Grupo Sarney trabalha para esvaziar pré-candidatura de Maura Jorge

A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge

O grupo político liderado pelo ex-presidente José Sarney (MDB) parece estar determinado em esvaziar, o máximo possível, a pré-candidatura de Maura Jorge (PSL).

Com o apoio declarado do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o grupo Sarney estaria temendo que Maura cresça nas pesquisas de intenção de votos, devido à popularidade nas redes sociais de Bolsonaro, ameaçando a pré-candidatura de Roseana.

O temor é que Maura Jorge ganhe a parcela de votos das pessoas que não votam no atual governo e nem em representantes de governos passados, como Roseana.

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A primeira ação foi garantir a destituição do suplente de senador, Pastor Bell, do PSDC. A segunda atitude é operar via Edison Lobão (MDB), para que o PRTB, de Márcio Coutinho, não apoie Maura Jorge, como é o desejo da maioria dos pré-candidatos a deputados.

Por último e bem mais complicado, o grupo Sarney estaria articulando para que o Podemos, partido com maior tempo de TV no arco de possíveis alianças de Maura Jorge, não apoie a pré-candidata e declare voto a Roseana. Para isso, o grupo Sarney argumenta para Aluísio Mendes, presidente do Podemos, que sua eleição de deputado federal em 2014, só foi possível, graças ao apoio de Roseana Sarney.

Esbanjando confiança no seu evento ao lado de Jair Bolsonaro, em São Luís, Maura Jorge pode chegar à convenção com apenas o seu partido e olhar seu sonho de ganhar o Governo do Estado, bem mais longe.

Maura Jorge e o dilema com o Podemos de Aluísio Mendes

Passada a frustração da saída de Maura Jorge do Podemos para o PSL, agora, até uma coligação entre os dois partidos pode não ser concretizada

Há algum tempo, o clima entre o deputado federal Aluísio Mendes, presidente do Podemos no Maranhão, e Maura Jorge, pré-candidata do PSL ao Governo do Estado, não anda um dos melhores.

Desde 2016, quando Maura Jorge deixou a Prefeitura de Lago da Pedra, Aluísio iniciou o projeto para fazer de Maura candidata a governadora. Para isso, deu a presidência do partido para a ex-prefeita iniciar a pré-campanha andando por diversos municípios.

Faltando seis meses para as eleições, Maura Jorge decidiu mudar para o PSL na onda da popularidade nas redes sociais do pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro. Deixando Aluísio em um mal-estar com a presidente nacional do partido, Renata Abreu, e com o também presidenciável, Álvaro Dias.

Passada a frustração da saída de Maura Jorge do Podemos para o PSL, agora, até uma coligação entre os dois partidos pode não ser concretizada – apesar do plano de Aluísio em fazer de Maura governadora -.

Acontece que alguns partidos que poderão se coligar ao PSL no Maranhão, como o PRTB, PSDC e PHS, não aceitam a mesma coligação nas proporcionais para o mandato de deputado federal.

Os partidos não aceitam o nome de Aluísio Mendes na coligação por acharem desproporcional a presença de um deputado federal, acreditando que pode tirar de vários candidatos a chance de se elegerem deputados federais.

Agora, Maura Jorge precisa ter jogo de cintura, senão corre o risco de ver o – até o momento – maior partido de sua coligação indo para a chapa de Roseana Sarney.

Em nota, bancada do PT no Senado condena atitude de Aluísio Mendes no episódio de Viana com indígenas

Aluísio Mendes é apontado como incentivador do conflito

Em nota, a bancada do PT no Senado Federal manifestou sua indignação e seu repúdio ao violento ataque contra o povo indígena Gamela, ocorrido no povoado de Bahias, município de Viana (MA). “Por milagre, não houve a morte de ninguém, pois os atacantes balearam cinco indígenas e feriram gravemente outros dois”.
Segundo os deputados, trata-se de violência anunciada, numa área em que há conflito de terra antigo. O povo Gamela já vinha denunciando às autoridades as ameaças de morte de suas lideranças para impedir a retomada de suas terras ancestrais. O próprio governador do Maranhão, Flávio Dino, enviou, ao final do ano passado, ofício pedindo a intervenção da Funai na região e a demarcação das terras do povo Gamela.
“Lamentavelmente, a Funai do governo golpista, sucateada por cortes extensos de verbas e entregue a um partido político, não conseguiu se mobilizar a tempo. Mais lamentável ainda foi atitude do Ministro da Justiça do governo ilegítimo, que definiu, em nota oficial, o povo Gamela como ‘supostos indígenas’. Deve-se condenar também a atitude do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA), que desqualificou e agrediu o povo Gamela, incentivando, dessa forma, o ataque violento.
Esse ataque bárbaro aos povos originários ocorre poucas semanas após o massacre de trabalhadores rurais de Colniza, a violência policial contra os indígenas em Brasília e a grave agressão ao estudante Mateus Ferreira da Silva, que participava de manifestação pacífica em Goiânia. A violência extrema contra o povo tornou-se norma. Voltamos à barbárie”, diz a nota.
No entendimento da bancada, o golpe de 2016 criou um Estado de exceção dedicado a reprimir violentamente movimentos sociais, estudantes, professores, trabalhadores, indígenas e quaisquer outro grupos sociais que ousem se opor ao governo ilegítimo e sua agenda ultraneoliberal. A atual escalada de violência é nítido reflexo da ausência de democracia real e da total incapacidade das autoridades ilegítimas de mediar conflitos, pois estão inteiramente comprometidas com a defesa dos interesses dos poderosos.
Os povos originários do Brasil estão em situação de extrema vulnerabilidade, uma vez que o governo golpista pretende liberar a venda de terras a estrangeiros e permitir a mineração na Amazônia, inclusive nas terras ancestrais.
“A bancada do PT no Senado tomará todas as medidas cabíveis para que esse ato bárbaro seja investigado a fundo e todos os responsáveis sejam punidos conforme a lei.
Contra o genocídio dos povos indígenas!”, finaliza a nota.

“Aqui ninguém tem sangue de barata”, afirmou Aluísio Mendes em reunião

Clodoaldo Correa

O deputado federal Aluísio Mendes (PTN) reuniu-se com agricultores da região onde houve o confronto com os índios Gamela. Ele aparece dizendo claramente que gente que está, há muitos anos, na região nunca viu um índio e foi duro sobre a resposta de agricultores contra indígenas.

“Agora, ninguém aqui tem sangue de barata. Ninguém aqui vai aceitar mais essa provocação”, incentivou o conflito.