Dólar vai a R$ 3,68 e bolsa bate novo recorde com otimismo internacional

A indicação da equipe econômica de que a reforma da Previdência pode ser mais dura que a enviada pelo ex-presidente Michel Temer é um sinal positivo

VEJA

O mercado está otimista com a possibilidade de acordo comercial entre Estados Unidos e China. O dólar rompeu a casa dos 3,70 reais e era vendido a 3,6856 reais por volta das 12h17, uma queda de 0,80%. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, avança 1,26%, a 93.187 pontos, um novo recorde.

Segundo analistas de mercado, há uma euforia generalizada com a possibilidade de entendimento entre os dois países. “O primeiro encontro entre as autoridades americanas e chinesas após o anúncio de uma trégua tarifária de 90 dias no G20 chega ao fim. Essa nova rodada – que tinha como principal objetivo andar na direção de um acordo definitivo e pôr um fim à guerra comercial – parece ter sido concluída em tom positivo”, afirma relatório da Guide Investimentos.

Segundo a Necton Corretora, a possibilidade de acordo entre EUA China fez com que bolsas asiáticas encerrassem o dia em alta. “E as europeias operam no positivo em meio ao otimismo instalado nos mercados acionários com sinais de que a guerra comercial entre as duas maiores economias pode ser evitada.”

No campo doméstico, a indicação da equipe econômica de que a reforma da Previdência pode ser mais dura que a enviada pelo ex-presidente Michel Temer é um sinal positivo. Os analistas alertam, entretanto, que é preciso reformar logo a Previdência, preferencialmente sem excluir nenhuma categoria das mudanças, como os militares. “O otimismo e voto de confiança por parte do capital financeiro com a agenda do novo governo associada a um setor externo positivo favorece o mercado interno”, afirma a Necton.

Após nova alta, dólar fecha no maior valor desde março de 2016

Trata-se do maior valor desde o dia 1º de março de 2016, quando a moeda fechou o dia vendida a R$ 3,941

O dólar comercial fechou mais um pregão em alta nesta quinta-feira (7), com valorização de 2,3%, cotado a R$ 3,926. Trata-se do maior valor desde o dia 1º de março de 2016, quando a moeda fechou o dia vendida a R$ 3,941.

Em uma prévia durante o pregão, o dólar chegou a bater R$ 3,9684, recuando após intervenção do Banco Central com a negociação de mais de US$ 6,8 bilhões de contratos de swaps cambiais, equivalente à venda de dólar no mercado futuro. Desde fevereiro, o dólar acumula alta de 23,44%.

De acordo com investidores, a pressão externa relacionada à melhora na economia dos Estados Unidos tem atraído muito dólar para o país. “Com a provável elevação na taxa de juros norte-americanas, em decorrência do aumento da inflação naquele país, acaba ocorrendo um influxo de dólar para a compra de títulos públicos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que a economia dos EUA cresce, a do Brasil tende a se enfraquecer, o que ajuda neste movimento”, diz Alexandre Wolwacz, sócio-fundador do Grupo L&S.

No caso brasileiro, a “instabilidade política e econômica”, que cresceu nas últimas semanas após a greve dos caminhoneiros, também interfere no humor do mercado de câmbio, segundo Wolwacz. “Não se pode negar que a greve foi apenas um dos sintomas da situação do governo, que tem dificuldade de manter a governabilidade e começa a perceber a necessidade de subir a taxa de juros, mesmo com a nossa economia estagnada”.

O dólar turismo, usado para quem vai fazer uma viagem internacional, estava sendo vendido, na versão papel-moeda, a R$ 4,10 nas casas de câmbio consultadas pela Agência Brasil em São Paulo, após o fim do pregão de hoje, já incluindo as taxas de compra. Na versão cartão pré-pago, incluindo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a moeda norte-americana estava sendo cotada a R$ 4,30.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) também registrou forte queda de 2,98% no pregão desta quinta, a 73.851 pontos. No pior momento do dia, a cotação do Ibovespa chegou a cair para 6,5%, o menor índice registrado desde 16 de novembro de 2017.

Ações blue ship, de empresas de grande porte como Vale, Petrobras e Itaú, por exemplo, registravam quedas. Os papéis preferenciais da Petrobras (com direito a pagamento de lucros e dividendos) registravam queda de 3,49%. Vale e Itaú registraram baixas de 3,03% e 2,91%, respectivamente.

O esfacelamento doloroso do nosso Real frente ao Dólar…

Com informações do G1

Nosso Real enfraqueceu, drasticamente, diante do Dólar americano

Nosso Real enfraqueceu, drasticamente, diante do Dólar americano

É muito lamentável para o nosso país o que está ocorrendo com o nosso Real no mundo, cada vez mais fraco diante da instabilidade política e econômica do Brasil, da crise de países parceiros, etc. Esfacelada, é a segunda moeda que mais se desvalorizou em 12 meses, segundo uma pesquisa divulgada, esta semana, pela TOV Corretora.  Caiu 67,29%, simplesmente, neste período, frente ao Dólar, perdendo apenas para a  da Rússia, que recuou 72,37%.

Uma moeda fraca, longe de afetar exclusivamente os preços dos importados, afeta também todos os preços internos, inclusive dos bens produzidos nacionalmente. Isso é óbvio: se a moeda está enfraquecendo, isso significa, por definição, que passa a ser necessário ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem.

Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser garantido com uma menor quantidade de moeda.

Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem exceção…

No Brasil, o esfacelamento do Real perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente perante o Dólar — está gerando aumento de preços em todas as áreas da economia.

Não são apenas os preços dos produtos importados e das viagens internacionais que ficam mais caros. Bens produzidos nacionalmente também encarecem, pois as indústrias produtoras certamente utilizam insumos importados ou, no mínimo, peças importadas.

Uma simples firma que utiliza computadores e precisa continuamente de comprar peças de reposição vivenciará um grande aumento de custos.

Pior ainda: os preços dos alimentos são diretamente afetados pela desvalorização da moeda.

Com a desvalorização do real no mercado internacional, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral.

Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços.

Fartura para os estrangeiros, carestia para nós…

Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram até motivo de debate na campanha eleitoral, seguem crescendo. E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela aumenta as exportações do produto e reduz a oferta interna; de outro, ela encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar. Se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta). E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção. (Apenas neste ano, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.350)

Consequentemente, os preços da carne são pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da produção. Por trás de tudo, está o câmbio.

Mas piora. Como dito, a desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata.

A desvalorização cambial também encarece os remédios (85% da química fina é importada), o pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar; se o dólar encarece, o trigo encarece), os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar).

E o aumento do aluguel e o encarecimento da eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina mecânica).

E todos esses aumentos generalizados farão com que os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para consertar — também tenham de aumentar seus preços.

Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.

Consequências no Turismo…
O turista brasileiro nos Estados Unidos é um dos mais prejudicados com a alta do dólar pois consumir está ficando mais caro. O salário em real continua o mesmo, mas o câmbio para a moeda americana está aumentando o valor em moeda brasileira. Assim, está mais caro comprar dólar e comprar em dólar.

Para o turista, também há o preço das passagens aéreas que são quantificadas em dólar e, que, portanto, estão ficando mais caras.