Notas rápidas sobre as Eleições 2018

Ciro e PSB unidos também no Rio de Janeiro

Alckmin confunde Angélica com Eliana

Geraldo Alckmin cometeu uma gafe na sabatina com os presidenciáveis realizada no encerramento o GovTech. Ao agradecer à organização do evento, mediado pelo apresentador Luciano Huck, quis cumprimentar a mulher do global. E mandou um cumprimento à apresentadora Eliana, que namorou Huck bem antes de ele se casar com Angélica, que estava na plateia.

MBL tenta novamente impedir candidatura de Lula

O MBL entrou com um pedido no TSE para barrar a candidatura do ex-presidente Lula. O movimento quer que a Corte declare o petista impedido de registrar sua candidatura e, portanto, proibido de praticar atos de campanha, “uma vez que evidentemente inelegível”. O caso está nas mãos do ministro Adhemar Gonzaga.

Dilma pede ajuda para sua ‘vaquinha’

Oficialmente candidata ao Senado por Minas Gerais, Dilma Rousseff está pedindo contribuições para sua “vaquinha” na internet. Em vídeo divulgado no Youtube, a ex-presidente explica que saiu do Estado por causa da perseguição da ditadura, mas que devido ao “golpe” de 2016 terá que continuar a lutar. “E nenhum lugar melhor do que Minas para lutar”, explica.

Páginas da direita limitadas no Twitter

Depois da polêmica com a exclusão de páginas e perfis pelo Facebook, agora parece que a discussão migrou para o Twitter. Diversos integrantes da direita no País estão reclamando que o Twitter está restringindo o alcance de suas páginas e o acesso a elas, acrescentando a hashtag #DireitaAmordaçada no final dos posts. Entre os perfis que estariam sofrendo restrições, incluem-se Conexão Política e Reaçonaria, dedicados à divulgação de notícias, e os dos ativistas Bernardo Küster e Allan dos Santos, que entrevistaram Jair Bolsonaro na semana passada com transmissão ao vivo pelo Facebook

Ciro e PSB unidos também no Rio

A aliança com o PT com o PSB deixou o PDT isolado no plano nacional, mas em vários Estados os dois partidos devem caminhar juntos. Na segunda-feira, 6, foi a vez de o Rio de Janeiro anunciar uma aliança entre o PSB e o PDT, que deverá beneficiar Ciro Gomes na campanha presidencial. O PSB indicou o deputado estadual Dr. Julianelli para vice do pedetista Pedro Fernandes ao Palácio Guanabara. O objetivo da coligação é abrir espaço para Ciro na propaganda de TV e rádio dos candidatos ao governo do Estado, Senado e Câmara dos Deputados.

Bolsonaro: ‘Sei que serei metralhado no debate’

O deputado Jair Bolsonaro reconhece que será alvo de todos os adversários no primeiro debate presidencial, que será feito pela Band, nesta quinta. “Eu sei que vai vir todo mundo para cima de mim. Sei que vou ser metralhado. Mas vou falar o que acho que tenho de falar”, disse o deputado do PSL hoje no Congresso.

Dilma é surpreendida por recado em seu prato, em restaurante

No final de junho, Dilma confirmou que vai se candidatar ao Senado por Minas Gerais, Estado onde nasceu

A ex-presidente cassada Dilma Rousseff (PT) recebeu um recado inusitado ao fazer uma refeição em um restaurante. A petista recebeu sua sobremesa em um prato que trazia a frase “sempre nossa presidenta” escrita na louça.

No final de junho, Dilma confirmou que vai se candidatar ao Senado por Minas Gerais, Estado onde nasceu. “Eu não vou me furtar a participar de uma luta do ponto de vista eleitoral”, explicou a petista, fazendo menção à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso pela Operação Lava Jato, e ao processo de impeachment que ela sofreu em 2016.

 

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Edison Lobão e a tentativa de carona na popularidade de Lula

Situação de Edson Lobão cada vez mais complicada

O ex-ministro de Minas e Energia votou pelo Impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT), em 2016, governo do qual foi ministro

O senador e ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (MDB), voltou a ser destaque nos meios de comunicação pelo seu pronunciamento em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vale destacar que ele votou contra o PT no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Lobão passou a defender a soltura de Lula, preso desde o início de abril. De acordo com o senador, a prisão do ex-presidente é injusta e foi feita sem provas. Porém, a manifestação é tida por muitos como oportunista.

Edison Lobão tentará reeleição ao Senado em outubro e, com a rejeição do seu correligionário Michel Temer e do grupo Sarney, tenta colar sua imagem na popularidade que o ex-presidente Lula possui no Maranhão.

O ex-ministro de Minas e Energia votou pelo Impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT), em 2016, governo do qual foi ministro.

Eleição para o Senado em Minas pode reeditar disputa presidencial de 2014

A situação de Aécio é mais complicada. Réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e obstrução de Justiça e alvo de outros sete inquéritos na Corte, o senador enfrenta dificuldade para encontrar apoio de aliados

O Estado de S.Paulo

A disputa pelas duas vagas mineiras no Senado na eleição deste ano poderá ser uma reedição do segundo turno da campanha presidencial de 2014 e colocar, quatro anos depois, a presidente cassada Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) novamente em campos opostos de uma disputa eleitoral. Nenhum dos dois, nem seus partidos e interlocutores, entretanto, bate o martelo sobre uma eventual candidatura.

A situação de Aécio é mais complicada. Réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e obstrução de Justiça e alvo de outros sete inquéritos na Corte, o senador enfrenta dificuldade para encontrar apoio de aliados. No PSDB mineiro, há quem defenda que Aécio tente uma vaga na Câmara ou, numa situação extrema, deixe de concorrer a um cargo eletivo este ano.

O PSDB não tem nenhum pré-candidato declarado ao Senado. As lideranças do partido pretendem utilizar as duas cadeiras para negociar possíveis coligações. O líder tucano na Assembleia Legislativa, Gustavo Valadares, afirma que a sigla tem conversado com diversos partidos e chegou a avaliar alguns nomes, mas sem definição.

Assim como Aécio, o outro senador por Minas que termina o mandato neste ano, Zezé Perrella (MDB), não deverá concorrer à reeleição. De acordo com uma fonte ouvida pelo Estado, a entrada de Perrella no MDB não teria agradado a algumas alas do partido, e seu nome nem sequer foi cogitado para integrar as candidaturas próprias da sigla.

Já o PT diz que Dilma poderá se candidatar ao Senado mas faz a ressalva de que cabe exclusivamente à ex-presidente confirmar qual seria sua participação nas eleições de outubro.

Somente a notícia de que Dilma havia transferido o domicílio eleitoral para Minas causou turbulência no cenário político do Estado. Esse furor seria, segundo analistas, o que convenceu o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes (MDB), a aceitar o pedido de abertura do processo de impeachment do governador Fernando Pimentel (PT).

Outro grupo que se ressentiu com a possibilidade da entrada de Dilma na disputa eleitoral mineira para o Senado foi o PCdoB. Tradicional aliado do PT no Estado, o PCdoB está decidido a lançar a candidatura da deputada Jô Moraes. Uma fonte próxima afirmou que o PCdoB tinha planos de campanha para Jô e Dilma, que formariam coligação sob o slogan “agora é que são elas”, com a intenção de atrair o eleitorado feminino.

Com a recusa do PT em apoiar Jô, o PCdoB se reuniu com o pré-candidato ao governo Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte, e tem negociado a formação de uma coligação.

Escândalo envolvendo Temer atinge em cheio os planos do grupo Sarney no Maranhão…

Escândalo e possível cassação ou impeachment de Temer caíram como uma bomba no grupo Sarney. Na foto, Roseana e Sarney com o presidente ameaçado de queda

Sarney foi um dos articuladores da ascensão de Michel Temer

O Brasil está à beira de uma eleição direta com os ventos que sopram para uma possível cassação do presidente da República, Michel Temer (PMDB), após bombástica delação premiada de um dirigente do frigorífico JBS, que apresentou gravação do peemedebista dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No Maranhão, a notícia caiu como uma bomba nos planos do grupo Sarney que contava com a estrutura da presidência para tentar retomar o poder perdido no Estado, nas eleições de 2018, com a suposta candidatura de Roseana ao governo do Estado e do deputado federal Sarney Filho (PV) ao Senado.

Esperto, o grupo Sarney se articulou com Michel Temer traindo o PT, inclusive, na manobra pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff de quem também se beneficiou por vários anos. A oligarquia procurou buscar forças, sustentando-se em cargos políticos, ao exemplo do deputado federal Sarney Filho (PV) que virou ministro do Meio Ambiente no governo do peemedebista.

Após a traição a Dilma e ao PT, o grupo Sarney grudou, oportunamente, em Michel Temer igual carrapato na tentativa de conseguir fôlego político. A possível cassação ou impeachment de Michel Temer, hoje primeiro aliado da família, é vista, nos bastidores, como a pá de cal que faltava para “enterrar”, de vez, a oligarquia no Maranhão que estava se articulando para retomar o governo e assegurar vagas no Senado.

Nesta quinta-feira, o desenrolar do escândalo voltou a incomodar o grupo Sarney. O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar Michel Temer. O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com a decisão de Fachin, Temer passa formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato. Ainda não há detalhes sobre a decisão, que foi confirmado pela TV Globo.
O pedido de abertura de inquérito foi feito após um dos donos do grupo JBS, Joesley Batista, dizer em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que, em março deste ano, gravou o presidente dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo”.
A delação de Joesley e de seu irmão, Wesley Batista, foi homologada por Fachin, informou o Supremo nesta quinta-feira.
Pela Constituição, o presidente da República só pode ser investigado por atos cometidos durante o exercício do mandato e com autorização do STF.
Assim, o presidente poderá ser investigado porque os fatos narrados por Joesley Batista na delação teriam sido cometidos em março deste ano, quando Temer já ocupava a Presidência.

 

“NÃO RENUNCIAREI”, DIZ MICHEL TEMER EM PRONUNCIAMENTO

Michel Temer fez um pronunciamento na tarde desta quinta-feira

O presidente Michel Temer afirmou, na tarde desta quinta-feira (18), no Palácio do Planalto, que não teme delação e que não renunciará. Ele fez um pronunciamento motivado pela delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. As delações já foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquérito para investigar o presidente.
“No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo”, declarou.
Reportagem publicada no site do jornal “O Globo” nesta quarta (17) informou que Joesley Batista entregou ao Ministério Público gravação de conversa na qual ele e Temer falaram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.
“Não temo nenhuma delação, nada tenho a esconder”, disse Temer. “Nunca autorizei que se utilizasse meu nome”, declarou o presidente.
Ele afirmou que nunca autorizou que se pagasse a alguém para ficar calado. “Em nenhum momento autorizei que pagasse a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém”, declarou.

Zé Inácio vai pedir que PT nacional interpele Max Barros por acusações a Dilma e Lula

O deputado estadual Zé Inácio Rodrigues (PT) disse, nesta quinta-feira (18), por meio de sua conta pessoal no Twitter, que fará uma representação à presidência nacional do PT para que interpele, judicialmente, o parlamentar maranhense, Max Barros (PRB), para que ele prove as acusações feitas, em sessão plenária, contra os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, feitas na tentativa de defender o presidente Michel Temer (PMDB) que se envolveu em outro grande escândalo nacional, fruto de investigação da operação Lava Jato.
Segundo Zé Inácio, a imunidade parlamentar não deve ser usada de forma irresponsável, sobretudo para fazer acusações falsas e infundadas. O petista disse que Max Barros precisa ter maior responsabilidade, pois aquilo que ele fala pode, de repente,  ser usado contra si próprio (Veja vídeo do pronunciamento acima).

“O deputado Max Barros, não só fez uma fala política, mas foi irresponsável na medida em que ele diz que os ex-presidentes Dilma e Lula roubaram, quando não se tem sentença que condene nenhum dos dois. Até a presidente Dilma, que foi golpeada, ela não foi acusada de crime comum, caracterizado na Constituição Federal. Ela responde por supostas pedaladas fiscais”, disse Zé Inácio na tribuna.

Flávio Dino: “País vive um absoluto caos institucional”

Portal Vermelho 

Flávio Dino

Flávio Dino

Em comentário no Twitter, Flávio Dino, que é advogado, professor de Direito e já foi juiz federal, afirmou que o “país vive um absoluto caos institucional”. Segundo ele, o país só tem a perder quando os “três poderes estão em desarmonia interna e nas suas relações recíprocas”.

Flávio criticou a falta de espaço para o debate de problemas nacionais, “tudo se resume a brigas e ao suposto combate à corrupção”. Entretanto, para o governador, “a receita é simples e necessária: os políticos cuidam da política e das leis, os juízes cuidam dos autos e das sentenças, etc.”.

O governador destacou ainda que tais modos realizados por membros do alto escalão do poder, aliado à “indústria de entretenimento”, tentam passar uma imagem de “civilização do espetáculo”, mas o que acontece internamente é o contrário.

Para ele, é preciso conter os ânimos e o “ativismo” neste momento de crise política e econômica em que o país vive, com a intenção de ocultar inúmeros escândalos de corrupção.

Em entrevista recente ao Portal Vermelho, o governador do Maranhão havia criticado a postura parcial de setores do Judiciário brasileiro e sobre a separação de poderes. Na ocasião, Flávio Dino afirmou, categoricamente, que o discurso ideológico que sustenta a legitimidade do direito “foi derrogado por esse proclamado ‘direito excepcional’”, defendido por Sérgio Moro.

“Isso nada mais é do que a realização daquilo que Aristóteles disse em Política, ou o que os liberais escreveram no Segundo Tratado de Direito Civil, sobre a separação de poder, ou o que disseram os federalistas: o poder é abusivo por natureza e vai onde encontra limites; os homens não são governados por anjos, por isso cabe controlá-los…”. E completou: “Se não tem teto, se não tem limites e ninguém controla ninguém, cada um faz o seu direito ad hoc [para uma finalidade]”, ressalta o professor de Direito.

Flávio Dino foi destacado político que defendeu – em todo o processo – que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff era um golpe institucional. Ao jornal El País, o governador ressaltou que “o enfraquecimento de garantias” e uma “exacerbação de subjetividade” são “uma tendência bastante perigosa” dentro dos poderes.

“Se cada um fizer seu papel constitucional sem espetáculos, sem excessos, com moderação e prudência, o Brasil poderá caminhar em um rumo melhor”, comentou.

Os três senadores do Maranhão votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff

Roberto Rocha justificou o voto a favor do impeachment

Roberto Rocha justificou o voto a favor do impeachment

Os três senadores do Maranhão votaram  a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na sessão desta quarta-feira (31), no Senado. Eles repetiram o voto contrário ao PT quando da apreciação do  prosseguimento do processo.

Os senadores Roberto Rocha (PSB) e Edison Lobão (PMDB) já haviam aprovado o processo de impeachment desde a primeira votação. A única exceção era o senador João Alberto (PMDB) que, das últimas duas vezes, não contou os anos de favorecimento com o governo Dilma.

Roberto Rocha explicou que considerou muitas variáveis para decidir seu voto. Conversou com os outros senadores da bancada maranhense em busca de uma posição que fortaleça o Estado e pensou na fragilidade social e econômica do Maranhão, que é beneficiado por quase um milhão de bolsas-famílias e, por isso mesmo, é fortemente impactado pela crise que piora a economia do país.

“Temos elementos de grande complexidade técnica que apontam para indícios de responsabilidade da . presidente”, avaliou Roberto Rocha. O impeachment foi aprovado pelo Senado por 61 votos a favor e 20 contra. O senador, no entanto, votou pela manutenção dos direitos políticos da presidente. “Inquieta-nos que a sentença máxima aplicada a ela, que corresponde a uma pena de morte política, seja desproporcional aos erros por ela cometidos”, justificou.

Senado aprova impeachment, Dilma perde mandato e Temer assume presidência da República

G1

Dilma, a primeira presidente, a primeira mulher a sofrer impeachment na presidência da República

Dilma, a primeira presidente, a primeira mulher a sofrer impeachment na presidência da República

O plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (31), por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff. A presidente afastada foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas “pedaladas fiscais” no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional.

 

A decisão foi tomada na primeira votação do julgamento final do processo de impeachment. A pedido de senadores aliados de Dilma, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, decidiu realizar duas votações no plenário.

Veja como votou cada senador no julgamento do impeachment

A primeira, analisou apenas se a petista deveria perder o mandato de presidente da República. Na sequência, os senadores irão apreciar se Dilma deve ficar inelegível por oito anos a partir de 1º de janeiro de 2019 e impedida de exercer qualquer função pública. Até a última atualização desta reportagem, a segunda votação ainda não havia sido realizada.

Segundo a assessoria do Supremo, ainda nesta quarta, oficiais de Justiça notificarão a ex-presidente e o presidente em exercício Michel Temer sobre o resultado do julgamento.

Temer deve ser empossado presidente da República ainda nesta quarta, em sessão do Congresso Nacional que será realizada no plenário da Câmara.

Já Dilma deverá desocupar em até 30 dias o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, em Brasília, e terá reduzida para oito servidores sua equipe de assessores, seguranças e motorista.

 

Processo de impeachment
A condenação de Dilma se deu após seis dias de julgamento no Senado. Até o impeachment, houve sete votações no Congresso.

O primeiro parecer foi aprovado na comissão especial da Câmara, em 11 de abril de 2016, por 38 a 27 (veja todas as etapas do processo).

A autorização para a abertura do processo foi dada em 2 de dezembro de 2015, pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no mesmo dia em que a bancada do PT decidiu votar pela continuidade do processo de cassação contra ele no Conselho de Ética.

Em 12 de maio, o Senado decidiu afastar Dilma, e Temer assumiu a Presidência interinamente. Desde então, o processo de impeachment passou a ser conduzido pelo presidente do Supremo.

Condenação
O pedido de impeachment contra Dilma, apresentado pelos juristas Miguel Reale Júnior, Janaina Paschoal e Hélio Bicudo, apontou que ela cometeu crime de responsabilidade ao editar três decretos de créditos suplementares sem autorização do Legislativo e ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais”, que consistiram no atraso de pagamentos ao Banco do Brasil por subsídios agrícolas referentes ao Plano Safra.

Segundo os juristas – e agora o Congresso – Dilma descumpriu a Lei Orçamentária de 2015 e contraiu empréstimo com instituição financeira que controla – o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Aliados da petista e seus advogados argumentaram, ao longo de todo o processo, que Dilma não cometeu ilegalidade e que não houve dolo ou má-fé na abertura de créditos suplementares. Além disso, que as chamadas “pedaladas” não são empréstimos, mas prestações de serviços cujos pagamentos foram regularizados após orientações do Tribunal de Contas da União (TCU).

A defesa da ex-presidente afirmou ainda que o processo de impeachment foi aberto como ato de “vingança” do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por não ter recebido apoio da bancada do PT para barrar o processo de cassação contra ele.

Impeachment de Collor
Esta não é a primeira vez que um presidente da República sofre um processo de impeachment no Brasil. Em 1992, o ex-presidente Fernando Collor foi condenado por crime de responsabilidade por ter utilizado cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais – como uma reforma na Casa da Dinda, residência em que morava em Brasília, e a compra de um carro Fiat Elba.

Collor renunciou antes da votação final pelo Senado, mas mesmo assim o processo continuou. Atualmente senador pelo estado de Alagoas, ele votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta.

Além de Collor e Dilma, todos os ex-presidentes da República desde a redemocratização do país foram alvo de pedidos de impeachment. Mas somente os processos de Dilma e do senador alagoano foram levados adiante.

Momento a momento do impeachment
Relembre etapa por etapa do processo de impeachment de Dilma:

2015
– 2 de dezembro: Cunha anuncia que autorizou abertura de processo de impeachment de Dilma Rousseff.

2016
– 11 de abril: Comissão especial na Câmara aprova por 38 votos favoráveis e 27 contrários parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) pela continuidade do processo de impeachment. Caso vai ao plenário principal da Câmara.

– 17 de abril: Plenário principal da Câmara aprova, por 367 votos favoráveis e 137 contrários, prosseguimento do processo de impeachment, que é encaminhado ao Senado;

– 6 de maio: Comissão especial no Senado aprova, por 15 a 5, parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável à abertura do processo de impeachment pela Casa, fase chamada de “admissibilidade da denúncia”. Relatório vai à votação no plenário do Senado;

– 12 de maio: Depois de uma sessão de mais de 20 horas, o plenário principal do Senado aprova, por 55 a 22, a abertura do processo de impeachment pela Casa. Dilma Rousseff é afastada da função por até 180 dias e o vice-presidente Michel Temer assume seu lugar;

– 4 de agosto: Após a requisição de documentos, produção de perícia e depoimentos de 45 testemunhas, a comissão especial do impeachment do Senado decidiu, ao aprovar relatório de Anastasia por 14 votos a 5, que Dilma deveria ser levada a julgamento. A fase, chamada de “pronúncia”, também vai à votação pelo plenário principal;

– 10 de agosto: Plenário principal do Senado decide – por 59 votos a 21 – que a denúncia contra Dilma Rousseff é procedente e que a petista deve ser julgada por crimes de responsabilidade. Com a aprovação do relatório da comissão especial, é concluída a fase de “pronúncia”;

– De 10 a 12 de agosto: Acusação e defesa entregam manifestações finais do processo e listas de testemunhas que escolheram para depor ao Senado. Julgamento é marcado para o dia 25 de agosto de 2016;

– 25 a 27 de agosto: Senado começa julgamento do impeachment de Dilma com o depoimento de testemunhas;

– 29 de agosto: Dilma Rousseff vai ao Senado e reitera que não cometeu crime de responsabilidade e que o processo de impeachment é “golpe” movido por Eduardo Cunha em um ato de “desvio de poder”.

– 30 de agosto: Acusação e defesa fazem últimas manifestações no processo de impeachment e senadores se pronunciam sobre o afastamento de Dilma Rousseff.