Maranhão tem a 5ª maior queda do desemprego em todo o Brasil

Foram 73 mil vagas geradas nesse período, mesmo sob a severa crise econômica nacional que atinge o país

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (15) pelo IBGE mostra que o Maranhão é o quinto Estado que mais reduziu o número de desocupados em todo o Brasil. A comparação é entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano.

De acordo com a PNAD Contínua Trimestral, a taxa de desocupação caiu 1,7 ponto porcentual no Maranhão no período. Apenas quatro Estados (Amazonas, Rondônia, Amapá e Acre) tiveram desempenho melhor. Além disso, 17 Estados não conseguiram reduzir a desocupação e ficaram estáveis.

A taxa de ocupação do IBGE inclui tanto o emprego formal (com carteira assinada) quanto o informal (sem carteira assinada). A PNAD também mostra que o Maranhão teve a quinta melhor criação de empregos em número absoluto entre o primeiro e o segundo trimestres.

Foram 73 mil vagas geradas nesse período, mesmo sob a severa crise econômica nacional que atinge o país.

O IBGE confirma que o Maranhão vive um momento positivo no mercado de trabalho. No mês passado, foi divulgado o mais recente Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho.

Neste caso, apenas são computados os empregos com carteira assinada. De acordo com o Caged, o Maranhão teve em junho um saldo positivo de 2.001 novos postos formais. Foi o segundo melhor desempenho de todo o Nordeste, atrás apenas da Bahia, que gerou 2.362 vagas.

Na comparação com todos os 26 Estados e o Distrito Federal, o Maranhão ficou na sétima melhor colocação. Se for levado em conta o crescimento proporcional, o Maranhão tem a terceira melhor marca no ranking nacional. A expansão foi de 0,43%.

Othelino lamenta ataques de Jair Bolsonaro contra oposição

Jair Bolsonaro voltou a criticar partidos da esquerda ao afirmar que iria “varrer a turma vermelha do Brasil”

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), lamentou falas do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que voltou a criticar partidos da esquerda ao afirmar que iria “varrer a turma vermelha do Brasil” nas próximas eleições. A declaração ocorreu em discurso durante inauguração de uma escola, na cidade de Parnaíba, no Piauí.

“Lamentável o presidente Bolsonaro chamar as correntes políticas que lhe fazem oposição de bandidos e autoritários. Quando comete esse palavreado chulo, parece estar olhando com frequência para o espelho”, escreveu Othelino.

Bolsonaro esteve acompanhado do prefeito Francisco Assis Moraes de Souza, o Mão Santa (MDB-PI), e voltou a disparar contra opositores.

Diálogo com Othelino: Reforma da Previdência e Tributária são temas da segunda edição do podcast

Na segunda edição do podcast “Diálogo com Othelino”, nesta segunda-feira (12), o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PC do B), fez uma análise da Reforma Previdenciária, aprovada recentemente pela Câmara Federal e que esteve em discussão no 5º Encontro de Presidentes das Assembleias Legislativas do Nordeste – ParlaNordeste, realizado na última sexta-feira (9), em Aracaju (SE).

“Embora a Câmara já tenha retirado itens que consideramos muito importantes, como por exemplo, a extinção do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos trabalhadores rurais, foram mantidos alguns pontos que consideramos negativos , mas que temos a expectativa de que o Senado retire. Refiro-me aos 40% que podem ser diminuídos dos pensionistas, causando um grande impacto”, explicou, acrescentando que a Previdência Pública deve ser compensatória, um instrumento de redução das desigualdades do país.

Em relação ao Pacto Federativo, outro tema discutido na reunião de trabalho dos presidentes, Othelino Neto defendeu a necessidade de uma distribuição de recursos federais mais justa para a região nordestina, tanto para os estados, quanto para os municípios. “O Governo Federal, além de concentrar muitos recursos, faz cortes por equívoco, justamente em áreas importantes, como na educação, o que consideramos ser algo que compromete o futuro do país. Quando se corta nesse volume, as atuais e futuras gerações pagam o preço”, afirmou Othelino Neto, que também é presidente do Colegiado do ParlaNordeste 2019.

O presidente Othelino também ratificou seu posicionamento sobre a postura do presidente da República em relação aos nordestinos.

“Reafirmo nossa posição tanto no Colegiado, quanto como presidente da Alema, que protestaremos sempre que nos sentirmos prejudicados, seja nas retaliações com cortes de recursos em programas essenciais, seja nas declarações infelizes que agridem o povo nordestino, um povo amigo, alegre e, aliás, que produz muito para o Brasil”, ressaltou.

“Também não concordamos quando o presidente Jair Bolsonaro afirma que as parcerias só devem ocorrer quando os governos e os políticos do Nordestes fizerem juras de fidelidade a ele. Não é assim que se comporta. O presidente da República deve buscar a pacificação do país. ”, completou Othelino.

Reforma tributária

Na segunda edição do podcast, Othelino Neto opinou, também, sobre Reforma Tributária. “É preciso estabelecer se deve ser feita como na Trabalhista, que se retirou Direito dos trabalhadores com a justificativa de que permitiria a geração de empregos, o que não aconteceu. Hoje já são mais de 13 milhões de desempregados. A Trabalhista não corrigiu essa distorção e no que diz respeito à Tributária, é preciso compreender que o sacrifício maior deve ser feito por aqueles que têm mais. Assim, os estados conseguirão arrecadar melhor e terão um impacto maior. Essa reforma só será justa se for um instrumento de combate à desigualdade”.

O presidente finalizou falando do peso dos impostos para os cidadãos. “O Brasil não aguenta mais tantos impostos. Por isso, é preciso fazer uma avaliação de onde tem cobrança excessiva, que atinge empresas e pessoas físicas. É necessário fazer uma revisão nesse sentido, com o objetivo de promover justiça tributária”.

O podcast “Diálogo com Othelino” é semanal e pode ser ouvido a qualquer hora e lugar – no computador, smartphone ou em outro aparelho com conexão à internet. Para ouvir, é necessário baixar o aplicativo Spotify ou o Soundcloud. Depois, basta buscar o nome do programa e dar play no episódio desejado. O programa também está disponível nas redes sociais do presidente (Youtube, Instagram, Facebook e Twitter).

Acesse o link e ouça o segundo episódio aqui

“Espero que o presidente abandone essa espécie de terrorismo ideológico” afirma Dino ao UOL

Dino falou ao UOL após participar de um evento promovido pela Fundação Lemann, no qual debateu a situação política atual com o presidente da Câmara Federal

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), diz não acreditar que as recentes falas de Jair Bolsonaro contrárias ao Nordeste tenham efeitos práticos para as relações institucionais.

O governador comunista não se sente ameaçado: segundo ele, as falas de Bolsonaro não reverberam na prática da dinâmica entre os governos. Cita como exemplo o fato de seu estado ter cedido recentemente, ao governo federal, agentes penitenciários para atuarem no Pará, após uma rebelião em Altamira deixar dezenas de mortos. Também reforça que membros de sua administração têm sido recebidos normalmente em Brasília.

“Hoje ainda é visível um fosso entre aquilo que o presidente da República anuncia […] daquilo que nós reivindicamos na ação concreta do governo. Se me perguntarem hoje se houve alguma retaliação contra o governo do estado do Maranhão, eu diria que não, não houve nenhuma. Espero que continue assim”, diz.

Dino falou ao UOL após participar de um evento promovido pela Fundação Lemann, no qual debateu a situação política atual com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), e com o empresário Salim Mattar, secretário de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia do governo Bolsonaro. Leia a entrevista completa.

UOL – O presidente condicionou no começo da semana o repasse de verbas aos estados nordestinos ao reconhecimento dos governadores. O que isso significa em termos legais?

Flávio Dino – Nós temos que distinguir o que é parceria institucional, que nós defendemos, daquilo que seria espécie de adesão, submissão, rendição pessoal. São duas coisas totalmente diferentes.

No primeiro caso, a Constituição protege e determina que tais parcerias sejam feitas, à luz por exemplo dos princípios inscritos no artigo 37, marcadamente o da eficiência, assim como também, claro, o da impessoalidade. O segundo caso é inexigível, nenhum governante pode ser obrigado, em primeiro lugar, a transgredir a norma jurídica. Em segundo lugar, a abrir mão das suas opiniões políticas, para com isso ter acesso àquilo que não é favor, é direito.

É essa distinção que nós esperamos que seja compreendida e essa ação seja feita. Temos hoje de um lado o pluralismo político, com parcerias institucionais, e de outro, uma visão autoritária. Para o primeiro caso, estou 100% de acordo e disponível ao entendimento para ações conjuntas. Para o segundo caso, é impossível aceitar porque seria politicamente inaceitável e inconstitucional, ilegal.

UOL – Ainda assim, há uma preocupação de que isso de fato aconteça?

Flávio – Eu acho que na prática hoje ainda é visível um fosso entre aquilo que o presidente da República anuncia, declara, de sua retórica belicista, cotidiana, daquilo que nós reivindicamos na ação concreta do governo. Ou seja, hoje, se me perguntarem até o presente momento se houve alguma retaliação, vingança, contra o governo do estado do Maranhão, eu diria que não, não houve nenhuma. Digo isso reiteradamente. Espero que continue assim.

E espero também que o presidente da República abandone essa visão unilateralista, espécie de terrorismo cultural ideológico que ele tem praticado. Não só contra governadores, ou contra a oposição política, mas contra largos segmentos sociais. Acho que isso atrapalha o Brasil.

O ideal é que as duas coisas andem juntas. Uma atitude, comportamento presidencial, mais compatível com o peso importante de seu cargo, que exige diálogo, exige entendimento, respeito, e de outro lado, esperamos que a ação concreta continue assim. Ou seja, haja isonomia no tratamento entre os estados e que todos sejam tratados segundo a Constituição e as leis.

“O Nordeste precisa ser ouvido e respeitado”, afirma Othelino Neto durante ParlaNordeste em Aracajú

Othelino Neto (PCdoB), conduziu os trabalhos do 5º Encontro de Presidentes de Assembleias Legislativas do Nordeste – ParlaNordeste, que aconteceu sexta-feira (9), no Plenário Pedro Barreto de Andrade, na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALSE)

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), conduziu os trabalhos do 5º Encontro de Presidentes de Assembleias Legislativas do Nordeste – ParlaNordeste, que aconteceu sexta-feira (9), no Plenário Pedro Barreto de Andrade, na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALSE), onde foram discutidos temas que estão em pauta nacional e que são de interesse do povo nordestino, entre eles, o Pacto Federativo, a Reforma da Previdência, a criação de Fundos Municipais do Idoso e a nova Política Nacional de Saneamento Básico.

O encontro contou com as presenças dos presidentes das Assembleias Legislativas dos Estados de Sergipe (deputado Luciano Bispo), Piauí (deputado Themístocles Filho), Bahia (deputado Nelson Leal), Ceará (deputado José Sarto), Paraíba (deputado Adriano Galdino) e Alagoas (deputado Marcelo Victor), que, na oportunidade, junto com o também presidente do Colegiado do ParlaNordeste 2019, deputado Othelino Neto, assinaram a Carta de Aracaju. O documento, que contém os encaminhamentos das discussões, será levado às bancadas nordestinas do Senado e Câmara Federal, posteriormente.

“Reafirmamos bandeiras importantes da Reforma da Previdência aprovada na Câmara Federal e que será analisada pelo Senado, sem tirar dela o caráter solidário e, ao mesmo tempo, afirmamos que o Colegiado está disposto ao diálogo permanente para que possamos debater e sugerir sobre os temas mais importantes e urgentes que estão em pauta nacional. Assim como repetimos temas a cada versão, também tratamos de novos. Nesta edição, por exemplo, incluímos a nova Política Nacional de Saneamento”, explicou o presidente Othelino Neto.

Ao ressaltar seu orgulho em ser nordestino, Othelino Neto afirmou que a região deveria ter muitos mais investimentos devido a importância que tem para o desenvolvimento do país. “Queremos ser ouvidos e respeitados”, completou.

O deputado estadual Ricardo Rios esteve presente na reunião de trabalho do Colegiado e avaliou a condução do presidente Othelino Neto. “Aqui, nós reafirmamos como somos muito bem representados na Assembleia Legislativa do Maranhão. Othelino consegue demonstrar a importância da união para conseguir boa resultados para a região, que é de interesse das Casas Legislativas de todos os estados do Nordeste”.

O trabalho do presidente Othelino Neto também foi enaltecido por presidentes de Assembleias que participaram do ParlaNordeste em Aracaju. “Othelino Neto tem se esforçado muito para que nossa região seja ouvida. Tenho certeza absoluta que iremos colher bons frutos em cada edição do ParlaNordeste conduzida por ele. Parabéns pelo trabalho”, disse Nelson Leal, presidente do Poder Legislativo da Bahia.

O presidente da Assembleia do Ceará, Dr. José Sarto, lembrou que Othelino Neto incentiva-os desde a elaboração da Carta de São Luís, quando aconteceu o 3º encontro do Colegiado. “Se não fosse sua intervenção, certamente esse movimento teria adormecido ou não existiria. Ele tem sido um grande líder desse movimento”.

“Othelino Neto é um visionário”, enalteceu o presidente da Assembleia de Alagoas, deputado Marcelo Victor.

O próximo encontro do ParlaNordeste está pré-agendado para acontecer na cidade de Maceió (AL), no dia 25 de outubro.

Caixa promete ações para o Nordeste

Pedro Guimarães prometeu a criação de um grupo de trabalho para acompanhar os empréstimos feitos aos Estados nordestinos.

Em um café da manhã com parlamentares do Nordeste nesta quinta-feira (8), o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, prometeu a criação de um grupo de trabalho para acompanhar os empréstimos feitos aos Estados nordestinos.

A força-tarefa apresentará nos próximos dias um conjunto de medidas e ações para ampliar as operações de crédito no Nordeste. Além disso, Guimarães também prometeu a ampliação do setor responsável pela análise de projetos para a Região, e uma redução nas taxas cobradas na administração da liberação de emendas pela Caixa.

As promessas de Guimarães ocorrem após levantamento do Estadão mostrar que o banco havia liberado aos Estados do Nordeste, até julho deste ano, apenas 2,2% do total de crédito concedido ao País. A Região Sul, em contrapartida, ficou com 46% do valor total.

O coordenador da bancada do Nordeste na Câmara, deputado Júlio César (PSD-PI), afirmou que após a publicação, a porcentagem de empréstimos à região chegou a 8%. O presidente da Caixa, segundo o parlamentar, comprometeu-se a focar na região. Com relação às taxas cobradas pelo banco pela liberação de emendas parlamentares, houve menção a uma redução nos valores cobrados, porém a alíquota exata não foi definida. Hoje, a Caixa cobra de 4% a 12% para a liberação, dependendo do valor da emenda.

Caixa tenta aproximação com parlamentares do Nordeste

A tentativa de aproximação ocorre após revelação que a Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para a região

Estadão

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, convidou parlamentares da bancada do Nordeste para um café da manhã, que será realizado na próxima quarta-feira, 7. A tentativa de aproximação ocorre após o Estadão revelar que a Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para a região.

A repercussão negativa fez com que a Caixa acelerasse empréstimos a Estados e municípios do Nordeste. O porcentual então subiu de 2,2% para 3% nos últimos dias.

Segundo levantamento com base nos números do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional, em 2019, até julho, o Nordeste recebeu cerca de R$ 89 milhões em empréstimos concedidos pela Caixa. O valor equivalente a cerca de 2,2% do total distribuído para todo o País no mesmo período, R$ 4 bilhões. Em 2018, a região recebeu 21,6% dos R$ 6 bilhões concedidos pela Caixa em operações para governos regionais.

Carta Capital: Comunista, cristão e paraíba, descubra o governador Flávio Dino

O governador Flávio Dino concedeu entrevista para a Revista Carta Capital

O século 20 mal tinha começado quando o pai do pai juntou as tralhas e navegou 4.670 quilômetros pelos afluentes do Rio Amazonas, entre Itacoatiara e Belém, para estudar Direito. Na mesma época, o pai da mãe fez as malas em Portugal, cruzou o Atlântico e uniu-se aos negócios de um tio em São Luís. Veio acompanhado de dois irmãos, José e Joaquim. Ele, o Manoel dessa história. O acaso precisaria de quatro décadas para levar o rio ao encontro do mar. Sálvio, filho do amazonense, esbarraria em Rita, filha do português, corriqueira união de raças e culturas que deu origem ao Brasil. E que deu, neste caso específico, em Flávio Dino, alçado à condição de o mais ilustre “paraíba” por obra dos desatinos de Jair Bolsonaro, detentor de um arsenal inesgotável de ofensas e golpes baixos. “Com muito orgulho”, responde o governador da “Paraíba do Norte”, ou melhor, do Maranhão. “Se ele pretendia me intimidar, enganou-se. Não tenho medo de nada e de ninguém.”

Fosse outro o político, a frase acima soaria como uma resposta retórica no calor de um embate, jogo de cena para a base de apoio. Dino tem dado, porém, mostras de um destemor raro entre as lideranças de oposição. Enquanto muitos se escondem, silenciam ou preferem os floreios, o governador do Maranhão faz questão de intervir no debate público sem meias palavras. Tornou-se, em consequência, referência no campo oposicionista e alvo dos adversários. Não espanta, portanto, que Bolsonaro mire o governador e não outros expoentes da oposição. São duas as armas esgrimidas por Dino com talento, humor e o Twitter.

Na segunda-feira 29, após o ex-capitão fazer troça do assassinato do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, desaparecido político durante a ditadura, ele não tardou a prestar solidariedade nas redes sociais a Felipe Santa Cruz. “O terrível assassinato do pai de uma pessoa não deve servir de arma para a politicagem. Quando o infrator da regra civilizacional é o presidente da República, mais grave é o fato.” Santa Cruz, ressalte-se, será homenageado pelo governo do Maranhão. Horas depois, viria a público um manifesto a favor da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, por conta da manifestada intenção de destruir provas colhidas na investigação dos hackers. Redigido por Dino, o manifesto receberia a adesão de Guilherme Boulos e Roberto Requião, entre outros. 

O governador é uma máquina de declarações espirituosas e tuítes sinceros. Ao receber uma fita vermelha do Senhor do Bonfim na entrada da reunião dos governadores do Nordeste em Salvador, brincou com a baiana: “A senhora escolheu a minha cor preferida. É boa essa proteção, tem muita gente do mal espalhada pelo Brasil”. Sobre Bolsonaro, já disparou: “Tem um insano no comando do País que lidera uma minoria sectária”. A dois entrevistadores que imaginavam constrangê-lo ao perguntar se ele era “comunista” e se era “comunista de iPhone”, saiu-se com essa: “Comunista, graças a Deus. E, sim, quero a tecnologia para todos. Defendo a partilha, a justiça social”. Ao saber que o vice-governador de Alagoas viajara a Pequim, soltou: “Sou um comunista de araque. Nunca fui à China, nem à Coreia do Norte, nem a Cuba”.

No fundo, Dino é mais cristão do que comunista. Nutre uma devoção particular por São Francisco. Para provar, exibe a imagem do santo presa por uma corrente em volta do pescoço. “Estou sempre com ele. Uma das maiores emoções da minha vida foi visitar seu túmulo na Itália.” O gabinete no Palácio dos Leões parece um santuário. As imagens de São Francisco e de Nossa Senhora predominam, protegidas por bustos de Salvador Allende, Ho Chi Minh e Che Guevara. Na ampla sala de reuniões ao lado, a Bíblia sustenta a Constituição, e vice-versa. Não raro, o governador recorre a versículos, em especial do Novo Testamento, para corroborar suas teses ou simplesmente produzir um efeito retórico. Lembrar que a defesa da igualdade é antes de tudo um preceito do Cristianismo talvez embaralhe a mente dos interlocutores dispostos a acreditar que os comunistas vivem a devorar criancinhas. “Sou a síntese do socialismo moreno, como repetia o Brizola”, brinca.

Aos 51 anos, o socialista moreno do Maranhão representa uma realidade do Nordeste que Bolsonaro e uma parte significativa do Centro-Sul desconhecem e menosprezam. A crise econômica e social iniciada em 2015 deixa suas marcas – o desemprego e a miséria voltaram a assombrar a região de maneira mais aguda do que no resto do País –, mas a memória dos avanços da última década e meia continua aguçada. E não se trata apenas da melhora das condições de vida. Nenhuma outra parte do Brasil experimentou uma renovação política tão profunda. As oligarquias que dominaram o Nordeste durante o século XX praticamente desapareceram.

Leia a matéria completa da Revista Carta Capital

Nordeste recebeu apenas 2,2% de crédito da Caixa

Foram R$ 4 bilhões em novas operações autorizadas pelo banco, apenas R$ 89 milhões foram para o Nordeste

A Caixa segurou empréstimos para prefeituras e governos dos Estados do Nordeste nos sete primeiros meses do ano. Levantamento feito pelo Estadão nos números do banco e do Tesouro Nacional mostram que a região recebeu apenas 2,2% do volume de crédito liberado pelo governo Jair Bolsonaro.

Foram R$ 4 bilhões em novas operações autorizadas pelo banco público federal com prefeituras e governos nesta gestão, dos quais apenas R$ 89 milhões foram para a região.

Em julho, Bolsonaro disse a Onyx Lorenzoni num café da manhã com jornalistas estrangeiros que dos governadores “de paraíba” o pior era o do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), e que não era para “ter nada com esse cara”, numa insinuação de que o adversário deveria ser preterido na concessão de recursos e no atendimento por meio de políticas públicas.

Funcionários da Caixa disseram ao Estadão que o presidente do banco, Pedro Guimarães, deu uma orientação expressa de não conceder empréstimos aos governos e prefeituras do Nordeste.