Bolsonaro assume comando do Mercosul

Foto oficial da 54ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Santa Fé, na Argentina

O Brasil assumiu a presidência temporária do Mercosul. A posse aconteceu na 54.ª Cúpula do Mercosul, em Santa Fé, na Argentina. O País ficará no comando do bloco pelos próximos seis meses.

“O Brasil agirá de modo incansável para acelerar modernização do Mercosul”, afirmou o presidente Jair Bolsonaro.

Em seu discurso de posse, o presidente brasileiro afirmou que quer trabalhar para um Mercosul mais enxuto, dinâmico e sem ideologia. “Queremos trabalhar no comércio mundial sem travas ideológicas”, afirmou.

Ele disse ainda que pretende dar continuidade ao fechamento de novos acordos entre o bloco e outros países. No Twitter, Bolsonaro também falou sobre suas intenções no comando do Mercosul.

“Neste semestre, assumiremos a presidência do Mercosul, com um plano de ação ambicioso: eliminar o viés ideológico do bloco, enxugar sua estrutura, revisar a Tarifa Externa Comum e acelerar as negociações comerciais com grandes economias de todo o mundo”, escreveu.

Mercosul e União Europeia fecham acordo de livre comércio após 20 anos

Com a vigência do acordo, produtos agrícolas de grande interesse do Brasil terão suas tarifas eliminadas

O Mercosul e a União Europeia finalizaram as negociações para o acordo entre os dois blocos. O tratado, que abrange bens, serviços, investimentos e compras governamentais, vinha sendo discutido há duas décadas por europeus e sul-americanos.

A rodada final de negociações foi iniciada por técnicos na semana passada. Diante do avanço nas tratativas, os ministros do Mercosul e da União Europeia foram convocados e, desde a quinta-feira, 27, esvam fechados em reuniões na Bruxelas.

O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um marco. É segundo maior tratado assinado pelos europeus – perde apenas para o firmado com o Japão, segundo integrantes do bloco – e o mais ambicioso já acertado pelo Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Com a vigência do acordo, produtos agrícolas de grande interesse do Brasil terão suas tarifas eliminadas, segundo o governo, como suco de laranja, frutas (melões, melancias, laranjas, limões, entre outras), café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais.

Em coletiva de imprensa em Bruxelas após o anúncio, a ministra da Agricultura Tereza Cristina disse que houve concessões em termos de volume de produtos e de taxas de ambos os lados. Mas não deu maiores detalhes. “Vocês verão o acordo que será publicado no fim de semana”, diz.

Os exportadores brasileiros também terão acesso preferencial para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel. Antes do acordo, apenas 24% das exportações brasileiras, em termos de linhas tarifárias, entravam livres de tributos na União Europeia. Com o acordo, praticamente 100% das exportações do Mercosul terão preferências para melhor acesso ao mercado europeu.