Othelino Neto, eleições na Assembleia e a experiência comunista maranhense

Jornalista e economista, Othelino é considera por muitos como um dos mais atuantes do Legislativo. Foto: Kristiano Simas

O Imparcial

Othelino Neto (PCdoB) foi eleito para seu terceiro mandato seguido como deputado estadual e ao que tudo indica deve ser reconduzido ao cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão sem candidatura de oposição.

Identificado e engajado com o projeto de mudança proposto polos comunistas maranhenses, Othelino filou-se ao PCdoB a convite do governador Flávio Dino. “Umas das coisas que mais nos aproxima é que temos uma visão de mundo pelo mesmo campo, o de esquerda. Ao mesmo tempo em que temos essa relação política estreita, compreendemos que é preciso ter uma relação de independência entre os poderes”, afirma o deputado em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial.

Jornalista e economista, Othelino é considera por muitos como um dos mais atuantes do Legislativo. “A sociedade maranhense soube compreender e reconhecer esse momento de transformação que passa o estado. Apesar de todo esse momento de crise financeira e política que vem passando o Brasil, o Maranhão está equilibrado, e isso é importante para todos, que o estado não quebre como quebraram importantes como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul”, afirma.

Confira a entrevista exclusiva:

Perspectivas futuras

O povo pode esperar muito trabalho pelo Maranhão. A Assembleia tem dado respostas rápidas e cumprindo bem seu papel de legislar, não só com leis de iniciativa própria, mas com projetos de lei vindo do judiciário e do executivo. Temos feito também discussões políticas importantes aqui, o Maranhão tem sido discutido. E como estabelece o regime democrático, prevalece a vontade da maioria. A Assembleia nesses quatro anos vai continuar com essa postura, cumprindo suas prerrogativas: legislar, fiscalizar o executivo, e fazer uma discussão ampla e irrestrita da nossa política maranhense e nacional.

Eleições na Assembleia

Caso no dia 1º de fevereiro os deputados confirmem minha recondução ao cargo de presidente da casa, o sentido principal será esse: manter a postura de independência do poder legislativo e harmônica com outros poderes. Existe um equívoco de alguns seguimentos da sociedade de achar que os poderes devem viver em conflito, mas quando isso acontece (o conflito) é ruim para o estado democrático de direito.

O Maranhão dá um bom exemplo para o Brasil onde as instituições conseguem se relacionar de forma respeitosa, mas cada um cumprindo com suas prerrogativas. Existe um diálogo produtivo do legislativo com o executivo, do legislativo com o judiciário, do judiciário com o executivo, e isso sem perda de atribuições e mantendo o equilíbrio que é necessário. Por que, quando um dos poderes se sobrepõe aos outros esse desiquilíbrio fere o estado democrático de direito, e na falta de diálogo entre os poderes quem sente primeiro é a sociedade.

Ampla vitória do campo político de esquerda no Maranhão

A sociedade maranhense soube compreender e reconhecer esse momento de transformação que passa o estado. Apesar de todo esse momento de crise financeira e política que vem passando o Brasil, o Maranhão está equilibrado, e isso é importante para todos, que o estado não quebre como quebraram importantes como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Aqui no Maranhão conseguimos manter essa estabilidade. Os três poderes vem cumprindo suas tarefas, pagando os funcionários em dia, e no caso do executivo conseguindo suprir os serviços essenciais à população. Então, acho que o reconhecimento da sociedade foi que deu ao nosso campo político essa ampla vitória em 2018. Elegemos 32 deputados estaduais, 12 federais, dois senadores, a reeleição do governador no primeiro turno. É um reconhecimento do trabalho que vem sendo feito por este grupo político que vem fazendo o Maranhão melhorar.

A experiência comunista maranhense

É razão de muito orgulho pertencer aos quadros do PCdoB, um partido que tem uma história dedicada as lutas populares e as boas causas dos brasileiros. Eu, que tenho uma formação à esquerda, me sinto muito à vontade no PCdoB. Nós somos os comunistas do Brasil, e aqui no Maranhão mostramos o quanto essa experiência está sendo exitosa no sentido de promover a melhoria da qualidade de vida da população, de valorizar programas sociais que alcançam os seguimentos que mais precisam, e de ir corrigir distorções que ainda prevalecem, mas que estão sendo corrigidas, onde um segmento da sociedade tem muito e outro, que é segmento muito maior, não tem quase nada.

Alguns, por preconceito, ficam tentando desqualificar a experiência comunista do Brasil. Boa parte daquilo que foi escrito por Marx e Lênin ainda vale hoje. Mas, o que se aplicou nas primeiras revoluções, na Revolução Russa, que foi a primeira e a mais importante de todas, é claro que não pode ser aplicado da mesma forma em 2019. O mundo se transformou e as experiências concretas vão fazendo com que ajustes sejam feitos nos modelos. Nós somos o Partido Comunista do Brasil, nós temos uma formação política consolidada, mas vivemos em um país cujo modo de produção capitalista. Então, as nossas normas e leis são de um país capitalista e assim nós nos adequamos, embora em nenhum momento pensamos em abrir das convicções que são essenciais da nossa “fé”, que é, principalmente, a construção de um país mais justo e igualitário.

Inspirações dos comunistas maranhenses

Nesse modelo tem muita coisa nova, mas existem programas importantes que desenvolvemos analisando experiências de outros lugares. Por exemplo, observamos em Pernambuco, ainda sob o comando do saudoso Eduardo Campos, o projeto Cidadão do Mundo e os IEMAs (Instituto de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão), que não são exatamente iguais, mas vimos lá e achamos uma boa e aplicamos aqui. Alguns aspectos do sistema de educação pública do Ceará, que em alguns municípios tem sido referência no Brasil, e nesse aspecto podemos citar Sobral, que tem um dos melhores índices na área educacional do país.

Mas temos também experiências que podem servir para o Brasil, e eu destacaria o projeto Escola Digna, que tem uma marca muito forte. Primeiro pelo aspecto de resgate da autoestima do professor, dos responsáveis pelo aluno e do próprio estudante, que por falta de opção estudava em uma escola sem as mínimas condições, muitas vezes de taipa, sem carteira ou banheiro, enfim… E, essa transformação, onde o estado substituiu a escola antiga por uma nova é uma marca muito forte, não só pelo aspecto subjetivo de resgate da autoestima, como pelo aspecto objetivo, que estimula a criança a estudar. Isso vai ter resultados concretos na melhoria da qualidade de vida do maranhense a médio e longo prazo, e talvez esse seja o nosso legado principal. Não é uma obra que tem “caráter eleitoral” mais forte, mas é a que vai marcar definitivamente o compromisso dos comunistas com o futuro do Maranhão.

Composição com vários partidos

Nós somos comunistas, mas, sobretudo, democratas. E entendemos que um estado como o Maranhão, com todas suas necessidades e carências, precisa dessa junção de forças, e nós não temos a pretensão nem a arrogância de achar que só nosso credo é o que vale, é a verdade absoluta. Então, nós temos condições de dialogar com partidos e políticos que tem formações ideológicas diferentes, mas que tem o mesmo propósito, que é o de transformar o Maranhão em um estado mais justo. Então, aqui nós temos a capacidade de discutir e ter uma aliança forte com partidos que não militam no mesmo campo político que o nosso. Na base de apoio do PCdoB do Maranhão nós temos o DEM, o Solidariedade, PP e PTB. Do PT, passando pelos partidos do “centrão”, chegando até em alguns de direita, vários compõem a nossa base e respeitam o nosso programa.

Consenso na união dos partidos

O programa de governo para os próximos quatro anos apresentado a sociedade foi amplamente discutido. Eu acredito que o essencial numa aliança tão heterogênea é estabelecer qual o caminho a ser trilhado: cada um dá sua colaboração, mas respeitando aquilo que é o essencial deste comando político atual, no caso Flávio Dino e o PCdoB.

Como exemplo podemos citar a própria Assembleia do Maranhão, onde nós não fizemos um trabalho para fazer do PCdoB um partido hegemônico. Aqui a representação dos partidos fruto das eleições de 2018 mostra como tratamos os aliados de força democrática e respeitosa.

O PCdoB é o partido do governador e historicamente foi assim: o partido do governador sempre fazia a maior bancada com uma diferença numérica muito grande para os outros partidos. Objetivamente falando, enquanto elegemos seis o PDT elegeu sete, o DEM colocou cinco, o PR fez três, e vários partidos com dois ou apenas um. Temos uma presença partidária muito forte na Assembleia, e diferente do que muitos defende, não é ruim, o problema nosso não está na quantidade de partidos, a pluralidade é necessária e faz parte de uma boa Assembleia.

Como deputados federais de outros campos políticos podem ajudar o Maranhão

Os deputados federais como um todo tem emendas individuais e de bancada que podem ajudar muito o estado. Mas, podem também ser interlocutores do estado do Maranhão junto ao governo federal. E, neste quesito, um aspecto mais importante já que é público e notório que o governador Flávio Dino faz oposição ao presidente Jair Bolsonaro, mas isso não quer dizer que não precisa e que não vai existir um diálogo institucional entre o governo do Maranhão e da República, até porque isso é obrigação dos dois, e a diferença política permanece, mas o que diz respeito aos interesses do povo se faz necessário o diálogo, tanto que é nosso vice-governador Carlos Brandão teve agenda com ministros, Dino também, e nossa expectativa é que no aspecto institucional haja um diálogo permanente com o governo federal.

Diálogos com os comunistas maranhenses

Esta semana tivemos uma reunião com a bancada de deputados estaduais do PCdoB, e o com Márcio Jerry, e tratamos de assuntos diversos. A posição da bancada do PCdoB em relação a composição da mesa diretora já foi tomada faz algum tempo. Tratamos também sobre ações políticas e planos para o próximo mandato, combinamos de convidar os prefeitos para articular nossas definições políticas; estes foram os temas.

Mas, aqui na Assembleia, tenho feito rodadas de conversas com todos os deputados. Essa lógica do diálogo permanente com todos os políticos, sejam da base governista ou da oposição, acontece o ano todo, até porque quem preside o poder legislativo preside todos os deputados, independentemente de sua opção política, ideológica ou partidária.

Relação com Flávio Dino

Umas das coisas que mais nos aproxima é que temos uma visão de mundo pelo mesmo campo, o de esquerda. Ao mesmo tempo em que temos essa relação política estreita, compreendemos que é preciso ter uma relação entre os poderes de independência, e isso é uma coisa que é muito forte, porque não é o fato de sermos aliados e termos uma relação pessoal muito boa que confundamos aquilo que diz respeito aos nosso papeis enquanto comandantes de poderes diferentes.

Claro que é razão de alegria ver o Flavio Dino governar o Maranhão e pra mim de liderar o poder legislativo, mas nem a nossa relação política nem a de amizade que nós temos um com o outro faz com que nós deixemos de compreender a função de cada um, e o poder legislativo exerce na sua plenitude a suas prerrogativas, não só de legislar como de fiscalizar. Alguém pode dizer que “o poder legislativo não briga com o executivo?”, mas o objetivo não é brigar, é manter uma relação harmônica e respeitosa. Em alguns momentos podemos ter divergências, que são legítimas, mas sempre mantendo o respeito institucional. Não é admissível quando um poder diverge do outro fora daquilo que estabelece a constituição. Isso é ruim para todos, para a sociedade, e nisso, eu insisto, o Maranhão é um exemplo para o Brasil, cada qual andando no seu devido espaço, cumprindo com suas obrigações constitucionais, e não tentando invadir o espaço do outro.

Flávio Dino: ‘A esquerda tem que dialogar’

Governador Flávio Dino defende apoio do PCdoB a Maia e diz que não se pode ‘sectarizar’.

Reeleito com 60% dos votos válidos, o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, pôs fim à hegemonia da família Sarney no estado e desponta como um dos líderes do campo progressista. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Dino diz que a esquerda não pode sectarizar o debate, “a gente não pode ficar só conversando com a gente mesmo”. “Estranho um certo sectarismo oportunista de ocasião, do tipo, eu aceito ser apoiado, mas não apoio ninguém”.

Para ele, o apoio do PCdoB à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) pode ser pedagógico para a esquerda mudar de atitude e ampliar o diálogo. Não se trata de “uma disputa ideológica”, afirma. Dino não tem dúvidas de que a oposição estará unida para fazer frente ao governo Bolsonaro, que na sua opinião tem agido de forma “atrapalhada”. Na contramão do governo federal, ele premia policiais que apreendem armas irregulares. “Somente fascistas acreditam na guerra e nas armas”, disse no discurso de posse. “Jesus Cristo era mais do Estatuto do Desarmamento do que do decreto do Bolsonaro”.

O senhor organizou as finanças do Maranhão, qual seu conselho para os governadores que estão com o estado quebrado?

Às vezes, eu vejo uma preocupação apenas com receitas ou apenas com despesas, discurso que se tornou lugar comum, do corte de gastos, enxugar o estado e tal. Minha sugestão é olhar as duas coisas o tempo inteiro, buscando equilíbrio. Às vezes tem que aumentar as despesas, como fizermos. Agora estamos buscando reduzir porque queremos recuperar o rating [o estado tem duas notas altas e uma baixa]. Mas o segredo é considerar que isso é uma coisa que cabe muito ao governador, é uma gestão tão importante que a minha sugestão é que o governador cuide disso pessoalmente.

Qual é sua posição sobre o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia?

Participei da decisão e concordo com ela. Uma eleição do presidente da Casa não é uma disputa ideológica ou política, não é uma disputa entre esquerda e direita ou entre situação e oposição. O que a gente busca é um presidente que respeite a minoria, garanta os espaços para que a oposição possa exercer o trabalho parlamentar. Até aqui o Rodrigo Maia tem se comportado muito bem nesse aspecto, não tem sido um presidente que atropela como o Eduardo Cunha fazia. Como ele tem sido correto na condução da Casa, achamos que ele deve continuar. Não significa que a gente concorde com a agenda dele. Por exemplo, ele defende privatizações e nós temos uma posição mais restritiva, mas não é isso que a gente está levando em conta. A oposição consegue trabalhar tendo ele como presidente ou ele atropela, desrespeita e viola as prorrogativas parlamentares? Essa é a pergunta.

Há na Câmara, parlamentares governistas que defendem mudanças no regimento interno para tolher a capacidade de obstrução da oposição. O senhor conversou com o deputado sobre isso?

Eu dialoguei com o Maia e ele sempre disso olha ‘como princípio geral na minha Presidência, a oposição é respeitada de acordo com as regras do jogo. Não tem aquele negócio de, votar várias vezes, voltar atrás…’ O histórico dele tem sido positivo, não acredito que ele vá apoiar qualquer coisa que restrinja o papel da oposição até porque seria inconstitucional. O processo legislativo é democrático e garantido pela Constituição, infelizmente já houve presidente que não observou isso. Nesse momento de muita instabilidade e incerteza, em razão do zigue-zagues do governo federal, acho que ele pode funcionar como um ponto de estabilidade e diálogo institucional mais amplo do país.

É difícil explicar essa aliança com Maia para a militância…

Temos colocado que a eleição da Câmara tem uma lógica própria, não é um comprometimento ideológico. É um comprometimento quanto as regras do jogo parlamentar, do regimento interno da Câmara. Historicamente [na Câmara] foram formadas alianças mais amplas, como, por exemplo, quando o Aldo Rebelo [ex-PCdoB] foi presidente e teve apoio do DEM; quando o PT também teve a presidência [da Câmara] também teve apoio de parte do PSDB, MDB. Sempre os presidentes eleitos foram sustentados por alianças mistas e plurais do ponto de vista político.

Mas alianças muito amplas já se mostraram controversas…

Não se pode sectarizar eternamente o debate político, tem que ter amplitude. O Brasil é um país grande e plural. Às vezes, vejo abordagem assim: ‘eu não converso com ninguém que apoiou o impeachment’. Fui contra o impeachment, mas aí você vai ficar preso eternamente naquele dia, vai congelar as relações políticas a um evento? Se [a esquerda] congela a fotografia daquele dia, sempre vamos perder, naquele dia nos perdemos fragorosamente, não conseguimos fazer um terço. Se você não quer ficar no canto do ringue, não quer ficar isolado no gueto, tem que dialogar com os diferentes e até com os contrários.

A esquerda precisa ampliar as interlocuções para sair da bolha?

Claro, senão a gente vai congelar a foto de um momento em que fomos esmagados. Não se pode ficar eternamente numa ação política puramente reativa, pode ser até “charmoso”, mas não é eficiente, não produz resultados em relação àquilo que representamos. A gente não pode ficar só conversando com a gente mesmo. Tem que ter amplitude do diálogo para quem pensa diferente, quem está mais à direita de você. Esse evento da eleição da Câmara, embora tenha uma lógica própria, ao mesmo tempo é pedagógico no sentido de definir uma atitude. Por que o Haddad cresceu na reta final do 2º turno? Porque a candidatura foi muito mais ampla, se ela tivesse expressado apenas a esquerda, teria apenas 30%, chegou a 45% porque outros setores do campo político, artistas, intelectuais votaram no Haddad e ninguém disse que estava errado. Estranho um certo sectarismo oportunista de ocasião, do tipo, eu aceito ser apoiado, mas não apoio ninguém. É descabido.

Como a oposição deve atuar no governo Bolsonaro?

Ultrapassada a questão da Mesa [da Câmara], temos o bloco PCdoB, PSB e PDT, tem o PT, que é um aliado fundamental, maior partido de esquerda e o partido do maior líder político do país, que é o Lula… Então, claro que a nossa relação preferencial é com o PT, PSOL, que também é importante. O amálgama dessa união tem que ser a proteção dos direitos dos mais pobres, das mulheres, dos índios… Faz uma agenda de direitos para cimentar essa aliança e procura ampliar as forças que defendam essa agenda. Porque se formos só nós, a gente já sabe o resultado, não precisa nem votar, a gente vai perder todas.

Então, o senhor defende um bloco mais amplo de oposição?

O bloco é um instituto jurídico regimental da Casa que atua como se fosse um partido só para fins parlamentares. Outra coisa é aliança do dia a dia, do chão do plenário, da disputa.

PCdoB, PSB e PDT não chegaram a um consenso sobre a eleição na Câmara e estudam liberar os votos…

Acho que pode ser, a [eleição] do presidente é um evento que vai acontecer e passar. Nos próximos quatro anos, é preciso debater as questões substantivas, a reforma da Previdência, direitos dos trabalhadores, terras indígena, segurança pública… isso vai unir a esquerda. Objetivamente isso vai unir, independente se um fizer careta ou cara feia, passada a eleição está todo mundo junto. Não tenho dúvida. Como o governo Bolsonaro é bem posicionado à direita e tem posições extremadas, isso naturalmente une. E inexorável!

Qual é sua opinião sobre os primeiros governo Bolsonaro?

É um governo que ainda não tem nitidez da sua agenda, de muito zigue-zague, muitas idas e vindas, muito confuso internamente e de pouco resultado. Olhando objetivamente o que acontece nesses dias do ponto de vista prático da vida da população só esse decreto das armas, que é um monumental equívoco tanto no conteúdo, quanto na forma. Só é possível prognosticar a medida que apareçam coisas mais nítidas, como, por exemplo, a proposta que eles vão apresentar da reforma da Previdência. Aí vai ficar mais claro para a sociedade qual é o caráter do governo.

O que chamou mais atenção?

É o fato de ser um governo muito desorganizado, sem gestão e núcleo de comando, um governo muito atabalhoado, muito atrapalhado. Você vê que em coisas banais eles se enrolam, anunciam uma coisa e não é aquilo, assina e não sabe o que assinou. Até aqui muito barulho, improvisação e ineficácia na apresentação da agenda deles.

Com um governo de direita e um Congresso mais conservador, a oposição vai ter que reinventar a forma de agir?

Quando Pedro na narrativa bíblica puxa a espada para enfrentar os romanos, Jesus Cristo disse para ele baixar a espada. Então, Jesus Cristo era mais do Estatuto do Desarmamento do que do decreto do Bolsonaro. Não acredito que em bloco a bancada evangélica vai votar a favor de todo mundo dando tiro no meio da rua. Na agenda de limitação ambiental, uma parte do mundo empresarial mais lúcida sabe que isso pode implicar em sanções contra o Brasil. Pode criar barreiras comerciais disfarçadas de barreiras ambientais e sanitárias. Então, uma parte do empresariado sabe que é loucura sair tratorando a Amazônia, transformar tudo quanto é terra indígena em plantação de soja. No meio desse blocão bolsonarista, há nuances, então tem como costurar posições mais moderadas.

Flávio Dino defende volta do combate à desigualdade à agenda nacional

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou os tropeços do início do governo Bolsonaro, lamentou que o debate sobre armas e fakenews esteja prevalecendo sobre temas mais relevantes para a sociedade como a desigualdade de renda e o desemprego, que continuam sendo os principais problemas do país

No Programa Diálogo, da Globonews, comandado pelo jornalista Mário Sérgio Conti, o governador reeleito no Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi apresentado como líder da oposição ao governo Bolsonaro no Nordeste, exercendo uma “oposição sóbria e realista” em contraste com o tom agressivo e gerador de conflitos que o novo presidente tem estimulado.

Explorando o perfil jurídico do entrevistado -Flávio Dino já foi juiz federal e é professor em cursos de Direito – Conti pediu a opinião do governador sobre o escândalo de movimentações financeiras irregulares que atinge a família Bolsonaro. Dino destacou que, ao barrar as investigações no STF a pedido do senador eleito Flávio Bolsonaro, o ministro Luiz Fux expõe questões jurídicas e políticas que trazem fatos novos que comprometem “domesticamente” a Presidência da República em sua promessa de combate à corrupção.

O governador, que reduziu a escalada de violência em seu estado, também criticou o decreto de flexibilização do porte de armas, tanto formalmente, no que tem de conflito com a lei, quanto pela ineficácia e demagogia da medida. Ele diz que Bolsonaro fica devendo na política de segurança pública e torce para que o governo federal consiga implementar políticas eficazes.

Conti questionou o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia para a eleição da Presidência da Câmara. Experiente no Congresso, Flávio Dino mostrou que o apoio temporário visa apenas garantir o espaço institucional adequado para o exercício da oposição no Legislativo. A experiência com Maia mostra que ele é capaz de respeitar a minoria parlamentar em todas as instâncias de debates da Casa, possibilitando vitórias da esquerda, como as que ocorreram recentemente contra a privatização da Eletrobras, a Reforma da Previdência ou o projeto de Escola Sem Partido. Quanto à oposição à plataforma de governo de Bolsonaro, ele diz que está garantida a participação do PCdoB na frente oposicionista em defesa dos trabalhadores e do país.

Ele lamentou a falta de agenda positiva neste início de governo, pelos desencontros e falta de comando político, mas criticou o modo como a reforma da Previdência tem sido encaminhada. Ele não apoia medidas que visem penalizar a aposentadoria dos mais pobres ou qualquer proposta que vise a reduz a Previdência a uma pura capitalização, que só beneficia os mais ricos, tornando-se uma tragédia social para a maioria dos trabalhadores brasileiros.

Num reconhecimento pelos avanços de seu governo, Flávio Dino foi questionado em que políticas o Maranhão pode ensinar outros estados. Ele considera que governar o estado nordestino mais pobre tem sido um enorme aprendizado para ele e para o povo maranhense. Em sua opinião, a educação integral tem sido uma política estratégica para a redução da violência e alavancar os índices positivos do estado. Uma de suas principais metas, desde esse início de governo, é atacar a mortalidade infantil ainda mais que no governo anterior, a partir de um programa de estímulo ao pré-natal e alimentação gestante.

Pacote anticrise é para manter o Maranhão funcionando normalmente, diz secretário Márcio Jerry

“É preciso fazer o que tem sido feito no Maranhão: pagar os salários em dia, o 13º em dia, cumprir com as obrigações”, afirmou o secretário

O pacote anticrise enviado pelo Governo do Maranhão à Assembleia Legislativa tem um objetivo bastante claro: fazer que o Estado continue funcionando normalmente, além de manter a expansão dos serviços públicos para a população. É o que explica o secretário estadual de Comunicação Social e Assuntos Políticos, Márcio Jerry, durante entrevista à Rádio 1290 Nova Timbira.

“O governador Flávio Dino tem o sentido de absoluta responsabilidade. Ninguém pode ficar parado diante de uma crise tão grande. É preciso ter muita capacidade, coragem e competência para driblar os efeitos negativos e manter o Estado funcionando normalmente”, diz Jerry.

“É preciso fazer o que tem sido feito no Maranhão: pagar os salários em dia, o 13º em dia, cumprir com as obrigações”, acrescenta.

Jerry lembra que o Maranhão perdeu, desde 2015, mais de R$ 1,5 bilhão em repasses federais por causa da crise que atinge o Brasil. Apesar de muitos Estados mal conseguirem honrar a folha de pagamento, o Maranhão tem sido exceção graças à gestão eficiente feita nos últimos quatro anos.

O pacote anticrise tem diversos benefícios diretos para o consumidor. Entre eles, isenta mais de 100 mil micro e pequenas empresas do pagamento de ICMS. E também coloca fim ao IPVA para cerca de 75 mil motos de até 110 cilindradas. São as populares Biz e Pop, por exemplo.

Além disso, o Projeto de Lei cria o Cheque Cesta Básica. O programa vai destinar o valor do ICMS pago nos produtos da cesta básica para os maranhenses mais pobres. Para fazer a compensação da perda de arrecadação dessas medidas, será alterada a alíquota de ICMS do óleo diesel e da gasolina. O aumento para o consumidor final será pequeno: R$ 0,01 e R$ 0,08, respectivamente.

“O governador Flávio Dino aumentou, nestes quatro anos, as ofertas na Saúde, com os hospitais macrorregionais, o Hospital de Traumatologia e Ortopedia, o Sorrir, o Ninar, fazendo que houvesse melhoria na oferta de serviços. Na Educação, criou o IEMA, as escolas de ensino integral, a UemaSul, ampliou o número de professores, paga o melhor salário para a categoria no país”, diz Márcio Jerry, listando algumas ações que transformaram o Maranhão.

“Tudo isso foi possível porque houve investimentos nessas áreas. E para isso, precisa de recursos. Se não tivéssemos ampliado os serviços, não teríamos conseguido atender os cidadãos.”

O secretário cita também os investimentos na Segurança Pública, que permitiram, por exemplo, prender na madrugada desta terça-feira (4) mais nove integrantes da quadrilha que assaltou uma instituição financeira em Bacabal. Márcio Jerry também ressalta o corte de gastos que vem sendo feito desde 2015 e foi acentuado no mês passado, com uma série de medidas no Governo do Estado. Foram determinadas reduções de despesas em telefonia, viagens e diárias, entre outras.

“O governador cortou na carne. Com o agravamento da crise, é preciso tomar novas medidas, reduzir gastos em vários itens para promover investimentos em tempos de tanta escassez”, afirma Jerry.

“Flávio Dino continuará trabalhando para driblar os efeitos da crise e fazer que o Maranhão continue sendo um exemplo para o Brasil. Vai continuar sendo administrado com transparência, competência e honestidade, que são as marcas do Governo Flávio Dino”, diz o secretário.

“Vamos reforçar ainda mais a geração de empregos”, diz secretário da Fazenda do Maranhão

Desde 2015, o Maranhão já deixou de receber mais de R$ 1,5 bilhão de transferências do governo federal por causa da crise

Mesmo com um cenário de grave crise econômica nacional, o Maranhão tem condições de levar adiante a política de geração de emprego e renda que vem sendo promovida desde 2015. Essa é a avaliação feita pelo secretário estadual da Fazenda, Marcellus Ribeiro, durante entrevista à Rádio Nova 1290 Timbira.

De acordo com ele, a receita para isso é continuar com o equilíbrio fiscal. Assim, será possível seguir com as políticas públicas adotadas no Maranhão desde 2015.

“Estamos adotando medidas tanto em corte de gastos como medidas que visam minimizar as perdas de receitas. Vamos fortalecer ainda mais a atração de empresas para o Estado do Maranhão e buscar reforçar ainda mais a geração de empregos e a geração de renda”, diz Ribeiro.

Ele lembra que o Brasil vive uma grave crise fiscal há cerca de cinco anos. E que, como outros Estados, o Maranhão sofre os efeitos dessa crise. Mas as medidas que vêm sendo tomadas nos últimos quatro anos pelo governo Flávio Dino têm amenizado muito o impacto negativo.

Desde 2015, o Maranhão já deixou de receber mais de R$ 1,5 bilhão de transferências do governo federal por causa da crise. Essas transferências são garantidas pela Constituição.

“Por isso não podemos ficar dependentes do governo federal. Se tivéssemos ficado dependentes em 2015, estaríamos agora como muitos Estados, que passam muita dificuldade”, afirma o secretário da Fazenda.

“Vamos fortalecer ainda mais a busca incessante da recuperação do crédito tributário, de modo que a gente possa ampliar as nossas receitas próprias e reduzir gastos desnecessários, para que continuemos a manter o equilíbrio fiscal, não para o governo em si, mas para a população do Estado. Para manter as políticas públicas, de segurança, de construção de estradas. A melhor consequência desse equilíbrio fiscal é a continuidade de todas as políticas públicas no Estado a partir de 2015”, acrescenta.

Em entrevista, vice-governador destaca tratativas com outros países para investimentos no Maranhão

Vice-governador destacou os resultados de tratativas com outros países. (Foto: Handson Chagas)

“O Governo do Maranhão está sempre em interlocução com países que possam investir em áreas de interesse para os maranhenses, agregando conhecimento, novas tecnologias e desenvolvimento do Estado”, pontuou o vice-governador, Carlos Brandão, durante entrevista, nesta quarta-feira (21), ao radialista Gilberto Lima, no programa Comando da Manhã, da Nova 1290 – Rádio Timbira AM.

O vice-governador destacou os resultados de tratativas com outros países com o objetivo de abrir espaço para investimentos para o Maranhão. China e Israel estão na lista dos países que indicam possibilidades de execução de projetos nas áreas como agricultura e segurança pública.

Carlos Brandão destacou visita a uma feira de ciência, tecnologia e inovação, na área de segurança pública, semana passada, em Israel. A comitiva maranhense, coordenada pelo vice-governador, conheceu empresas de monitoramento, de drones, de bloqueio de celulares no presídio e de itens de segurança como tornozeleira eletrônica e equipamentos de leitura facial e de placas de veículos. A visita proporcionará a adoção das medidas que vão somar à série de ações da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA) para aprimorar os serviços de segurança pública no Maranhão.

“Precisávamos conhecer novas tecnologias para aprimorar e realizar maiores investimentos no setor – na polícia técnico-científica e serviço de inteligência. E Israel tem o que há de melhor no mundo”, enfatiza o vice-governador. O gestor afirmou que há reais possibilidades de concretização dos projetos na segurança, pois, grande parte das empresas visitadas têm sede no Brasil. “Isso nos garante maior acesso. Foi uma visita bastante produtiva”, pontuo o vice-governador.

A comitiva conheceu o sistema de irrigação do país que tratam a água de esgoto para cultivo de frutas e verduras, abastecendo localmente e também exportando. “Estamos elaborando um projeto-piloto com fins a promover irrigação das barragens e açudes com essa tecnologia avançada”, diz o vice-governador.

O processo de dessalinização utilizado em Israel foi outro tema que interessou ao governo maranhense. Pelas grandes dificuldades na questão hídrica, Israel se especializou em tecnologia e tiram a água do mar, tratam e abastecem 70% da população. No Maranhão, a tecnologia pode ser aplicada em Barreirinhas, Paulino Neves, Viana, Santo Amaro. “São regiões que possuem poços artesianos com água salobra e nosso propósito é aplicar no tratamento destes pontos. A visita foi bastante produtiva e vamos debater sobre as possibilidades que podemos aplicar em nosso Estado”, pontua Brandão.

Antecipando as tratativas, o embaixador de Israel esteve no Maranhão em quatro oportunidades quando foram definidas agendas de parcerias. “São encontros que realizamos, desde o início do ano, tratando, principalmente, de tecnologia de ponta para agricultura e segurança. O governo avalia novos parâmetros para a tecnologia da inovação, segurança, cibernética agricultura e setor hídrico. Nesta próxima gestão do governador Flávio Dino vamos colocar em andamento essas tratativas”. No grupo de autoridades estavam presentes representantes da SSP e da Secretaria de Estado de Projeto Especiais (Sepe).

Na entrevista, o vice-governador destacou as políticas da gestão que garantem o cumprimento dos pagamentos de servidores em dias e, algumas vezes, antecipados. Analisou o uso de fake news com o objetivo de prejudicar a atuação do Governo do Estado, de entrega de obras públicas; do fortalecimento de programas sociais e da continuidade da gestão com propostas de desenvolvimento do Estado.

Brandão frisou que, nessa eleição, o governador Flávio Dino mostrou que a população está com ele e porque é o governador de todos. “O governador teve 60% dos votos, elegemos 80% da nossa bancada estadual e federal, além dos dois senadores. Algo histórico e essa bancada forte vai se posicionar em favor do Maranhão. O direcionamento é o mesmo: governando para todos os municípios e para todos os maranhenses, realizando obras que atendam à população, independente de ideologias e manter a boa relação com o Governo Federal”, afirmou.

Weverton Rocha concede entrevista e analisa cenários para os próximos anos

Na entrevista, Weverton falou sobre o desejo de alternância expresso pela grande maioria da população maranhense

O senador eleito Weverton Rocha (PDT) concedeu entrevista ao jornal O Imparcial e analisou o resultado das urnas, além do cenário político para os próximos anos. Weverton é presidente estadual do PDT e foi eleito senador com 1.997.450, faltando apenas 2.550 para dois milhões de votos.

Na entrevista, Weverton falou sobre o desejo de alternância expresso pela grande maioria da população maranhense. “Imagine-se o grupo que foi derrotado depois de quase 50 anos mandando aqui. A eleição do governador vai definindo a tendência e a vontade do eleitor de não retornar mais os que estavam no poder, tiveram a oportunidade de realizar muito em favor do povo e não fizeram. Foi também um recado muito duro” afirmou o senador eleito.

Weverton abordou sobre o papel do governador Flávio Dino na liderança do projeto vitorioso que sacramentou a derrota do grupo Sarney no Maranhão. “O governador foi eleito no primeiro turno com uma vantagem enorme sobre a candidata derrotada, além dos dois senadores, a maioria da bancada federal na Câmara e vitória esmagadora da Assembleia Legislativa”. Com os resultados das urnas “Aumenta a responsabilidade e ao mesmo tempo confirma a sua liderança diante de uma administração propositiva, com transparência e prestação de contas do mandato. Ao fazê-lo durante a campanha, ele mostrou o que realizou e levou uma palavra de reafirmação de um aplano de governo. Ele tem um plano de governo e sabe o que quer para cada área” disse.

Questionado sobre que vai acontecer daqui a quatro anos na política do Maranhão, com o fim dos oito anos de Flávio Dino e os primeiros quatro de sua investidura no Senado. Weverton foi taxativo em afirmar que o melhor é esperar a hora certo para discutir o assunto. “Vamos esperar que os próximos quatro anos sejam para Flávio Dino o de cumprimento de suas metas, de concretização das mudanças em curso, mesmo diante de tantas dificuldades que terá de encarar para impedir o colapso que ocorreu em vários outros estados. Em Brasília, ele terá o apoio que não teve no primeiro mandato para tocar seus projetos. Vou continuar empenhado em ajudá-lo nesse novo momento. Tenho sempre dito que não faço nenhum projeto pessoal. Individual. O projeto majoritário é de grupo. Estou preparado para todos os projetos que o grupo definir. Hoje, o grupo tem um comandante que é Flávio Dino. Vamos aguardar. É cedo para discutir isso”, sentenciou Weverton.

Sobre as próximas eleições, tendo em vista que o PDT administra a capital São Luís, com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Weverton afirmou que o condutor da sucessão na capital é o próprio Edivaldo. “Ele tem experiência acumulada, é um gestor responsável, tem realizado uma gestão produtiva e limpa de atos desabonadores”, concluiu Weverton.

Fomos miseravelmente traídos por Lula, não farei mais campanha para o PT, diz Ciro

Estadão

Terceiro colocado na eleição presidencial, Ciro Gomes (PDT) afirmou, em entrevista à Folha, que foi “miseravelmente traído” pelo ex-presidente Lula e seus “asseclas”.

Em seu apartamento, onde concedeu nesta terça-feira (30) sua primeira entrevista desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), Ciro nega ter lavado as mãos ao ter viajado para a Europa depois do primeiro turno. “A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto”.

“Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”, disse.

O pedetista critica a atuação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura e diz que considerou um insulto convite de Lula para assumir o papel de seu vice no lugar Fernando Haddad (PT).

No primeiro turno, o senhor afirmou que choraria e deixaria a política se Bolsonaro ganhasse. Deixará a vida pública? Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão.

E não tomou uma decisão se será candidato em 2022? Não. Quem conhece o Brasil sabe que você afirmar uma candidatura a 2022 é um mero exercício de especulação, porque a adrenalina não pacificou. Só essa cúpula exacerbada do PT é que já começou a campanha de agressão. Eu não. Tenho sobriedade e modéstia. Acho que o país precisa se renovar.

O senhor disse que deixaria a vida pública porque a razão de estar na política é confiar no povo brasileiro. Deixou de confiar? Não, procurei entender o que aconteceu. Esse distanciamento me permitiu isso. O que aconteceu foi uma reação impensada, espécie de histeria coletiva a um conjunto muito grave de fatores que dão razão a uma fração importante dessa maioria que votou no Bolsonaro. O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor que criou uma força antagônica que é a maior força política no Brasil hoje. E o Bolsonaro estava no lugar certo, na hora certa. Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.

Naquele momento do país, uma viagem à Europa não passou uma impressão de descaso? [Ciro viajou para Portugal, Itália e França após o 1º turno] Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando.

Com a sua postura de neutralidade, não lavou as mãos em um momento importante para o país? Não foi neutralidade. Quem declara o que eu declarei não está neutro. Agora, o que estava dizendo, por uma razão prática, não iria com eles se fossem vitoriosos, já estaria na oposição. Mas estava flagrante que já estava perdida a eleição.

Por não ter declarado voto, não teme ser visto como um traidor pelos eleitores de esquerda? A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto. Quem tiver prestado a atenção no que falei, está muito clara a minha posição de que com o PT eu não iria.

Não se aliará mais ao PT? Não, se eu puder, não quero mais fazer campanha para o PT. Evidente, você acha que eu votei em quem?

No Haddad? Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências.

Quem são os bajuladores? É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?

Por que o senhor não aceitou ser candidato a vice-presidente de Lula? Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado.

Por que não declarou voto em Haddad? Aquilo era trivial. O meu irmão foi a um ato de apoio a Haddad, depois de tudo o que viu acontecendo de mesquinho, pusilânime e inescrupuloso. É muito engraçado o petismo ululante. É igual o bolsominion, rigorosamente a mesma coisa. O Cid está lá tentando elaborar uma fórmula de subverter o quadro e é vaiado. Estou devendo o que ao PT?

Não declarou voto no Haddad por causa do Lula? Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT. Agora, em uma eleição que tem só dois candidatos, na noite do primeiro turno, disse à imprensa: “Ele não”. O que ele quer mais agora?

Cid Gomes cobrou uma autocrítica dos petistas. E quais foram os erros cometidos pelos pedetistas? Devemos ter cometido algum erro e merecemos a crítica. Mas, nesse contexto, simplesmente multiplicamos por um milhão as energias que nos restaram para trabalhar. Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana.

Isso por Lula? Pelo ex-presidente Lula e seus asseclas. Você imagina conseguir do PSB neutralidade trocando o governo de Pernambuco e de Minas? Em nome de que foi feito isso? De qual espírito público, razão nacional, interesse popular? Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira. O PT elegeu Bolsonaro.

Todas as pesquisas, não sou eu quem estou dizendo, dizem isso. O Haddad é uma boa pessoa, mas ele, jamais, se fosse uma pessoa que tivesse mais fibra, deveria ter aceito esse papelão. Toda segunda ir lá [visitar Lula], rapaz. Quem acha que o povo vai eleger pessoa assim? Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o querem fazer comigo.

A postura do senhor não inviabiliza uma reaglutinação das siglas de esquerda? Não quero participar dessa aglutinação de esquerda. Isso sempre foi sinônimo oportunista de hegemonia petista. Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo. Isso não é esquerda. É o velho caudilhismo populista sul-americano.

A liberdade de imprensa está ameaçada? É muito epidérmica a nossa sensibilidade. Não acho que tem havido nenhuma ameaça à liberdade de imprensa até aqui. Por isso que digo que uma das centralidades do mundo político brasileiro deveria ser um entendimento amplo o suficiente para cumprir a guarda da institucionalidade democrática. E um dos elementos centrais disso é a liberdade de imprensa. A imprensa brasileira nepotista e plutocrata como é parte responsável também por essa tragédia.

A imprensa ajudou a eleger Bolsonaro? A arrogância do [William] Bonner achando que podia tutelar a nação brasileira, falar pela nação brasileira. A Folha que repercute uma calúnia contra uma cidade inteira que é reconhecida mundialmente como um elemento de referência de educação para me alcançar [Ele se refere a reportagem sobre relatos de estudantes de fraudes em avaliações nas escolas de Sobral, no Ceará].

E os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça? Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros.

Maura Jorge sobe o tom e desce o verbo em entrevista

A pré-candidata mostrou sua desestabilidade ao chorar ao viva na entrevista após uma bateria de críticas aos partidos e o programa teve que ser interrompido

A ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata ao Governo do Estado, Maura Jorge (PSL), deu entrevista, hoje (30), a uma rádio local e se mostrou revoltada com as últimas tratativas que fizeram com que ela perdesse o apoio do PSC, PMN, PSDC, Avante e Podemos.

Maura Jorge não poupou críticas à deputada federal Luana Costa (PSC) e ao seu marido, o ex-prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves. Na entrevista, ela afirmou que para Luana não importava um projeto de estado, mas sim a reeleição para a Câmara dos Deputados e deu a entender que a ida do PSC para a coligação da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) foi “uma troca de benéfices”.

O presidente do Podemos, Aluísio Mendes, também não foi poupado por Maura Jorge. A candidata do PSL afirmou que o Podemos era hipócrita por não pensar na construção de uma terceira via. Maura também afirmou que hoje o Podemos é grande graças ao trabalho que ela desempenhou nesses dois anos com o deputado Aluísio e que não faz sentindo o partido apoiar o nome de Roberto Rocha só por pensar na reeleição de seu presidente.

A crise dentro do PSL foi evidenciada por Maura na entrevista. Em suas palavras, a perda do apoio do Podemos e do PMN do deputado estadual Eduardo Braide se deu “pelo pensamento ainda de velha política” do atual presidente estadual da sigla, o vereador Chico Carvalho.

Maura ainda afirmou que Chico Carvalho foi o principal causador do rompimento com o PSC de Luana Costa e Léo Cunha. O vereador chegou a discutir e quase foi às vias de fato com Ribamar Alves. Sobre Chico Carvalho, Maura ainda falou que o presidente da legenda ainda não entendeu o projeto nacional do PSL e que isso iria prejudicar gravemente sua candidatura.

A pré-candidata mostrou sua desestabilidade ao chorar ao viva na entrevista após uma bateria de críticas aos partidos e o programa teve que ser interrompido.