Bolsonaro inclui atividades religiosas em lista de serviços essenciais em meio ao coronavírus

Ao ser considerado essencial, o serviço ou atividade fica autorizado a funcionar mesmo durante restrição ou quarentena em razão do vírus

O presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que torna as atividades religiosas parte da lista de atividades e serviços considerados essenciais em meio ao combate ao novo coronavírus.

Ao ser considerado essencial, o serviço ou atividade fica autorizado a funcionar mesmo durante restrição ou quarentena em razão do vírus. Segundo o texto, no entanto, o funcionamento deverá obedecer as “determinações do Ministério da Saúde”.

O decreto foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (26) e tem validade imediata, sem a necessidade de aprovação pelo Congresso, por se tratar de um decreto.

Em fevereiro, Bolsonaro sancionou a lei que trata de quarentena durante a epidemia de coronavírus no Brasil. O texto foi enviado pelo presidente ao Congresso para “regulamentar o atual quadro de emergência de saúde pública”.

Na última sexta-feira (20), o presidente alterou o texto da lei por meio de uma media provisória. A MP concentrou no governo federal o poder para estabelecer medidas de restrição de circulação de pessoas e estabeleceu que devem ser resguardados da quarentena “o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais”.

Bolsonaro quer subsidiar conta de energia de igrejas

Edir Macedo, líder da igreja Universal do Reino de Deus, em culto com Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro quer conceder subsídio na conta de luz para templos religiosos de grande porte. A pedido dele, uma minuta de decreto foi elaborada pelo Ministério de Minas e Energia e enviada para a pasta da Economia, mas a articulação provocou forte atrito no governo. A equipe econômica rejeita a medida, que vai na contramão da agenda do ministro Paulo Guedes, conhecido por defender a redução de benefícios desse tipo. O Ministério de Minas e Energia confirmou que o assunto está sendo avaliado.

Embora o movimento seja para beneficiar templos religiosos de forma ampla, os evangélicos são o alvo da medida. A bancada desse segmento é hoje a principal base de sustentação do governo e Bolsonaro tem atendido suas reivindicações desde que assumiu a Presidência. A influência de líderes evangélicos sobre o Palácio do Planalto é cada vez maior e o próprio presidente já disse que quer tê-los por perto na administração. 

Com essa perspectiva, muitos templos já anunciaram a disposição de ajudar Bolsonaro a coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil. Bolsonaro também já avisou que pretende indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal (STF). Os evangélicos representam 29% dos brasileiros e podem ser o fiel da balança na campanha de Bolsonaro à reeleição, em 2022. 

Coordenador da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) disse que a concessão de subsídio na conta de luz para templos religiosos é “justa” e tem impacto “mínimo”. Segundo Câmara, a medida não beneficiará apenas evangélicos e as igrejas não geram lucro. “Os templos religiosos só funcionam das 18h às 23h e é justamente nesse horário que as distribuidoras podem cobrar mais”, afirmou. “Fechem todas as 300 mil igrejas no Brasil em um dia para ver o impacto social e na segurança no dia seguinte.” 

Haddad reúne-se com representantes de igrejas evangélicas em São Paulo

O candidato a Presidente, Fernando Haddad, em encontro com pastores evangélicos Foto: Edilson Dantas

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, se reuniu nesta quarta-feira (17) num hotel do centro de São Paulo com representantes e integrantes de igrejas evangélicas, como a Batista, Metodista, Presbiteriana, assembleia de deus e anglicana.

O candidato ouviu músicas e orações e recebeu apoio de pastores. Haddad divulgou uma carta aos evangélicos, na qual diz que “desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT.”

No texto, pontuado por passagens da Bíblia, ele escreveu: “A legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças não constam de meu programa de governo”.

No discurso, Haddad também defendeu a liberdade religiosa. “Num país tão desigual quanto o Brasil, o único projeto que eu concebo é um projeto que garanta a mais ampla liberdade para as pessoas. Mais ampla e em todos os âmbitos. Liberdade de se expressar, liberdade de se organizar, liberdade de abraçar uma religião, liberdade de dizer o que pensa, de ser convencido e convencer”, afirmou o candidato.

Para Haddad, “o Estado não pode ser propriedade de uma religião, tem que abraçar todas”.

Ele também disse que assumiu um compromisso com aqueles que mais precisam. Para combater a desigualdade, ele ressaltou que o governo precisa dar oportunidades iguais.

“O que nós queremos é que, independentemente disso, seja católico ou evangélico, seja judeu ou muçulmano, seja nordestino ou sulista, branco ou negro, homem ou mulher, todo mundo tem rigorosamente as mesmas condições de se desenvolve”, disse.

“Deus distribuiu talento democraticamente. Todo mundo tem talento […] Mas se nós criarmos condições para que todos possam se desenvolver, você vai descobrir pianistas, médicos, engenheiros, advogados, artistas, cantores, compositores em cada um de nós, porque todo mundo nasceu com talento pra desenvolver”, completou Haddad.

O candidato ainda se disse preocupado com onda de calúnias nas redes sociais e defendeu uma campanha sem violência.

“Nós não podemos agredir quem pensa diferente da gente”, argumentou. “Matar nunca é a solução. Nunca é a solução. Torturar nunca é a solução”, concluiu