquerda a pouco mais de 130 deputados, o que joga a favor da governabilidade de Bolsonaro caso seja eleito, assim como na potencial aprovação das reformas.

Para a XP, no cenário Bolsonaro, a bolsa é um dos ativos mais atrativos no Brasil, seguido pelos juros de longo prazo, que tendem a cair e, por último, o dólar, que também deve baixar. As razões para o favoritismo da bolsa são explicados pelo desconto que a bolsa negocia em relação ao seu histórico, pela potencial revisão positiva de lucro para os próximos anos ou pela alocação baixa a bolsa no Brasil vis a vis o histórico.

As ações para Bolsonaro

Os papéis que se beneficiariam da vitória do candidato do PSL, segundo a XP, seriam: (1) Cemig, (2) Bancos – Banco do Brasil em foco, e também Bradesco; (3) Petrobras; (4) Aéreas – Gol mais alavancada; (5) Consumo – Localiza, B2W e Lojas Americanas; (6) Aço – com foco em Usiminas.

Com aposta em Bolsonaro, dólar cai 2% e Bolsa tem maior alta desde 2016

O Ibovespa, principal indicador de ações da bolsa brasileira, a B3, também sentiu os efeitos positivos e disparou, atingindo 81.593 pontos, crescimento de 3,78%

O mercado financeiro passou a acreditar mais fortemente na eventual vitória do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, após a última pesquisa do Ibope mostrar ampliação da sua vantagem sobre o petista Fernando Haddad. Essa mudança de cenário fez com que o dólar encerrasse o dia em 3,93 reais, uma queda de 2,08%. Esse é o menor valor de fechamento desde o pregão de 17 de agosto (3,91 reais).

O Ibovespa, principal indicador de ações da bolsa brasileira, a B3, também sentiu os efeitos positivos e disparou, atingindo 81.593 pontos, crescimento de 3,78%. Foi a maior alta diária em quase dois anos, desde 7 de novembro de 2016.

De acordo com analistas, a pesquisa trouxe dois dados extremamente positivos para o mercado: o avanço das intenções de voto em Bolsonaro e o aumento da rejeição de Haddad. Essa combinação aumenta a vantagem do presidenciável do PSL, que conquistou o posto de candidato do mercado, tomando o lugar do tucano Geraldo Alckmin, que não conseguiu crescer nas pesquisas mesmo tendo o maior tempo de propaganda de rádio e TV.

“Existia uma incerteza muito grande em relação ao processo eleitoral. Mas quando um sinal aponta para uma direção e o mercado recebe bem, a percepção de risco cai, os ativos se valorizam, a bolsa sobe e o real se valoriza”, afirma Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

Para Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, o mercado deixou de acreditar na vitória de Haddad. “O resultado da pesquisa não é tão ruim para Haddad, ele ainda é o segundo colocado e tem menos rejeição que Bolsonaro. Mas o mercado deixou de acreditar na vitória dele e por isso tivemos esse movimento de valorização de ativos.”

Glauco Legat, analista-chefe da Spinelli Corretora, diz que a continuidade do movimento de hoje depende muito dos dados das próximas pesquisas – o Datafolha divulga uma nova hoje à noite. “Se o Datafolha mostrar praticamente os mesmos números do Ibope, a tendência ainda é de alta para o Ibovespa e queda do dólar. Porém, acho que a intensidade desse movimento positivo não será tão forte como presenciamos hoje.”

Miguel Daoud, analista da Global Financial Advisor, diz que o nível de especulação está muito alto. “Especula-se tanto na alta, quanto na baixa, o que aumenta a volatilidade. Se o Haddad estivesse com um desempenho melhor, o mercado estaria caindo, mas alguém continuaria ganhando. Com o Bolsonaro, o inverso acontece. No fim do dia, é sempre uma conta de zerar.”