Após Nordeste e Espírito Santo, fragmentos de óleo chegam ao litoral do Rio de Janeiro

Cerca de 300 gramas de pequenos fragmentos de óleo foram detectados e removidos na Praia de Grussaí, em São João da Barra-RJ

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse ontem (23) que não há como saber quanto de óleo foi derramado próximo à costa brasileira. Hoje, as autoridades do país informaram que fragmentos de óleo chegaram ao litoral norte fluminense.

Segundo o presidente, é preciso estar preparado para o pior cenário. “Gostaríamos muito que fosse identificado quem, no meu entender, cometeu esse ato criminoso. Agora, não sabemos quanto de óleo tem no mar. Na pior hipótese, um petroleiro, caso tenha jogado no mar toda sua carga, menos de 10% chegou à nossa costa, ainda. Nos preparemos para o pior. Pedimos a Deus que isso não aconteça”, disse o presidente, durante evento na Vila Militar do Rio de Janeiro.

Em nota dvulgada neste sábado, o (GAA) Grupo de Acompanhamento e Avaliação, formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis confirmou que sexta-feira (22), cerca de 300 gramas de pequenos fragmentos de óleo foram detectados e removidos na Praia de Grussaí, em São João da Barra-RJ.

Segundo o comunicado, o material foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e constatado como compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e Espírito Santo. Um grupamento de militares da Marinha já está no local efetuando monitoramento e limpeza. Servidores do IBAMA se juntarão hoje à equipe.

Navio vai auxiliar na limpeza de óleo no Delta do Parnaíba, entre Maranhão e Piauí

Considerada um santuário ecológico, a região abriga várias comunidades de pescadores e catadores de caranguejo

Um navio-patrulha da Marinha se juntou hoje (18) às equipes que buscam identificar e recolher parte do óleo que atingiu a região do Delta do Parnaíba, entre os estados do Maranhão e do Piauí.

Considerada um santuário ecológico, a região abriga várias comunidades de pescadores, catadores de caranguejo, coletores de ostras e mariscos e artesãos que vivem do turismo e da coleta de peixes e frutos do mar.

Segundo a Marinha, o navio-patrulha Guanabara tem capacidade para transportar até 29 tripulantes. Equipada com uma lancha de casco semirrígido com capacidade para 10 homens e um bote inflável para seis homens usados para salvamentos e abordagens, a embarcação conta também com um guindaste eletro-hidráulico com capacidade para 620kg.

Seis estados que já estavam limpos voltaram a receber óleo no Nordeste

Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão e Piauí estavam há pelo menos três dias sem serem afetadas

Seis estados do Nordeste que já estavam limpos voltaram a receber óleo na costa . Apenas a Paraíba está desde o fim de outubro sem ser afetada pelo petróleo cru que chega do mar do Nordeste desde 30 de agosto.

Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão e Piauí estavam há pelo menos três dias sem serem afetadas. Desde a última sexta-feira, Pernambuco ficou só um dia, a última terça-feira, limpa. Já Bahia e Alagoas estão desde o fim do mês passado convivendo com problema todos os dias.

As informações foram compiladas nos comunicados diários emitidos Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( Ibama ), responsáveis pela investigação e contenção de danos.

Ainda de acordo com o GAA, as seguintes localidades permanecem com vestígios de óleo, com ações de limpeza em andamento: Luís Correia, no Piauí; Japaratinga, Barra de São Miguel, Feliz Deserto e Piaçabuçu, em Alagoas; Prado, Conde, Canavieiras, Igrapiúna, Ilhéus, Itacaré, Maraú, Una e Uruçuca, na Bahia; Linhares, no Espírito Santo; Ilha de Poldros, no Maranhão; Fortim, no Ceará; Nisia Floresta e Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte; Paulista, São José da Coroa Grande e Tamandaré, em Pernambuco; Aracaju e Estancia, em Sergipe.

IBGE mostra Maranhão como 4º maior crescimento do PIB em 2017

O desempenho da economia maranhense também ficou bem acima da média nacional, que cresceu 1,3%.

O Maranhão teve o quarto maior aumento do PIB entre todos os Estados brasileiros em 2017, de acordo com informações divulgadas na manhã desta quinta-feira (14) pelo IBGE. A alta foi de 5,3%.

O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de riquezas de um país, Estado ou cidade. Ou seja, quanto maior, melhor a economia.

À frente do Maranhão, só ficaram Rondônia (5,4%), Piauí (7,7%) e Mato Grosso (12,1%). No Nordeste, o Maranhão teve a segunda maior alta do PIB em 2017.

O IBGE ainda não calculou os dados de 2018. Os PIBs estaduais são divulgados sempre dois anos depois, devido à complexidade da tabulação.

O desempenho da economia maranhense também ficou bem acima da média nacional, que cresceu 1,3%.

O principal setor que puxou para cima o PIB maranhense foi o agronegócio. Boa parte da produção de grãos é transportada pelo Porto do Itaqui, que também teve forte contribuição para o resultado.

Fragmentos de óleo chegaram a praia da região Sudeste

É a primeira vez que o vazamento que se estendeu pela região Nordeste chega a uma praia do Sudeste

A Marinha confirmou que foram encontrados e recolhidos pequenos fragmentos de óleo na praia de Guriri, no município de São Mateus, no Espírito Santo. As amostras da substância foram encaminhadas para o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, que confirmou ser o mesmo óleo encontrado na região Nordeste. É a primeira vez que o vazamento que se estendeu pela região Nordeste chega a uma praia do Sudeste.

Um destacamento militar com 75 fuzileiros navais permanece em Conceição da Barra e em São Mateus, no norte do Espírito Santo, com ações de monitoramento, desde terça-feira (5). Os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Bahia estão com as praias limpas.

Algumas praias do Nordeste ainda estão com a operação de limpeza em andamento: Japaratinga, Barra de São Miguel, Jequiá da Praia, Coruripe, Feliz Deserto e Piaçabuçu, em Alagoas, Praia do Viral e Coroa do Meio, em Sergipe e mais recentemente Guriri, no Espírito Santo.

A Marinha confirmou que o porta-helicópteros Atlântico, o navio Bahia e a fragata Liberal que saíram do Rio de Janeiro, no dia 4, seguem em direção ao Nordeste com chegada prevista ao Porto de Suape, em Pernambuco, neste domingo (10). Cerca de 600 fuzileiros navais, além de mergulhadores e unidades de apoio, serão empregados em ações de limpeza em praias, mangues, estuários e arrecifes.

Dez perguntas e respostas sobre o óleo no litoral do Maranhão

Os números confirmam que o Maranhão foi um dos estados menos afetados com esse desastre ambiental, que já atingiu mais de 250 localidades em 78 municípios dos nove estados do Nordeste brasileiro.

Desde o fim do mês de agosto, manchas de óleo começaram a ser identificadas nas praias do litoral nordestino e já atingiram mais de 200 localidades em todos os estados da região. No Maranhão, segundo relatório do Ibama, pelo menos cinco áreas foram atingidas. Conforme determina o Plano Nacional de Contingência (PNC), o combate ao desastre é de responsabilidade da União, que tem atuado no caso por meio do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil, o Ibama e a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

1 – O Maranhão foi atingido pelo óleo?

O Maranhão foi um dos Estados nordestinos menos atingidos. No entanto, toda a orla tem sido monitorada.

2 – O que aconteceu com o óleo que chegou ao Maranhão?

A maior parte já foi retirada, com a ajuda dos bombeiros, do Ibama, das secretarias de Meio Ambiente, de técnicos e de moradores. Caso haja novas incidências, o óleo continuará sendo removido.

3 – Houve interdição de praias ou lagoas?

Nenhuma praia ou lagoa foi interditada no Maranhão.

4 – As lagoas dos Lençóis Maranhenses foram atingidas?

Nenhuma lagoa foi atingida. Vestígios encontrados nas dunas já foram limpos e seguem monitorados.

5 – Mas há imagens mostrando óleo nas lagoas dos Lençóis Maranhenses?

Não. O que aparece são restos de vegetação, comuns nesta época do ano, em que as lagoas estão mais secas. Vistas do alto, podem dar a impressão de serem manchas de óleo, mas não são.

6 – De onde vêm esses dados?

Do site oficial do Ibama. O mapa mostra que 268 locais do Nordeste foram atingidos. Destes, três no Maranhão (dois em Santo Amaro e um em Cururupu) estão com o que se chama de vestígios esparsos, ou seja, com baixo impacto.

7 – Há alimentos contaminados?

Não há nenhum caso reportado de contaminação e várias análises laboratoriais têm sido feitas.

8 – A situação está sendo acompanhada?

O monitoramento continua até que o problema esteja totalmente solucionado.

9 – Quem é responsável por acompanhar e monitorar a situação?

O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil, o Ibama e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mas as secretarias Estaduais e Municipais, além dos bombeiros, também monitoram e disponibilizam apoio às ações.

10 – De onde veio o óleo?

Testes feitos pela Petrobras e pela Marinham indicam que o material não é brasileiro, mas análises conclusivas ainda não foram divulgadas

Governo do Maranhão cria grupo de trabalho para acompanhar ocorrências de óleo em praias do estado

O encontro contou com a participação de secretários de Estado, representantes do Corpo de Bombeiros, Exército, Polícia Militar, UFMA e órgãos ambientais

Em reunião no Palácio dos Leões, o governador em exercício Carlos Brandão discutiu com o capitão dos Portos do Maranhão, Marcio Ramalho Dutra, sobre ocorrências de óleo em praias maranhenses. Como encaminhamento do encontro, que também contou com a participação de secretários de Estado, representantes do Corpo de Bombeiros, Exército, Polícia Militar, UFMA e órgãos ambientais, foi criado um grupo de trabalho para avaliação e contenção dos danos causados pelo desastre ambiental.

Desde o fim do mês de agosto, manchas de óleo cru começaram a ser identificadas nas praias do litoral nordestino e já atingiram mais de 200 localidades em todos os estados da região. No Maranhão, segundo relatório do Ibama, pelo menos cinco áreas foram atingidas. Conforme determina o Plano Nacional de Contingência (PNC), o combate ao desastre é de responsabilidade da União, que tem atuado no caso por meio do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil, o Ibama e a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Carlos Brandão ressaltou que, embora as ações de combate ao desastre sejam de competência federal, o Governo do Estado vem agindo e, agora, passa a atuar de forma conjunta com os órgãos federais, a fim de reduzir os impactos da poluição hídrica.

“Assim como fizemos parceria com o Exército para combater as recentes queimadas, estamos, agora, somando forças, por meio da criação de um grupo de trabalho com a participação de órgãos estaduais e federais, que já vinham atuando separadamente, mas que passam a trabalhar de maneira integrada, para reduzir as consequências desse desastre”, explicou Brandão.

O grupo de trabalho é coordenado pelo capitão dos Portos, Marcio Ramalho Dutra, e composto por representantes do Ibama, ICMBio, UFMA; além de órgãos estaduais, como as polícias Militar e Civil, secretarias de Meio Ambiente e Segurança Pública, coordenados pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Célio Roberto.

Dentre outras atividades, o grupo de trabalho será responsável pelo encaminhamento e definição de ações técnicas e operacionais, o monitoramento das áreas litorâneas do estado, estudo do impacto do desastre para a atividade pesqueira e a prestação de esclarecimentos à sociedade civil. 

Marinha descobre que óleo ficou mais tempo no mar e decide ampliar buscas por navios suspeitos

A tragédia do vazamento de petróleo já contaminou 233 localidades em todos os estados do Nordeste e segue sem a identificação dos responsáveis

Na busca por um responsável pelo vazamento do petróleo que contamina a costa do Nordeste , o universo de navios-tanque sob investigação será ampliado. Novas análises químicas produzidas pela Marinha mostram que o óleo que aportou nas praias permaneceu mais tempo na água do que se sabia até agora. Diante dessa constatação, os investigadores decidiram ampliar a quantidade de navios a serem buscados.

Até então, o foco estava em 30 embarcações de dez países que navegaram na altura da costa nordestina, numa distância de 800 quilômetros, entre 1º de agosto e 1º  de setembro. Um novo pente-fino será feito, em busca de navios com as mesmas características e que trafegaram pela área no mês de julho. A expectativa é que mais 30 navios sejam investigados.

A tragédia do vazamento de petróleo já contaminou 233 localidades em todos os estados do Nordeste e segue sem a identificação dos responsáveis. A primeira detecção de óleo, com comunicação às autoridades, foi feita em 2 de setembro. Já são 53 dias de contaminação.

A estratégia do governo do presidente Jair Bolsonaro é lançar dúvida e culpa sobre a Venezuela. Perícias feitas pela Petrobras e por universidades federais mostram que o petróleo tem DNA venezuelano, sem que isso signifique que o vazamento seja responsabilidade do governo ou de alguma empresa venezuelana. Na noite de ontem, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez um pronunciamento em cadeia de rádio e TV para dizer que o governo vai acionar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o regime de Nicolás Maduro dê uma explicação sobre o petróleo.

A Marinha foi foi designada para chefiar o Plano Nacional de Contingência, acionado diante da gravidade da tragédia ambiental. A Força é responsável pela mais ampla investigação a respeito do que de fato ocorreu. Entre os investigadores, não há qualquer certeza sobre quem são os responsáveis pelos vazamentos. Tanto que o atual estágio da investigação é de afunilamento de hipóteses e de refinamento dos dados científicos usados na apuração.

Eliziane fala do aumento da tragédia ambiental no Nordeste e da negligência do Governo Federal

A parlamentar teme que o vazamento detectado nas praias da região desde o dia 30 de agosto possa trazer ainda mais prejuízos

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse terça-feira (22) que a “quase inépcia” e a “improvisação” do governo federal na contenção da mancha de óleo que atingiu boa parte do litoral do Nordeste são as principais responsáveis pela “tragédia ambiental, econômica e social”.

A parlamentar teme que o vazamento detectado nas praias da região desde o dia 30 de agosto possa trazer ainda mais prejuízos aos estados nordestinos com a proximidade do verão.

“Parte significativa da economia desses estados aquece devido ao aumento da presença de turistas na região. Não preciso dizer que a riqueza do nosso Nordeste vem do turismo”, disse.

Para Eliziane Gama, o vazamento de óleo ainda de origem desconhecida é um dos maiores acidentes ambientais da história do Brasil. “Portanto, ele não pode ser tratado, depois de quase dois meses, da forma improvisada como estamos assistindo”, cobrou.

A parlamentar do Cidadania do Maranhão disse que a crise não é por acaso e citou que o governo federal extinguiu, em abril, dezenas de conselhos da administração federal e eliminou dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água, instituído em 2013.

“A impressão que se passa à sociedade é que, depois de quase 60 dias do aparecimento das primeiras manchas de óleo, o governo só se movimentou para mitigar os efeitos do vazamento porque a Justiça o obrigou a tomar providências. O que se espera é que com a decisão da Justiça, enfim, o governo reative plenamente o Plano Nacional de Contingenciamento para Incidentes de Poluição por Óleo”, disse.

A senadora ponderou, no entanto, que não se pode ser irresponsável de acusar o governo pelo acidente, que na sua opinão deve ser apurado com rigor e os culpados punidos.