Na presença de velhos caciques, MDB do Maranhão prega renovação

Mesmo na presença do atual presidente nacional da legenda, o jovem deputado federal Baleia Rossi, o que se viu é que o MDB do Maranhão continua parado no tempo

Durante o encontro estadual de lideranças do MDB, realizado na Assembleia Legislativa do Maranhão, o discurso de todos os presentes foi de renovação. O fato é que os discursos e as falas estão longe da renovação que a legenda necessita após passar por tantas derrotas nos últimos anos.

No encontro, o que se viu é que o atual presidente do MDB João Alberto, não deseja largar a política e que após ser governador, senador e deputado, vai disputar uma das vagas na Câmara Municipal de Bacabal.

O que se viu também foi uma tentativa de colocar novamente a ex-governadora na cena política para que ela seja uma das candidatas à prefeitura de São Luís. A mesma Roseana que já foi governadora por quatro mandados.

Mesmo na presença do atual presidente nacional da legenda, o jovem deputado federal Baleia Rossi, o que se viu é que o MDB do Maranhão continua parado no tempo. Sem a perspectiva do surgimento de lideranças jovens.

MDB fala em renovar, mas nova direção tem filhos de políticos e chapa única

O nome da ex-governadora, Roseana Sarney, acabou sendo ventilado como um dos possíveis nomes para a direção, mas acabou não acontecendo.

Sob o discurso da renovação, o MDB elegeu neste domingo chapa única composta por filhos e apadrinhados de caciques da legenda. Dos nove integrantes da nova cúpula, três são filhos nomes tradicionais do partido e seis já estão na política há muitos anos. O deputado federa l Baleia Rossi (SP), que é filho do ex-ministro da Agricultura na gestão do PT, Wagner Rossi, assume a presidência com a missão de unificar o partido.

Batizada de Renovação Democrática, a chapa foi aprovada por 311 votos, dos 209 convencionais. A eleição não teve a presença do ex-presidente Michel Temer. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, disponibilizou seu avião para levá-lo a Brasília, mas Temer não foi. O mais tietado foi o ex-presidente José Sarney, que aos 89 anos, se disse “jovem” e entusiasmou a militância a participar da política. Também participaram tradicionais nomes da legenda, como o ex-senador Eunício Oliveira (CE), Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM).

A legenda perdeu quase metade da sua bancada na Câmara nas eleições de 2018, e várias de suas lideranças históricas foram presas ou respondem a processos por corrupção, como o próprio Temer.

A chapa tem na terceira-vice presidência o ex-deputado federal Daniel Vilela, filho do ex-governador de Goiás, Maguito Vilela, e na secretaria-geral o deputado Newton Cardoso Júnior, filho do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso. A primeira vice é ocupada pelo senador Confúcio Moura, que já governou Rondônia por duas vezes, já foi prefeito por dois mandatos e deputado federal.

A segunda vice presidência fica com o deputado federal Carlos Chiodini (SC) e a primeira-secretaria será comandado pelo deputado estadual Gabriel Souza (RS). Ambos representam a bancada do sul, muito representativa na Câmara. A segunda-secretaria do MDB será do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (RJ), ex-deputado federal.

A chave do cofre do MDB fica aos comandos do senador Marcelo Castro (PI). Ex-deputado federal por cinco mandatos, Castro teve o apoio dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) para se alçar ao posto de tesoureiro da legenda. Marcelo Castro terá como adjunto o deputado federal Raul Henry (PE), que atende à indicação do ex-deputado federal e senador Jarbas Vasconcelos (PE).

O nome da ex-governadora, Roseana Sarney, acabou sendo ventilado como um dos possíveis nomes para a direção, mas acabou não acontecendo.