Aliados de Bolsonaro no Maranhão correm para garantir espaço no governo

Jair Bolsonaro participou de evento em São Luís ao lado de Maura Jorge e Chico Carvalho

Após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) no dia 28 de outubro, a movimentação política no estado voltou-se para quem comandaria os órgãos federais no Maranhão. É de conhecimentos de todos que o Governo Federal possui dezenas de órgãos no estado e todos os aliados de Bolsonaro agora correm para garantir os melhores espaços.

Se na pré-campanha a disputava se dava apenas entre ex-prefeita Maura Jorge e o presidente estadual da legenda, o vereador de São Luís, Chico Carvalho. Agora a corrida para quem vai ser o grande representante do presidente ganhou outros atores.

Especula-se que a candidata derrotada Maura Jorge estaria de olho na indicação dos nomes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O vereador presidente Chico Carvalho também trabalha para não vai ficar pra traz nas indicações. Chico garantiu espaço na executiva nacional do PSL e vai ter força nessas indicações.

Nesse novo cenário aparece o médico Allan Garcês, candidato a deputado federal e que foi chamado para a equipe de transição do próximo governo. Com ele, junta-se o deputado federal Aluísio Mendes, amigo de longa data de Jair Bolsonaro e que terá, certamente, espaço no governo.

Além desses nomes citados, outros políticos e partidos tentam garantir seu espaço ao Sol, todo o esforço, sem dúvidas, de olho na próxima eleição de 2020.

De nanico, PSL se torna cobiçado por políticos maranhenses

A sigla passou a atrair olhares de, pelo menos, uma dúzia de políticos maranhenses de olho no crescimento da sigla

Quem pensou que a disputa pelo comando do PSL no Maranhão estivesse resumida apenas ao presidente da legenda, o vereador Francisco Carvalho, e à ex-candidata ao governo do Estado, Maura Jorge, está enganado. A sigla passou a atrair olhares de, pelo menos, uma dúzia de políticos maranhenses de olho no crescimento da sigla.

A disputa começou ainda na pré-campanha, quando já era dada como certa a candidatura do coronel reformado José Ribamar Monteiro, hoje no PHS. Com uma articulação via nacional, Maura Jorge chegou ao PSL e os problemas com o presidente estadual da legenda, Chico Carvalho, só aumentaram.

Após os resultados das urnas no primeiro turno, com o desempenho de Jair Bolsonaro e com o número expressivo de deputados federais eleitos e senadores – o que interfere diretamente no tempo de TV e rádio, além dos recursos do Fundo Partidário – mais políticos passaram a cortejar o partido.

Só nos últimos dias, o deputado federal Aluísio Mendes (Podemos) e o senador Roberto Rocha (PSDB) visitaram o presidenciável Jair Bolsonaro. O candidato já teve declarações de apoio de vários integrantes do grupo Sarney, como a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Edison Lobão.

Os nomes dos deputados federais eleitos Eduardo Braide e o pastor Gildenemyr, eleitos pelo PMN, sigla que não passou pela cláusula de barreira, já são cotados para ingressar no partido.

A disputa pelo diretório do PSL da capital São Luís também já está bem acirrada. Nomes como o do deputado estadual eleito Pará Figueiredo e do ex-vereador Fábio Câmara já são ventilados por apoiadores na disputa pelo diretório.

Mesmo que ainda esteja em andamento, a eleição de 2018 não terminou, mas já acirra os ânimos de membros do partido de Jair Bolsonaro para os próximos anos.

Anúncio dos candidatos a deputado estadual e federal de Maura Jorge causa ruídos na coligação do PSL

Candidatos a deputado estadual e federal da coligação reclamam da falta de apoio que a candidata vem dando aos correligionários

Causou estranheza, nos bastidores da política, inclusive dentro do próprio PSL, o evento em que a candidata ao Governo do Estado, Maura Jorge (PSL), apresentou seus candidatos a deputado estadual e federal.

Em uma carreata realizada na cidade de Lago da Pedra, no último domingo (12), Maura Jorge apresentou os nomes de seus candidatos as eleições proporcionais. Para a Assembleia Legislativa, Maura Jorge vai apoiar Fábio Macedo (PDT), que é da base de sustentação do governador Flávio Dino (PCdoB), para a Câmara dos Deputados, Maura Jorge vai apoiar Aluísio Mendes (Podemos), que está na coligação de Roberto Rocha (PSDB).

Vale lembrar que, há menos de duas semanas, Maura Jorge teceu duras críticas a Aluísio Mendes. O deputado levou o Podemos para a coligação de Roberto Rocha, o que inviabilizou sua candidatura de Maura Jorge, em relação ao tempo de TV.

O apoio aos dois deputados que não são da sua base de sustentação causou um ruído dentro do próprio PSL e do PRTB. Candidatos a deputado estadual e federal da coligação reclamam da falta de apoio que a candidata vem dando aos correligionários.

Maura Jorge sobe o tom e desce o verbo em entrevista

A pré-candidata mostrou sua desestabilidade ao chorar ao viva na entrevista após uma bateria de críticas aos partidos e o programa teve que ser interrompido

A ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata ao Governo do Estado, Maura Jorge (PSL), deu entrevista, hoje (30), a uma rádio local e se mostrou revoltada com as últimas tratativas que fizeram com que ela perdesse o apoio do PSC, PMN, PSDC, Avante e Podemos.

Maura Jorge não poupou críticas à deputada federal Luana Costa (PSC) e ao seu marido, o ex-prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves. Na entrevista, ela afirmou que para Luana não importava um projeto de estado, mas sim a reeleição para a Câmara dos Deputados e deu a entender que a ida do PSC para a coligação da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) foi “uma troca de benéfices”.

O presidente do Podemos, Aluísio Mendes, também não foi poupado por Maura Jorge. A candidata do PSL afirmou que o Podemos era hipócrita por não pensar na construção de uma terceira via. Maura também afirmou que hoje o Podemos é grande graças ao trabalho que ela desempenhou nesses dois anos com o deputado Aluísio e que não faz sentindo o partido apoiar o nome de Roberto Rocha só por pensar na reeleição de seu presidente.

A crise dentro do PSL foi evidenciada por Maura na entrevista. Em suas palavras, a perda do apoio do Podemos e do PMN do deputado estadual Eduardo Braide se deu “pelo pensamento ainda de velha política” do atual presidente estadual da sigla, o vereador Chico Carvalho.

Maura ainda afirmou que Chico Carvalho foi o principal causador do rompimento com o PSC de Luana Costa e Léo Cunha. O vereador chegou a discutir e quase foi às vias de fato com Ribamar Alves. Sobre Chico Carvalho, Maura ainda falou que o presidente da legenda ainda não entendeu o projeto nacional do PSL e que isso iria prejudicar gravemente sua candidatura.

A pré-candidata mostrou sua desestabilidade ao chorar ao viva na entrevista após uma bateria de críticas aos partidos e o programa teve que ser interrompido.

Grupo Sarney trabalha para esvaziar pré-candidatura de Maura Jorge

A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge

O grupo político liderado pelo ex-presidente José Sarney (MDB) parece estar determinado em esvaziar, o máximo possível, a pré-candidatura de Maura Jorge (PSL).

Com o apoio declarado do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o grupo Sarney estaria temendo que Maura cresça nas pesquisas de intenção de votos, devido à popularidade nas redes sociais de Bolsonaro, ameaçando a pré-candidatura de Roseana.

O temor é que Maura Jorge ganhe a parcela de votos das pessoas que não votam no atual governo e nem em representantes de governos passados, como Roseana.

Leia mais: O PT maranhense e sua eterna indecisão…

A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge, como é o desejo da maioria dos pré-candidatos a deputados.

Por último e bem mais complicado, o grupo Sarney estaria articulando para que o Podemos, partido com maior tempo de TV no arco de possíveis alianças de Maura Jorge, não apoie a pré-candidata e declare voto a Roseana. Para isso, o grupo Sarney argumenta para Aluísio Mendes, presidente do Podemos, que sua eleição de deputado federal em 2014, só foi possível, graças ao apoio de Roseana Sarney.

Esbanjando confiança no seu evento ao lado de Jair Bolsonaro, em São Luís, Maura Jorge pode chegar à convenção com apenas o seu partido e olhar seu sonho de ganhar o Governo do Estado, bem mais longe.

Maura Jorge e o dilema com o Podemos de Aluísio Mendes

Passada a frustração da saída de Maura Jorge do Podemos para o PSL, agora, até uma coligação entre os dois partidos pode não ser concretizada

Há algum tempo, o clima entre o deputado federal Aluísio Mendes, presidente do Podemos no Maranhão, e Maura Jorge, pré-candidata do PSL ao Governo do Estado, não anda um dos melhores.

Desde 2016, quando Maura Jorge deixou a Prefeitura de Lago da Pedra, Aluísio iniciou o projeto para fazer de Maura candidata a governadora. Para isso, deu a presidência do partido para a ex-prefeita iniciar a pré-campanha andando por diversos municípios.

Faltando seis meses para as eleições, Maura Jorge decidiu mudar para o PSL na onda da popularidade nas redes sociais do pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro. Deixando Aluísio em um mal-estar com a presidente nacional do partido, Renata Abreu, e com o também presidenciável, Álvaro Dias.

Passada a frustração da saída de Maura Jorge do Podemos para o PSL, agora, até uma coligação entre os dois partidos pode não ser concretizada – apesar do plano de Aluísio em fazer de Maura governadora -.

Acontece que alguns partidos que poderão se coligar ao PSL no Maranhão, como o PRTB, PSDC e PHS, não aceitam a mesma coligação nas proporcionais para o mandato de deputado federal.

Os partidos não aceitam o nome de Aluísio Mendes na coligação por acharem desproporcional a presença de um deputado federal, acreditando que pode tirar de vários candidatos a chance de se elegerem deputados federais.

Agora, Maura Jorge precisa ter jogo de cintura, senão corre o risco de ver o – até o momento – maior partido de sua coligação indo para a chapa de Roseana Sarney.

Em nota, bancada do PT no Senado condena atitude de Aluísio Mendes no episódio de Viana com indígenas

Aluísio Mendes é apontado como incentivador do conflito

Em nota, a bancada do PT no Senado Federal manifestou sua indignação e seu repúdio ao violento ataque contra o povo indígena Gamela, ocorrido no povoado de Bahias, município de Viana (MA). “Por milagre, não houve a morte de ninguém, pois os atacantes balearam cinco indígenas e feriram gravemente outros dois”.
Segundo os deputados, trata-se de violência anunciada, numa área em que há conflito de terra antigo. O povo Gamela já vinha denunciando às autoridades as ameaças de morte de suas lideranças para impedir a retomada de suas terras ancestrais. O próprio governador do Maranhão, Flávio Dino, enviou, ao final do ano passado, ofício pedindo a intervenção da Funai na região e a demarcação das terras do povo Gamela.
“Lamentavelmente, a Funai do governo golpista, sucateada por cortes extensos de verbas e entregue a um partido político, não conseguiu se mobilizar a tempo. Mais lamentável ainda foi atitude do Ministro da Justiça do governo ilegítimo, que definiu, em nota oficial, o povo Gamela como ‘supostos indígenas’. Deve-se condenar também a atitude do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA), que desqualificou e agrediu o povo Gamela, incentivando, dessa forma, o ataque violento.
Esse ataque bárbaro aos povos originários ocorre poucas semanas após o massacre de trabalhadores rurais de Colniza, a violência policial contra os indígenas em Brasília e a grave agressão ao estudante Mateus Ferreira da Silva, que participava de manifestação pacífica em Goiânia. A violência extrema contra o povo tornou-se norma. Voltamos à barbárie”, diz a nota.
No entendimento da bancada, o golpe de 2016 criou um Estado de exceção dedicado a reprimir violentamente movimentos sociais, estudantes, professores, trabalhadores, indígenas e quaisquer outro grupos sociais que ousem se opor ao governo ilegítimo e sua agenda ultraneoliberal. A atual escalada de violência é nítido reflexo da ausência de democracia real e da total incapacidade das autoridades ilegítimas de mediar conflitos, pois estão inteiramente comprometidas com a defesa dos interesses dos poderosos.
Os povos originários do Brasil estão em situação de extrema vulnerabilidade, uma vez que o governo golpista pretende liberar a venda de terras a estrangeiros e permitir a mineração na Amazônia, inclusive nas terras ancestrais.
“A bancada do PT no Senado tomará todas as medidas cabíveis para que esse ato bárbaro seja investigado a fundo e todos os responsáveis sejam punidos conforme a lei.
Contra o genocídio dos povos indígenas!”, finaliza a nota.

“Aqui ninguém tem sangue de barata”, afirmou Aluísio Mendes em reunião

Clodoaldo Correa

O deputado federal Aluísio Mendes (PTN) reuniu-se com agricultores da região onde houve o confronto com os índios Gamela. Ele aparece dizendo claramente que gente que está, há muitos anos, na região nunca viu um índio e foi duro sobre a resposta de agricultores contra indígenas.

“Agora, ninguém aqui tem sangue de barata. Ninguém aqui vai aceitar mais essa provocação”, incentivou o conflito.