“Extremismo não é adequado para algo complexo como meio ambiente”, afirma Dino em reunião com Bolsonaro

Para Flávio Dino, é preciso “moderação e diálogo”. Dino se referia ao embate entre Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), reclamou da postura do presidente Jair Bolsoanro (PSL) na condução da crise ambiental deflagrada tanto pela alta no desmatamento quanto pelas queimadas na Amazônia. Para ele, é preciso “moderação e diálogo”. Dino se referia ao embate entre Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron.

Dino alertou para os possíveis efeitos do entrevero internacional. “O extremismo não é adequado para uma questão complexa como o meio ambiente. Quando se solta uma faísca no nível mais alto do poder, pode gerar um incêndio quando chegar lá embaixo. Não é com uma postura reativa que vamos sair dessa crise internacional de imagem que o Brasil se encontra”, destacou.

O governador continuou: “Não podemos rasgar a Constituição. Precisamos proteger a soberania nacional. Ela não se afirma retoricamente, mas sim, no cumprimento de ações. Ela não é retórica, um slogan. Não podemos repelir ações cooperadas. O diálogo com outros países é imprescindível. Por obvias razões. Se o Brasil se isola, ele se expõe a sanções internacionais”, disse durante a reunião com Bolsonaro.

O chefe do Executivo maranhense pediu o destravamento dos recursos do Fundo Amazônia. “Temos projetos em andamento e outros que aguardam análise do fundo. No Maranhão, temos um projeto para compra de equipamentos de R$ 33 milhões que aguarda apreciação. Espero que haja esse destravamento. Não podemos rasgar dinheiro. Isso não é sensato”, frisou.

Dino defendeu que em vez de embates, o governo deve priorizar o uso sustentável da Amazônia. “Não precisamos de modificações legislativas, já estão aprovados nos governos anteriores. Temos uma legislação ambiental considerada uma das melhores do mundo. Uso consciente e inteligente da Amazônia. O que é possível”, concluiu.

O governador oposicionista ainda criticou recentes declarações de Bolsonaro, mas não o citou nominalmente. “Não podemos dizer que as ONGs são inimigas do Brasil. Temos que distinguir o trabalho que pode ajudar a proteger a Amazônia brasileira. Os índios são brasileiros e brasileiras que têm direitos assegurados pela Constituição, como uso e preservação de suas terras”, afirmou.

Bolsonaro diz que pode aceitar recursos para Amazônia se presidente da França pedir desculpas

Os dois presidentes têm trocado inúmeras críticas nos últimos dias por sustentarem opiniões divergentes com relação aos incêndios ambientais da Amazônia

Contrariando a fala do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta terça-feira (27), que poderá negociar o recebimento dos US$ 20 milhões, cerca de R$ 83 milhões, oferecidos pelo G7 para combate dos incêndios na Amazônia. No entanto, o presidente colocou a condição de que só aceitaria os recursos se Emmanuel Macron pedir desculpas a ele por “insultos”.

“Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, me chamou de mentiroso. Depois, as informações que eu tive, é que a nossa soberania está em aberto na Amazônia”, disse. “Então, para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter retirar essas palavras e, daí, a gente pode conversar”, acrescentou.

Os dois presidentes têm trocado inúmeras críticas nos últimos dias por sustentarem opiniões divergentes com relação à catástrofe ambiental da Amazônia. Macron afirmou que Bolsonaro “mentiu” a respeito de seus compromissos com o meio ambiente e que esperava que os brasileiros tivessem logo “um presidente que se comporte à altura”.

Em seguida, o presidente brasileiro repercutiu uma comparação machista que coloca lado-alado a primeira-dama da França, Brigitte Macron, com a primeira-dama brasileira, Michelle Bolsonaro. O comentário do presidente “não humilha não” no meme das duas esposas foi duramente criticado. Macron foi categório ao dizer que é “triste para o Brasil” a ofensa proferida por Bolsonaro a Brigitte.