Em conversa, Sarney diz que Lula teria se arrependido de ter indicado Dilma

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Machado gravou várias conversas com políticos do PMDB depois de fechar acordo de delação premiada

Machado gravou várias conversas com políticos do PMDB depois de fechar acordo de delação premiada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria se arrependido de ter escolhido Dilma Rouseff como sua sucessora. É o que indicam novas gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em conversa com o ex-presidente José Sarney. Este seria inclusive o único arrependimento que Lula tem e o mais grave que cometeu, segundo Sarney. Apesar de o petista não ser citado nominalmente no diálogo, investigadores da Operação Lava-Jato sustentam que a conversa seria sobre ele.

“Agora, tudo por omissão da dona Dilma”, afirma Machado em conversa realizada na casa de Sarney. “Ele (Lula) chorando. O que eu ia contar era isso. Ele me disse que o único arrependimento que ele tem é ter eleito a Dilma. O único erro e o mais grave de todos”, responde o ex-senador maranhense. As novas conversas, divulgadas ontem pela Rede Globo, também mostram Machado falando em “ajuda” a diversos políticos, entre eles o próprio Sarney. Segundo a reportagem, não é possível determinar qual o tipo de ajuda é mencionada nos diálogos.

Machado gravou várias conversas com políticos do PMDB depois de fechar acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Em outro trecho de gravação, divulgado pela Folha de S.Paulo, entre Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o assunto também é Lula. Mas a conversa é sobre o suposto envolvimento do ex-presidente no esquema do mensalão. Calheiros afirma que Lula não teria sido processado no mensalão porque os pagamentos ao seu marqueteiro de campanha Duda Mendonça no exterior não foram investigados a fundo quando vieram a público.

Em nota divulgada, o Instituto Lula qualificou como “nojenta” a divulgação do áudio. “É simplesmente nojenta a divulgação de conversas armadas com a clara intenção de comprometer o ex-presidente Lula em ilícitos dos quais ele não participou. O vazamento ilegal dessas gravações é mais uma evidência de que, depois de investigar por mais de dois anos, o Ministério Público Federal não encontrou sequer um fiapo de prova contra Lula. Porque Lula sempre agiu dentro da lei”, diz.

Dilma disse que não comentará as declarações de Sarney e Machado. Renan Calheiros também não quis comentar. O advogado de Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirmou que o ex-presidente não responderá sobre fragmentos do que está sendo vazado. E que pediu cópia da delação de Sérgio Machado ao STF para poder responder de forma contextualizada. Castro também é advogado de Duda Mendonça e disse que a afirmação de que Lula não foi processado no mensalão por causa da delação do publicitário não tem sentido. E Duda não protegeu ninguém, foi processado criminalmente no mensalão e absolvido pelo STF. A defesa de Sérgio Machado alega que ele não pode se manifestar porque a delação ainda está sob sigilo.

Temer

A divulgação de novas gravações de conversas de Sérgio Machado com Sarney provocou a antecipação da volta do presidente em exercício, Michel Temer, a Brasília, interrompendo o fim de semana prolongado com a mulher, Marcela, e o filho caçula em Ibiúna (SP). Na gravação, Machado diz que contribuiu a pedido de Temer para a campanha eleitoral do “menino”, que os investigadores identificam como Gabriel Chalita, candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo em 2012. Os diálogos não revelam de que forma se deu a contribuição.

No áudio, Machado ainda sonda Sarney sobre se Temer, então vice-presidente, poderia participar de articulações para evitar que sua investigação caísse nas mãos do juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba, responsável pela Operação Lava-Jato. Temer disse à reportagem que não foi candidato nas eleições de 2012, não pediu nem recebeu nenhuma contribuição e que nunca se encontrou em local inadequado com Sérgio Machado. Chalita também nega.

O presidente em exercício terá uma semana difícil, por causa do impacto das gravações na cúpula do PMDB no Senado e da necessidade de aprovar as propostas do ajuste fiscal.

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